Astronomia ou Astrologia?

Por diversas ocasiões na Maçonaria nos deparamos com a alusão, o estudo ou indicação do mesmo relativo às Sete Ciências ou Artes Liberais. Via de regra elas são descritas como sendo: Dialética, Retórica, Música, Aritmética, Geometria, Gramática e Astronomia. As chamadas ciências ou artes liberais já eram propostas por Aristóteles, na Antiga Grécia.

Porém existe uma importante controvérsia na relação das sete ciências. Hoje encontramos o nome da Astronomia como umas das sete ciências e não a Astrologia.

O célere maçom conferencista Manly Palmer Hall (1901-1990), 33º, afirmou que “A astrologia era uma das sete ciências sagradas cultivadas pelos iniciados do mundo antigo. Era estudada e praticada por todas as grandes nações da antiguidade.” Hall proferiu mais de 8 mil palestras e escreveu mais de 150 livros.

É sabido que desde que o homem é homem, talvez até mesmo antes de se reconhecer como tal, ele já observava o céu e buscava nas estrelas a explicação para sua vida e para as coisas que nela ocorriam. O objetivo desta observação era a sobrevivência e a melhoria de sua condição de vida. Com o advento da chamada Revolução Científica, no século XVI, é que a Astronomia surgiu como uma ciência diferente da Astrologia. A Astronomia na verdade é sua filha pródiga, pois não reconhece suas origens e muito menos lhe dá o devido crédito.

No segundo milênio antes de Cristo existia uma religião astrológica no império assírio-babilônico. Esta informação pode ser encontrada no livro “The Ancient Astrology”, de Tamsym Barton, Ed. Routledge, London and New York. O livro sagrado Enuma Elish relata o mito da Criação babilônico. Ele foi escrito em caracteres cuneiformes acádicos e data de 18 séculos antes de Cristo. Este livro registra o uso cotidiano da Astrologia pela humanidade da época.

A Astronomia não surgiu do nada, ela é parte menor de uma ciência muito maior, antiga e profunda que é a Astrologia. Se a Astronomia, parte física e material da Astrologia foi “desmembrada” pelos cientistas há pouco mais de 400 anos, a Astrologia está presente na humanidade há mais de 4 mil anos! Apesar disso, tudo o que se escreve sobre as estrelas, planetas e sóis, preconceituosamente recebe o nome de Astronomia, mesmo que se refira a algo produzido ou encontrado antes do Século XVI. 

Ora, o ato de assinar ou apresentar uma obra intelectual de qualquer natureza contendo parte de outra obra sem dar os devidos créditos para a fonte, em ciência acadêmica tem um nome: PLÁGIO! 

No âmbito maçônico então, citando as ciências que eram enaltecidas por Aristóteles, não é justificável que incorramos neste erro de plágio e deixar de dar o devido crédito a esta ciência esotérica que é a Astrologia. 

Para aqueles que não vêem a Astrologia como sendo parte integrante de nossos estudos tenho uma sugestão. Retiremos então de nossos templos tudo que faça alusão à Astrologia: as colunas J & B (trópicos solsticiais), o Sol e a Lua do Trono de Salomão, as Colunas Zodiacais e a Abóbada Celeste. Retiremos também as estátuas de Vênus, Marte e Júpiter. Além disso, retiremos as provas dos quatro elementos e as citações das luzes quanto ao movimento do Sol (do oriente para o ocidente). O que restará de nossos rituais? Não haverá mais iniciação, nem começo e nem final da sessão. Esqueçamos também de nossos tradicionais Banquetes Ritualísticos Solsticiais. Poderíamos adentrar aos graus filosóficos, mas deixemos este assunto para outra oportunidade.

Na obra “O Livro de Hiram”, nossos irmãos Christopher Knight e Robert Lomas, chegaram à “incômoda” conclusão de que as raízes da nossa sagrada Ordem é a Astrologia. Lá está com todas as letras: “Astrologia, o Grande Segredo?” “…Os magos judeus entendiam claramente os movimentos de Vênus, e suas aspirações nacionais parecem ter sido centradas sobre a crença supersticiosa que a luz de Vênus, aparecendo antes da aurora, em conjunção com outro planeta brilhante permitiria vencer guerras e chegar à grandeza que almejavam. Qualquer que seja o nome empregado, isso é Astrologia.” (2005, Página 254/255).

Depois de apresentar estes conhecimentos sugiro que sejamos justos, sensatos e corretos, assinalando adequadamente o nome da Astrologia como uma das sete ciências ou artes liberais. 



Autor: Juarez de Fausto Prestupa 
Membro da ARLS Reconciliação e Justiça Nº 146 – GLMMG 
Inspetor Geral da Ordem, 33º 
Membro da Loja Maçônica de Pesquisas Quatuor Coronati “Pedro Campos de Miranda Autor do livro “ ASTROLOGIA NA MAÇONARIA” – Editora Madras  

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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, Nº 273, jurisdicionada à GLMMG, oriente de Ibirité/MG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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