Fraternidade, Fanatismo e Ignorância

A FRATERNIDADE

Abraão Lincoln, Presidente dos Estados Unidos da América do Norte no século passado, maçom e um dos mais proeminentes defensores da verdadeira fraternidade maçônica, numa ocasião em Loja, quando seus irmãos lhe pediram uma explicação do sentido da palavra fraternidade, Lincoln citou o seguinte exemplo: Ele mesmo, num inverno gélido da América do Norte, encontrava-se nas proximidades de um outeiro, coberto de neve, observando com curiosidade dois rapazotes que alegremente desceram o morro sobre um trenó. Após a chegada do veículo ao pé da colina, o rapaz maior pôs o pequeno nas costas e o carregou na garupa até o cume da elevação, puxando, ao mesmo tempo, ofegante, o seu pesado trenó em uma corda morro acima. Várias vezes já tinham descido e subido, quando, após outra descida Lincoln se aproximou do rapaz mais velho e lhe dirigiu a palavra: “Mas é uma pesada carga que tu sempre levas morro acima”. O interpelado, entretanto, respondeu sorridente: “Não senhor, esta carga não me pesa, pois este é meu irmão”. Para Lincoln fora sempre esta resposta a mais acertada definição da palavra fraternidade, a frase tão simples e ingênua: Esta carga não me pesa, pois este é meu irmão”. Amor fraternal requer um  espírito elevado.

Feliz toda Loja Maçônica onde reina este verdadeiro espírito de fraternidade. Este amor fraternal é o cimento místico que une os verdadeiros maçons dentro de uma loja. Combatemos em nossas Lojas o vício, a vaidade e o nosso egoísmo, que é o maior inimigo da fraternidade. O Lídimo Maçom, porém, age sempre dentro dos princípios da fraternidade. Condição primordial para tanto é que os irmãos de uma loja se conheçam bem e não só superficialmente, assim que cada um pode ter plena confiança no outro, pois pode chegar o momento em que o nosso espírito de fraternidade é posto a prova contra eventuais difamadores profanos e até mesmo, contra “Irmãos” que ao terem seus próprios interesses  pessoais contrariados se esquecem dos princípios maçônicos chegando a se negar receber o cumprimento fraternal de outro Irmão. O estreitamento dos laços de amizade e fraternidade devia ser a maior preocupação dos dirigentes de uma oficina. Para tanto não é preciso qualquer sacrifício. Quando por exemplo no dia do aniversário  ou numa outra ocasião festiva familiar de um Irmão, um telegrama, um cartão ou um simples telefonema para este Irmão, aprofundamos em nós mesmos o sentimento humanitário e no coração de nosso Irmão, produz um efeito salutar, pois este Irmão Maçom percebe, satisfeito que não é um mero número dentro de sua Loja, mas sim uma personalidade estimada por seus Irmãos.

Há muitas ideias poderosamente benéficas que não se realizaram por causa das condições egoístas em que vivemos.

Devemos difundir a ideia de que a verdadeira guerra santa é a que fazemos na vida conosco mesmos, quando lutamos pelo nosso melhoramento moral. Se alguém sentir-se incapaz para empreender a luta, ilumine seus pensamentos com uma só filosofia e penetre o verdadeiro conhecimento da lei da vida e tenha o máximo cuidado de interrogar a si mesmo com o rigor e a imparcialidade que convém. Ora, se há ponto em que mais imparciais precisamos ser, é precisamente no que aos nossos pensamentos diz respeito e o que ao nosso modo de julgar e de apreciar se refere.

Por mais bela e fecunda que seja uma semente, jamais nada  ela produzirá, se não conseguir irromper a luz. O embrião das boas ações, dos gestos generosos, das atitudes corretas, todos os têm, mas sucede que muitos o deixam morrer, outros os encaram com indiferença, como se a vida fosse um mero jogo de crianças, uma simples competição de interesses, ou uma cruel rivalidade de egoísmo e ambições.

Assim sendo, é bom lembrarmos o que é fraternidade: união ou convivência como irmão, amor ao próximo, fraternização, harmonia, paz, concórdia; bem como o que é Maçonaria: uma associação de homens sábios e virtuosos, que se consideram irmãos entre si, cujo fim é viver em perfeita igualdade, intimamente ligados por laços de reciproca Estima, Confiança e Amizade, estimulando-se uns aos outros, na prática das virtudes.

Considerando as definições acima, a Fraternidade Maçônica tem que ser pura, devendo se apresentar onde couber uma causa justa. O verdadeiro Maçom pratica o bem e leva sua solicitude aos infelizes, quaisquer que sejam eles, devendo desprezar o egoísmo e a imoralidade, dedicando-se aos seus semelhantes, pois o sentimento de Fraternidade para o Maçom deve ser um sentimento nato, e assim sendo, a Fraternidade Maçônica deve ser o ideal de todo e qualquer Maçom, tendo em vista que é o laço sagrado que une a todos os Maçons, independentemente de Lojas e Potências a que pertençam. Fizemos um juramento, e por ele somos unidos; somos uma família, e a família é a matriz do homem e o berço da sociedade. “Amai-vos mutuamente com afeição terna e fraternal. Adiantai-vos em honrar uns aos outros”. (Epístola aos Romanos, l2-10).

E quando falarmos de Fraternidade, recordemos sempre o caso que contou o Presidente Lincoln aos seus Irmãos Maçons e gravemos em nossa memória aquela frase que ficou célebre nas Lojas Americanas: ”Esta carga não me pesa, pois este é meu Irmão”.

O FANATISMO

Fanatismo: advém do latim “fanum”, templo, lugar sagrado. Em latim, “Fanaticus”, era o inspirado, o entusiasmado, o agitado por furor divino. Posteriormente tomou o sentido de exaltado, de delirante, de frenético, e, finalmente, o de supersticioso.

Os fanáticos eram os sacerdotes antigos do culto de Ísis, Cibele e Belona, etc., que eram tomados de delírio sagrado, e que se laceravam até fazer correr sangue. A palavra tomou, assim, um sentido de misticismo vulgar, que admitia poderes ocultos, que podem intervir graças ao uso de certos rituais.

O mesmo termo é usado para indicar a intolerância obstinada daquele que luta por uma posição, considerada por ele, evidentemente e verdadeira, estando disposto a empregar até a violência para a validade de suas opiniões e na tentativa de converter a outros que não aceitam suas ideias. Torna-se o termo, por extensão, o apontador de toda e qualquer crença, religiosa ou não, onde há demonstração obstinada por parte de quem a segue.

O fanático, em vez de fazer de sua fé um caminho de libertação, faz dela uma prisão para si mesmo e para os outros. Em vez de aprofundar as verdades da fé para iluminar com elas a vida, aceita a letra dessas verdades sem saborear o conteúdo das mesmas. O fanático não dialoga. Fala sozinho. Para ele, quem tem a mesma fé não precisa dizer nada. E quem não tem a mesma fé, não tem nada a dizer e merece o desprezo e a condenação, aqui e na eternidade.

O fanatismo é uma fé cega, inconsciente, irrefletida, em muitos casos, independente da própria vontade que o ser humano sente por uma doutrina ou um partido. A religião do fanático não se fundamenta no amor, mas no medo. Medo de errar, de pecar, de desviar-se do caminho. Ele fala demais para não escutar. Acredita que a melhor defesa da própria fé é o ataque a fé dos outros.

Como podemos ver meus Irmãos o fanatismo é a veneração exagerada de uma ideia, uma religião, etc. Devemos, pois, então ter muito cuidado com o nosso modo de agir não deixando-nos levar por um entusiasmo exagerado, para que, por conta de um exibicionismo ridículo ou por conta de uma conduta exacerbada sejamos levado a um comportamento incompatível, para com os princípios maçônicos.

A Maçonaria condena o Fanatismo com todas as suas forças. Em vários graus, as instruções giram em torno desta execrável paixão, considerada como um dos inimigos da Ordem Maçônica.

“Um passo mais além do entusiasmo, e se cai no fanatismo; outro passo mais e se chega a loucura”. Jean  B.F. Descuret)

A IGNORÂNCIA

1 – A Ignorância no mundo profano

Pejorativamente, chamam-se pessoas de IGNORANTES no afã de lhes desafiar os brios, tentando mostrar uma faceta grossa, obscura e de atraso evolutivo onde a IGNORÂNCIA  é encarada como a mãe de todos os vícios e seu principio o de nada saber ou  saber mal. Eis porque afirmarem o muito das vezes ser o IGNORANTE  um ser grosseiro, irascível e perigoso, perturbando e desarmonizando a sociedade, não permitindo que os homens conheçam seus direitos. Mesmo vivendo em um Estado LIBERAL eles tornam-se escravos por conta de sua ignorância. É comum em muitas regiões, às vezes nem tão longínquas deste nosso Brasil, ouvirmos falar de escravidão.

Como um “Coronel” nordestino, numa entrevista, a anos atrás, ao Fantástico, na qual  gabava-se que todos os trabalhadores de sua fazenda tinham boa moradia, mas admitia que escola e igreja ele não permitia, assim como nenhum tipo de cultivo junto a moradia dos colonos, e que tudo que estes necessitassem deveria ser adquirido no armazém da fazenda, o que resultava invariavelmente ao final do mês este colono ficar devendo ao Coronel. Isto na realidade representa dois tipos de escravidão: uma física e outra intelectual, e vejam bem, sem ter o ônus de adquirir o escravo como antigamente.

Isso não é um caso isolado. Na verdade o próprio Estado, que deveria zelar pelo desenvolvimento cultural do povo,  age em sentido contrário. A maioria das medidas sérias visando aprimorar a qualidade da educação são abandonadas, enquanto isso medidas populistas, eleitoreiras e inócuas são adotadas.

Nessa situação, com a maioria da população mantida no estado de semi-analfabetismo, aqueles que detém o poder podem usar o povo como “massa de manobra”, destarte imperando a impunidade.

Além do problema educacional, temos outro muito mais grave. O problema da corrupção. Pegue-se o exemplo da cidade de São Paulo, dilapidada a céu aberto. Porque  isso aconteceu? Aconteceu porque a população, mesmo a mais informada, virou as costas para a cidade; a maioria sequer sabe em quem votou para vereador. E os que sabem raramente acompanham sua atuação. Como consequência temos uma impunidade crônica, campo fértil para a atuação das máfias. A impunidade prospera de fato, quando a ignorância dos direitos sobressai e impera. E qual seria a solução? A solução não esta na policia, mas nas salas de aula. Assim como ensinam matemática e português, as escolas devem levar a sério, e não apenas em momentos especiais, mas diariamente, a disseminação das noções de direitos e deveres.

Isto só serve para demonstrar que apesar de Constituições Liberais, um povo ignorante acaba se tornando escravo. São inimigos do progresso, que, para dominarem, afugentam as luzes, intensificam as trevas e permanecem em constante combate contra a Verdade, o bem e a Perfeição.

2 – A ignorância no mundo maçônico

Na evolução da humanidade, as verdades da vida vão se aclarando de acordo com o ritmo que as inteligências captam o descortinar do conhecimento. Grandes filósofos, profetas e mesmo o Mestre que foi Cristo, não puderam trazer toda a luz dos seus conhecimentos porque havia de ser respeitada a IGNORÂNCIA da época e o nível intelectual que as sociedades se apresentavam.

Na filosofia maçônica também acontece esse respeito. O Aprendiz conhece tudo aquilo que uma ponta de véu levantado lhe permite entender, o mesmo acontecendo com o Mestre e os diferentes graus.

A IGNORÂNCIA não é de toda inoportuna. Às vezes ela tem utilidade. “QUEM MAIS SABE, MAIS SOFRE”, isso explica quando tal conhecimento está ligado às aflições, porém no patamar do equilíbrio, o saber é sempre bem visto, pois poderá despertar no homem o ensejo de servir como “professor” daqueles que estão ainda no estágio de IGNORÂNCIA.

A vida plena do homem nos leva a entender que somos IGNORANTES nos mais diversos graus. Quando o homem evolui e procura alcançar um estágio na vida, galgando assim um cume, logo poderá observar que de cima desse cume haverá uma nova planície a percorrer, que lhe proporcionará nova jornada de conhecimentos. A IGNORÂNCIA poderá ser reduzida, porém sempre existirá, pois ela faz parte das metas e objetivos do homem. O conhecimento total ao G∴A∴D∴U∴ pertence.

A IGNORÂNCIA é a grande alavanca que dá ao homem o estímulo para a luta do saber. Os graus da maçonaria são os maiores exemplos da disciplina, onde a verdade será descoberta de acordo com a condição interna de cada aprendiz.

Ser IGNORANTE não é pejorativo, é, antes de qualquer coisa, um estado evolutivo.

Perto de coisas maiores, todos somos IGNORANTES. Os discípulos ignoravam a grandeza de propósito que estava guardada na mente e no peito de JESUS. Com o aprendizado, eles lutaram e cresceram, dando um passo a mais no saber, deixando sua IGNORÂNCIA um pouco mais curta.

Nota do Blog

Infelizmente não foi possível identificar o autor deste artigo. Peço que, se algum de nossos leitores tiver essa informação, que nos repasse para podermos dar os devidos créditos.

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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, Nº 273, jurisdicionada à GLMMG, oriente de Ibirité/MG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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2 respostas para Fraternidade, Fanatismo e Ignorância

  1. Por que Lincoln não foi Maçom é o Artigo by Luiz Marcelo Viegas; e nesse artigo, afirma que “Abraão Lincoln, Presidente dos Estados Unidos da América do Norte no século passado, maçom e …”. Qual dos dois artigos é falso? Lincohn, foi iniciado na Arte Real?

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    • Estimado Celso Carlos Elias,

      Vamos por partes:

      – O artigo Porque Lincoln Não foi Maçom não é de minha autoria, mas sim de William Carvalho, como está devidamente creditado ao final do texto.

      – Nenhum dos artigos é falso. Neste artigo (Fraternidade, Fanatismo e Ignorância) há a informação, na segunda linha do texto, de que Lincoln era maçom, mas o tema não é o ex-presidente dos EUA. O autor aqui quis tratar de virtudes e vícios.

      – William Carvalho, ao ler o artigo Fraternidade, Fanatismo e Ignorância, nos enviou o texto de sua autoria, expondo porque Lincoln não foi maçom, e assim corrigiu uma informação equivocada contida no primeiro artigo.

      Fraternalmente,

      Luiz Marcelo

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