Projeto Corrupção Nunca Mais

GRÃO-MESTRE LEONEL RICARDO DE ANDRADE CONVOCA LOJAS PARA O LANÇAMENTO DO PROJETO CORRUPÇÃO NUNCA MAIS!:




A importância da escrita e da leitura

Palavras e letras: A importância da leitura | Seropédica Online

Para compreendermos, adequadamente, a importância da leitura e da escrita em nossas vidas, precisamos compreender que, assim como o nosso corpo material precisa de alimento, o espiritual também. É importante aqui corrigirmos uma falsa ideia, a de que os termos “espiritual” ou “espiritualidade” referem-se, exclusivamente, ao seu sentido religioso. É compreensível que isso ocorra, por que aí os que têm fé na divindade elaboram e abrigam suas ideias e sentimentos em relação ao sagrado.

Entretanto, ateus, também, têm fé, por exemplo, de que o mundo pode ser melhor e as pessoas podem mudar. Possuem seu lado espiritual, só que no sentido não-religioso do termo, onde elaboram ideias, afetos, esperanças. E, também, espiritualidade, no sentido da religação com a natureza, com o Cosmo.

O que ressaltamos aqui é que nós e o mundo não somos feitos, apenas, de uma parte material, que pode ser percebida pelos cinco sentidos, mas, também, das visões, que temos desse mundo, de nós e dos outros. Por isso, nunca estamos prontos, mas, na medida em que recebemos informações e estímulos e vivenciamos experiências, construímos ou reconstruímos nossa visão de mundo.

Então, ler e escrever é muito mais que dominar técnicas literárias, é obter as chaves desse mundo interior, de nossa verdade, e ter acesso à dos outros. Uma forma de nos ajudar a perceber, compreender e elaborar nossa própria subjetividade, contribuindo para dar sentido ao mundo, a nós próprios e aos outros. Claro que existem outras formas de fazer isso, principalmente nas culturas orais, mas, na cultura letrada, ler e escrever são fundamentais para ser e sentir-se adequadamente inserido no mundo.

Precisamos disso, pois, ao contrário do que se possa imaginar, o processo de formação do sujeito é, na verdade, uma autoformação. A educação, os livros, a cultura, os meios de comunicação exercem influências sobre nós, mas o que somos resulta de nossas escolhas. Comunicadores em geral, educadores, e escritores em particular, cumprem o papel social de nos ajudar a construir nossa subjetividade, nossa compreensão da verdade e utopias, e, embora não escolham por nós, contribuem para iluminar nossos caminhos.

Expressar-se na forma escrita não é um simples ato de colocar palavras num papel, ou digitar num teclado. A maior parte da ação de escrever é invisível para os olhos, acontece no mundo interior de quem escreve e pode refletir esse esforço de buscar o equilíbrio entre as emoções, os pensamentos e as práticas.

Escrever assemelha-se a alguém que organiza uma casa desarrumada. Arrasta e empurra ideias de um lado para o outro, constrói e reconstrói pensamentos, sonhos, como quem movimenta os móveis. E só depois de estar cheio dessas ideias, e quando elas começam a fazer sentido, a pessoa se sente pronta, na verdade, quase que obrigada a escrever, como uma espécie de libertação da mente. E aí começa outra etapa importante, a de garimpar as palavras mais certas e apropriadas para transmitir a mensagem. A chance de acertar logo de primeira, é a mesma de um garimpeiro achar uma pepita de ouro na primeira tentativa.

Alguns chegam a comparar o ato de escrever com o nascimento de um filho. O período da gestação é o tempo gasto na elaboração das ideias e o parto é o ato de colocá-las para fora. As ideias nascem em nós, nos outros autores e, também, estão por aí, ao alcance de todos que estiverem dispostos a ser veículo para elas. Algumas ideias são tão universais, que se repetem em vários escritos, povos e culturas diferentes, e, independente do tempo e lugar, permanecem atuais e válidas para todos.

Mais que escrever para seu próprio prazer escreve-se por necessidade e dever. Escrever é a função social do escritor, seja para entreter, seja para ajudar na análise da conjuntura, mostrar alternativas, denunciar as falsas ideias e injustiças. Por isso, um texto não está completo quando é divulgado, mas quando é lido. E, quando isso acontece, nenhum é igual ao outro, pois, ao passar pelos olhos e pelo mundo interior do leitor, ganha nuances e identidade própria e particular.

Um mesmo texto, lido por diferentes leitores, será compreendido de forma diferente. Um texto, que alguém ache maravilhoso, pode ser comum para outra pessoa. Sem os leitores, os textos não vão a lugar algum, não transformam coisa alguma, não amam nem são felizes. Não são eles que mudam as coisas. São as pessoas.

Autor: Vilmar Berna

Fonte: GGN

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O Uso da Palavra em Loja

Quem fala muito atrapalha a reunião! Mas por que isso acontece? Por dois motivos: vaidade e ingenuidade.

A vaidade é, facilmente, notada quando o locutor coloca os verbos na primeira pessoa; suas manifestações parecem testemunhos. Ele julga que, em todos os assuntos da Loja, os Irmãos devem escutar sua opinião e tem a capacidade de ocupar mais tempo do que o ritualizado para o Quarto de Hora de Estudos.

A ingenuidade é aparente naqueles que saúdam as autoridades, visitantes e, ainda, dão as conclusões sobre a Sessão (funções do Orador). Também, sempre, manifestam-se sobre as Instruções (função das Luzes ou daqueles que o Venerável indicar); após a leitura do Balaústre, pedem a palavra, saúdam, nominalmente, todos os presentes e questionam o Secretário sobre qualquer questiúncula, o que deveriam fazer após a Sessão.

Devemos entender que qualquer reunião, ultrapassando duas horas, é cansativa e improdutiva; há Irmãos que trabalharam o dia inteiro e desejam, à noite, encontrar o grupo para serenar os ânimos e harmonizar-se com o Criador. Vivemos num tempo onde o perigo é uma constante e a abertura da porta de um lar após as 23h é um risco para toda a família.

Observemos que, quando o Irmão falador pede a palavra, toda a Oficina “trava” e, assim, há uma quebra do Egrégora da Sessão. Por outro lado, quando aquele Irmão, que pouco se manifesta, pede a palavra, todos se voltam para ele com atenção e respeito.

Devemos nos conscientizar de que, se quisermos contribuir para a formação dos Irmãos, deveremos fazê-lo pelo Exemplo, e não pela palavra! A verborreia é uma deficiência, um vício, que avilta o homem!

Quando formos visitar uma Loja, estaremos lá para aprender, e não para ensinar. O silêncio torna-se uma prece nas Sessões Magnas, compreensivelmente mais longas e, sempre, com a presença de outros visitantes; deixemos que o Orador nos apresente e fiquemos com o Sinal de Ordem, para dizer a toda a Oficina que somos o nominado e estamos de P∴ e à O∴.

Dar os parabéns pelos trabalhos só é necessário para os que têm necessidade de lustro na vaidade. Se o Irmão quiser ocupar mais de três minutos (tempo mais que salutar), pode agendar com o Secretário sua participação no Quarto de Hora de Estudos ou na Ordem do Dia.

No período, destinado à Palavra a Bem da Ordem em Geral e do Quadro em Particular, devemos priorizar, trazendo notícias dos Irmãos ausentes (não vale justificar a falta, pois deve ser feito por escrito pelo mesmo, acompanhado obrigatoriamente do óbolo) e louvando os feitos da Ordem.

O Livro da Lei nos ensina:

“Pois o Reino de Deus não consiste em palavras, mas na virtude” (I Coríntios: 4,20).

Lembremo-nos de que todos nós, independente do Grau ou de Cargos, somos responsáveis pela qualidade das Sessões Maçônicas.

Autor: Sérgio Quirino Guimarães

 

A Maçonaria e o Apostolado: Ledo x Bonifácio

O Malhete: JOSÉ BONIFÁCIO E GONÇALVES LEDO - MAÇONS ANTAGONISTAS

Em sessão realizada no dia seguinte ao de sua posse, em 05 de outubro de 1822, D. Pedro, o novo Grão-Mestre do Grande Oriente Brasílico, foi saudado pelo Brigadeiro Domingos Alves Branco Muniz Barreto, de modo inflamado, prevenindo-o “contra os coléricos, os furiosos” e “os embusteiros” que, “para seus sinistros fins particulares, buscam minar o edifício constitucional”.

Essa já era uma previsão do golpe que estava sendo preparado e iria ser desfechado por José Bonifácio e seus simpatizantes. Seria a sessão seguinte, de 11 de outubro de 1822, a 19ª e última do Grande Oriente Brasílico em sua primeira fase. E foi essa, também, a última sessão presidida por Dom Pedro, um dia antes de sua aclamação como Imperador, realizada em 12 de outubro de 1822.

Três dias depois da aclamação, em 15 de outubro de 1822, um grupo a serviço do Ministro rancoroso e vingativo, “colérico e furioso”, passou a espalhar o boato de que Ledo e seus simpatizantes pretendiam provocar uma completa reforma no Ministério, com o afastamento dos Andradas. Foi o suficiente para que fossem expedidas ordens ao Intendente de Polícia para exercer severa vigilância sobre os “perversos carbonários e anarquistas”. E, apenas 18 dias depois de ter sido empossado no cargo de Grão-Mestre, o então Imperador, envolvido pelas intrigas de José Bonifácio, dirigiu a Gonçalves Ledo o seguinte bilhete, em 21 de outubro de 1822:

“Meu Ledo, convindo fazer certas averiguações, tanto públicas como particulares na Maçonaria, mando, primo como Imperador, segundo como Grão-Mestre, que os trabalhos Maçônicos se suspendam até segunda ordem minha. É o que tenho a participar-vos. Agora, resta-me reiterar os meus protestos como Irmão.” Pedro Guatimosim G∴M∴.

P.S. – “Hoje mesmo deve ter execução e espero que dure, pouco tempo, a suspensão porque, em breve, conseguiremos o fim que deve resultar das averiguações” (Documento encontrado no arquivo do Castelo D’Eu).

Mas Gonçalves Ledo não cumpriu a ordem. Preferiu entender-se com o Imperador e Grão-Mestre, que reconheceu ter sido vítima dos ódios do seu próprio Ministro, aumentado pelos zelos de haver a Maçonaria conferido a ele, Chefe de Estado, o Grão-Malhete. Assim, resolveu o Imperador mudar de rumo, ordenando que o Grande Oriente prosseguisse nos seus trabalhos e cessassem as perseguições. E, no dia 25 de outubro de 1822 (quatro dias depois da interdição), mandou entregar a Gonçalves Ledo um bilhete, que, por ser um precioso documento para a História da Maçonaria Brasileira, transcrevemos abaixo:

“Meu Irmão: Tendo sido, outro dia, suspensos nossos augustos trabalhos pelos motivos que vos participei, e achando-se, hoje, concluídas as averiguações, vos faço saber que, segunda-feira que vem, os nossos trabalhos devem recobrar o seu antigo vigor, começando a abertura pela Grande Loja em Assembleia Geral. É o que por ora tenho a participar-vos para que, passando as ordens necessárias, assim o executeis. Queira o S∴A∴do U∴ dar-vos fortunas imensas, como vos deseja o vosso I∴P∴M∴R∴ (Irmão Pedro Maçom Rosacruz)”.

Desse modo, por ordem de Dom Pedro a atividade do GOB ficou suspensa, apenas, por sete dias.

Vendo-se desprestigiado com o apoio dado pelo Imperador a Ledo, José Bonifácio pediu demissão do cargo de Ministro, no mesmo dia do bilhete de Dom Pedro a Gonçalves Ledo autorizando o reinício dos trabalhos do GOB, em 25 de outubro de 1822. Acompanhou-o, na demissão, o Irmão Martim Francisco.

Bonifácio, ressentido pela Exaltação de D. Pedro e por sua destituição sumária do Grão-Mestrado, em favor de D. Pedro, tudo obra do Ledo, ele, juntamente com seu irmão, Martim Francisco, e mais alguns maçons, saiu do GOB e fundou uma nova sociedade secreta, meio maçônica e meio carbonária chamada de O Apostolado.

José Bonifácio, que viajara por todos os países onde a “Carbonária” lançara os seus tentáculos, deixara-se empolgar pelo sistema de organização da poderosa sociedade, mas simplificara-o de acordo com as possibilidades do momento. Suprimiu, por exemplo, o “Triunvirato”, nas organizações europeias, o centro nervoso, donde provinham as ordens mais importantes.

As pequenas assembleias locais (Decúrias), embora pretendessem corresponder às “Lojas Maçônicas”, é melhor compreendê-las na categoria de “Choças”, já que os seus altos dignitários não eram eleitos, e, sim, designados dentre as “Colunas do Trono”, nome dado aos membros da original sociedade.

No dia 29 de outubro de 1822, apareceu uma proclamação elaborada pelos membros do Apostolado, exigindo a volta dos Andradas. O Imperador (sempre indeciso e volúvel), devidamente “trabalhado” pelo grupo de José Bonifácio, interessado em seu retorno, conseguiu recolocar os Andradas no poder, de acordo com o Decreto de 30 de outubro de 1822 (Nabuco – Legislação Brasileira – Tomo III, pág. 347).

O ciúme entre o Grande Oriente e o “Apostolado” entrou em sua fase mais crítica e delicada. Ambas as Sociedades procuravam monopolizar as simpatias de D. Pedro, sem que este resolvesse pronunciar-se por uma delas.

Fervilhavam as intrigas políticas e insinuavam-se conspirações ora de uma, ora de outra parte, o que devia causar em D. Pedro grande sensação de mal-estar. Se era a independência do país que todos almejavam e, sobre isso ele não tinha dúvida, por que, então, envolviam-se em lutas estéreis ao invés de o ajudarem a realizar a obra que tinham em mente?

Diziam os do Apostolado: “Nós queremos a independência sob a forma de Regime Monárquico, enquanto o Grande Oriente conspira para implantar a República”. Essa insinuação, que era quase uma denúncia, iria ser o calvário do GOB que, devido a essas intrigas, teve suspensos os seus trabalhos pelo seu próprio Grão-Mestre.

O primeiro passo de José Bonifácio foi ordenar a prisão de todos os que considerava seus inimigos – Ledo e os seus partidários (Portaria de 11 de novembro de 1822).

A esse respeito, o Irmão Kant (Cônego Januário da Cunha Barbosa) escreveu a Ledo no dia 30 de outubro de 1822:

“Ledo, escrevo, na contingência de ser preso pelos agentes dos Andradas. José Bonifácio nos intrigou com o Imperador, convencendo-o de que somos republicanos e queremos a sua morte e expulsão. Sei, pelo Clemente, que a ordem de prisão já está lavrada. Esse homem, que se tem revelado um tigre, “que não fez a independência, que a impediu até o último instante”, e que somente a aceitou quando a viu feita, agora, procura devorar aqueles que tudo fizeram pela Independência da Pátria, que a conseguiram com os maiores sacrifícios. O Drummond disse que o déspota faz questão de prender a você para enforcar. 

Lembre-se do que ele disse na Igreja de São Francisco. Não se exponha, não apareça na Corte, pois o grande ódio dele recai sobre você, que foi, como Dirigente da Maçonaria, o principal obreiro, o verdadeiro construtor de nossa Independência.”

Essa foi a primeira e a última vitória do “Apostolado”, porque, embora encerrados os trabalhos do GOB, muita coisa ainda seria capaz de influir no ânimo de D. Pedro.

Certo dia, chegou ao Palácio uma carta anônima, escrita em Alemão, trazendo a nota de urgente no envelope. D. Pedro pediu à Imperatriz que a traduzisse, o que mostrou uma grave denúncia! O Apostolado tramava contra a vida do seu Arconte Rei, o próprio Imperador. Nesse mesmo dia, D. Pedro mandou chamar o seu Ministro José Bonifácio ao Palácio, por volta das 18h. Sem nada mencionar a Bonifácio, D. Pedro ordenou-lhe que o esperasse, pois estava de saída, que não seria demorada.

Coberto por espesso capote, montou um cavalo sem ferraduras e dirigiu-se ao Quartel de Artilharia Montada de São Cristóvão, donde, juntamente com o seu Comandante Pardal, oficiais de confiança e cinquenta soldados, todos encapotados e bem armados, partiram para a Rua da Guarda Velha, no Centro na Cidade do Rio de Janeiro. O Imperador bateu à porta, com a senha da ordem. O porteiro, embora conhecendo D. Pedro, vacilou em abrir-lhe a porta, sendo, rapidamente, seguro, o mesmo acontecendo ao segundo porteiro.

Era costume, na chegada de um membro da Sociedade, como sinal de ordem, levantarem-se todos os presentes e puxarem do punhal. Ordenando que os que o acompanhavam permanecessem no vestíbulo, o Arconte Rei caminhou em direção ao trono, donde Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado presidia os trabalhos. De imediato, este lhe ofereceu a cadeira e se preparou para juntar e guardar os papéis referentes aos trabalhos da Sessão, que nada mais tratavam senão do plano de conjuração e das propostas dos membros da Sociedade a esse respeito, sendo impedido pelo próprio Imperador, que lhe tomou tais papéis. Em seguida, D. Pedro dirigiu-se aos presentes, dizendo: “Podem retirar-se, ficando cientes de que não haverá mais reuniões no “Apostolado” sem minha ordem”. E não se realizaram mais reuniões, nem tampouco prisões. Assim, acabou a “Nobre Ordem dos Cavaleiros de Santa-Cruz”, ou seja, o Apostolado. E, de novo, José Bonifácio foi demitido de seu cargo de Ministro.

Essa era a represália do Grande Oriente, que conseguiu, assim, acabar com o “Apostolado”.

Autor: Antônio Fadista

Fonte: Revista Arte Real

Nota do blog

Clique AQUI para ler “Os lamentáveis acontecimentos que cercaram o fechamento do GOB em 1822“, tese de Alexandre Mansur Barata.

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Teseu e a Iniciação

Na Mitologia Grega, os heróis eram semideuses, filhos de um deus e uma mortal (ou de uma deusa e um mortal), encarregados de cumprir tarefas para a humanidade. Eram masculinos, com exceção de Atlanta, heroína grega, que participou da caçada ao Javali de Caridon. Esses seres possuíam certos poderes, que os tornavam mais que humanos, mas menos que deuses, ficando à mercê desses – e, eram mortais. Assim, era Teseu, o maior herói ateniense, filho de Egeu e Etra, vencedor do Minotauro no labirinto de Creta.

O rei Egeu, de Atenas, não conseguia ter um filho; resolveu consultar o Oráculo de Delfos, que lhe respondeu: “não solte a boca do odre de vinho” na volta a Atenas”. No caminho, Egeu parou em Trezeno, para pedir ao rei Piteu que desvendasse a resposta da pitonisa. Piteu, que compreendera logo o sentido da mensagem, embriagou-o e colocou Etra, sua filha, na cama de Egeu. E, assim, Teseu foi gerado, passando a viver com sua mãe.

Aos dezesseis anos, já se tendo tornado famoso por seus feitos, vai a Atenas, e não foi reconhecido por seu pai. Egeu era casado com Medeia, a feiticeira, que lhe dera um filho, Medo. Medeia compreendeu logo quem era o recém-chegado, e resolveu envenená-lo. Mas Teseu percebe a armadilha e, no jantar, puxou de sua espada. Egeu, imediatamente, reconheceu-o.

Quando os primos de Teseu, os “palântidas”, os cinquenta filhos de Palas, irmão de Egeu, que sonhavam com a sucessão, souberam do acontecimento no jantar, resolveram tentar, ainda, conquistar o poder, mas Teseu conseguiu vencê-los.

A grande tarefa de Teseu foi matar o Minotauro no labirinto de Creta: Minos encomendou a Dédalo a criação do labirinto de Cnossos, para aprisionar o Minotauro, fruto da infidelidade de Pasífae, esposa de Minos. Essa traição aconteceu por vingança de Posseidon, o rei dos mares, que dera um touro branco de presente a Minos, para sacrifício. Minos ficou com o touro para si, e Posseidon fez com que Pasífae sentisse desejo pelo touro. Dessa relação, nasceu o Minotauro, que se alimentava de jovens atenienses. Dédalo confiou o segredo de como sair do labirinto a Ariadne, filha de Minos, que o contou a seu amante, Teseu.

Quando, pela terceira vez, Atenas forneceria o tributo de jovens destinados ao alimento do Minotauro, Teseu decidiu fazer parte do grupo, para matar o monstro. Derrotou-o, seguindo o conselho de Ariadne: amarrar um fio na entrada do labirinto e levá-lo consigo, para depois poder achar o caminho de volta. O herói acaba com a obrigação do sacrifício de sete moças e sete rapazes.

O navio, que transportava de volta Teseu e as setes moças e sete rapazes, estava com velas negras. “Se eu for vitorioso, “disse Teseu a seu pai”, içarei as velas brancas”. Mas, com a alegria da vitória, esqueceu a promessa feita a seu pai e não trocou as velas. Quando Egeu percebeu o navio com as velas negras, persuadido de que seu filho tinha morrido, suicidou-se, jogando-se ao mar.

As antigas culturas, que conhecemos, tinham, sem exceção, uma coisa em comum: símbolos e rituais. A partir de símbolos, elas criavam rituais, não só para as principais fases de transição da vida (ritos de passagem), mas, também, para o dia-a-dia e suas exigências. Em nossa sociedade e cultura, os ritos de passagem foram perdidos (adolescência-maturidade, solteiro-casado, etc.), e o estudo gnóstico cumpre esse papel, ritualizando, simbólica e filosoficamente, a senda do iniciado. Essa estrutura simbólica e ritual do gnóstico identifica numerosas heranças inconscientes coletivas, procedentes de diversas e antigas tradições. Os arquétipos ou símbolos são uma linguagem metafórica. Os rituais são as cerimônias de transformação interior; estão carregados de alegorias que se impõe desvendar e assimilar. Os símbolos utilizados têm origens diversas, e a espada, o número sete e o labirinto são alguns deles.

O mito de Teseu é, claramente, a descrição de um ritual de passagem: do profano ao sagrado; do homem profano, ao buscador. Pode-se compreender esse mito como o caminho que faz o indivíduo, a partir do momento que decide ser buscador: é o caminho do iniciado.

A espada, que Teseu usada no banquete, é símbolo da energia solar, do falo, da Criação e do Logos. Representa a força, a energia masculina e a coragem. É, também, um símbolo de justiça, de divisão entre o bem e o mal, de decisão. Uma espada dentro da bainha significa temperança e prudência. Acessório muito usado nas cerimônias de iniciação, geralmente, como símbolo de poder e autoridade, como emblema dissipador das trevas da ignorância. Nas reuniões de banquetes ritualísticos, é o nome que se dá à faca.

O número sete é místico – as sete cores do arco-íris, as sete notas musicais, os sete estados de consciência do homem, os sete raios cósmicos, etc. O número da vida – a união do ternário (espírito) com o quaternário (matéria). Os sete espíritos ante o Trono de Deus. Os sete Sacerdotes da Lei Cósmica. Os Sete Senhores do Carma. Os sete ciclos da Terra (quatro ciclos lunares com duração de sete dias). A origem do calendário atual. A renovação celular do corpo humano (sete em sete anos). Os sete orifícios do rosto humano. A plenitude, a ordem perfeita. A medida reguladora da coesão universal: sete planetas, sete divindades, sete metais, sete cores, sete dias da semana, sete chakras, sete pecados capitais e sete virtudes que lhe são contrapostas. A lei da evolução. O número dos adeptos e dos grandes iniciados. Quando Teseu se coloca entre os jovens que seriam devorados pelo Minotauro, passa a fazer parte da magia do número sete.

No mito de Teseu, o ápice de sua história é a entrada no labirinto, que representa sua alma, seu interior – ele vai até seu âmago destruir o mal ainda escondido. Somente Teseu conseguiu a façanha de sair vivo do labirinto, com a ajuda de Ariadne, que sabia o segredo. Esotericamente, por seus caminhos tortuosos e desconhecidos, o labirinto é considerado um símbolo da iniciação e representa a descoberta do centro espiritual oculto, a dissipação das trevas para o renascimento na Luz, a superação dos obstáculos e o encontro com o caminho da verdade.

Teseu passou por todas as  fases de um ritual: separação, purificação, morte e renascimento. Teseu simboliza as transformações que acontecem com o aspirante ao conhecimento oculto. Ele vai crescendo, enfrentando vários inimigos, até deparar-se com o mais terrível deles: sua própria fraqueza, seu labirinto.

Ao buscador é ensinado que, ao sair de cada labirinto, o iniciado estará enriquecido, mais experiente e mais determinado, e que sempre haverá outros labirintos a serem conquistados, e não destruídos. O iniciado é um Teseu, que sempre se aventurará nos labirintos de suas escolhas.

Autora: Martha Follain

Fonte: Revista Arte Real

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O Mestre Instalado

Volveremos nossa atenção para a data de 12 de outubro de 1804, quando da fundação do segundo Supremo Conselho do Mundo, o da França, oriundo dos EUA, com a finalidade de difundir o Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA) na Europa. Denominado, inicialmente, como Rito para os Altos Graus, chegou sem ritual próprio para os três primeiros Graus. O conjunto desses Graus ainda não era denominado de Simbolismo, sendo conhecido na época por Lojas Azuis ou Blue Lodges.

Dez dias depois foi realizada uma Assembleia do Supremo Conselho, também em Paris, na qual foi fundada a Grande Loja Geral Escocesa, que teve como primeira missão a organização do ritual francês das Lojas Azuis do REAA, que se baseou no ritual da Grande Loja Inglesa dos Antigos (1751), sendo que o Grande Oriente da França (GOF) praticava o mesmo Rito Escocês da Grande Loja dos Modernos, que era na verdade o Rito Francês ou Moderno. Pouco tempo depois, formalizou-se um acordo entre o GOF e o Supremo Conselho para a prática do REAA.

O GOF, que tinha a decoração de seus Templos baseada no Rito Francês, começou a praticar o REAA sem fazer as devidas alterações, misturando aspectos desses ritos, fruto disso, hoje, o REAA é o mais enxertado do mundo, principalmente aqui no Brasil, com a ajuda do criador das Grandes Lojas, o Irmão Mário Bhering, que buscou agradar a Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI), a fim de conquistar sua simpatia e reconhecimento.

Em 1816, após momentos conturbados com o Supremo Conselho, o GOF assumiu a jurisdição de parte do Rito Escocês Antigo e Aceito, decidindo que ficaria com o poder sobre o conjunto dos Graus 1º ao 18º. Essa escolha baseou-se na intenção de dirigir o Rito Escocês Antigo e Aceito com a mesma abrangência simbólica, como já fazia com o Rito Moderno, ou seja, do Grau de Aprendiz ao de Rosa-Cruz. No Rito Moderno, o grau de Rosa-Cruz é o 7º, e no Escocês Antigo o 18º. Em 1820, o Grande Oriente reorganizou o REAA, voltando-o para o funcionamento sequencial do Grau de Aprendiz ao de Rosa-Cruz. A esse conjunto de Graus, sob a mesma direção, foi atribuída a denominação de Loja Capitular, presidida preferencialmente por um Cavaleiro Rosa-Cruz.

Surge uma nova concepção obediencial no Rito Escocês Antigo e Aceito na França: Lojas Simbólicas, Lojas de Perfeição, Capítulos, obedientes ao GOF; Conselhos Kadosh, Consistórios, Supremo Conselho, obedientes ao Supremo Conselho do Grau 33. Posteriormente, a maçonaria brasileira seguiria esse formato francês, permanecendo assim até o ano da criação das Grandes Lojas, por Bhering, em 1927, quando o Supremo Conselho conseguiu recuperar seu poder nos Graus 4º ao 33º.

Com o surgimento das Grandes Lojas no Brasil, essas tiveram a missão de organizar e coordenar a prática dos três primeiros graus, então já chamados de Simbólicos. As modificações produzidas pelo GOF em 1820 com o ritual que criou as Lojas Capitulares, não foram desfeitas, sendo incorporadas aos Graus Simbólicos do rito definitivamente.

Surge, com isso, uma modificação que perdura até os dias de hoje, e muitos não têm conhecimento: o piso do Oriente em desnível com o do Ocidente, próprio das Lojas Capitulares, conforme o ritual de 1820. Pode-se observar que, no ritual de 1804, o piso do Templo é todo plano, apenas o Trono do Venerável Mestre era mais elevado e não havia separação com balaustrada. O Oriente elevado foi criado para simbolizar o Santuário do Grau Rosa-Cruz. O Venerável Mestre, preferencialmente, deveria ter no mínimo, o Grau 18, assim como os que tinham assento no Oriente.

O Oriente elevado jamais fez parte da ritualística dos Graus Simbólicos e, portanto, não deveria ter permanecido na descrição do Templo após o desaparecimento das Lojas Capitulares, pois isso contribuiu para desinformar a respeito do Templo adequado para as Lojas Simbólicas.

Com o surgimento das Grandes Lojas Brasileiras, o Templo das Lojas, que se transferiram do Grande Oriente do Brasil (GOB) para as Grandes Lojas, antes ajustado para os Graus Capitulares, e alguns, ainda carregados em sua ornamentação de influências do Rito Francês (Moderno), não foi readaptado para o modelo original do Rito Escocês Antigo e Aceito anterior a 1820, ou seja, o piso plano em toda a extensão.

Após esse introito, passaremos a falar de mais um enxerto no REAA, tema principal desta matéria: a figura do Mestre Instalado. A cerimônia de Instalação do Mestre da Loja é até mais antiga do que o próprio grau de Mestre Maçom, já que, antigamente, quem dirigia a Loja era um eleito entre os Companheiros; não existia o Grau de Mestre Maçom. Posteriormente, surgiria tal grau. E, com a figura do Past Master (Mestre Instalado) pairava uma dúvida, pois o grau maior do Simbolismo sendo o de Mestre Maçom, não poderia aceitar a participação de aludida figura na Cerimônia de Instalação do Mestre da Loja, nem mesmo os que já tivessem ingressado no estudo dos Graus Superiores. Afinal, o Mestre Instalado é um Grau ou não?

A cerimônia de Instalação do Mestre da Loja remonta ao início do século XVIII, sendo introduzida em toda a Maçonaria, somente, a partir de 1810. Tal cerimônia é anterior à criação do Grau de Mestre Maçom em 1724, e somente efetivado em 1738. O título de Venerável Mestre teve origem nos meados do século XVII, com a transição da Maçonaria Operativa para Especulativa. Deriva da palavra inglesa “Worship”, significando “culto”, “adoração”, “reverência”. Como forma de tratamento, a palavra inglesa “Worshipful”, significa “adorado”, “reverente”, “venerável”. Portanto, “Worshipful Master” significa Venerável Mestre.

Na Alemanha, o Venerável Mestre recebe o nome de “Meister vom Stuhl”, ou seja, Mestre de Cátedra. A Cátedra é o significado mais importante do Veneralato. O Catedrático é mais um doutrinador, um ensinador, um sábio, que inaugura uma nova era de conhecimento, que dá nova visão do mundo e que a ninguém presta obediência doutrinária. Portanto, um Venerável Mestre não pode ser sagrado, e sim, consagrado por uma Comissão de três Mestres Instaladores, devidamente, nomeada pelo Grão-Mestre.

A palavra instalação é oriunda do latim medieval, “in” e “stallum”, cadeira. Chamamos de Instalação o ato que concede o direito de exercer privilégios de um ofício. Um aspecto importante e específico da Instalação Maçônica é o que dá direito de sagrar homens e objetos. A Instalação do Venerável se dá no Trono de Salomão, na Cadeira do mais Sábio dos Reis, conquistando o mesmo o poder de ungir Maçom, de fazer Maçom.

No Ritual Emulation, existe o chamado Santo Real Arco, criado por volta de 1751, baseado no retorno do povo judeu da Babilônia e em uma antiga lenda sobre a descoberta de um altar, de uma cripta e da Palavra Sagrada. Não chega a ser um Grau em si, embora essa não seja a interpretação de boa parte dos maçons ingleses, mas, sim, uma extensão do Grau de Mestre, tendo ritualística própria, e parte do ritual reservada, apenas, aos “Past Masters”.

Em meio à tentativa de união das Grandes Lojas Inglesas (Modernos e Antigos), isso chegou a ser um impasse. Em 1813, concretizou-se a união dessas Potências, sendo que a maçonaria inglesa considerou que, no Simbolismo, existem apenas os três Graus conhecidos, porém o Santo Arco Real, nesses, está inserido (vai entender!), embora exista um Supremo Grande Capítulo que o administra separadamente.

No Brasil, até 1928, nem no Rito Moderno nem no REAA, foi realizada qualquer Cerimônia de Instalação. Com o surgimento das Grandes Lojas, o REAA adotou essa prática, que, anos mais tarde, também, foi imitada pelo GOB. A pedido do Grão-Mestre Álvaro Palmeira, o insigne escritor Nicola Aslan, que em 1966 havia se desligado das Grandes Lojas e se filiado ao GOB, foi incumbido de escrever um Ritual de Instalação, adotado no ano seguinte.

O Templo com o piso do Oriente elevado, oriundo das Lojas Capitulares, passou a ser reservado aos Mestres Instalados, o que veio a fortalecer essa nova categoria, que possui segredos próprios e exclusivos.

Voltamos a perguntar: Mestre Instalado é um Grau? A resposta é não. Porém, sua superioridade hierárquica sobre o Mestre Maçom se caracteriza na Cerimônia de Instalação, no momento em que todos os Mestres Maçons não-instalados, mesmo os portadores dos Altos Graus, são obrigados a cobrirem o Templo.

Dada a sua experiência, adquirida por haver presidido uma Loja, compõe o Colégio de Mestres Instalados de sua Oficina, e aí, até justificando sua presença no Oriente, servindo como consultores, em auxílio ao Venerável Mestre.

A dignidade do Mestre Instalado é compatível, tão somente, com Ritos Anglo-Americanos, como o Craft e o York, que permitem, no Ritual, a supremacia hierárquica do Mestre Instalado sobre o Mestre Maçom não-instalado, embora, oficialmente, a Grande Loja Unida da Inglaterra não reconheça essa supremacia.

O termo Past Master tem sua origem na Maçonaria Inglesa e é próprio do Ritual Emulation, servindo para designar o Ex-Venerável Mestre. De forma errônea, algumas Grandes Lojas, como a Americana e a Brasileira o adotaram. Para os americanos, é válido pelo idioma inglês adotado e por praticarem o Craft no Simbolismo, mas, para nós brasileiros, usuários da língua portuguesa, esse termo nada tem a ver, principalmente, por não existir no REAA. Temos visto muitos Irmãos pronunciarem o termo “Past Venerável”, o que vem a ser pior ainda, já que não define qual idioma se pretende usar. O certo é tratar o Mestre Instalado, que recém encerrou seu Veneralato, de Ex-Venerável.

Há alguns anos, quando proferimos uma palestra no Rio de Janeiro sobre “Cabala e Maçonaria”, relacionamos a Árvore da Vida com os cargos em Loja e tivemos a oportunidade de fazer uma analogia da invisível e misteriosa Sephira Daat, cujo significado é “Conhecimento”, posicionada, ocultamente, na coluna central da Árvore da Vida, entre Kether (Coroa – a origem de Tudo) e Tiphereth (local do Eu Superior), com a figura do Mestre Instalado. Tal Sephira, somente, surge após a realização das 10 Sephiroth, interligadas através dos 22 caminhos da Sabedoria, relacionados aos 22 Arcanos Maiores do Tarô, que, somando-se às 10 Sephiroth, aludem ao número 32, os 32 Portais da Sabedoria. Em relação ao corpo humano, são os nossos 32 dentes, localizados na boca, de onde vem a força do Verbo, da Vibração, o Poder da Criação Espiritual. O surgimento da Sephira Daat soma o cabalístico número Mestre, o 33, tão nosso, porém oriundo de Antigas e Ocultas Tradições, do qual pouquíssimos Iniciados nos Verdadeiros Mistérios têm conhecimento, como a Ordem dos Traichu-Marutas. Mas esse já é outro assunto, que poderemos, até, tratar em outra oportunidade.

Autor: Francisco Feitosa

O Tronco de Solidariedade

Na época da construção do Templo, erguido por Salomão em Jerusalém, foi criada uma coluna em miniatura que girava por entre as bancadas, recebendo as contribuições. A mão era introduzida pelo alto capitel, que a ocultava, havendo uma fenda no cimo do fuste para a passagem da oferta; naquela época, os arquitetos a denominavam “Tronco”.

A função caritativa da Maçonaria se tornou tão destacada, que a Ordem passou a ser identificada como filantrópica. Ouvia-se falar que a imagem da Maçonaria era Fraternidade e Caridade. Assim, a antiga coleta, que se fazia entre os sacerdotes foi estendida aos associados, passando a ser destinada às obras piedosas da Corporação ou da Loja. Era costume, nas antigas “guildas”, recolher contribuições dos que podiam ofertá-las para socorrer os congregados, entre os quais se encontravam todos os tipos de homens: senhores, trabalhadores e serviçais. A proteção se estendia às viúvas, órfãos, inválidos e servia até para defesa judicial dos membros.

Essa tradição passou à Maçonaria. Toda árvore é sustentada pela robustez de seu tronco, em cujo interior sobe a seiva alimentadora. O tronco é mais forte na medida em que, pelo passar dos anos, são acrescidos os anéis ou camadas, isso faz com que seja aumentado seu diâmetro – seu volume. A função do Tronco de Solidariedade é crescer, sempre que exista necessidade de atender aqueles Irmãos mais necessitados ou seus familiares. O Tronco somente fortalece-se na medida em que aqueles que contribuem o fizerem com o intuito de ajudar. Ele nunca é suspenso. O que é suspenso é o giro para reiniciar nas próximas reuniões.

As administrações das Lojas devem ter em mente que o Tronco tem uma única finalidade, não fazendo parte do patrimônio das mesmas. A tradição é de socorro e assistência a Irmãos necessitados, suas viúvas e órfãos. Isso deve ser cumprido em primeiro lugar. Para isso, o Irmão Hospitaleiro deve, sempre, reservar uma parcela do mesmo para eventualidades e urgências. Propostas de Irmãos, para que a Loja destine o Tronco a instituições profanas, devem ser analisadas com muito critério e, se for atendida, não devemos, nunca, esquecer-se da reserva acima mencionada, destinando-se, para esse fim, uma menor parte do Tronco para as entidades assistenciais maçônicas e não-maçônicas.

As dádivas para o Tronco são sigilosas. Cada Irmão contribui com o que pode e, se desprovido, não dará nada, mas como todos, deve introduzir a mão fechada no recipiente e retirá-la aberta, pois ninguém pode servir-se das importâncias depositadas, cujo total é creditado à Hospitalaria. Um mau costume, felizmente abolido, foi o de apregoar dádivas de Lojas ou Irmãos ausentes. O giro do Tronco deve ser praticado em silêncio ou ao som de música suave, cujos temas sejam de amor e de amizade. (Os maçons Mozart e Franz Lizt compuseram peças com esses temas. Do primeiro: “Das Lob der Freudschat” e “Die Maurerfreude”; do segundo: “Sonho de Amor”).

Pelo acima exposto, fica claro que a Maçonaria não é apenas uma sociedade de beneficência, o que muitos profanos e aprendizes recém-ingressos na Ordem trazem em seus pensamentos. O principal é lembrar que o Tronco de Solidariedade, Beneficência, das Viúvas, etc, chamem-no como quiser, se destina a ajudar os Irmãos necessitados e, por conseguinte, seus familiares.

Autor: Júlio César Morganti

Quem foi Mário Behring?

Mário Behring foi o fundador do sistema de Grandes Lojas no Brasil.

Ao tentarmos dizer alguma coisa sobre a figura exponencial de MÁRIO BEHRING, fazemos com o maior respeito e admiração. Entendemos que nunca devemos negar os justos aplausos aos que, conscientes da verdade dos fatos e do direito, dispõem-se a colocar sobre os próprios ombros, o julgamento da história. Já temos aprendido, sobejamente, que errar é humano; permanecer no erro é obstinação.

Os adversários do nosso Ilustre Irmão MÁRIO BEHRING, costumam apontar-lhe erros e omissões com o fim precípuo de desmerecer o seu caráter ou ofuscar o brilho de suas idéias e o ímpeto de sua coragem.

Certamente, não é fácil lutar contra os “poderosos”, mas não é difícil, estamos convencidos, usar o bom senso para bem esclarecer os que na defesa dos próprios interesses ou de grupos, preferem perpetuar-se desfilando, propositadamente, nos caminhos perigosos da incerteza e da insegurança.

MÁRIO MARINHO DE CARVALHO BEHRING, mineiro de nascimento, nascido aos 27 dias do mês de janeiro do ano de 1876, isto é, a pouco mais de um século, no alvorecer de sua maioridade, isto é, aos 22 anos, transpôs o pórtico da Loja Maçônica “UNIÃO COSMOPOLITA”, lá mesmo em Minas Gerais, onde, mais tarde, sem muito se demorar, veio a empunhar o Primeiro Malhete de sua Oficina.

Ponderado em suas palavras, porém desassombrado em suas atitudes MÁRIO BEHRING, conforme a filosofia dos seus tempos, logo iniciou uma luta sem quartel em favor da liberdade de pensamento e contra os radicalismos de todas as espécies, principalmente, o religioso.

No início do século passado, ou seja, em 1901, transferiu-se para a cidade do Rio de Janeiro, então capital da República, onde pelo seu comprovado gosto pelos estudos sobre os assuntos Maçônicos, veio a ser nomeado Membro da Comissão de Redação do Boletim Oficial do Grande Oriente do Brasil, então única Potência Maçônicas existente no Brasil, originário da Loja “Comércio e Artes” que, subdividindo-se em três, isto é , da mesma “Comércio e Artes”, “União e Tranqüilidade” e “Esperança de Niterói”, fundou o GOB em 17 de Junho de 1822, conforme consta de seus registros.

É bem de ver que, tão logo MÁRIO BEHRING começou a comparar os resultados dos seus estudos sobre a ORDEM com as estruturas do GOB, passou a querer influenciar na reformulação dos procedimentos do mesmo, principalmente, quando renunciou a sua eleição, em 1903 para Membro efetivo do Gr:. Capítulo do Rito Francês ou Moderno, numa irrecusável demonstração aos menos avisados de que, embora combatesse, febrilmente, o sectarismo e intolerância religiosas, cultivava a sua crença no G.A.D.U. e na imortalidade da alma, postulados não aceitos pelo referido Rito, apesar de nele haver inicialmente orientado os seus primeiros passos.

Continuou MÁRIO BEHRING Membro da Comissão de Redação do Boletim Oficial desde 1902 até 1905, tendo sido eleito em 1906, Grande Secretário Adjunto, quando, mais uma vez, usando de seus conhecimentos, elaborou, em 1907, o projeto da Constituição do GOB que pela conotação liberalista emprestado aos seus dispositivos, tenderia, fatalmente, à regularidade, não somente de suas origens, mas, sobretudo, dos seus trabalhos, não fosse o desvirtuamento que lhe deu uma Comissão de 18 Membros encarregados de sua redação final, para proteger os interesses contrariados pelo trabalho de MÁRIO BEHRING.

Apesar de toda sua luta e influência, MÁRIO BEHRING não conseguiu ver vitoriosos os seus pontos de vista que, em última análise, era uma tomada de posição em consonância com o desenvolvimento da Maçonaria Universal.

Mais esclarecido na investigação da verdade e desejando prosseguir, sob os eflúvios do G.A.D.U., no seu empreendimento, MÁRIO BEHRING aceitou a sua eleição, em 1907 para Membro Efetivo do então Supremo Conselho do Grau 33 para os Estados Unidos do Brasil de onde poderia melhor combater os desmandos a que era submetida a nossa Ordem no Brasil, pelos excessos de poder e apaixonada vaidade dos que se aproveitavam da Ordem ao seu bel-prazer, ainda que esse comportamento pudesse redundar em prejuízo para os verdadeiros objetivos de nossa Instituição.

Sem dúvida, entre os que se opuseram às idéias de MÁRIO BEHRING encontravam-se homens que, apenas por erro de observação ou possível desconhecimento da universal regularidade então buscada, permaneceram na arraigada defesa das suas posições.

Todavia, pelo entusiasmo de suas palavras e pela seriedade de seus propósitos, MÁRIO BEHRING começava a encontrar apoio dos que viam nele um líder eficiente e capaz de tomar uma posição em favor da regularidade da nossa ORDEM no Brasil, ainda que isso lhe custasse, presumivelmente, muito suor e muitas lágrimas.

A interinidade do seu Grão-Mestrado de 10/08/20 a 19/11/20 e de 25/12/20 e 22/04/21, valeu-lhe a experiência da efetividade do seu mandato no período de 28/06/22 a 13/07/25 vez que, lutando em todas as frentes, por nossa regularidade, inclusive junta ao Congresso Internacional de Lausanne, em 1921, reconhecia, com maior força de argumentos, a necessidade de não confundir as administrações do Simbolismo com o Filosofismo.

Terminado o seu mandato de Grão-Mestre, MÁRIO BEHRING, passou o Malhete ao seu sucessor Venâncio Neiva, o qual, procurando coonestar o movimento encabeçado por MÁRIO BEHRING, elaborou um Tratado a ser firmado entre os Graus Simbólicos e os Graus Filosóficos. Infelizmente, por ter, se passado para o Oriente Eterno aquele irmão não pode firmá-lo, cabendo ao seu sucessor Fonseca Hermes, a responsabilidade de fazê-lo.

Dava-se ao Tratado a significação de vida não dependente, porém, harmônica entre as duas administrações.

Isso, entretanto, não vingou por muito tempo, eis que forças e interesses se levantaram a ponto de levar o Grão-Mestre Fonseca Hermes à renúncia, instalando-se em seu lugar Octavio Kelly, o qual, desrespeitando todo esforço anteriormente feito e a legislação Maçônica Internacional, passou a exercer, de modo hostil, os cargos de Grão-Mestre e Soberano Grande Comendador, mesmo não tendo sido eleito para este último cargo.

Com essa atitude o Grão-Mestre Octavio Kelly proclamando-se, também, Soberano Grande Comendador, rompeu o Tratado assinado em outubro de 1926 e deu lugar a que MÁRIO BEHRING, em 20/06/27, vendo-se espoliado na legitimidade e regularidade do seu cargo, e, sentindo a responsabilidade dos compromissos assumidos no exterior, uma vez que somente avocando o DEC, de 01/06/21, que dava ao Supremo Conselho do Brasil, personalidade jurídica distinta do GOB é que foi admitido no Congresso de Lausanne e confiando nos que haviam de defender, a qualquer custo, os postulados que ensejaram o reconhecimento da Maçonaria Brasileira entre seus Irmãos do Universo, retirou-se do Grande Oriente do Brasil e estimulou a fundação das Grandes Lojas Brasileiras.

MÁRIO BEHRING era um engenheiro e não um advogado como muitos pensam ter sido, pelo ardor de sua luta e pela firmeza dos seus argumentos diante dos mais renomados jurisconsultos seus opositores. O seu desmedido interesse pela leitura dos assuntos maçônicos e o desejo de projetar a nossa ORDEM no concerto Universal, impulsionaram-no a fundar as Grandes Lojas Brasileiras há 80 anos passados.

Sem embargo, podemos afirmar com SALVADOR MOSCOSO, em seu trabalho publicado na Revista “ASTRÉA” de dezembro de 1966; “o homem maçom que volver os OLHOS para a história e a experiência de Mário Behring, não escreveria um livro, mas faria um exame de consciência”.

Mário Behring, quis legar os vindouros, através de páginas expressivas na história Maçônica Brasileira, algo da própria respiração, fazendo dele documento animado de personalidade. Foi tão fiel o retrato de suas ações que o oferecem aos seus Irmãos como valioso presente, narração dos movimentos avulsos da sua sensibilidade nas várias emergências da vida.

Nunca se observou o cansaço, havendo, em todos os excertos, a corajosa decisão de quem se propôs inventariar como Maçom e por isso com serenidade, os passos das transatas caminhadas.

O futuro há de saborear, avidamente, a sua história porque nela se guarda o Maçom insigne que a escreveu. Nela ficará, fielmente o retrato, e para todo o sempre, Mário Behring com aquela emoção, educada e sutil, de quem sempre desprezou as falsas pompas.

Aí estão, em rápidas pinceladas sem retoques, alguns traços da marcante e exemplar personalidade do Paladino da Regularidade Maçônica Brasileira que, ao seu tempo, soube honrar os juramentos feitos e os compromissos assumidos perante o G.A.D.U., e a sua consciência. MÁRIO BEHRING soube respeitar a dignidade dos seus semelhantes, sem ostentação ou falsa modéstia.

Em 14 de Junho de 1933 quando viajou para o Oriente Eterno, deixou-nos, tal qual um vigoroso cometa, um rastro de intensa claridade a nos guiar pelos caminhos do equilíbrio, da moral e da razão.

Transcrito de Nós e a X Conferência da CMI.

Fonte: Site da GLP

O Supremo Conselho do REAA no Brasil

2/03/1829 – o Irmão Francisco Ge Acayaba de Montezuma, depois Visconde de Jequitinhonha, então no exílio, recebe do Supremo Conselho do Grau 33° do REAA da Bélgica, uma carta de autorização para instalar um Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito no Brasil.

12/11/1832 – de volta ao Brasil o Irmão Montezuma instala o Supremo Conselho usando a autorização do Supremo Conselho da Bélgica.

Durante os anos seguintes, várias foram as cisões e aproximações em torno do Supremo Conselho.Uma das características dessa fase é um amálgama, entre o Supremo Conselho e o Grande Oriente do Brasil, de forma que o Grão-Mestre eleito passava a ser o Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Rito Escocês, mesmo que tal Grão-Mestre sequer fosse membro do Rito.

1925 – O Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, e portanto Soberano Grande Comendador do Rito Escocês, era o Irmão Mário Behring que, concluindo pela irregularidade de tal situação decidiu separar as duas jurisdições a exemplo do resto do mundo, os Graus Simbólicos com o Grande Oriente do Brasil e os Graus Superiores com o Supremo Conselho. Assim, não mais se candidatou ao cargo de Grão-Mestre permanecendo como Soberano Grande Comendador. Estava feita a tão desejada separação.

O Grão-Mestre eleito, Irmão Octavio Kelly, levado por alguns dissidentes achou por bem não mais reconhecer a separação decidindo assumir também o cargo de Soberano, para o qual não foi eleito, sendo prontamente rechaçado pelos Membros com direito a voto no Supremo Conselho. O que era uma separação amigável transformou-se em cisão.

1927 – Assim, ficou o Supremo Conselho sem ter base simbólica onde buscar os Mestres Maçons para ingresso no Grau 4, e o Grande Oriente do Brasil sem ter para onde mandar os Irmãos das Lojas Escocesas desejosos de continuar os seus estudos. Não tendo alternativa, o Supremo Conselho, que continuava a ser dirigido pelo Irmão Mário Behring, promoveu a criação das Grandes Lojas Brasileiras para delas poder continuar a retirar os Mestres para as suas Lojas de Perfeição (Grau 4 ao 14). Membros do Grande Oriente do Brasil, por sua vez, criaram, apoiado em alguns ex-membros do Supremo Conselho, um novo Supremo Conselho, que foi chamado de reconstituído.

1929 – Paris, França, é realizada a IV Conferência Mundial, onde comparecem os Supremos Conselhos Montezuma e o Supremo Conselho “reconstituído”. Naquela ocasião ficou, definitivamente, assentado que o único Supremo regular, reconhecido e única autoridade legal e legítima para o Rito Escocês Antigo e Aceito no Brasil é o que hoje se denomina “SUPREMO CONSELHO DO GRAU 33º DO RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO DA MAÇONARIA PARA A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, com sede em Jacarepaguá, Rio de Janeiro cujo Soberano Grande Comendador é o Irmão Luiz Fernando Rodrigues Torres, 33°, que, de 2000 a 2005, foi, também, o presidente da XVI Conferência Mundial de Supremos Conselhos.

Tal decisão tem por base o Art. 5°, das Grandes Constituições de 1786, que determina que só pode existir um Supremo Conselho em cada País, exceto nos Estados Unidos da América, onde foi previsto a existência de dois. Não se trata, entretanto, de cisão até porque um é filho do outro.

2000 – Rio de Janeiro, Brasil – Realizada a XVI Conferência Mundial dos Supremos Conselhos com a presença de quase todos os Supremos Regulares do Mundo. O Ir. Luiz Fernando Rodrigues Torres, 33°, Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República do Brasil passa a ser o Presidente da XVI Conferência Mundial, e em 2005 transferiu o cargo para o Ir. JACK BALL, 33º, Soberano Grande Comendador da Austrália.

Texto extraído do site do Supremo Conselho (http://www.sc33.com.br/)

Influências na Maçonaria

Sobre o tema “Influências na Maçonaria” gostaria que os Irmãos pensassem sobre a possibilidade de todos e tudo que compõem a criação do Grande Arquiteto do Universo de se transformarem e promoverem transformações. A vida é a grande ligação entre o Ser e o ambiente. O Ser influencia o ambiente, assim como o ambiente influencia o Ser. Ao usar a palavra ambiente, quero expressar não só a estrutura material que cerca o indivíduo como também suas relações pessoais para com a sociedade que está inserido.

Da transformação da Pedra Bruta para a Pedra Cúbica os instrumentos usados poderão até serem os mesmos em diferentes latitudes e longitudes, porém a técnica do lavrar está diretamente relacionada com a dinâmica histórica sociocultural da “Pedra”. Na verdade as transformações caminham sob o “fio da navalha”, é preciso muito cuidado em não confundir “transformações adaptativas” com “transgressões ideológicas”.

Por mais “profanador” que possa parecer, haverá sempre a necessidade de adequações INFLUENCIADAS PELO ESTUDO! Sejamos sinceros, temos o Rito Escocês “Yorquiano” e Rito de York Escocês. Muitas “coisas bonitas” foram inseridas nos trabalhos e quantas “coisas sérias” caíram em desuso. Permitam-me um pouco de divagação, compararei nossa Sublime Ordem a um “Ser Vivo” e como tal é regida por Leis Universais e uma delas é a Evolução. Peço aos Irmãos que compreendam que me guiarei por uma linha de raciocínio bem ilustrativa que poderá não ser operacional (operativa), mas com certeza será quimérica (especulativa).

Em 1809 o naturalista francês Jean-Baptiste Lamarck publicou o livro Filosofia Zoológica (Teoria de Lamarck), segundo o mesmo, o princípio evolutivo estaria baseado em apenas duas Leis:

  1. Lei do Uso ou Desuso. “O uso de determinadas partes do corpo do organismo faz com que estas se desenvolvam, e o desuso faz com que se atrofiem”.
  2. Lei da Transmissão dos Caracteres Adquiridos: ”Alterações provocadas em determinadas características do organismo, pelo uso e desuso, são transmitidas aos descendentes.” 

Deixando a Biologia de lado, em Maçonaria podemos dizer que a Teoria de Lamarck é a justificativa de várias atividades em Lojas devido aos famosos “Usos e Costumes” locais. Os cientistas atuais rejeitam a Teoria de Lamarck por causa de um simples detalhe: “Características adquiridas não são hereditárias” e o mesmo acontece em nosso labor.

Algumas Lojas fazem belíssimas aberturas dos trabalhos, com acendimento das velas, leitura de “Minutos de Sabedoria”, até “Amém” já ouvi, mas nada disso faz parte do DNA da Maçonaria, são características da Loja ou de uma Potência, quando muito de um Rito. Insisto: são características e não fundamentos.

Voltando às especulações baseadas nas Ciências Biológicas, em 1859 Charles Darwin (naturalista britânico) lançou a Teoria da Evolução das Espécies e é a que podemos comparar com a Realidade da Evolução da Maçonaria.

O Primeiro Postulado de Darwin dizia “que o mundo não é estático, mas evolui. As espécies estão mudando continuamente, algumas se originando e outras se ‘extinguindo’”. Os Irmãos concordam que a Maçonaria não é estática, mas evolui? Os Obreiros e Ritos estão mudando continuamente, alguns se originando e outros se extinguindo!

O Segundo Postulado diz que o processo de evolução é gradual e contínuo. Assim também cresce a Sublime Ordem.

O Terceiro Postulado ensina que uma comunidade descende de organismos semelhantes e que ao final teríamos sempre um ancestral comum. Será que eu poderia dizer que esta relação com um ancestral comum, é para os Maçons Atuais a Lenda dos Três Graus?

O Quarto Postulado é conhecido como Seleção Natural – “O ambiente viabiliza a manutenção ou supressão das espécies, conservando, maximizando ou minimizando a frequência de um gene, a ponto de suprimi-la.”

Reflitam bem quanto à Seleção Natural da Maçonaria, quantas décadas se passaram, quantos fatos históricos ocorreram, quantas mudanças políticas, quantas pressões religiosas, mas principalmente, quanto o Homem amadureceu e expandiu sua sensibilidade e intelecto? Os símbolos serão sempre os mesmos, o que mudará constantemente é a interpretação humana deles.

Tenham certeza meus Irmãos que, a nós Livres Pensadores, cabe seguir os passos de nossos antecessores: Captar as boas influências da Sociedade e influenciá-la com nossos valores.

Autor: Sérgio Quirino Guimarães
ARLS Presidente Roosevelt, Nº25 – GLMMG

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