Solstício de Inverno

Para todos os efeitos, o Solstício de Inverno marca a noite longa do ano. É o apogeu do inverno, o ponto culminante da escuridão e do frio que afasta a vida.
 
Como todo apogeu, marca também o início da decadência.
 
Se este é o apogeu da sombra, ela agora entra em decadência, e temos então o retorno da luz.
 
Gradualmente, a noite começa a encolher, começa a durar menos, até que, no Solstício de Verão, os papéis se invertam na eterna gangorra que determina o equilíbrio da natureza.
 
Vivendo no Hemisfério Sul, onde as estações do ano são invertidas com relação ao Norte, estamos atravessando agora em junho os últimos momentos do outono – a estação da colheita – que nos leva ao inverno.
 
Afinal, é um período que marca um ciclo da Terra Viva e de sua relação com o Sol – independente da religião adotada, um Solstício de Inverno é sempre um Solstício de Inverno…
 
Mas quais são os significados deste momento?
 
As culturas europeias do neolítico atribuíam grande importância a este período, como atestam as muitas construções megalíticas a ele relacionadas.
 
Dentre estas, a mais conhecida é Stonehenge –  um verdadeiro computador para calculo de solstícios e equinócios. Mas seguramente a mais impressionante é Brú na Bóinne, na Irlanda – também conhecida como Newgrange.
 
Essa enorme estrutura, erguida pelos habitantes da Irlanda neolítica há mais de 4500 anos, é uma obra prima da engenharia pré-histórica. Trata-se de um monte artificial erguido sobre uma câmara em forma de cruz que penetra mais de 24 metros no interior do monte. Lá dentro, escuridão total e silêncio. A não ser durante três dias por ano: o Solstício de Inverno e os dias imediatamente antes e depois dele.
 
Atualmente, com o auxílio de computadores e cálculos de precisão, é possível determinar com exatidão o ponto exato no horizonte oriental em que o Sol nasce num determinado dia, mas naquela época, em 2500 a.C., seriam necessários muitos anos de observação e conhecimento da movimentação da Terra e dos astros para definir com precisão esse momento celeste.
 
Isto por si só já mostra claramente que o Solstício de Inverno é uma data importante para a humanidade desde há muito tempo.
 
Mas tem mais: nenhum povo dedicaria tanto esforço físico e mental para construir tamanha estrutura se não fosse por um motivo muito forte.
 
Mas qual seria este motivo?
 
As pesquisas arqueológicas indicam que, no interior da câmara subterrânea de Newgrange, eram depositados os corpos e as cinzas dos mortos daquela cultura ancestral. Permaneciam, intocados, durante a escuridão que ali reinava durante praticamente todo o ano.
 
Ma nos três dias próximos ao Solstício de Inverno, um milagre: entram na câmara os primeiros raios do sol nascente, o Novo Sol que voltará a crescer depois do inverno, trazendo consigo a certeza de que, após o frio invernal, sem dúvida virá o brilho e o colorido da Primavera e da vida que renasce.
 
Pois esse é o tema de Brú na Bóinne.
 
A entrada dos raios solares somente no Solstício de Inverno – o Novo Sol – ilumina todo o interior da câmara interna, num espetáculo disputado a peso de ouro pelos neo-pagãos da Europa e de todo o mundo.
 
Só quem já entrou em Brú na Bóinne é capaz de descrever o maravilhamento causado poe esse fenômeno. Ao iluminar o interior da câmara, os raios de sol – um verdadeiro falo celeste – penetram no útero da Terra, onde as cinzas dos mortos haviam sido depositadas, fecundando-as novamente, e assim garantindo a continuidade da vida após a morte.
 
Esse é o tema do Solstício de Inverno: a união do Sol (masculino) com a Terra (feminino) é o milagre do renascimento e a preservação da vida.
 
É essa união em equilíbrio que traz a certeza de que a Primavera retornará, e com ela a alegria, a fertilidade e o amor da Terra e de suas criaturas.
 
Desenvolvendo seus mitos através dos tempos, a humanidade sempre fez o Solstício de Inverno o momento de nascimento de deuses e heróis: Arthur, Dionísio, Mithra, Átis, Osíris, entre outros.
 
Nós que vivemos no Hemisfério Sul, no paraíso de Hi-Brasil, temos o privilégio de viver junto a uma natureza mais amena e menos hostil do que na Europa. Por aqui, é bom que se diga, o deus sol nunca morre, nem mesmo no Solstício de Inverno.Mas com certeza nós sentimos nesse período que algo está mudando – a natureza, em sua imutável (posto que é eterna) transformação, dá prosseguimento à sua ciclicidade.
 
Podemos sorrir felizes, pois nossos invernos são mais brandos do que os dos outros; e sorrimos ainda mais com a certeza de que, a partir de 13h38  do dia 21 de junho, o retorno do Sol nos trará de volta a alegria da Primavera em setembro.
 
Essa certeza nos ajuda – como ajudava os povos da Antiguidade – a suportar os rigores do inverno que se anuncia, enchendo-nos de esperança e de energia para aguardar a próxima estação.
 
É simples assim…E é por ser simples que é belo.
 
Para a Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, em especial, a celebração desse Solstício marca mais um ciclo na administração, oportunidade em que o novo Grão-Mestre e seus Grandes Vigilantes tomam posse. É o momento em que as Lojas e Irmãos se unem no compromisso institucional de se fazerem presentes, lembrando que a Sublime Ordem é formada por todos nós e que ninguém faz nada sozinho. O trabalho vindouro é árduo, mas exequível, sendo de suma importância nossa participação nos projetos como formadores de opinião e construtores sociais.
 
Que como o Sol, que a partir de agora se fará mais presente, tenhamos o mesmo vigor em expressarmos o nosso de “De Pé e a Ordem”.
 
Bom Solstício de Inverno, e que a Roda jamais pare de girar.
 
Pesquisa realizada pela Biblioteca Mário Behring – GLMMG
 
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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, Nº 273, jurisdicionada à GLMMG, oriente de Ibirité/MG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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