Axioma Hermético

hermes

Conhecimento, assim como a riqueza, é destinado ao uso.
Esta é uma lei universal, e aquele que a contraria sofrerá em razão de se ir contra a lei.

– O Caibalion

São 7 os axiomas herméticos, ou princípios, ou leis, mas falarei apenas de um porque o assunto é vasto e merece uma vida de atenção. Se quiser saber mais sobre quem foi Hermes Trismegistus e onde aparecem esses axiomas, veja no final da página informações sobre esta figura e suas obras.

Hermes Trismegistus é considerado o pai da Alquimia e sua origem provém do Antigo Egito. Como o assunto acerca do hermetismo é vastamente interpretado de maneiras erradas por diferentes doutrinas e culturas, é muito difícil conseguir informações verdadeiras sobre ele, principalmente na internet e este post não é exceção. Há quem diga que ele provém dos filhos de Caim (sim, tão antigo assim), outros dizem que ele é conterrâneo de Zoroastro ou mesmo de Salomão. A sua origem é tão distorcida que ele passou a ser um personagem mítico e representa um movimento ou doutrina sob o nome de uma pessoa (ou deus). Assim, Hermes Trismegistus não necessariamente foi uma pessoa, mas uma escola.

O Homem nada sabe; mas é chamado a tudo conhecer.

Todo o assunto que encerra verdades ocultas e direciona o pensamento humano para a iniciação, acaba naturalmente confundindo os ignorantes e ensinando valiosas lições aos Filósofos. Isso acontece porque a verdade por ser o maior tesouro não deve ser dada à qualquer um, mas somente àqueles que realmente a buscam. Assim, nem tudo neste post pode lhe fazer sentido a primeira lida, mas o real ensinamento está nas entrelinhas e por mais racional que seja, os ensinamentos devem ser sentidos na alma.

Informação por si só de nada vale sem a colocar em prática. O ensino colocado à prova transforma-se em conhecimento. Meu primeiro grande professor de filosofia, o mestre Sydnei uma vez disse que ler muitos livros não é a chave do sucesso, mas ler de trecho em treco e colocá-lo ao sabor da experiência é a chave que abrirá portas que você nem imagina que existia. Deste dia em diante entendi que devorar livros só me traria indigestão mental como o estava experimentando até então, e um dos motivos de eu escrever aqui neste blog é justamente para eu, de post em post, organizar e estudar trechos entre trechos dos mais profundos ensinamentos. E o meu convite fica aberto a você que lê estas linhas para participar de uma discussão a fim de, juntos, elevarmos o nosso entendimento.

Parece justo?

Então vamos lá, vou começar com a frase que abre o livro O Caibalion (The Kaybalion) de autoria dos Três Iniciados.

Os lábios da sabedoria estão cerrados, exceto para os ouvidos do entendimento.

O hermetismo e o ocultismo se fundem numa mesma ciência. Não se pode falar de um sem esbarrar no outro, e infelizmente o mundo vulgarizou seu nome a tal ponto que se tornaram ridículas as suas associações. Videntes, previsões do futuro, cartomantes, numerólogos, hipnotizadores e afins, que levam o ensinamento esotérico para fora dos muros de carne e ossos e o colocam nos ditames do exotérico, do externo, fora do homem e fora da consciência. A real essência alquímica não pode acontecer desta maneira e quando o faz não é duradoura e nem verdadeira. O hermetismo (ou ocultismo) real só acontece quando é pelo lado de dentro, e é deste que quero dedicar a minha atenção.

As seitas herméticas, escolas e doutrinas pelo mundo afora, sentem leve um prazer egoísta em apelidar aqueles que não conhecem as suas valiosas lições e o termo “profano” é empregado para representar essa classe. Excluir desta maneira aqueles que são tidos como atrasados na jornada do entendimento da alma humana é ao meu ver outra prova de que os ensinamentos reais estão sendo novamente corrompidos porque em lugar algum nos livros originais esse tipo de classificação é empregada. Isso é a vaidade humana operando em uma profundidade não convidada. Não pode existir elevação sem bondade e não pode existir união sem fraternidade. Disse São Paulo que a caridade é a chave para chegar ao reino dos céus mais rapidamente. Então o meu primeiro passo é não aceitar este termo, “profano”, para designar meus irmãos de vida, por mais distantes que possam estar de mim na jornada, e paradoxalmente, por mais próximos que tenhamos nascidos com laços de sangue. Assim sendo, nada pode ser profano, porque diz a minha amiga e filósofa Cláudia Carvalho, “o sagrado é o cotidiano”. O dia a dia, o que é o pequeno e comum, aparentemente descartável, este é o sagrado para o Filósofo porque faz relação direta com o primeiro axioma hermético que todo filósofo deveria conhecer, entender, sentir e aprender.

O Princípio da Correspondência

ou Lei da Analogia

“As above, so below. As below, so above.”

“Assim como em cima, é embaixo. Assim como embaixo, é acima.”
Tradução 1

“Aquilo que está embaixo é como aquilo que está em cima, aquilo que está em cima é como aquilo que está embaixo.”
Tradução 2

“O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima.”
Tradução 3

“Assim como é em cima, assim é embaixo. Assim como é dentro, assim é fora.”
Tradução da Escola Max Heindel

Repare que as traduções de um mesmo axioma muda levemente o seu entendimento, e varia de livro para livro, de doutrina para doutrina e de escola para escola. No entanto, o ponto mais importante é o “como”, não “exatamente” ou “igual”, mas o “como” no sentido de ser “parecido”, e esta é a chave que abre as portas do inalcançável para o homem.

Este princípio encerra um grande mistério que é revelado aos sentidos do atento filósofo que faz da observação a sua ferramenta prática do cotidiano. Lembrando que o cotidiano é sagrado, então esta lei não pode ser ignorada no dia a dia e aos olhos do ativo observador faz-se reconhecer a profundidade e a veracidade de seu mandamento. Não há como fugir, não há como escapar-se dela. Talvez a única maneira de não sentir-se absorvido nesta máxima é ignora-la e afundar-se na ignorante vida cega do homem comum, ou seja, viver a vida sem pensar e nem questionar, reclamar e maldizer a sua sorte, e finalmente, seguir e deixar que o acaso da vida decida seu destino. E muitos são os homens e mulheres assim, e eu não me excluo disto porque isso também acontece involuntariamente comigo.

Em momentos de lucidez como este agora, consigo enxergar e reverenciar o poder desta lei, e posso, de maneira humilde, tentar traduzir em palavras o que ela significa.

A doutrina rosacruz que entende o homem como a cruz que se espera florescer rosas, bem como a maçônica que visa o homem como a pedra filosofal que aguarda sua devida lapidação, ambas só são conseguidas com uma limpeza por dentro. Ambas vêm beber da fonte hermética, com suas leves alterações evolutivas desta fórmula, no entanto, a sua origem e alegoria alquímica prevalecem. A base e o ponto de origem se convergem no princípio da correspondência.

Ela diz que assim como é em cima, assim é embaixo. Essa é a chave para se conseguir medir e entender o que está fora do alcance mundano. Nada está fora do alcance do homem quando ele realmente quer. Assim chegamos à lua, chegamos à Marte, e chegamos à descobrir planetas e estrelas à anos luz de distância, também chegamos às menores formas de vida, células, moléculas, átomos … seja em cima, seja em baixo, o homem consegue alcançar quando quer. E para sua descoberta, o gigantesco não passa de um padrão repetido do minúsculo. Porque os planetas orbitam ao redor de suas estrelas, assim como os elétrons orbitam ao redor de seu núcleo.

Assim como é em cima, assim é embaixo. Esse princípio revela como podemos entender o microcosmo e o macrocosmo, como podemos entender o invisível e o visível, como podemos entender a carne e o espírito. Porque o homem aprende e entende por comparação.

Hermes Trismegistus aponta o Princípio da Correspondência, dentre outros.trismegistus

Desde que nascemos somos vítimas da comparação e aprendemos a entender o mundo através dela. Veja a ciência por exemplo. A ciência só funciona por comparação. Se um cientista não puder comparar, ele não pode concluir. Um médico só pode considerar como curado um doente quando este estiver novamente são. Um músico só sabe que está afinado quando não está desafinado. Uma campanha publicitária só é bem sucedida quando faz a marca vender mais e não vender menos. E assim o mundo passa a existir por comparação.

Uma moeda só é falsa porque você conhece uma verdadeira.

Se você não sabe o que é verdadeiro, corre o risco de aceitar o falso como verdadeiro. E intimamente, sabemos muito pouco sobre as coisas que são verdadeiras porque não conhecemos meios confiáveis de se medir o que está fora do nosso alcance. Algumas coisas estão fora do alcance porque estão muito longe, como estrelas, sonhos e outras pessoas, e, outras coisas estão fora do alcance porque estão muito perto, aliás perto demais, tão perto que está dentro de nós, como nossos pensamentos, sentimentos e a própria consciência. Ou assim julgamos estar. Na falta de se saber medir o que é verdadeiro, o homem aceita muito do lixo que existe no mundo e faz da verdade alheia a sua verdade, e esforça-se para que se mantenha verdadeira. Essa atitude, esse esforço, está sempre acontecendo e comparamos tudo. Tendemos a colocar tudo em graus de bom ou ruim, útil ou inútil, que traz felicidade ou tristeza, que funciona ou que atrapalha, e tantas outras coisas.

Somos feitos à imagem e semelhança de Deus diz a Bíblia (Gênesis 1:27), e esta é a primeira comparação que o homem tem diante de si, afinal, reside em nosso interior o sonho de um dia sermos tão poderosos quanto Deus (quem nunca quis matar, quem nunca quis criar, quem nunca quis mandar e quem nunca quis explodir o mundo) e isso faz de nós uma cópia microcósmica de Deus, talvez meio descontrolada e guiada pela vaidade, mas ainda assim uma microcópia com todos os poderes e forças latentes em si.

Então como fazer para conhecer o que está fora do nosso alcance, por exemplo, Deus?

Ora, a chave está diante de ti e só será revelada quando você praticar a observação de tudo o que existe ao seu redor, primeiramente ao seu externo. Quando estiver atento à tudo o que está lhe rodeando, poderá ficar atendo ao seu redor interno e então com prática ficar alerta quanto aos seus pensamentos, suas emoções e o que você julga ou deixa de julgar. Quando estiver com os olhos abertos para estas realidades, a exotérica (externa) e a esotérica (interna), poderá estabelecer como verdadeiro o princípio da correspondência e inevitavelmente enxergará o que antes não enxergava porque não tinha formado ainda os olhos capazes de fazê-lo. Perceberá o padrão repetido de tudo. O que lhe acontece e que é tangível bem como o padrão de tudo o que acontece e lhe é intangível. E numa escala maior / menor poderá chegar até onde a sua capacidade inteligente e vontade lhe permitirem.

É muito fácil negar ou afirmar a existência de Deus (por exemplo) de olhos fechados (para este e para todos os outros mundos). Permita-se meditar sobre esta lei, pondere e pense profundamente. Extraia dela a essência que a faz tão bela e não apenas o jogo de palavras que soa ridículo à princípio. Eu mesmo me arrependo publicamente de fazer deste princípio motivo de piada pelo arranjo das palavras, e quero levar adiante a seriedade e profundidade que encerra esta lei que pode muito bem nos servir de ferramenta para medir o imensurável. Graças à este princípio, consigo trazer Deus perto de mim, tão perto de mim que consigo vê-lo dentro de mim, de você e de tudo ao nosso redor, bem como fora de mim, de você e de tudo ao nosso redor. Pratique e verá também.

Autor: Cláudio Beck – Blog O Filósofo

Informações de background

O hermetismo é um dos maiores tesouros do conhecimento humano e é o legado deixado por Hermes, ou Mercúrio na mitologia ou ainda Thoth pelos egípcios. Qualquer que seja o nome empregado, ele é a personificação do deus da lógica e razão, e deixou um conjunto de escrituras contendo as leis que faz o homem entender e fluir à favor ou contra o universo. Hermes Trismegistus significa três vezes o grande, e acredita-se que ele tenha existido em 2.700 a.C., ou seja, muito tempo atrás. Alguns relatos dizem que ele foi descendente de Caim, outros que ele foi conterrâneo de Abraão. Ainda, muitos relatos cruzados confirmam que Hermes Mercurius Trismegistus tenha vivido 300 anos antes de partir. Seja qual for o relato, a sua origem é tão antiga e documentada de maneiras tão diferentes por culturas igualmente diferentes, que a sua verdadeira origem é reservada apenas para aqueles que buscam realmente, e isso significa que nem eu e nem você teremos essa informação aqui na internet, no conforto da sua cadeira e do monitor de seu computador.

Onde buscar este conhecimento

Os ensinamentos herméticos estão contidos em 18 obras gregas com uma diferença de tempo entre elas que data milhares de anos.

O primeiro registro de Hermes, Corpus Hermeticum ou Hermetica, com os ensinamentos escrito em primeira pessoa, como se o deus Hermes tivesse contato direto com o Nous, deus dos deuses, apareceu no Egito entre 100 d.C. e 300 d.C. Foi considerado o livro de revelações absolutas pelos Renascentistas porque naquela época tudo o que era atribuído ao Antigo Egito (época das Grandes Pirâmides) era tido como do mais sagrado e profundo. Acontece que estas escrituras não vieram do Antigo Egito, mas de uma época em que o Egito abriu as suas portas para Roma.

A Tábua de Esmeralda apareceu no mundo muito tempo depois, na Europa, cerca de 650 d.C. escrito originalmente em Latim, depois traduzido para o Árabe, e depois para os demais idiomas. Contém o conjunto de leis herméticas que foram, anos depois, copiadas, incorporadas e vulgarizadas em muitas doutrinas diferentes.

O Caibalion é um livro de 1908, escrito por três iniciados e que segundo eles, traduzem a essência dos ensinamentos assim como eram ensinados no Antigo Egito. Repare querido(a) leitor(a) como a palavra Caibalion é incrivelmente similar à Kabala. Se você não conhece a Kabala, este é o conjunto muito antigo de obras ocultistas dos Judeus. O Caibalion, assim como a Tábua de Esmeraldas, são a base dos conceitos modernos da Lei da Atração e do Novo Pensamento.

Como o livro é antigo, caiu em domínio público e existem muitas versões disponíveis na internet para você ler. O livro original possui cerca de 227 páginas, no entanto, a versão mais popular que circula na internet é versão comentada e reduzida dele. Vou deixar dois links aqui, sendo este primeiro da Sacred Magik que possui uma diagramação mais decente, você pode fazer o download dele em PDF aqui e a versão direta do Hermetics.org que apresenta o texto mais direto e tudo no preto e branco mesmo, você pode fazer download dele também em PDF aqui.

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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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