Simbolismo e a Ciência Sagrada – Parte II

Resultado de imagem para yin e yang tumblr

Conjunção de Opostos 

Um símbolo que é muito claro, e que está diretamente aparentado com o da Roda, por sua própria forma e natureza, é o conhecido Yang–Yin da Tradição Extremo Oriental, símbolo da analogia e portanto, como o selo salomônico, expressão da própria ciência simbólica em si.

Como se sabe o taoismo considera que o equilíbrio cosmogônico se deve à ação permanente de duas forças opostas, o Yang (positiva) e o Yin (negativa), que conjugam uma harmonia, a qual é o próprio universo, e que estas energias, figuradas por uma dupla espiral, se acham presentes em qualquer coisa, ser ou fenômeno e configuram todo processo criativo.

Este processo ao qual nos referimos, permanente e mágico – que por um lado contém um poder vinculado com o passivo, o frio, o inerte e o quadrado (Yin) e outro relacionado com o ativo, o vital, o calor e o círculo (Yang), alternando-se e equilibrando-se constantemente – configura um só indestrutível, já que está claro que as forças não poderiam existir uma sem a outra[1]. Ou seja, que há em uma algo da outra, uma afinidade, sem a qual não poderiam se opor. Na realidade são dois focos polarizados de uma própria força. Essa oposição, no vasto Plano Universal é uma complementação, posto que a dialética é parte da harmonia e do discurso do Mundo. Por isso o taoismo, como qualquer outra tradição, não exclui o mal, a destruição, etc. de sua cosmogonia, e, pelo contrário, o incorpora como um componente da realidade, tal qual o símbolo de seu dragão, ou monstro aquático–ígneo, que representa tanto a energia tônica como a urânica. Ou seja: não exclui os contrários, mas os complementa.

Enumerar os opostos seria impossível já que são intermináveis, embora seja muito importante fazer pessoalmente uma lista deles, pois não há melhor exercício para conhecer os temas da simbólica, metafísica, cosmogonia e do esoterismo em geral, que conjugá-los permanentemente. Nada há bom ou mau em si: o que é bom para uns pode ser mau para outros, o que ontem foi desejável é atroz hoje, ou vice-versa. O que é sumamente inconveniente é ter opiniões inabaláveis sobre diversos temas, que além de ser fixadas por usos e costumes, não são pessoais, como se pensa, mas sim extraídas do leque de possibilidades do meio, muitas vezes de maneira casual; isso sem mencionar a quantidade de fobias, manias e os condicionamentos que elas geram, com os quais o sujeito se identifica, a ponto de ser capaz de matar, tomando-as como realidades verdadeiras em um mundo que não é senão uma representação teatral, uma caixa de luzes e sombras em perpétuo vir a ser.

O taoismo não fala muito sobre o Tao, por sua própria incompreensibilidade. Porém alguns textos como o Tao-Te-King mencionam um Tao da terra, um Tao do homem, um Tao do céu e um Tao de Taos ou Tao Inominável. Geralmente se costuma entender que o Tao é o aro invisível que contém os poderes yin–yang. Nesse caso, da Unidade perfeita e indiferenciada do Tao, um andrógino ou hermafrodita[2], se produz um par de opostos que constantemente se complementam, gerando todos os planos, constituindo com o próprio “corpo” do Tao uma Trindade indissolúvel. Por isso é que o texto taoista também afirma que da combinação dos três primeiros números procedem todos os outros.

O taoismo, não obstante, nos fala de outra tríade: céu–terra–homem, sendo este último o intermediário entre os primeiros termos. Na simbólica da roda poder-se-ia atribuir o ponto central ao céu, a periferia à terra, e o raio que os une ao homem. Na simbólica cristã poderiam ser correlacionados com espírito–alma–corpo, e em alquimia com a manifestação aformal, sutil e grosseira ou enxofre, mercúrio e sal, e também em termos de Platão com a Essência conjugando o Mesmo e o Outro, ainda que estes dois últimos exemplos sejam melhor simbolizados graficamente com um triângulo equilátero cujo vértice superior se polariza na base. Também esta interpenetração de energias que o símbolo yin–yang representa, esta dupla helicoide, poderia ser equiparada simbolicamente ao movimento ascendente–descendente do modelo da roda, e, como este, se subdivide formando um quaternário, já que o símbolo do yin e yang dá lugar a uma nova partição, posto que em cada yin há de haver uma potência do yang, e em todo yang a presença do yin.

Imediatamente este quaternário é gerado pelo mistério do Tao, ou do ponto imóvel, por sua emanação que se expressa por meio de sua própria dialética, e que encontra seu sentido na complementaridade dos opostos. Este último é simbolizado pelo número cinco, no qual a civilização chinesa baseou toda sua cultura, da mesma forma que as pré-colombianas, que fundamentaram sua vida em um quadrângulo, símbolo da tensão alternada de opostos e de um ponto central, lugar de repouso, equilíbrio e não-contradição, espaço sagrado e axial, onde se pudesse estabelecer a conexão com outras realidades, ou seres chamados espíritos, anjos ou deuses. Este eixo é denominado Tien–Tao na Tradição chinesa.

A conjunção de opostos é pois um dos temas centrais do esoterismo e da simbólica à qual também se costuma representar com duas colunas – por exemplo os pilares J e B na Maçonaria, ou as de misericórdia e rigor do diagrama do Árvore de Vida cabalística. Esta representação, em verdade, corresponde igualmente ao símbolo da porta, símbolo de passagem por excelência, já que ela separa – e une – dois espaços não similares, dois mundos diferentes, e estabelece um limite, o que fica claríssimo quando o referimos à entrada de um templo religioso, onde esta linha atua como divisória entre o profano e o sagrado. Neste caso, conjugar opostos permitiria o ingresso a espaços ou mundos novos e distintos.

Considerações Finais

Tratamos brevemente de alguns temas relacionados com a Simbólica e a Cosmogonia Perene. Utilizamos o símbolo da Roda, presente em diferentes tradições, como o fizemos outras vezes, convencidos de seu valor didático, para não dizer de seu poder de transmissão sagrada, mágica e transformadora[3]. Devemos ainda esclarecer alguns pontos de conexão com a Cosmogonia Perene.

ROD10Michel Maier, Symbola aurea mensae, 1617.

A descrição do mundo, a cosmovisão essencial, foi revelada por todas as tradições conhecidas, quer tenham sido povos “primitivos” ou grandes civilizações[4]. Isso se deve, antes de tudo, ao fato de que a cosmogonia é só uma e é a mesma para todo tempo e lugar; portanto a descrição que dela se faz há de ser idêntica, posto que corresponde a um só  Conhecimento; o que se costuma esquecer é que é nesse cosmos que nós vivemos e que a compreensão de sua descrição não só é válida para hoje, mas atuante ao promover na psiquê uma revolução de imagens, sugeridas pelos símbolos, até a mudança completa, ou conversão da própria psiquê.

Porque a substituição das concepções rasas, pequenas, asfixiantes ou históricas com que nos alimentou o mundo moderno provocará em nós, e portanto em nosso pensar–atuar, uma verdadeira transmutação, caso se tenha vivenciado de forma concentrada os símbolos da Cosmogonia Perene e se os tenha absorvido no coração. Nesse caso, o modelo do universo se constituiu em um mandala multidimensional que abarca a totalidade do ser e o suporte mais indicado para a construção do homem novo, da ontologia, como passo prévio à metafísica; se poderia dizer que o ser que edifica sua vida de acordo com os Universais, ou Arquétipos, se inicia no Conhecimento da realidade, como foi o caso de todos aqueles que construíram as culturas das quais somos herdeiros.

Todas as cosmogonias conhecidas – ou projeções da cosmogonia primordial, que conduzem ao conhecimento íntimo da realidade, levam imediatamente (por oposição à ilusão e ao engano dos sentidos em um mundo de aparências) ao reconhecimento imediato de outra possibilidade sempre presente, cuja manifestação misteriosa é a totalidade do cosmos, que não constitui senão a sombra dessa presença, sem a qual esse mesmo cosmos não poderia ser de nenhuma maneira.

Para a descrição cosmogônica conhecida, talvez a mais antiga, a egípcia, o Mundo tem sentido como reflexo da Vida Eterna. A navegação do Nilo (fonte de vida) adquire validade porque é uma reprodução de um paradigma: a navegação do Nilo celeste, o percurso da alma depois da morte, representada e presidida por Osíris, seu deus mais importante. Este fato é, na verdade, o fundamental em todas as tradições e o fim último das cosmogonias e das simbólicas; costuma-se representá-lo no plano humano como uma peregrinação, arremedo da peregrinação final da alma, e todas as tradições conheceram este rito, efetuado pelos egípcios à cidade de Abidos (Tês) situada na margem ocidental do Nilo, na ribeira pertencente aos mortos, lugar de culto do deus dos defuntos e sua corte. Por isso, e já que o Conhecimento da realidade do cosmos se funde com o Conhecimento da Criação de um Criador, esta ascese pode ser alcançada, posto que foi revelada a homens inspirados, os que a transmitiram no meio social através de conhecimentos e energias sutis presentes nos símbolos, mitos e ritos.

Isso é, precisamente, a Iniciação, que se apresenta unanimemente nas culturas tradicionais, e que consiste de ensinamentos recebidos através dos meios acima citados e cujo fim último é a Realização total. Por isso, este processo de sacrifício e conhecimento da realidade cosmogônica, estes ensinamentos encarnados, que caracterizam a Iniciação, promovem no adepto o acesso a outro grau de Conhecimento e experiência de novos planos da Realidade, como se disse, o que inclui uma morte para as suas velhas concepções e um renascer para um outro mundo, onde lhe espera novamente uma longa viagem de assombros. Como se vê, a Iniciação é nesta vida uma imagem da viagem da alma ao país dos mortos e a representa efetivamente até nos menores detalhes, de acordo com as leis da analogia.

Não podemos nos estender mais sobre o tema da Iniciação. Porém repetiremos que há nelas vários níveis, correspondendo a graus de consciência ou Conhecimento. Deveríamos mencionar distintos tipos de Iniciação: as sapienciais, as guerreiras, as artesanais; é interessante estudar as diferentes estruturas em que se manifestam tanto em diversos povos arcaicos como em grandes civilizações. Não obstante, no essencial, estes ritos seguem sendo “primitivos” em sua forma, ainda hoje em dia, por mais sofisticados que pareçam em determinadas religiões, muitas das quais os conservam sem ter quase nenhuma ideia de seu valor; por exemplo: os sacramentos cristãos do Batismo, a Confirmação e a Ordem Sagrada, correspondentes na Maçonaria aos graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre.

Além disso, os diversos tipos de iniciações não têm por que se contrapor, e assim temos o exemplo de inumeráveis sábios que foram ao mesmo tempo guerreiros e artistas.

Queremos também destacar que o mito, bem observado, sempre apresenta características circulares. Em primeiro lugar isso se dá porque nele geralmente se narra uma história cíclica, que inclui o tema da morte e ressurreição, princípio e fim, ou diferentes transformações, ou mudanças de estado; nos casos em que se conservou distintas e várias histórias arquetípicas, estas se entrelaçam, constituindo a estrutura circular do mitológico, onde umas narrações encadeiam com outras de modo indefinido – às vezes mediante laços familiares – sem solução de continuidade. Inclusive em uma mesma tradição pode se dar o caso de uma história que se repete várias vezes, adornada com distintas roupagens, determinadas por razões originadas em causas cíclicas, porém que essencialmente manifesta o mesmo.

Em termos gerais a cosmogonia arquetípica poderia ser descrita como a planta de um templo ou de uma cidade sagrada que a representa no mundo. Um ponto ou eixo central governa toda a construção e a conecta com outros planos da realidade vertical. A base é quadrada (ou seu equivalente circular) e se abre ao exterior por meio das (duas) colunas de uma porta. Através dela se tem acesso ao templo no qual há diferentes espaços (três ou quatro) até chegar ao Sanctum–Sanctorum. Estas salas no templo egípcio vão da maior para a menor, diminuindo a luminosidade de cada uma delas até chegar à penumbra da última. Esses espaços são equivalentes e prévios aos invisíveis e verticais, que se articulam através do eixo e alcançam a abóbada, ou o teto, imagens do céu. Existem nas abóbadas de alguns templos aberturas marcando a saída ao supra-cósmico, como no Panteão de Roma; em outros essa saída está implícita no mesmo firmamento que se acha pintado na parte mais alta, como é o caso do templo egípcio (o de Dendera, por exemplo) e também o da loja maçônica.

A numerologia e a geometria expressam as “medidas”, os módulos reguladores da harmonia universal, as “proporções”; esse jogo de tensões em permanente desequilíbrio–equilíbrio que forma a totalidade do criado e adota a onda de emanações da qual o homem é o sujeito. Por isso mesmo, através da conjunção de todos os opostos e da fundamental contradição de suas duas naturezas, este não só pode encontrar seu Ser e seu papel nesse cosmos como parte ativa, mas supostamente transcendê-lo, para passar a viver aqui em vida e depois de sua morte, outros graus não-manifestados do Ser Universal.

ROD11Michel Maier, Tripus aureus, 1618.

Se o símbolo é manifestação e se no mais fundo de qualquer expressão se acha escondida uma significação oculta, uma outra realidade, é lógico pensar que a arte cumpre uma função extraordinária como sistema de comunicação, e sobretudo de coesão no mundo, e graças a ela (à concentração que lhe deu origem e a que por sua vez origina), não se perderam determinados valores universais que ele fixou em distintos lugares e tempos, testemunhando dessa maneira a vontade de ser, e assinalando (mais ou menos conscientemente) os caminhos da liberdade através da repetição de um ato criativo primogênito.

A arte é símbolo em ação, e portanto rito; e não há rito mais perfeito que a cosmogonia, o funcionamento complexo e sutil da máquina do mundo, uma entidade orgânica que constantemente vive o desdobramento de suas possibilidades até seus próprios limites, configurando a mais bela, profunda e inteligente obra de arte, diante da qual todas as outras são reflexos, ainda que as melhores delas se encontrem carregadas, cosmizadas, pelas vibrações da própria estrutura viva da manifestação Universal, figurada por uma dupla espiral de energias que se reciclam perpetuamente.

O mundo, como o mais preciso objeto de desenho inclui a criatura e o Criador amalgamados em um contínuo onde a expiração de um constitui a inspiração de outro e vice-versa. Este fato é um milagre repetido e configura a identidade do ser e do Ser Único, a Suprema Identidade, a que não admite nenhum duo pois é toda a realidade.

O artista é então o ser capaz de condensar por sua mediação as forças cósmicas, é o oficiante do rito da criação; e sua arte mais elevada: o constituir-se no objeto de sua obra.

ROD12Cestaria dos índios Pima-Papago – E.U.A.

Anotaremos finalmente que no Processo de Conhecimento (gnose) ou experiência direta da Cosmogonia Perene, não há nada comparável com a deidade chamada Inteligência, a grande Mãe ou Mãe Eterna (Binah na cabala hebraica, Nârâyâni no tantrismo hindu), energia capaz de selecionar os valores e pô-los em seu lugar criando uma ordem mental em oposição ao caos da ignorância[5]. Daí a importância do modelo do Universo e de sua Ordem Arquetípica, posto que é capaz de ativar e gerar o auxílio desta deidade, que sempre se manifesta no microcosmos como a compreensão imediata, efetivada no coração.

Esta energia, por sua própria virtude, rechaça os pretensiosos paradigmas culturais que  condicionam a nós, homens atuais, em particular aqueles referentes a falsas ideias de progresso e evolução, ou seja, os da ciência oficial contemporânea[6], e permite assim a abertura de um espaço onde as coisas, os seres e os fenômenos, poderiam ser completamente distintos da visão Ocidental, horizontal, pessoal e empastada, herdada apenas dos últimos séculos; e mais ainda: fomentaria a possibilidade de perceber e atualizar o que os sentidos muitas vezes negam, e rechaçar a ilusão geral e profana.

Pode-se afirmar que, por sua própria universalidade, ninguém deixou de ser convocado para este rito da Inteligência, nome divino que pode ser rechaçado ou aceito, de acordo com os níveis do ser individual, e decida, segundo este, ser cúmplice de um engano hipócrita ou opte pela lucidez como estado permanente.

“Tua esposa será como jarra fecunda no segredo de tua casa.” (Salmo 128, 3, Bíblia de Jerusalém).

Autor: Federico González
Tradução: S. K. Jerez

Notas

[1] – A famosa harmonia ou equilíbrio grego foi também obtida a partir de conjugar o apolíneo com o dionisíaco; uma vez que se compreendeu que entre estas duas energias as contradições são aparentes.

[2] – Como é sabido este símbolo era visto por Platão como as duas metades idênticas de uma esfera.

[3] – O “jogo” do Tarot, cujo nome é a inversão da palavra “Rota” = roda, combinado com o esquema da Árvore da Vida cabalística e com o auxílio das artes liberais, constitui um excelente meio introdutório muito propício para as iniciações herméticas modernas.

[4] – As chamadas “altas civilizações” foram também sociedades “primitivas”, e de sua “época mitológica” é que extraiu o cérebro de sua cultura. Para elas era essa sua Tradição, recebida de modo completo e não incipiente ou defeituoso. Isso explica a aparição aparentemente repentina de grandes monumentos e cidades e a irrupção na história de sistemas consumados de pensamento, comunicação, linguagem, etc.

[5] – O rio Ganges é o esperma de Shiva, e essa semente contém potencialmente a energia da Inteligência (associada igualmente às letras do alfabeto sagrado do mundo, ou a um som primordial – AUM) ou Mãe Eterna, Nârâyâni, energia ordenadora e formadora, imanente na manifestação, inteligência cósmica e sensível semelhante indistintamente a Pârvatî (Shakti de Shiva) eLakshmî (Shakti de Vishnu).

[6] – Com a exceção da ciência mais moderna.

Anúncios

Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, Nº 273, jurisdicionada à GLMMG, oriente de Ibirité/MG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
Esse post foi publicado em Simbolismo e Cosmogonia e marcado . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s