O Mito de Sísifo e nós, Maçons

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É bem possível que todos tenham vivenciado, nos primeiros dias que sucederam suas respectivas iniciações, a expiação que conheço nesses poucos dias como Aprendiz.

Peço que levem isso em conta e recepcionem com sapiência o exercício que faço da palavra, reconhecendo minha infância iniciática e sabendo separar o joio do trigo (se é que ele, o trigo, pode ser encontrado em uma ou outra linha deste texto).

Em passado recente o ministro Luís Roberto Barroso (STF), constitucionalista de estirpe, com a erudição que lhe é peculiar, publicou laureado artigo onde citava o mito de Sísifo, esmiuçado e bem conhecido por este Aprendiz durante determinado período de aprimoramento (MBA em Educação e Gestão de Negócios).

Lembrou o ministro que Sísifo, personagem da mitologia grega, era conhecido por sua astúcia, indiscutível culto à felicidade e ódio à morte.

Ele era filho do rei Éolo, da Tessália, que foi o fundador e primeiro rei de Éfira, também conhecida como Corinto, uma das cidades visitadas pelo Apóstolo Paulo e presente no Novo Testamento do livro sagrado dos cristãos.

Em uma determinada época, Sísifo despertou a ira dos deuses ao desafiá-los e enganá-los, situação que resultou na sua condenação por Zeus, o rei das divindades.

A reprimenda foi tornar-se um ser imortal e passar a eternidade empurrando uma pedra montanha acima, no Reino dos Mortos. Quando chegasse ao cume, a pedra rolaria para a base de novo e Sísifo voltaria novamente à tarefa.

O fio da meada vem do escritor francês Albert Camus, no ensaio filosófico “O Mito de Sísifo”, de 1941, que interpreta a história como sendo uma analogia ao castigo que é se dedicar a um trabalho sem sentido por toda a eternidade.

Agora, a digressão.

O History Channel, respeitoso e reconhecido canal de televisão, apregoou em notícia recente as cinco sociedades fechadas mais influentes e misteriosas da história. Informou que “recente reunião mundial do Clube Bilderberg voltou a levar às primeiras páginas a incógnita sobre a verdadeira influência que exercem alguns grupos fechados mais ou menos secretos sobre o destino do planeta”.

A nota é categórica ao afirmar que a Francomaçonaria está na lista, sem referência às demais potências da Ordem. Em primeiro lugar figura o famigerado clube de Bilderberg, que é o encontro das figuras mais influentes do mundo e que acontece desde 1954.

Tenho ciência que o Grande Oriente do Brasil é reconhecido pela Grande Loja Unida da Inglaterra. Uma leitura expandida da notícia pode dar a entender, então, que citar a Francomaçonaria foi fazer incluir a Ordem brasileira, alemã, francesa etc..

De toda forma, ouso divagar e sugerir que avaliemos a situação de tal modo que seja possível solidificar uma ampliação vertiginosa da compreensão que temos da realidade, no sentido de compreende-la na sua totalidade.

Reflitamos em conjunto: quais ações, condutas e posturas passeiam pelo nosso campo de visão e nos capacitam de forma a evitar que nós, maçons da contemporaneidade (e de terras tupiniquins), realmente não estejamos de fora?

De que modo nós, que ocupamos esse templo de elevação, trabalho e busca, integrantes do que, permitam-me, chamo de “juventude” Maçônica, efetivamente influenciaremos as andanças mundiais?

Compreendo que este tipo de provocação ou questionamento pode sugerir a vivência do inebriado estado que sucede a iniciação. Pode até sugerir, na cabeça de alguns, certa prepotência ou até um impulso juvenil, revelador, quem sabe, de patologias ansiolíticas ou coisas que o valham.

Não me importo! Rejeito a ideia de me quedar inerte e faço uso de uma das prerrogativas que minha condição de maçom oferece. Regozijo diante da garantia que tenho de me expressar, festejo o fato de “decorar” a coluna do Norte, revelo estar vivenciando a realização de um desejo longínquo (quiçá ancestral) e, enfim, certifico: nós devemos SER a diferença!

Alinhados aos ideais e às liberdades de pensamento que a Maçonaria desfraldou, devemos honra ao suor e às conquistas dos que nos antecederam. Devemos impulso enfático e destemido às ações progressistas e evolucionistas que nos regem.

Somos sucessores de homens que entregaram suas vidas à campanha republicana, à abolição da escravatura, à evolução da política nacional, à materialização da tão esperada anistia para presos políticos, à luta pela redemocratização do país etc.

Somos sucessores de Irineu Evangelista de Souza, o (primeiro) Barão e (depois) Visconde de Mauá (baluarte da industrialização brasileira), de José Bonifácio de Andrada e Silva, de Victor Hugo, do jurisconsulto baiano Rui Barbosa, de Victor Brecheret, de José Maria da Silva Paranhos, o Visconde do Rio Branco e símbolo da diplomacia brasileira, de George Washington, de Franklin Delano Roosevelt, de Benjamin Franklin e de tantos outros.

É de fácil percepção, então, que a coxia  não é o nosso lugar!

O “x” da questão é que, para estar no palco (e não na coxia), é preciso preparo. Mais que isso: é preciso consciência. Consciência essa que deve revelar ao seu portador a impossibilidade de se distanciar dos compromissos que foram assumidos no dia em que foi aceito na Maçonaria.

Que deve ser capaz de incrustar na cabeça de cada um aqui presente o absurdo que será se ele não se dispor a seguir sua vida na condição de homem honesto e honrado, uma vez que para estar aqui entre nós é preciso estar ciente de que uma das nossas missões é arrastar [positivamente] outras pessoas pelo nosso exemplo.

É preciso que roguemos, então, pela universalização de condutas éticas, prósperas e humanas, e que respeitemos, dessa forma, uma regra moral e igualitária que se extrai do princípio maior da filosofia de Kant, cuja dicção é:

“Age de tal modo que a máxima da tua vontade (o princípio que a inspira e move) possa se transformar em uma lei universal”.

E em uma Maçonaria que almeje agir de tal modo que sua conduta possa se transformar em uma lei universal, permitindo que outras pessoas sejam arrastadas pelos seus exemplos, não cabe “jeitinho”, “agrado” a guarda de trânsito, “café” para fiscal ou desavenças que não privilegiem a fraternidade que nos une. Não cabe intolerância, mentira, desafeto e falta de compaixão. Não cabe o exagero, o desacerto e a incompreensão das diferenças. Não cabe, estimados Irmãos, não cabe!

Cabe, sim, trabalho incessante pela realização dos fins da Maçonaria. Cabe, sim, o dever de estudo sobre todas as questões que agitam a sociedade. Cabe, sim, o dever de ser bom, justo, digno, ético, dedicado, corajoso, isento de orgulho e ambição, livre de preconceitos e pronto a todos os sacrifícios pelo triunfo do Direito e da Verdade.

É o cuidado com a autofagia!

Autor: Dinovan Dumas de Oliveira
ARLS Acácia de Aruã – GOSP/GOB
Oriente de Mogi das Cruzes, São Paulo

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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, Nº 273, jurisdicionada à GLMMG, oriente de Ibirité/MG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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Uma resposta para O Mito de Sísifo e nós, Maçons

  1. Marcos Antônio Dias disse:

    Hoje olhamos a política com desdém. É a área mais importante de um pais. Nós deixamos os maus ficarem com ela.

    Curtido por 1 pessoa

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