A Verdade é simples, mas nossa visão dela é complexa

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Após acompanhar muitas discussões e até mesmo participar de algumas delas me ocorreu publicar algumas ponderações pessoais acerca da Verdade.

Mas, porque a Verdade? É que as discussões mais acaloradas ocorrem justamente pela defesa ferrenha de alguma ideia ou posição tida como verdadeira por um irmão, ideia ou posição esta que se contrapõe a outra verdade professada ou defendida por outro (quando ambos bem intencionados e bem fundamentados em suas argumentações).

Também, porque somos Buscadores da Verdade por princípio maçônico, queiramos isso ou não.

Bem, penso que um dos caminhos mais seguros a seguir atualmente é o científico, por mais limitado e preconceituoso que se mostre (este é assunto para outro debate).

Na ciência não existem negativas, somente afirmativas. Uma pesquisa sempre vai afirmar algo, ela é positiva. Não existe forma de se negar que algo não exista, mas somente que algo exista. Por exemplo, não há atualmente ferramental teórico ou técnico para comprar que não existe alma, espírito, pensamento, etc. O que se pode dizer é que o corpo físico é comprovável e uma certeza universal. Mas, mesmo as certezas por vezes preconizadas pela ciência algumas vezes mudam, ou seja, aquilo que parecia verdade deixa de ser para abrir espaço para um conceito mais amplo e completo que o anterior. Isso, porém sem garantias de que seja a verdade definitiva e absoluta. Foi o caso do conceito do átomo (última partícula indivisível da matéria, conceito que desmoronou com a Física Quântica). O mesmo ocorreu com a ideia de célula, menor corpo vivo ante às bactérias e vírus.

Aliás, para os positivistas praticamente só as ciências ditas “duras” são consideradas como ciência mesmo: matemática, física, engenharia, etc. As ciências ditas “humanas” são, via de regra, muito subjetivas e têm seus objetos não claros e concretos, além de comprovações duvidosas (segundo este conceito). Um absurdo interessante é o fato de que a Metodologia Científica nasceu no seio da Filosofia (que por sua vez se originou dos estudos da Mitologia, Religiões, etc.). Pela análise rígida da Metodologia a Filosofia não pode ser considerada uma Ciência. Pode? Doido, né?

Bem, mas vamos voltar ao nosso assunto, a Verdade. Reproduzo abaixo um breve resumo de parte de meu livro “Astrologia na Maçonaria”.

A Verdade é uma busca comum para todos, incluindo os filósofos, os religiosos e os cientistas.

Há quem diga que é impossível ao ser humano chegar à verdade visto que é limitado (imperfeito) e que a verdade reflete a Perfeição.

A verdade nasce do julgamento da mente a respeito das realidades e é justamente aí que pode residir o erro, o equívoco ou a limitação.

A realidade é anterior e posterior à ciência. Extrair a verdade da realidade é obter a razão da vida.

Temos alguns estados da mente em relação à verdade: ignorância, dúvida, opinião e certeza. Mas, podemos ter certeza da verdade?

Nada na Criação está fixo e definitivo. Todo o universo se encontra em expansão, segundo a Física, tanto no macro como no microcosmo. Nada está parado, nem mesmo o interior daquela pedra do calçamento, dentro dela existe movimento e portanto vida.

De acordo com a ciência temos alguns graus de certeza: absoluta, hipotética, metafísica, moral, científica, religiosa e vulgar.

Aqui já podemos perceber pontos de tensão em discussões de nossos grupos. Por exemplo, quanto ao “nascimento” da Maçonaria. Dependendo da linha de raciocínio seguido pelo maçom sua certeza pode ser metafísica ou científica. Uma abordagem não invalida a outra e também não detém a verdade absoluta. Em absoluto!

As evidências constituem as “comprovações” das verdades retiradas da realidade. Mas, de que vale uma evidência filosófica para um pesquisador que busca provas físicas, materiais?

Para encerrar este resumo, quero lembrar aos Irmãos que na Cabala judaica temos quatro “Mundos” da Criação ou formas de manifestação do GADU:

1 – Mundo da Ação (o físico) – onde pedra, por exemplo, é pedra e ponto final. Em Maçonaria poderíamos dizer que seja o nível dos “profanos”;

2 – Mundo da Formação (abstrato, eu associo com as emoções) – onde esta pedra é um conjunto de partículas em movimento e um centro que pode ser energético. Em Maçonaria poderíamos dizer que seja o nível do “Aprendiz”, aquele que vê a vida com outros olhos além das evidências materiais e considera outros fatores mais sutis da vida social;

3 – Mundo da Criação (abstrato, eu associo com as idéias) – onde esta pedra pode ser considerada um ser vivo, complexo. Em Maçonaria poderíamos dizer que seja o nível do “Companheiro”;

4 – Mundo da Emanação (divino, eu associo com o espírito) – onde esta pedra é conceituada apenas como pedra e ponto final, sem especulações ou conceituações, porque ela é tida em seu sentido mais amplo e profundo; conceituar ou especular é querer limitar o ilimitado, definir o indefinível. Por isso este nível é o nível do segredo, do silêncio e da reflexão. Este é o nível do verdadeiro Mestre.

Por isso, penso que devemos respeitar as opiniões alheias, tentar entender de qual ângulo o irmão está olhando a questão e a nossa própria visão. Caso contrário, muitas discussões podem não contribuir para a busca da verdade e se mostrarem perda de tempo, energia e amizade sem sentido.

Autor: Juarez de Fausto Prestupa
Membro da ARLS Reconciliação e Justiça Nº 146 – GLMMG
Inspetor Geral da Ordem, 33º
Membro da Loja Maçônica de Pesquisas Quatuor Coronati “Pedro Campos de Miranda Autor do livro “ ASTROLOGIA NA MAÇONARIA” – Editora Madras
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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, Nº 273, jurisdicionada à GLMMG, oriente de Ibirité/MG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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2 respostas para A Verdade é simples, mas nossa visão dela é complexa

  1. AntimidiaBlog disse:

    De que verdade estamos falando? Da sua? Da minha? Da do vizinho? E sim, é possível negar algumas coisa, uma delas é a verdade, ela não existe de forma absoluta, é só mais um ponto de vista.

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  2. Entendo que estamos falando da verdade de cada um, e da busca de cada indivíduo pela verdade. A sua verdade não é necessariamente a minha. E é aí que deve prevalecer o espírito da tolerância para com o próximo, uma vez que, como bem disse o Prestupa no artigo, é necessário ” tentar entender de qual ângulo o irmão está olhando a questão e a nossa própria visão”.

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