Como Visitante e com o Visitante

“Educação se recebe em casa!” Educação não é somente a disponibilização do conhecimento, é também o aprendizado de formas comportamentais, aprendemos no lar como devemos proceder em outras casas e assim o é na Maçonaria.

A diversidade de Ritos e Ritualísticas são fatores enriquecedores da Sublime Ordem. Na pluralidade da ordem dos trabalhos há diferenças de atos, gestos, falas que não podem ser qualificados como certos ou errados, serão apenas diferentes ou iguais há algum outro que sirva de ponto de referência.

É explícito que entre os Ritos Escocês, York, Brasileiro, Schroeder, Adonhiramita e Moderno (os mais praticados no Brasil) encontraremos batidas, exclamações e sinais diferentes; o mais incrível é que no Rito Escocês Antigo e Aceito que é praticado no Brasil encontraremos diferenças nos rituais usados pelas GL e pelos GO e eu acredito que nunca teremos um consenso sobre a formatação de um Ritual único. Por conta disso é natural que aconteça em Loja alguns pequenos embaraços, vejamos:

Quando for fazer uma visita, procure saber se nos trabalhos da Oficina é permito o uso de Balandrau (alguns ritos não reconhecem esta vestimenta). Sendo Aprendiz ou Companheiro, antes da sessão pergunte para algum Irmão se a Pal.·. a Bem da Ord.·. é franqueada a manifestação de todos ou somente para Mestres.

Peça emprestado ao M.·. de Cer.·. um exemplar do ritual que será usado, nunca perca a oportunidade de ler algo novo. Se for uma comitiva visitante, falará apenas o mais graduado que agradecerá pela acolhida e apresentará nominalmente os Irmãos, que ao ouvirem seu nome se postarão de P.·. e a Ord.·..

A “educação” que recebemos em nossa Loja deve ser aplicada na Loja visitada, portanto usamos os nossos sinais, a nossa bateria, nossa exclamação e tudo mais, porém de maneira discreta, NÃO PODEMOS mudar nosso procedimento, pois será perjúrio.

Da mesma forma devemos nos comportar para com os Irmãos visitantes, que antes do início dos trabalhos já deverão ter sidos reconhecidos como Maçons de Potências com as quais temos Tratados de Mútuo Reconhecimento.

A situação não envolve ser “espúrio”, pertencer à Potência não reconhecida e etc e tal, o que estamos tratando é do cumprimento do juramento que fizemos junto à nossa Obediência (que faz parte de nossa educação maçônica).

Todo Irmão deve estar atento aos Visitantes, basta observar o Avental, a forma e cor da gravata que já teremos uma ideia que ele pertence a outro rito. Devemos então nos aproximar para explicar algumas características de nossos trabalhos evitando um possível “não sei como fazer” por parte do mesmo.

É salutar que o Venerável Mestre antes do início dos trabalhos informe a presença do visitante e que previamente combinado, peça ao mesmo que no Quarto de Hora de Estudo descreva a todos as diferenças entre o que até o momento ele presenciou e o que é praticado em sua Oficina. Quanto ao uso do Balandrau, eu peço aos Irmãos a aplicação da Virtude Maçônica chamada Tolerância.

Meus queridos, se o Irmão Visitante soubesse que a Oficina não permite o uso do Balandrau, ele não teria se deslocado para lá. Cuidado ao fechar uma porta!

Gostaria de contar uma historinha sobre “bater a porta na cara do outro”: retornaremos ao ano de 1889 quando Mahatma Gandhi após a leitura dos evangelhos, ficou muito impressionado e decidiu frequentar uma igreja cristã (nesta época ele morava na África do Sul). Na porta do Templo encontrou com o Presbítero (branco) que antes de Gandhi entrar perguntou:

– Aonde você pensa que vai Kaffir? (A expressão “Kaffir” é uma maneira pejorativa de se dirigir a um indiano).

– Eu gostaria de adorar aqui. – respondeu Gandhi.

De maneira pouco fraternal o líder cristão sentenciou:

-Não há lugar para Kaffirs nessa igreja. Saia daqui ou pedirei ao meu ajudante pra te jogar escada abaixo.

Nunca mais Gandhi retornou à igreja e no meu ponto de vista foi uma perda irreparável para nós cristãos.

Anos depois, sobre este episódio, “A Grande Alma” (“Mahatma”) disse:

– Gosto de seu Cristo, não gosto dos seus cristãos, seus cristãos são tão diferentes de seu Cristo. Se os cristãos realmente vivessem de acordo com os ensinamentos de Cristo, como descritos na Bíblia, toda Índia seria cristã hoje. Só podemos vencer com o amor, nunca com o ódio.

Autor: Sérgio Quirino Guimarães

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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, Nº 273, jurisdicionada à GLMMG, oriente de Ibirité/MG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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