As Escadas, o Plano Cósmico e o Plano Maçônico

No diagrama do painel de aprendiz da Maçonaria vemos um altar e em cima deste o Livro da Lei. Daquele se ergue uma escada até a estrela de sete pontas, que representa a Mônada humana, em que os sete tipos de vida ou consciência tem que alcançar todos a perfeição dentro dos limites da possibilidade humana. Essa estrela representa também o Logos, a suprema consciência de nosso sistema solar, a consciência de Deus, que já é perfeita num grau totalmente incessível à compreensão humana. A escada tem muitos degraus, os quais indicam as virtudes por cuja prática temos  de ascender até a perfeição simbolizada pela estrela. Se considerarmos os degraus como símbolo das iniciações, representa etapas definidas;  mas se os considerarmos como virtudes, representam as qualidades requeridas para cada uma das iniciações. Em ambos os casos se conhece a ideia de graus que paulatinamente conduzem à perfeição.

Outra interpretação do Irmão Wilmshurst  em seu tratado de A Iniciação Maçônica:

“É símbolo do universo e de seus planos semelhantes a degraus, que partindo das profundidades alcançam as alturas. Diz-se   algures que a casa do Pai tem muitas moradas, muitos níveis, planos e sub-planos estão simbolizados pelos degraus da escada. Os três principais, em nosso atual estado de evolução, são o plano físico, o emocional e o mental, ou o da inteligência abstrata que se enlaça com os planos superiores do espírito. Estes três planos  do mundo se reproduzem no homem. O primeiro corresponde à sua matéria física ou corpo sensório; o segundo, à sua natureza emocional ou de desejo, que resulta da interação entre seus sentidos físicos e a sua mente ultra física;  o terceiro corresponde à sua mentalidade, que esta ainda mais afastada de sua natureza física e forma o laço entre esta e o seu ser espiritual…

Assim é que o universo e o homem estão constituídos à maneira de uma escada, numa ordenada série de degraus. A substância única, universal, que constitui as diferentes partes do Universo,  ‘desce’  do estado de extrema sutileza por sucessivas etapas  de  densificação  até chegar à mais grosseira  materialidade,  e depois  ‘ascende’  por análoga gradação de planos ou seu ponto de origem, mas enriquecidas das experiências acumuladas durante o processo.

Foi este  processo cósmico o objeto da visão ou sonho de Jacó…

O que ele sonhou ou contemplou com visão supra-sensível, pode igualmente ser hoje percebido por quem tenha aberto os olhos internos. Todo verdadeiro Iniciado obteve uma ampliação de sua consciência e de seus faculdades, que o capacitam para contemplar os mundos sutis revelados aos patriarcas hebreus, e tão facilmente como o profano pode ver, com seus olhos corporais, os fenômenos do mundo material. O Iniciado é capaz de ver como sobem e descem os anjos de Deus, isto é, pode contemplar diretamente a grande escada do Universo e observar o intrincado, mas ordenado, mecanismo da involução, diferenciação, evolução, e ressintetização, que constitui o processo da Vida.  Pode presenciar a descida das essências ou almas humanas através  de planos de crescente densidade e decrescente medida vibratória, revestindo-se,  conforme descem, de véus de matéria peculiar a cada plano até que por fim alcançam o nível de sua completa materialização, onde se trava a acérrima luta pela supremacia entre o homem interno e o externo, entre o espírito e a carne, entre o verdadeiro ser e ser ilusório envolto em seus véus materiais.  A batalha tem que ser  travada…”

Na escada há três emblemas: a cruz, a âncora e o cálice e deveria haver uma mão estendida, em atitude de alcançá-los.

São referidas como as três virtudes principais ou teologais:  fé,  esperança e caridade (o símbolo típico da caridade é o coração). A cruz erroneamente interpretada como símbolo religioso Cristão, inclusive a figura V do painel contida no Ritual Grau 1 – REAA da GLMMG como símbolo da fé esta a cruz cristã, a estrela judaica e o crescente islâmico (e os símbolos de outras religiões ou seitas. Lembrando ainda que o símbolo da religião Judaica é o Candelabro de 7 braços ou luzes  – Menorah – e que a estrela é símbolo do Estado de Israel) dando ênfase à fé limitada, a fé por opressão intelectual e por vezes dogmática das religiões  ou  seitas e não a fé originada pelo conhecimento agregado e aceito pela razão do individuo evolutivo  que a professa, fugindo aos princípios dos ensinamentos maçônicos. A cruz da escada do painel  representa o homem que na medida que sobe cada qual leva sua cruz, seu corpo cruciforme  (ver o símbolo da ROSA-CRUZ, que vai aparecer no avançar dos estudos maçônicos no Grau 18º), e as vestes materiais cujas tendências estão sempre cruzadas com os desejos do espírito e lhe contrariam a ascensão. Todos devem subir assim carregados, mas cada um tem de subir sozinho. Contudo, como as tradições secretas ensinam, e os braços da cruz significam, tem que se estender uma mão para alcançar os protetores invisíveis de cima e a outra para ajudar os irmãos débeis a subirem debaixo. Porque assim como os degraus e os lados da escada constituem uma unidade, apesar de estarem separados, assim toda a vida e todas as vidas são fundamentalmente uma só e ninguém vive para si apenas.

Estes três símbolos referem-se também às três ondas ou efusões da vida divina, que correspondem ao desenvolvimento do ego humano. Primeiramente tem ele que perceber o mundo das coisas materiais, depois o da consciência ou vida, e finalmente deve elevar-se até o conhecimento de seu verdadeiro ser.

Outro ponto da simbologia é que a cruz contém dentro de si o esquadro, o nível e o prumo combinados.

A estrela de sete pontas (estrela flamejante) em cima da escada que se ergue para os céus, simboliza as sete principais direções em que, lentamente, se move toda a vida para sua completa união com o Divino; Os sete caminhos em que o homem pode conseguir a perfeição; Os sete raios ou emanações com que Deus encheu o universo com a luz de sua vida; A ideia cristã dos sete Espíritos que estão ante o trono do Senhor; Os sete poderes peculiares do Adepto, por haver evoluído sua natureza até a perfeição humana, nos sete raios ou linhas de atividades da vida divina.

Considerando que tudo é alegoria, portanto, cabíveis de várias interpretações de acordo com o grau de conhecimento do estudante, inclusive interpretações adaptadas das já conhecidas simbologias de nossas religiões e assim sendo com risco de irmos de encontro aos dogmas que limitam nosso pensamento e amedrontam o avanço nos estudos em busca do conhecimento que nos traz a evolução para uma vida melhor e para nossa imortalidade. Em todas as interpretações as escadas na Maçonaria representam o plano cósmico que é o plano maçônico para nossa evolução.

“A maçonaria empenha-se em aproveitar o homem em seus sentimentos, agindo sobre sua conduta, seus costumes e predispondo-o às boas ações e à Virtude.  Não adotando para si nenhuma determinada crença, considerando todas como transitórias e subordinadas aos progressos lentos da razão humana:  fiel ao único princípio da Liberdade e do Trabalho, a Maçonaria pode tirar de determinada época da História, verdades parcialmente descobertas; pode conservar-lhes o sentido exato, repudiando seus maus elementos, ou melhor, seus abusos e, enfim, pode abandoná-las, sem pesar, por verdades mais completas.  É assim que a Maçonaria tem glorificado a Fé, a Esperança e a Caridade. Sem prejuízo, porém, tem repelido a Fé pela ciência, tem repudiado quimeras com as quais o homem infante embalava sua imaginação e até essa Caridade, quando orgulhosamente revestida da forma de esmola.” 

Nas dimensões da Loja os eixos norte/sul simboliza as regiões das forças transcendentais; o eixo leste/oeste ou oriente/ocidente é o da manifestação do Divino e do destino humano; e o eixo Zênite/Nadir simboliza a ascensão e o declínio, pois é na ascensão e declínio que cabe o símbolo da escada e como a maioria dos maçons já conheciam a escada de Jacó e portanto, não havendo portanto  a necessidade de especular sobre a escada do painel maçônico, a escada do painel passou a ser chamada ou identificada como a escada de Jacó.

Na Maçonaria, a tônica filosófica do uso da Bíblia como Livro Sagrado não é a mesma dada pelas religiões cristãs que a adotam, ou seja, na Maçonaria não somos ensinados a crer na salvação e na benevolência da Divina Providência pelo uso deste Livro. E se assim o maçom crê é por questões da sua formação dogmática e religiosa, da seita que pratica e que ele traz pessoalmente para a Ordem e não por questões maçônicas, a única questão maçônica neste caso é a tolerância.

E assim concluo que a escada no painel maçônico do 1º grau, não é a Escada de Jacó e sim uma escada que representa um processo ou plano cósmico e universal  de cujo objeto pode ser interpretado por analogia à ambas  escadas  e por esta interpretação análoga a escada do painel  foi chamada erroneamente de  Escada de Jacó.

Autor: Roberto Silva
Oriente de Uberlândia – GLMMG

Bibliografia

A Vida Oculta na Maçonaria – C.W.Leadbeater – 33º –  (As Jóias Imóveis – painel – pag. 89)
Rituais do REAA Supr. Cons. gr.33 do REAA da Maç. para R.F. do Brasil

Nota do Blog:

O irmão Roberto, após ler o artigo O Equívoco da Escada de Jacó no REAA, que você pode acessar clicando  AQUI, encaminhou ao blog a sua prancha para compartilhá-la com todos os nossos leitores.

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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, Nº 273, jurisdicionada à GLMMG, oriente de Ibirité/MG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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