Ensaio Sobre as Origens dos Rituais e dos Graus Simbólicos – 8ª Parte

A origem dos sinais maçônicos permanece misteriosa e sua introdução na maçonaria especulativa é desconhecida. O reconhecimento dos maçons operativos residia na “palavra do maçom” e nada indica que houvesse um gesto que a acompanhasse. É quase impossível considerar o “sinal de ordem”, conhecido aqui e ali na estatuária medieval, como sendo a indicação da existência de tradição “maçônica” entre os talhadores de pedra. Ou então, deveria ter-se em conta a descrição precisa dada por Philo de Alexandria em “A Vida Contemplativa” e Flávio Josefo em seu “Antiguidades Judaicas“, no primeiro século de nossa era. Não podemos sequer considerá-la, a exemplo do sinal de sofrimento do Mestre, quase universal, como um tipo de arquétipo da espécie humana.

Os passos e a marcha são relatados em textos antigos de 1724, 1725, 1729 e 1730, mas sem a sua descrição. Em 1737, o registro do julgamento de Coustos, em Lisboa, indica que se entra na loja com três passos, não descritos. Só em 1745, na França e na Alemanha, é que, ao ficar em pé, é dito que os pés deveriam estar unidos calcanhar contra calcanhar e que cada passo era feito em esquadro, e o “Sceau Rompu”[21], que traz esses detalhes, acrescenta que a marcha do Mestre consistia de três passos em ziguezague. O “L’Anti-Maçon” (1748) mostra, em um diagrama, três passos para cada uma das marchas, pés em esquadro, mas claramente separados, em uma linha reta para o aprendiz, em ziguezague para os dois outros graus, com a diferença de que, na marcha de Mestre, durante o 2º e 3º passos um dos pés não encostava no chão, um ponto a que voltaremos ao falar na recepção de mestre. Na verdade, não havia uma regra fixa e a confusão vai durar até depois de 1800. Em 1760, o “The Three Distinct Knocks“, expondo a prática dos “Antigos”, indicava um passo para os aprendizes, dois para os companheiros e três para os mestres, sem especificar como eles deveriam fazê-lo. Confirmava, assim, o protesto de Laurence Dermott, que em “Ahimon Rezon” mostrava-se indignado com o fato de que os modernos teriam mudado a marcha, o que, a se tomar como verdade o “Jakin and Boaz“, de 1762, que, sempre em nome dos “Antigos”, definia, em ordem crescente de grau, 1, 2 e 2 passos. Além disso, nos anos que se seguiram tivemos 1 + 2 + 3 ou 3, 5 e 8 ou 12 + 3, etc. etc. Nunca houve qualquer explicação sobre um possível sentido da marcha dos maçons …

Vimos a origem de “palavras”, descendentes ilegítimas do misterioso “Mason’s Word” dos operativos, tiradas da Bíblia presumivelmente na primeira década do século XVIII. As atribuídas aos três graus simbólicos não sofreram as vicissitudes dos outros componentes da Ordem Maçônica. A inversão das colunas e, portanto, dos vocábulos que as designam, tornada necessária por razões de segurança, foi apenas um episódio menor, e certamente não valem o barulho feito a respeito pelos “Escoceses”. No máximo, podemos dizer que algumas Lojas inglesas escolheram a palavra “mahabone” para o terceiro grau ao invés do termo que usamos atualmente. E é preciso lembrar que o Grande Oriente criou a palavra semestral em 23 de outubro de 1773.

Quando é que os aprendizes maçons passaram a ter três anos e por quê?

Todos os catecismos até 1750 dizem “menos de sete anos” assim como os companheiros também menos de sete anos, porque entre os operativos era o tempo que se levava para passar de aprendiz a companheiro-obreiro, ou companheiro-mestre, tendo este último, consequentemente, “sete anos e mais”. Um documento de 24 de junho de 1765 fez uso de uma fórmula usada repetidamente até hoje, “P\L\N\N\Q\S\C\”[22] para os números que nos são conhecidos. De essência pitagórica, vinda, por meio do forte hermetismo em voga naquela época, mascarava, sob um aspecto misterioso que lhe conferia importância, uma ignorância que parece não ter desaparecido.

Costumava-se acolher o novo irmão com algumas breves palavras de boas-vindas, com o que se encerrava a recepção. Ela era seguida pelo banquete já mencionado, chamado “Loja de Mesa”, que merece um estudo especial profundo.

Continua…

Autor: André Dore
Tradução: S. K. Jerez
Publicado originalmente em setembro de 1979

Notas

[21] – Selo Rompido (N.T.)

[23] – Talvez o equivalente a N.V.P.D.S.S., mas em outra situação? (N.T.)

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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, Nº 273, jurisdicionada à GLMMG, oriente de Ibirité/MG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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