A Luta do Bem contra o Mal – 1ª Parte

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Nascemos e crescemos em uma sociedade marcada pela dicotomia maniqueísta que nos apresenta sempre dois opostos: o bem e o mal. Desde crianças aprendemos a separar pessoas, atitudes, pensamentos, sentimentos, etc. como bons e maus. No imaginário popular Deus, representando o Bem Supremo, digladia com o Diabo, representando o mal supremo.

Esta dicotomia vem desde Zoroastro e sua religião marcada pela luta entre Arimã (o suposto mal) e Ahura Mazda ou Ormuzd (ícone do bem). Na Wilipédia encontramos um pouco sobre a doutrina de Zoroastro:

Na doutrina zaratustriana, antes de o mundo existir, reinavam dois espíritos ou princípios antagônicos: os espíritos do Bem (Ahura Mazda, Spenta Mainyu, ou Ormuz) e do Mal (Angra Mainyu ou Arimã). Divindades menores, gênios e espíritos ajudavam Ormuz a governar o mundo e a combater Arimã e a legião do mal. Entre as divindades auxiliares, como consta no Avesta a mais importante era Mithra, um deus benéfico que exercia funções de juiz das almas. No final do século III d.C, a religião de Mithra fundiu-se com cultos solares de procedência oriental, configurando-se no culto do Sol.

Arimã é representado como uma serpente. Criador de tudo que há de ruim (crime, mentira, dor, secas, trevas, doenças, pecados, entre outros), ele é o espírito hostil, destruidor, que vive no deserto entre sombras eternas. Ormuzd, no entanto, é o Criador original, organizador do mundo de modo perfeito.

Ahura Mazda é representado também como o divino Lavrador, o que mostra o enraizamento do culto na civilização agrícola, na qual o cultivo da terra era um dever sagrado. No plano cosmológico, contudo, ele é o criador do universo e da raça humana, com poderes para sustentar e prover todos os seres, na luz e na glória supremas.

Bem e Mal não são apenas valores morais reguladores da vida cotidiana dos humanos, mas são transfigurados em princípios cósmicos, em perpétua discórdia. A luta entre Bem e Mal origina todas as alternativas da vida do universo e da humanidade. A vitória definitiva de Ormuzd  sobre Arimã só poderia ocorrer se Zaratustra conseguisse formar uma legião de seguidores e servidores, forte o bastante para vencer o Espírito Hostil, e expurgar o Mal do universo. Nesse sentido, Bem e Mal são princípios criadores e estruturadores do universo, que podem ser observados na natureza e encontram-se presentes na alma humana. A vida humana é uma luta incessante para atingir a bondade e a pureza, para vencer Angra Mainyu e toda a sua legião de demônios cuja vontade é destruir o mundo criado por Ahura Mazda.

O Maniqueísmo surgiu na Babilônia e na Pérsia quando o gnosticismo primitivo começou a perder influência no mundo greco-romano. Vejamos um pouco da definição do Maniqueísmo que encontramos na Wikipédia:

O Maniqueísmo é uma filosofia religiosa sincrética e dualística que divide o mundo entre Bem, ou Deus, e Mal, ou o Diabo. A matéria é intrinsecamente má, e o espirito, intrinsecamente bom. Com a popularização do termo, maniqueísta passou a ser um adjetivo para toda doutrina fundada nos dois princípios opostos do Bem e do Mal.

O seu fundador foi o profeta persa Mani (ou Manés) e as suas ideias sincretizavam elementos do Zoroastrismo, do Hinduísmo, do Budismo, do Judaísmo e do Cristianismo. Desse modo, Mani considerava Zoroastro, Buda e Jesus como “pais da Justiça”, e pretendia, através de uma revelação divina, purificar e superar as mensagens individuais de cada um deles, anunciando uma verdade completa.

Conforme as suas ideias, a fusão dos dois elementos primordiais, o reino da luz e o reino das trevas, teria originado o mundo material, essencialmente mau. Para redimir os homens de sua existência imperfeita, os “pais da Justiça” haviam vindo à Terra, mas como a mensagem deles havia sido corrompida, Mani viera a fim de completar a missão deles, como o Paráclito prometido por Cristo, e trouxera segredos para a purificação da luz, apenas destinados aos eleitos que praticassem uma rigorosa vida ascética. Os impuros, no máximo podiam vir a ser catecúmenos e ouvintes, obrigados apenas à observância dos dez mandamentos.

As ideias maniqueístas espalharam-se desde as fronteiras com a China até ao Norte d’África. Mani acabou crucificado no final do século III, e os seus adeptos sofreram perseguições na Babilônia e no Império Romano. Apesar da igreja ter condenado esta doutrina como herética em diversos sínodos desde o século IV, ela permaneceu viva até à Idade Média.

Mas, este é um conceito equivocado e que é inconcebível em uma doutrina que postula um único Deus. O monoteísmo não comporta algum ser ou algo que possa se comparar a Deus. Não existe nada nem ninguém nem mesmo ao nível de Deus, sequer acima dela. Ou seja, não é possível lutar contra Deus que é Onipresente, Onisciente e Onipotente. Ele está em todos os lugares, Ele sabe de tudo (nada Lhe é escondido, não se pode enganar ou trapacear Ele), Ele tem poder sobre toda a Criação, não existe nada que não esteja sobre o seu poder.

Então, dizer que algo está contra Deus é um equívoco de lógica na concepção Monoteísta, tal como são as religiões cristãs, por exemplo.

Ou seja, não existe uma luta do Bem contra o Mal.

Continuaremos com este assunto tão importante. Acompanhe este estudo.

Autor: Juarez de Fausto Prestupa
Membro da ARLS Reconciliação e Justiça Nº 146 – GLMMG
Inspetor Geral da Ordem, 33º
Membro da Loja Maçônica de Pesquisas Quatuor Coronati “Pedro Campos de Miranda

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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, Nº 273, jurisdicionada à GLMMG, oriente de Ibirité/MG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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