De Onde vem o Poder?

O conceito de Potência em Maçonaria abrange o de Obediência. O dicionário de Joaquim Gervásio de Figueiredo define Obediência como “uma Potência maçônica formada no mínimo de três Lojas”. No verbete Potência, o mesmo dicionário conceitua Potência como as Grandes Lojas, os Grandes Orientes ou os Supremos Conselhos reconhecidos como autoridade. Essas duas noções praticamente se confundem, exceto se exercermos a visão de que Potência abrange Obediência. 

No Brasil são três os níveis de Potência simbólica: As 27 Grandes Lojas confederadas à CMSB, os Grandes Orientes confederados à COMAB. e o Grande Oriente do Brasil com seus Orientes Estaduais. (O Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil também é uma Potência, mas na administração dos Graus 4º em diante.)
 
A CMSB. (Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil) não é Potência nem Obediência, mas como o próprio nome indica, uma associação de Grandes Lojas soberanas unidas no interesse comum, porém, conservando cada uma delas sua autonomia em todos os domínios. Assim também é a COMAB. (Confederação Maçônica do Brasil) em relação aos Orientes Estaduais que a compõem. Já o Grande Oriente do Brasil não é uma simples confederação, uma vez que ali existe um poder central (sediado em Brasília-DF) e um Grão-Mestre Geral.
 
Cada uma das Lojas, seja das Grandes Lojas, ou dos Grandes Orientes, está no âmbito da respectiva Potência e esse espaço jurisdicional compreendido dentro de limites territoriais é chamado Obediência. Aqui, a palavra Obediência não significa submissão, sujeição ou vassalagem, mas uma esfera de autoridade.
 
O direito ou poder de ordenar Lojas e exercer o domínio são exclusividades das Potências. Quando usamos o termo “poderoso” (poderoso Irmão, poderosa Oficina, poderosa Assembleia, etc.) estamos nos referindo ao fluxo de poder que vem do mais alto (a Potência), passando pelas Lojas, suas diretorias e membros, e retornando, através do sistema democrático (participação nas Assembleias Gerais e voto) para o mais elevado e mais geral. Esse movimento de fora para dentro e de baixo para cima constitui a estrutura da Maçonaria conforme a Constituição de Anderson e os Landmarks
 
A existência regular e legítima de uma Loja apoia-se no lugar e na organização que ela assume, ou seja, o lugar é a jurisdição ou Potência. A organização é a forma administrativa e ritualística. Assim, uma Loja jurisdicionada à Grande Loja Maçônica de Minas Gerais ocupa um lugar no cadastro, um lugar no território físico (o “âmbito” da Grande Loja) e uma organização subordinada à Constituição, às leis, normas, rituais, regulamentos, decretos e circulares emanadas da Potência, cujo supremo mandatário é o Grão-Mestre. 
 
Da mesma forma, os poderes do Venerável Mestre lhe foram conferidos pela mesma Potência. Os rituais em uso nas Lojas são, em última instância, propriedade da Potência ou registrados como propriedade autoral de outra entidade maçônica superior. Assenhorear-se de “um ritual” na internet ou copiá-lo de um amigo não dá a um maçom ou Loja o direito de executá-lo. No sentido mais estrito da linha sucessória e tradicional (para não dizer espiritual) um “ritual” assim realizado não passará de uma imitação e impostura.
 
Conclusão
 
Mais do que teorias, fazer Maçonaria é, antes de tudo, construir um ambiente de cavalheirismo e concórdia que influencie o mundo ao nosso redor. Cavalheirismo diz respeito às ações e bons modos, à nobreza de atitudes e decisões, à gentileza na abordagem dos relevantes temas de nossa Ordem. Já a palavra concórdia é de cunho simbólico (cum + cordis = com o coração) que aponta para o estado de harmonia e bom entendimento.
 
Assim, o debate de ideias, fundamental à existência da Maçonaria, não exclui o respeito à hierarquia. Nada supera o conhecimento na dissipação da intolerância. Enquanto nossas opiniões não forem comprovadas pelas evidências, limitemo-nos às duas linhas paralelas e ao Livro da Lei, pois assim procedendo, não poderemos errar.  
 
Autor: José Maurício Guimarães 
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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, Nº 273, jurisdicionada à GLMMG, oriente de Ibirité/MG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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