A Maçonaria e a Casa dos Homens

I. ANTROPÓLOGOS DESCOBREM A CASA DOS HOMENS

Desde que Heinrich Schurtz publicou seu “Altersklassen und Maennerbunde” em 1902, os antropólogos têm se interessado cada vez mais no papel desempenhado pelas sociedades secretas entre os povos primitivos. Herr Schurtz descobriu que as sociedades secretas não eram de forma alguma uma coisa privada, de pouco interesse e menor consequência, conforme antropólogos antigos acreditavam que elas fossem, mas que eram de igual importância na vida primitiva à de outras instituições sociais. Ele descobriu que “em íntima conexão com as faixas etárias, e mais particularmente com o papel dominante desempenhado pelos solteiros organizados, ali se desenvolvia a casa dos homens. Ela é caracterizada como uma estrutura na qual homens adultos, porém solteiros preparam suas refeições, trabalham, jogam e dormem, enquanto os homens casados moram separados com suas famílias. As mulheres e crianças são geralmente proibidas de entrar nos locais, enquanto as meninas amadurecidas se relacionam livremente com os ocupantes.”

O Prof. Hutton Webster da Universidade de Nebraska, trabalhando independentemente e sem conhecimento das conclusões de Schurtz, chegou à mesma conclusão, e escreveu um tratado sobre o assunto que se revelou de extrema importância para os estudantes de sociedades secretas. Este artigo foi publicado em 1908 sob o título de Primitive Secret Societies: A Study in Early Politics and Religion (Sociedades Secretas Primitivas: Um estudo de Política e Religião Primitivos). O conceito central deste livro é o da casa de homens. O Prof. Webster descreve isso até certo ponto na primeira página deste livro, como segue:

A separação dos sexos que existe nas sociedades civilizadas é o resultado, em parte, das diferenças naturais de sexo e função econômica; em parte, ela encontra uma explicação nos sentimentos de solidariedade sexual aos quais devemos a existência dos nossos clubes e sindicatos. A solidariedade sexual em si é apenas outra expressão para o funcionamento dessa lei universal da empatia humana, ou em frase mais moderna, de consciência da espécie, que está na base de todas as relações sociais. Mas, em sociedades primitivas, a essas forças produzindo separação sexual, acrescenta-se uma força ainda mais poderosa, que tem origem na crença generalizada quanto à transmissibilidade das características sexuais de um indivíduo a outro. Dessas crenças surgiram muitos tabus curiosos e interessantes destinados a evitar o perigo real ou imaginado incidente no contato entre os sexos. A separação sexual é ainda mais garantida e perpetuada pela instituição conhecida como “casa dos homens”, exemplos da qual podem ser encontrados entre os povos primitivos em todo o mundo.

A casa dos homens geralmente é o maior edifício em um assentamento tribal. Ela pertence em comum aos moradores; serve como sala do conselho e prefeitura, como casa de hóspedes para estranhos, e como local de repouso dos homens. Frequentemente, assentos na casa são designados a idosos e outros líderes de acordo com sua dignidade e importância. Aqui, os bens preciosos da comunidade, tais como troféus tomados na guerra ou na perseguição, e símbolos religiosos de vários tipos são preservados. Dentro do seu recinto, mulheres, crianças, e homens membros da tribo não completamente iniciados, raramente ou nunca entram. Quando o casamento e a posse exclusiva de uma mulher não ocorrem imediatamente após a iniciação na tribo, a instituição da casa dos homens torna-se uma contenção eficiente sobre as predileções sexuais dos jovens solteiros. Ela serve, então, como um clube para os solteiros, cuja permanência nela pode ser considerada como uma perpetuação daquela separação formal entre rapazes e as mulheres, que deve ser conseguida com as cerimônias de iniciação em primeiro lugar. Essa vida comunitária dos jovens é um sinal visível da sua separação do círculo restrito da família e da sua introdução aos deveres e responsabilidades da vida tribal. A existência de tal instituição enfatiza o fato de que uma vida familiar estabelecida com uma residência privada é privilégio dos homens mais velhos, que sozinhos têm direitos conjugais sobre as mulheres da tribo. Porque a promiscuidade, seja antes ou depois do casamento, é exceção entre os povos primitivos, que não apenas tentavam regular através de sistemas de casamento complicados e rigorosos os desejos sexuais daqueles que são competentes para se casar, mas na verdade para evitar qualquer relação sexual com aqueles que não são membros plenamente iniciados da comunidade.

“Pode-se esperar que uma instituição tão firmemente estabelecida sobrevivesse por devoção a outros usos, à medida que as ideias anteriores que levaram à sua fundação desaparecem. Como postos de guarda onde os jovens são confinados em serviço militar e onde são exercitadas artes da guerra, estas casas muitas vezes se tornam um meio útil de defesa. O culto religioso da comunidade frequentemente está centrado neles. Muitas vezes, eles constituem o teatro para representações dramáticas. Em raros casos, estas instituições parecem ter perdido sua finalidade original, e ter facilitado o comunismo sexual, ao invés da separação sexual. Entre algumas tribos, a casa dos homens é usada como centro de cerimônias de iniciação da puberdade. Com o desenvolvimento das sociedades secretas, substituindo as instituições tribais de puberdade anteriores, a casa dos homens frequentemente se torna a sede dessas organizações e constituem uma “loja“ secreta. A presença, então, da casa dos homens em qualquer de suas numerosas formas em uma comunidade primitiva indica fortemente a existência, agora ou no passado, de cerimônias secretas de iniciação.“ (Primitive Secret Societies, páginas 1, 2, 3)

Pode-se duvidar da precisão do Prof. Webster quando ele diz que “exemplos podem ser encontrados entre os povos primitivos em todo o mundo.” Não há muitos exemplos a serem encontrados na Ásia, e que pode muito bem ser que em determinadas partes do continente, a sociedade secreta primitiva nunca tenha sido conhecida: algumas autoridades têm a mesma opinião, Schurtz, por exemplo, que não foi capaz de descobrir vestígios das sociedades secretas de homens em grandes partes do continente. Em seu capítulo sobre “Difusão de Antigas Cerimônias”, o próprio Webster não forneceu exemplos asiáticos, mas limitou-se à Austrália, Tasmânia, Melanésia, Polinésia, América do Sul, América Central e América do Norte.

É impossível nas presentes limitações de espaço, estabelecer muitos exemplos do culto primitivo secreto: algumas amostras serão suficientes. Entre os ilhéus de Andaman existem três tipos de barracas, para os solteiros, solteiras e casais, respectivamente. Aos onze anos, meninos e meninas são submetidos a diferentes provas e em cada caso devem participar de cerimônias elaboradas ao passar de um grau de idade a outro. As mulheres participam nestes mistérios, assim como os homens. A maioria das tribos australianas têm cerimônias de iniciação em ou perto da época da puberdade. Na maioria dos casos, essas cerimônias são muito rigorosas, somente os homens são admitidos; e o rito aparece geralmente como uma forma de preparação para o matrimônio. Os Masai dividem seus membros do sexo masculino em três classes de meninos, guerreiros e anciãos; suas cerimônias são acompanhadas de circuncisão. Entre os Ilhéus de Banks, os homens constituem uma espécie de sociedade secreta tripla, mas a entrada neste grupo não ocorre através de iniciação, mas através do pagamento de uma taxa. Os homens vivem na casa do clube da vila, que é um lugar de repouso e refeição durante o dia e dormitório à noite: eles são divididos em classes com poder e prestígio respectivos, e só os homens ricos podem chegar a posições mais elevadas. Este mesmo povo tem “Sociedades Fantasmas”, que são muito secretas por natureza e têm sede nos lugares mais recônditos. Entre os índios Pueblo, os Zunis tinha uma sociedade “Dançarino Mascarado”, na qual havia graus, iniciações e muita palhaçada primitiva: cada sociedade tem sua sede própria, loja onde havia compartimentos que representam os quatro cantos da bússola, o zênite, e o nadir. Os índios Hopi tinham fraternidades secretas semelhantes, assim como os Crows, que tinham uma “Sociedade do Tabaco”, com cerimônias de iniciação, diplomas, etc. O Hidatsas tinha muitos clubes sociais, onde a entrada era adquirida através de compra: suas mulheres tinham organizações semelhantes. Por outro lado, o Shoshoneans de Great Basin, aparentemente, nunca tiveram qualquer coisa que possa ser corretamente classificada como uma sociedade secreta. Estes casos são apenas tópicos do inúmeros casos em que povos primitivos – ou selvagens como os chamamos – fizeram uso de organizações secretas.

II. A INICIAÇÃO TRIBAL É UMA PROVAÇÃO RIGOROSA

Na maioria dos casos, as cerimônias de iniciação têm a natureza de provas, e muitas vezes são tão rigorosas que morte ou permanente incapacitação não são inéditos.

A diversidade de provas é muito interessante. Assim, depilação, mordidas na cabeça, remoção de dentes, aspersão com sangue humano, imersão em poeira ou sujeira, flagelação pesada, escarificação, fumo e queimaduras, circuncisão e sub-incisão são algumas das formas em que as provas aparecem, só entre os australianos… De todas essas provações, a circuncisão tem o maior destaque… Quase universalmente, os ritos de iniciação incluem uma representação mímica da morte e ressurreição do noviço. A nova vida para a qual ele acorda da iniciação é uma totalmente esquecida da antiga, um novo nome, uma nova linguagem e novos princípios são o seu acompanhamento natural. Uma nova linguagem está intimamente associada ao novo nome. A posse de um discurso esotérico conhecido apenas aos membros iniciados é muito útil pois empresta um mistério adicional ao processo… As diferentes cerimônias que se realizam sobre a chegada das meninas à puberdade são nitidamente menos impressionantes que as dos meninos. Como regra, não há admissão em uma iniciação formal possuindo aspectos tribais e ritos secretos… Não há dúvida que diversas crenças originárias de muitas fontes diferentes se uniram para estabelecer a necessidade de separar meninos e meninas na puberdade.

O isolamento das coisas da carne e do sentido tem sido uma atitude não raramente empregado por pessoas de cultura avançada para a promoção da vida espiritual, e não precisamos ficar surpresos ao encontrar o homem não civilizado recorrendo a atitudes semelhantes para fins mais práticos. Os jejuns prolongados, privação de sono, a constante excitação do novo e inesperado, a reação nervosas sob tormentos longos e continuados resultam em uma condição de extrema sensibilidade – hiperestesia, que é certamente favorável à recepção de impressões que serão indeléveis. As lições aprendidas em uma escola tribal dessa natureza, como o é a instituição da puberdade, perduram por toda a vida.

Outro motivo óbvio ditando um período de reclusão é encontrado na sabedoria da separação completa dos jovens púberes das mulheres, até que aulas de contenção sexual tenham sido aprendidas. Nativos de Nova Guiné, por exemplo, dizem que “quando os meninos atingem a idade da puberdade, eles não devem ser exposto aos raios do sol, para que eles não sofram com isso; assim, eles não devem realizar trabalho manual pesado, ou o seu desenvolvimento físico será parado, todas as possibilidades de misturá-los com mulheres devem ser evitadas, sob pena de se tornarem imorais, ou a ilegitimidade se torna comum na tribo. Quando a casa dos homens é encontrada em uma comunidade tribal, essa instituição muitas vezes serve para prolongar o isolamento dos homens mais jovens iniciados por muitos anos após a puberdade ter sido atingida.” (Primitive Secret Societies, páginas 36, 37, 38, 41, 45, 47.)

As instituições da puberdade para a iniciação dos jovens na idade adulta estão entre as características mais difundidas e presentes na vida primitiva. Elas são encontradas entre povos considerados os menos desenvolvidos da humanidade: entre Andamaneses, hotentotes, fueguinos e australianos, e eles existem em vários estágios de desenvolvimento entre os povos emergentes da selvageria até a barbárie. Seus fundamentos remontam a uma antiguidade desconhecida; seus mistérios, zelosamente guardado dos olhos de todos, exceto os iniciados, preservam a religião e a moralidade da tribo. Embora variando infinitamente em detalhes, suas características principais se reproduzem com uniformidade substancial entre os diferentes povos e em áreas muito distantes entre si no mundo. A iniciação dos jovens da tribo pelos anciãos tribais, seu isolamento rígido, às vezes por um longo período das mulheres e crianças; sua sujeição a certas provas e ritos destinados a mudar completamente sua natureza; a utilização desse período de confinamento para transmitir aos noviços um conhecimento das tradições e os costumes tribais e, finalmente, a inculcação através dos métodos mais práticos de hábitos de respeito e obediência aos homens mais velhos – todas estas características são bem descritas no elegante e vigoroso relato por um antigo escritor de cerimônias praticadas uma vez pelos índios Tuscarora da Carolina do Norte.” (Ibidem, p. 32.)

Estas iniciações diferem notavelmente entre si, no entanto, todas e cada uma delas têm certas características fundamentais em comum. Em um parágrafo brilhante de um tratado sobre a Iniciação, na Enciclopédia de Religião e Ética de Hasting (Vol. VII, p. 317), o Conde Goblet d’Alvielia, que está tão alto entre os estudiosos maçônico europeus fornece uma lista dessas características:

As formalidades de iniciação, seja sua função dominante mágica ou religiosa, apresentam semelhanças marcantes. Andrew Lang observa as seguintes características gerais: (a) danças místicas, (b) a utilização do rombo, (c) rebocar com barro e lavar, (d) desempenho com serpentes e outros “feitos loucos”. A estes poderíamos acrescentar: (e) simulação de morte e ressurreição, (f) a concessão de um novo nome aos iniciados, (g) o uso de máscaras ou outros disfarces. Em todo caso, podemos dizer que as cerimônias de iniciação incluem: (1) uma série de formalidades que afrouxar os laços de ligação do neófito com seu ambiente antigo, (2) outra série de formalidades admitindo-o ao mundo sobrenatural, (3) uma exposição de objetos sagrados e instruções sobre assuntos que lhes dizem respeito; (4) ritos de reentrada ou reintegração, facilitando o retorno do neófito ao mundo comum. Estes ritos, especialmente os das três primeiras divisões, são encontrados com uma função mais ou menos importante em todas as cerimônias de iniciação, tanto entre selvagens quanto entre civilizados.” 

De onde vieram esses clubes secretos? Será que todos são originários de um centro? NW Thomas, escrevendo no Volume XI da Enciclopédia de Hasting, página 297, oferece uma resposta com a qual a maioria das autoridades concordaria:

Talvez possamos resumir a posição, dizendo que rastrear todas as sociedades secretas até uma origem única é provavelmente tão errado quanto rastrear todas as formas de religião a uma única fonte, ou tentar desvendar todas as mitologias com uma única chave. Parece claro que graus de idade, clubes de sepultamento, escolas de iniciação, irmandades religiosas, grupos ocupacionais, e sociedades mágicas têm contribuído para a massa de diversos elementos agrupados em sociedades secretas. O que não pode ser definitivamente estabelecido é que qualquer um desses teve um tipo inicial como modelo; como encontramos todos os seus estágios rudimentares em várias partes da África, precisamos, a menos que suponhamos que esses rudimentos sejam derivadas de sociedades totalmente desenvolvidas de outras tribos, supor que eles são a semente da qual, em outras áreas, as sociedades secretas vêm se desenvolvendo e que todos são igualmente primitivos, embora não necessariamente da mesma idade.

III. A MAÇONARIA EVOLUIU DA CASA DOS HOMENS?

Quando as sociedades secretas aparecem entre bárbaros e povos meio civilizados, eles mantêm muitas das características fundamentais descritas nas páginas acima, mas ao mesmo tempo, tornam-se extremamente diferentes e, muitas vezes são utilizados para fins completamente diferentes. Todos os leitores de literatura maçônica estão familiarizados com a história dos Druidas, dos Drusos, dos caldeus, dos Assassinos, etc., etc.: também as inúmeras sociedades secretas da China, que, parecem, na maioria dos casos, ser de caráter político, ao invés de moral ou religioso. Estas organizações bárbaras, ou semicivilizadas têm seus graus, sinais, segredos, palavras de passe e cerimônias de iniciação, assim como todas as outras, e não há necessidade, neste contexto, de particularizar entre elas ou prestar-lhes qualquer atenção adicional.

O leitor já terá notado certa semelhança entre algumas dessas associações e a nossa própria. Em alguns casos, essas semelhanças são tão marcantes que quase equivalem à identidade, como quando um dos nossos sinais maçônico é encontrado na posse de alguma seita selvagem. Contos de como os maçons salvaram suas vidas ou obtiveram outras vantagens entre povos selvagens através do uso de um dos sinais maçônicos estiveram entre as anedotas de nossa literatura por muitos anos.

O uso sensacional destes fatos tem sido feito recentemente pelo irmão J.S.M. Ward em seu “Maçonaria e os Deuses Antigos” publicado em 1921. O Irmão Ward corajosamente assume a posição de que as sociedades secretas primitivas, como aquelas descritas acima devem ser considerados parte integrante da Maçonaria, ou vice-versa. Ele assume essa posição muito claramente nos seguintes termos: “Corajosamente esta é a minha tese, de que o nosso sistema atual é derivado originalmente de ritos de iniciação primitivos de nossos ancestrais pré-históricos. Baseio esta afirmação no fato de que muitos dos nossos mais venerados sinais e símbolos, apertos e senhas são hoje utilizadas por raças selvagens precisamente com o mesmo significado que nós. Não posso concordar com aqueles que afirmam que isso é apenas uma questão de coincidência, ou ainda que eles sejam puramente sinais naturais que expressam sentimentos simples e elementares. “Esta declaração aparece na página 119 do seu livro. Na 123, ele repete isso em outras palavras:

Meu argumento, então, é que a Maçonaria deriva originalmente daqueles ritos primitivos que primeiro ensinaram um menino de onde ele veio, em seguida o preparou para ser um membro útil da sociedade e, finalmente, lhe ensinou a morrer e que a morte não era o fim de tudo. Em relação a estes ritos primitivos, eu considero, o homem construiu os mistérios e as diferentes confissões religiosas do mundo antigo, alguns dos quais sobreviveram até os nosso dias, enquanto outros se desenvolveram em outras religiões, incluindo o cristianismo.”

A tese é desenvolvida ainda em outras palavras, na página VIII do seu prefácio, onde ele diz:

“Resumidamente, a teoria que me atrevo a propor é que a Maçonaria se originou nos ritos de iniciação primitivos do homem pré-histórico, e a partir daqueles ritos foram construídos todos os mistérios antigos, e daí, todos os sistemas religiosos modernos. É por esta razão que os homens de todas as crenças religiosas podem entrar Maçonaria, e, ainda, a razão para não se admitir as mulheres é que estes ritos eram originalmente ritos de iniciação de homens, as mulheres tinham os seus próprios. Estes, por razões sociológicas pereceram, enquanto que os dos homens sobreviveram, e se desenvolveram nos mistérios.”

Se o irmão Ward fizesse valer a sua tese, ele provocaria uma revolução completa na antropologia. Uma sociedade secreta que existiu em todas as partes do mundo através de todos os muitos séculos da história seria o fato mais estupendo conhecidos da sociologia, e exigiria uma revisão completa de nossas teorias sociais. A coisa é estupenda demais para ter acontecido. Para se entender que a Maçonaria, como a conhecemos hoje, está em solidariedade com todas essas outras fraternidades secretas, é necessário ampliar os fatos em quase todos os pontos, para preencher as lacunas com suposições e hipóteses, e para ler nas cerimônias das tribos primitivas muitos significados e propósitos que nunca foram capazes de ter.

Ficou abundantemente claro nas citações acima de várias autoridades que todas as sociedades secretas têm uma cultura em comum e na natureza do caso, inevitavelmente, fazem uso de sinais, símbolos, cerimônias, graus, lojas, iniciações, etc., de modo que se uma nova sociedade secreta surge, criada ab initio por seus próprios membros, ela terá, necessariamente, muitas características em comum com outras organizações similares, de modo que um pouco de imaginação sempre facilitará para os homens acreditar que o que foi recentemente criado já existia em outros lugares durante muitos séculos. Nada é mais fácil que criar tradições e história antiga para um culto secreto; e isso porque ele é munido de muitos usos que outros cultos secretos empregaram em tempos passados. A Maçonaria não é exceção a esta regra. Quase tudo nela pode encontrar paralelo em sociedades semelhantes que existiam há centenas de anos, e sempre há a tentação de emprestar delas a autoridade e o prestígio da antiguidade.

Muitas vezes, encontram-se atribuídos a uma época muito antiga símbolos que foram criados, de acordo com nosso conhecimento positivo em tempos recentes. “A Virgem chorando sobre uma coluna quebrada” é o caso abordado aqui. Ela foi idealizada por um Maçom Americano cerca de cem anos atrás, mas só recentemente eu li um artigo que procurava mostrar que este símbolo tinha sido emprestado de Mistérios Antigos pela Maçonaria.

Irmão Ward tenta provar que Os Altos Graus são tão antigos quanto os Graus do Simbolismo. Para um leitor americano familiarizados com a história do Rito Escocês, ele não terá muito sorte. Sabemos que o próprio Albert Pike, sozinho e sem ajuda criou uma grande parte da estrutura elevada e bela do ritual do Rito Escocês, de modo que tem sido dito sobre ele que ele encontrou o Rito Escocês uma cabana de madeira e o deixou em um palácio de mármore. Mas, há muitas coisas nas cerimônias do Rito Escocês mais antigas que a história, alguém poderia argumentar. É verdade, mas nós sabemos como elas chegaram ali: Albert Pike as tirou de sua própria aprendizagem dos livros antigos. Muito do material é muito antigo, mas a estrutura em ele as construiu e o uso em que ele os colocou data do trabalho de Albert Pike, ou, no máximo, de seus antecessores imediatos.

O verdadeiro cerne de toda esta discussão pode ser colocando em forma da pergunta, Qual a idade da Maçonaria? Essa questão nunca perde a sua vitalidade, e parece ter um fascínio inesgotável para os maçons. A resposta depende do significado que se atribui à palavra Maçonaria. Se por Maçonaria queremos dizer qualquer tipo de organização secreta, então ela é tão velha quanto o mundo. Se for usada sobre qualquer sociedade secreta que emprega alguns de nossos sinais ou símbolos, então ela pode ser traçada aqui e ali, em muitas terras e através de muitos séculos. Se ela é usada no sentido mais estrito para indicar um homem que foi iniciado em uma loja regular da Maçonaria simbólica trabalhando sob a autoridade de uma Grande Loja regular, então a Maçonaria tem apenas 300 anos de idade. Se for para ser usado sobre organizações com as quais esta moderna maçonaria especulativa pode traçar uma continuidade histórica inegável, então ele pode ser datado até os séculos XII ou XIII. De uma coisa podemos ter certeza, a casa dos homens, uma loja em que irmãos encontram por trás de portas fechadas, não é uma coisa moderna e artificial, mas brota da própria natureza humana, para satisfazer as necessidades que foram sentidas desde que o homem começou a ser.

Autor: H.L. Haywood
Tradução: José Filardo

LIVROS CONSULTADOS NA PREPARAÇÃO DESTE ARTIGO

Lowie, Primitive Society. J.S.M. Ward, ; Freemasonry and the Ancient Gods. Webster, ; Primitive Secret Societies. Frazer, Golden Bough. ; Hasting’s Encyclopedia of Religion and Ethics, Vol. VII, p. 314; XI, p. 287. Smith, ; Religion of the Semites. Heckethorn, ; Secret Societies. Lang, ; Myth, Ritual, and Religion. Thomas, ; Source Book For Social Origins. Rivers, ; The Todas. Tyler, ; Primitive Culture. Wallace, ; The Malay Archipelago. Coote, ; The Western Pacific. Upward, ; The Divine Mystery. Capart, ; Primitive Art. Evans, ; Tree and Pillar Cult. Harrison, ; Ancient Art and Ritual. Maspero, ; Dawn of Civilization. Wright, ; Indian Masonry. Giles, ; Freemasonry in China.

REFERÊNCIAS SUPLEMENTARES

Vol. I (1915) – Ancient Evidences, p. 18; The Golden Bough, p.22; The Men’s House, p. 308. Vol. 11 (1916) – Masonic Tradition, p. 189; Indian Masonry, p. 190; The Meaning of Initiation, p. 205; Masonic Signs, p. 253; Indian Freemasonry, p. 371. Vol. III (1917) – A Central African Mystery, p. 15; The Origin of Druidism, p. 22; The Initiatory Rites of Druidism, p. 35; Masonry Among Primitive Peoples, p. 38; Secret Societies of Islam, p. 84; Aboriginal Races and Freemasonry, p. 96; Chinese Signs, p. 156; The Men’s House, p. 209. Vol. IV (1918) – Definitions of Masonry, p. 125; The Voice of the Sign, October, C.C.B., p. 4; The Divine Mystery, p. 334; The Mysteries of the Art of the Caverns and Early Builders, p. 366. Vol. V (1919) – Legendary Origin of Freemasonry, p. 297, Vol. VI (1920) – A Bird’s-Eye View of Masonic History, p. 236; The Purposes of Legends and Myths, p. 258; Freemasonry Among the American Indians, p. 295. Vol. VII (1921) – Whence Came Freemasonry, p. 90; Little Wolf Joins the Metawin, p. 281. Vol. VIII (1922) – American Indians and Freemasonry, P. 71; Freemasonry and the Ancient Gods, pp. 88, 151, 152, 153; Masonry Among the Chippewa Indians, p. 126; A Mediating Theory, p. 318; Traces of Masonry Among Indians and Worth Americans, p. 354. Mackey’s Encyclopedia – (Revised Edition): Albert Pike, p. 563; Assassins, p. 82; China, p. 147; Chinese Secret Societies, p. 148; Civilization and Freemasonry, p.153; Culdees, p. 191; Degrees, p. 203; Druidical Mysteries, p. 220; Druses, p. 221; Initiation, p. 353; Man, p. 461; Primitive Freemasonry, p. 584; Scottish Rite, p. 671; Secret Societies, p. 677; Woman, p. 855.

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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, Nº 273, jurisdicionada à GLMMG, oriente de Ibirité/MG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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