Maçonaria – Uma Abordagem de Caráter Administrativo e Ritualístico

 
JUSTIFICATIVA:
 
Aos Irmãos Aprendizes, pessoas livres e de bons costumes, recém iniciados na Instituição Maçônica, é recomendável tecer alguns comentários na intenção de propiciar melhor aproveitamento, assimilação e compreensão da estrutura e funcionamento da Loja.
 
 
MOTIVAÇÃO:
 
A Loja, Pessoa Jurídica, possui seu contexto administrativo e legal; no entanto deve zelar, especialmente, pelo seu aspecto ritualístico. Olvidando a ritualística gera, dentre outras, uma das causas da dispersão dos Irmãos. 
 
 
OBJETIVO: 
 
Mostrar os dois lados de nossa Ordem, o ritualístico/litúrgico como meio para atingir a finalidade: “Tornar Feliz a Humanidade“; e, o administrativo/legal como suporte para a existência da instituição. Considerando, finalmente que a iniciação é para sempre, pois uma vez recebida a Luz a pessoa será maçom para sempre, dentro ou fora de Loja, é mister que se conheça desde já os aspectos administrativos e ritualísticos da Ordem.
 
Nessa primeira abordagem, mais dedicada aos Irmãos Aprendizes, e sem prejuízo de entendimentos contrários, inclusive pelos próprios Irmãos Aprendizes, vamos fazer breve comparação do mundo comum com o mundo maçônico. 
 
Vejam: dois mundos, linguagem e terminologia diferente; ambiente diferente, porém com algo em comum: o Ser Humano. 
 
 
LOJA – PESSOA JURÍDICA
 
A Loja como Pessoa Jurídica é representada pelo Presidente e demais membros da administração, que são os mesmos Irmãos eleitos ritualisticamente para conduzirem os trabalhos litúrgicos das sessões. 
 
As atribulações do mundo comum dispensam comentários, por ser de domínio público. Desse mundo comum pessoas virtuosas, após manifestarem interesse em conhecer a Ordem Maçônica, são de certa forma analisadas pelos fatores básicos da reputação ilibada, idoneidade moral e capacidade intelectual, daí convidadas, por maçom colado no grau de Mestre, para pertencerem à Ordem. 
 
O aspecto administrativo marcado pela burocracia a ele inerente; fiscal, social, manutenção de instalações, aquisições de materiais, alienações e compra de bens, contratação de serviços, etc.. Para isso acontecer existe, planejamento, orçamento, execução orçamentária e prestação de contas iguais a qualquer outra instituição de cunho filantrópico. Nesse contexto o Venerável Mestre, representa o Presidente, os 1º e 2º Vigilantes o Primeiro e Segundo Vice-Presidentes, respectivamente; coincide a denominação dos cargos de Secretário e Tesoureiro; o Orador representa o Consultor Jurídico. Os demais cargos não necessariamente precisam ter correlação. 
 
 
LOJA SIMBÓLICA – ABORDAGEM RITUALÍSTICA
 
A simbologia e alegoria da Loja, aos poucos e gradativamente é ensinada aos Irmãos, sob a forma de instruções que compõem os Rituais, sendo as lições distribuídas de maneira sequencial e divididas em graus, isso para facilitar a compreensão. 
 
Como já foi dito anteriormente, a pessoa só é iniciada na Ordem se: 
 
– preencher os requisitos básicos que a qualifique como sendo livre e de bons costumes; 
– demonstrar interesse pela Maçonaria; e, 
– for convidada por um Mestre Maçom, que seja seu amigo para apadrinhá-lo e que após a iniciação será reconhecido como Irmão, juntamente aos demais Membros da Ordem. 
 
Nessas circunstâncias é constituído processo iniciático, que tem exigências de cunho social, legal e burocrático, para em seguida proceder à iniciação ritualística em Loja.
 
Relativamente ao padrinho, ele é o grande responsável pelo candidato até o ato iniciático, a partir daí todos os Irmãos da Loja devem acolher o neófito com o mesmo sentimento e preocupação com seu desenvolvimento maçônico como se fossem padrinhos, irmãos mais velhos. E, reciprocamente, o neófito deve ver em todos os Irmãos a figura fraterna, amável e hospitaleira que os irmãos o recebem, sem reservas nem preconceitos. Fica o título de padrinho como uma deferência a quem fez a indicação.
 
Como a apresentação do estudo maçônico é muito vasta e até mesmo complexa, houve por bem dividi-la em graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre. Só repassando as instruções aos ritualisticamente iniciados, pois há temas e fatos que podem chocar o público menos esclarecido. Talvez seja uma das razões das pessoas afirmarem existir um grande mistério na Maçonaria.
 
Quanto aos trabalhos, a Maçonaria é uma instituição milenar de caráter filosófico que se desenvolve mediante liturgia própria; para isso ela congrega pessoas de diversas matizes religiosas, políticas e sociais, para propiciar o estudo e a investigação em todas as áreas do conhecimento. Assim, faz sentido a afirmação do poeta português Fernando Pessoa, quando dizia que a Maçonaria não tem uma doutrina, mas, várias. Coadunando, também, com a liberdade de pensar, falar e agir, próprios de uma pessoa livre e de bons costumes.
 
Além dos pressupostos da boa procedência deve, ainda, o maçom ser pessoa competente, afeita aos estudos, pesquisas e debates, utilizando sempre de argumentos sólidos e praticando em todos os momentos e circunstâncias o respeito mútuo. Portadora dessas características, por dedução lógica, o maçom é sempre pessoa voltada ao trabalho incessante, que além de gerar conhecimento eclético propicia o acesso a farto material para seu sustento digno, permitindo-lhe ser solidário com os desafortunados. 
 
O maçom possui também competência para trabalhar, propor e apresentar temas de interesse da Ordem e da Loja; aceitando debatê- los no campo das ideias, não se melindra com opiniões contrárias às suas, pois como se sabe, não existe apenas uma versão e uma verdade relativa aos temas do mundo. 
 
Nessa linha do debate, o uso de argumentos, ilustrações e exemplos deve ser farto, claro e coerente para não cair na vala comum e discordar simplesmente para não concordar… ou concordar sem analisar simplesmente para agradar e não ter o trabalho de produzir argumentos divergentes.
 
O respeito mútuo começa exatamente com o sentimento próprio – conhecer para debater e crescer com a discordância abalizada do debatedor – ou seja, não se deve jamais proferir ofensas, na esperança de também, não recebê-las. 
 
Contudo, se no debate surgir ofensas, é sinal de que o debatedor ainda não assimilou a boa prática maçônica. Daí deve-se evitar o debate até que haja nivelamento de conhecimentos e propósitos. Por outro lado, se acusado se ofender, deve-se esclarecer ou se desculpar, evitando-se, dessa forma, possíveis animosidades, pois conforme orientam nossos Rituais, Irmãos em animosidade não devem se reunir dentro do Templo Sagrado. Aquele que mantiver a inimizade deve se afastar dos trabalhos em Loja.
 
Essa orientação deve pautar as atitudes, comportamentos e ações dentro e fora da Ordem. 
 
No grau de Aprendiz, guardando coerência com o termo, o Irmão vai receber instruções iniciais sobre a Ordem; momento que vai ouvir mais do que falar e muitas vezes presenciar debates sobre diversos temas, sem que tenha condições de opinar por faltar-lhe conteúdo. Há, nesse cenário, acertos e desacertos, que são inerentes ao Ser Humano. O esforço deverá ser no sentido do engrandecimento, pelo acerto. Essa prática faz das Lojas verdadeiros laboratórios de ideias.
 
Buscar sempre orientação dos Irmãos mais antigos; perguntar sempre que tiver dúvidas ou necessidade em conhecer e saber; evitar, por razões óbvias, entrar em debates de matérias que envolvam fatos administrativos pretéritos; colaborar e estar presente sempre aos eventos de Loja e extra-Loja, para acelerar sua familiaridade maçônica. Irmanados no firme propósito de crescimento, o trabalho maçônico incessante gera energias positivas capazes de manter aceso o ideal de combater ignorâncias, preconceitos e erros. Eis o nosso salário e nossa recompensa: Energias limpas e puras que nos reabastece e nos permite voltar ao mundo comum e transmitir parte dessas energias aos nossos semelhantes na esperança que o mundo seja melhor.
 
 
 
Autor: Edimar Miguel da Costa 
E.V. da Loja Maçônica de Estudos e Pesquisas Dom Bosco nº 33 – GLMDF 
Membro da Loja Simbólica Nascente do Lago Sul Nº 27 – GLMDF 
Auditor, Perito Contábil e Professor na Universidade do Mérito.  
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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, Nº 273, jurisdicionada à GLMMG, oriente de Ibirité/MG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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