A corda de 81 nós – Parte 1

Desvendamos todos os segredos e tradições da maçonaria em Jaraguá do Sul

“…Eu vejo a vida da mesma forma. Todos nós recebemos cartas aleatórias no início do jogo, alguns cartas melhores. E, embora seja fácil nos fixar no que está na mão, e sentir que nos ferramos, o jogo está nas escolhas que fazemos com essas cartas, nos riscos que decidimos correr e nas consequências com as quais escolhemos viver. Quem, de maneira consistente, faz as melhores escolhas diante das situações que se apresentam acaba ganhando no pôquer, e na vida. Não necessariamente que tem as melhores cartas…” (Mark Manson)

1 – Introdução

Como proposta, esse trabalho busca abordar o tema: A corda de 81 Nós.

Símbolo que consta em diversos contextos dentro da loja como dentro do templo, painel mosaico e historias de antigas reuniões. Porém, apesar de inúmero trabalhos já apresentados pelos IIr∴, ainda percebe-se pouco material de referência, ou até mesmo similares descrições, desprezando às vezes os conceitos existentes por trás do objeto “corda”.

Contudo, antes de darmos seguimento ao descritivo e intrigante tema, que muitas vezes é despercebido por alguns IIr∴, sinto a necessidade de contextualizar um pouco os sentimentos que me levaram a maçonaria, quanto seu enigmático universo de abordagens e conceitos e a capacidade de elucidar as minhas perspectivas diante da escolha do tema. Isso posto, não posso desconsiderar que a escolha do tema também está diretamente ligada ao que entendo como parte do que, mesmo desconhecendo incialmente a abordagem, me levou a aceitar o convite.

A maçonaria entrou num contexto do meu cotidiano através de alguns IIr∴ que prezo como seres realmente diferenciados, seja pela postura na sociedade, pelo conteúdo cultural presente, como também pela busca da evolução quanto ser humano para apoiar com pensamentos e trabalhos o mundo Profano.

Para não se tornar apenas um curioso de avental, ideia ao qual partilhei no início da minha jornada, dentro dos abismos luminosos da Maçonaria, me vi diante de um desafio de aprendizado e busca do conhecimento a fim de entender melhor os propósitos da minha caminhada, tão qual me sinto cada vez mais inserido aos desígnios do G∴A∴D∴U∴.

Com foco em entender melhor esses propósitos não cabe nenhum aprendizado sem a compreensão do real conceito e objetivo do que é a Maçonaria. Sendo assim, se faz necessário conceituar o seu significado e introduzir alguns conceitos que, aos olhos do profano podem ser simplificados e minimizados em sua importância, mas que nos olhos dos iniciados abrem portas para crescimentos e evoluções espirituais inimagináveis até aquele momento.

Dessa forma esse trabalho terá como parte de sua introdução o conceito da maçonaria em sua íntegra, se desdobrando para os conceitos de simbologia, aplicabilidade dele no objeto corda e suas aplicações na história e por fim a corda de 81 nós.

1.2 – Maçonaria

Muitos perguntam o que é a maçonaria? Contudo, poucos entendem, dentro do mundo profano, seus principais objetivos. Dessa forma, para melhor esclarecer a maçonaria proponho entendermos o significado da palavra na sua integra e, posteriormente, fazer uma associação aos seus conceitos como instituição e as características de um maçom.

A palavra Maçonaria é de origem francesa e significa construção, tendo como versão em português a expressão do francês maçon. Por extensão tem seu significado como “associação de pedreiros”.

Como se pode ver a maçonaria está relacionada à construção, associação de pedreiros que remetem ao crescimento, desenvolvimento e construção da sua personalidade dentro da instituição. Sempre seus atos são encaminhados ao conceito das obras realizadas. Não apenas pelo conceito literal da palavra, mas pelo seu significado e desenvolvimento diante dor IIr∴ e da sociedade como um todo. a qual identificamos como o mundo profano.

Entendendo melhor a maçonaria, Denizart Filho (2012, p.23) define bem como:

A Maçonaria é uma instituição filantrópica, filosófica e progressista, tendo por objetivo o aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual da humanidade, por meio da investigação constante da verdade, do culto inflexível da moral e da prática desinteressada da solidariedade.

A Maçonaria é uma associação de homens sábios e virtuosos, que se consideram Irmãos entre si e cujo fim é viverem em perfeita igualdade, intimamente unidos por laços de recíproca estima, confiança e amizade, estimulando-se uns aos outros na prática das virtudes.

A Maçonaria é um sistema de Moral, velado por alegorias e ilustrado por Símbolos.

A Maçonaria é uma ordem de fraternidade Universal, sujeita às leis de cada país. Em cada Estado, como em cada Loja, ela é uma sociedade íntima de homens escolhidos, cuja doutrina tem por BASE o amor a Deus e o amor aos homens; por REGRA, a religião natural e a moral universal; por CAUSA, a verdade, a luz e a liberdade; por PRINCÍPIO, a Igualdade, a Fraternidade e beneficência; por ARMAS, a persuasão e o bom exemplo; por FRUTO, a virtude, a sociabilidade e o progresso; e por FINALIDADE, o aperfeiçoamento e a felicidade da humanidade que ela tende a reunir sob uma só bandeira. Seu centro e seu império estão onde está o gênero humano; não se trata de uma sociedade secreta, mas de uma sociedade que tem um segredo.

Em cima das apresentações do que é a maçonaria, dentro das definições apresentadas por Denizart Filho (2012, p.110-111), um maçom deve ter como principais características:

  • A Virtude: Hábito de praticar o bem, o que é justo; é a excelência moral; probidade; retidão; o conjunto de todas as qualidades morais;
  • Honra: O sentimento que leva o homem a merecer e manter a consideração pública; é à consideração ou homenagem à virtude, ao talento, às boas qualidades humanas;
  • Bondade: É a disposição natural de se fazer o bem; benevolência; brandura; indulgência; boa índole.

Dentro desse processo de construção do aperfeiçoamento moral além dos estudos e trabalhos a serem realizados, a Maçonaria se constitui por características específicas, “armas para buscar a verdade, valores do qual deve se lembrar sempre em sua evolução, rituais e símbolos”. Esse ultimo designa um papel fundamental em resgatar de forma lúdica os conceitos e valores que regem as origens e prerrogativas dessa sociedade.

2 – Símbolos

Todas as historias, sejam da constituição de uma sociedade, irmandade, grupos religiosos, tão quais as crenças de em todas as suas culturas e localidades são compostas e/ou representadas por símbolos. Essas apresentações trazem conceitos, mensagens ocultas, ou simples representações que remetem sempre a algo de maior grandeza para os integrantes ou seguidores daquela ordem proposta. Importante ressaltar que suas origens, ao contrário do que se entende das propostas comuns citadas tem suas origens em outros meios.

Para entendermos melhor, Mark O’Connel e Raje Airey (2010, p.06) apresentam a sua origem sendo:

A palavra “símbolo” é derivada do grego antigo Symballein, que significa agregar. Seu uso figurado originou-se no costume de quebras um bloco de argila para marcar o término de um contrato ou acordo: cada parte do acordo ficaria com um pedaço e, assim, quando juntassem os pedaços novamente, eles poderiam se encaixar como um quebra cabeça. Os pedaços, cada um identificando uma das pessoas envolvidas, eram conhecidos com Symbola.

Portando um símbolo não representa somente algo, mas também sugere “algo” que está faltando, uma parte invisível que é necessária para alcançar a conclusão ou a totalidade. Consciente ou inconscientemente, o símbolo carrega o sentido de unir as coisas para criar algo maior do que a soma das partes, como nuanças de significado que resultam em uma ideia complexa.

Os autores ainda complementam:

Os símbolos são o coração da identidade cultural, passando informações sobre todos os aspectos da vida. São retirados de todas as fontes – animadas e inanimadas – para inspiração e aparecem em todas as formas concebíveis, tais como figuras metáforas, sons e gestos, como personificações em mitos e lendas ou representados através de rituais e costumes.

Quando abordamos no âmbito da maçonaria ela destaca esse elemento conceituando simbolismo e símbolos. Não muito diferente dos conceitos já apresentados podemos dizer que o simbolismo se refere a um conjunto de símbolos. Esses remetem a fatos, crenças e formas de comunicação. Muito das suas origens e significados, acreditam terem surgidos nos templo egípcios e depois espalhados pelos demais povos.

Já os símbolos, pode se dizer que são representações emblemáticas de ideias ou princípios.

Segundo Denizart Filho (2012, p.65):

Em Maçonaria, todos os Símbolos são ligados à arte de construir, desde os objetos de construção, até ao exercício do ofício de do pedreiro; tais são: o Compasso, o Esquadro, a Régua, o Nível, o Prumo, a Trolha, aos quais hoje se empresta um sentido todo moral, espiritual e filosófico.

Dessa forma, levando em conta os objetivos e significados dos símbolos e, por consequência, o simbolismo na maçonaria, mediante os seus princípios é que abordaremos um dos símbolos mais presentes na historia da humanidade, a Corda. Objeto esse sempre presente nas mais diversas frentes e com as mais variadas aplicações e significados. Quando falamos sobre a maçonaria, esse objeto se destaca na Iniciação e na presença em Loja da corda de 81 nós.

Continua…

Autor: Marcelo Marcus Martins Costa

Marcelo é Aprendiz Maçom na ARLS Jacques DeMolay, nº22, do oriente de Belo Horizonte e jurisdicionada à GLMMG.

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Ser Aprendiz

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A vida de um neófito não é fácil… 

Nascer, abrir os olhos, enxergar pela primeira vez a intensa Luz, perpetrar os primeiros e mais difíceis passos rumo aos augustos mistérios que se descortinam a nossa frente e, por fim, tentar balbuciar as primeiras palavras. 

Como qualquer criança recém nascida, o Aprendiz é tomado por uma intensa curiosidade por tudo que está a sua volta, ao mundo novo que lhe apresenta, o significado dos símbolos, a linguagem, a postura, pois absolutamente todos os sabores são inovadores a seu insaciável apetite e paladar.

Sem qualquer embargo, de forma indelével, queremos sorver a taça em um único gole, toda de uma só vez… E nossos Mestres, com a paciência e misericórdia de atenciosos pais, procuram amorosamente nos ensinar a postura correta de nosso corpo para facilitar os primeiros trabalhos de desbastamento da pedra bruta, sem que nos desestimulemos frente ao cansaço que vez por outra começam a abater nosso corpo e nosso espírito. 

Qualquer que tenha sido o vosso propósito e o anseio de vosso coração ao ingressar na Augusta Instituição que fraternalmente vos acolheu como um de seus membros, é certo que não tereis entendido, a princípio, toda a importância espiritual deste passo e as possibilidades de progresso que com ele vos foram abertas. 

A Maçonaria é, pois, uma Instituição Hermética no tríplice e profundo sentido da palavra. O segredo maçônico é de tal natureza, que não pode nunca ser violado ou traído, por ser mística e individualmente realizado por aquele maçom que o busca para usá-lo construtivamente, com sinceridade e fervor, absoluta lealdade, firmeza e perseverança no estudo e na prática da Arte. A Maçonaria não se revela efetivamente senão a seus adeptos, aqueles que a ela se doam por inteiro, sem reservas mentais, para tornar-se verdadeiros maçons, isto é, Obreiros Iluminados da Inteligência Construtora do Universo, que deve manifestar-se em sua mente como verdadeira Luz que ilumina, desde um ponto de vista superior, todos os seus pensamentos, palavras e obras. 

Isto é conseguido por intermédio das provas que constituem os meios pelos quais torna-se manifesto o potencial espiritual que dorme em estado latente na vida rotineira, as provas simbólicas iniciais e as provas posteriores do desânimo e da decepção. Quem se deixar vencer por elas, assim como aquele que ingressar na Associação com um espírito superficial, deixará de conhecer aquilo que a Ordem encerra sob sua forma e seu ministério exterior, deixará de conhecer seu propósito real e a Força Espiritual oculta que interiormente anima a Ordem. 

Seu tesouro acha-se escondido profundamente na terra. Só escavando, ou seja, buscando-o por baixo da aparência, podemos encontrá-lo. Quem passa pela Instituição como se fosse uma sociedade qualquer ou um clube profano, não pode conhecê-la; somente permanecendo nela longamente, com fé inalterada, esforçando-nos em tornarmo-nos verdadeiros maçons e reconhecendo o privilégio inerente a esta qualidade, ela nos revelará o seu tesouro oculto. 

Assim como não existe uma criança que não deseje atingir prontamente a vida adulta, não há Aprendiz que não deseje tornar-se rapidamente um Mestre. Embora tanto uma como o outro não compreenda que se tornar um adulto assim como um Mestre, é na verdade assumir grandes responsabilidades, inclusive com outras crianças ou Aprendizes que se sucederem a ele. 

Pela ordem natural das coisas, não é possível se polir uma pedra bruta sem antes desbastá-la. 

Deste ponto de vista, e qualquer que seja o grau exterior que possamos conseguir, ou que já nos tenha sido conferido para compensar de alguma forma nossos anseios e desejos de progresso, dificilmente poderemos realmente superar o grau de Aprendiz. Na finalidade iniciática da Ordem, somos e continuaremos sendo aprendizes por um tempo muito maior que os simbólicos três anos de idade. Oxalá fossemos todos bons aprendizes e continuássemos sendo-o por toda nossa existência! Se todos os maçons se esforçassem primeiro em aprender, quantos males que tem sido lamentados e que ainda serão lamentados, não mais teriam razão de existir! 

Ser um Aprendiz ativo e inteligente que envida todos os esforços para progredir iluminadamente no caminho da Verdade e da Virtude, realizando e pondo em prática (fazendo-a carne de sua carne, sangue de seu sangue e vida de sua vida) a Doutrina Iniciática que se encontra escondida e é revelada no simbolismo deste grau, é sem dúvida muito melhor que ostentar o mais elevado grau maçônico, permanecendo na mais odiosa e destruidora ignorância dos princípios e fins sublimes de nossa Ordem. 

Não devemos ter, portanto, demasiada pressa na ascensão a graus superiores. O grau que nos foi outorgado, e pelo qual exteriormente somos reconhecidos, é sempre superior ao grau real que alcançamos e realizamos interiormente, e a permanência neste primeiro grau dificilmente poderá ser taxada de excessiva, por maiores que sejam nossos desejos de progresso e os esforços que façamos nesse sentido. Compreender efetivamente o significado dos símbolos e cerimônias que constituem a fórmula iniciática deste grau, procurando a sua prática todos os dias da vida, é muito melhor que sair prematuramente dele, ou desprezá-lo sem tê-lo compreendido. 

A condição e o estado de Aprendiz referem-se, de forma precisa, à nossa capacidade de apreender; somos aprendizes enquanto nos tornamos receptivos, abrindo-nos interiormente e colocando todo o esforço necessário para aproveitarmos construtivamente todas as experiências da vida e os ensinamentos que de algum modo recebemos. Nossa mente aberta, e a intensidade do desejo de progredir determina esta capacidade. 

Estas qualidades caracterizam o Aprendiz e o distinguem do profano, seja dentro ou fora da Ordem. No profano, prevalecem a inércia e a passividade, e, se existe um desejo de progresso, uma aspiração superior, encontram-se como que sepultados ou sufocados pela materialidade da vida, que converte os homens em escravos completos de seus vícios, de suas necessidades e de suas paixões. 

O que torna patente o estado de aprendiz, é exatamente o despertar do potencial latente que se encontra em cada ser e nele produz um veemente desejo de progredir, caminhar para frente, superando todos os obstáculos e limitações, tirando proveito de todas as experiências e ensinamentos que encontra em seus passos. Este estado de consciência é a primeira condição para que seja possível tornar-se maçom no sentido verdadeiro da palavra. 

Toda a vida é para o ser ativo, inteligente e zeloso, uma aprendizagem incessante; tudo o que encontramos em nosso caminho pode e deve ser um proveitoso material de construção para o edifício simbólico de nosso progresso, o Templo que assim erigimos, cada hora, cada dia e cada instante à G∴D∴G∴A∴D∴U∴ isto é, do Princípio Construtivo e Evolutivo em nós mesmos. Tudo é bom no fundo, tudo pode e deve ser utilizado construtivamente para o Bem, apesar de que possa ter-se apresentado sob a forma de uma experiência desagradável, de uma contrariedade imprevista, de uma dificuldade, de um obstáculo, de uma desgraça ou de uma inimizade. 

Eis aqui o programa que o Aprendiz deve esforçar-se em realizar na vida diária. Somente mediante este trabalho, inteligente, zeloso e perseverante, pode converter-se num verdadeiro obreiro da Inteligência Construtora e companheiro de todos os que estão animados por este mesmo programa, por esta mesma finalidade interior. 

O esforço individual é condição necessária para este progresso. O Aprendiz não deve contentar-se em receber passivamente as ideias, conceitos e teorias vindas do exterior, e simplesmente assimilá-las, mas trabalhar com estes materiais, e assim aprender a pensar por si mesmo, pois o que caracteriza a nossa Instituição é a mais perfeita compreensão e realização harmônica de dois princípios de Liberdade e Autoridade, que se encontram amiúde em tão franca oposição no mundo profano. Cada um deve aprender a progredir por meio de sua própria experiência e por seus próprios esforços, ainda que aproveitando segundo seu discernimento e experiência daqueles que procederam nesse mesmo caminho. 

A Autoridade dos Mestres é, simplesmente, Guia, Luz e Apoio para o Aprendiz, enquanto não aprender a caminhar por si mesmo, mas seu progresso será sempre proporcional a seus próprios esforços. Assim é que esta Autoridade – a única que é reconhecida pela Maçonaria – nunca será o resultado de uma imposição ou coação, mas o implícito reconhecimento interior de uma superioridade espiritual, ou melhor, dizendo, de um maior avanço na mesma senda que todos indistintamente percorremos. Aquela Autoridade natural que somente conseguimos conhecendo a Verdade e praticando a Virtude. 

O Aprendiz que realizar esta sublime Finalidade da Ordem reconhecerá que em suas possibilidades há muito mais do que fora previsto quando, inicialmente, pediu sua filiação e foi recebido como irmão. 

O impulso que o moveu desde então, foi sem dúvida, radicalmente mais profundo que as razões conscientes determinantes. Naquele momento, atuava nele uma Vontade mais elevada que a da sua personalidade comum, sua própria vontade individual, que é a Vontade do Divino em nós. Seja ele, pois, consciente desta Razão Oculta e profunda que motivou sua afiliação a uma Ordem Augusta e Sagrada por suas origens, por sua natureza e por suas finalidades. 

A todos nós, Aprendizes, Companheiros e Mestres, é dado o privilégio e a oportunidade de cooperar para o renascimento iniciático da Maçonaria, para o qual estão maduros os tempos e os homens. Façamo-lo com aquele entusiasmo e fervor que, tendo superado as provas simbólicas, não se deixa vencer pelas correntes contrárias do mundo profano, nem arrastar pelo ímpeto das paixões, nem desanimar pela frieza exterior, e que chegando a tal estado de firmeza, amadurecerá e dará ótimos frutos. 

Mas, antes de tudo, aprendamos. Aprendamos o que é a Ordem em sua essência, quais foram suas verdadeiras origens; o significado da Iniciação Simbólica pela qual fomos recebidos; a Filosofia Iniciática da qual provêm os elementos, o estudo dos primeiros Princípios e dos símbolos que os representam; a tríplice natureza e valor do Templo alegórico de nossos trabalhos e a sua qualidade; a palavra dada para uso e que constitui o Ministério Supremo e Central. Receberemos assim o salário merecido como resultado de nossos esforços e tornar-nos-emos obreiros aptos e perfeitamente capacitados para o trabalho que de nós será exigido.

Um T∴F∴A∴ a todos.

Autor: Marcello Senise 

Fonte: JBNews – Informativo nº 0096

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Episódio 23 – A caverna, o candidato e o Aprendiz

O candidato, que deseja conhecer os Augustos Mistérios da Maçonaria, também se encontra em uma caverna. Acorrentado, desconhece a verdade sobre o globo terrestre, sobre seu corpo e sobre o SEU EU. Preso ao mundo profano, as imagens que lhe chegam por sombras na parede da vida lhe enganam, e os sons distorcidos que vão até seus ouvidos ajudam na criação do engodo promovido pelo Establishment, privando-o do conhecimento do EU Verdadeiro.

Episódio 22 – Sessão maçônica motivadora

O objetivo do Maçom em Loja é participar de Sessão Maçônica motivadora para realimentar sua alma na vivência do dia a dia. Sessões com assuntos administrativos reduzidos ao mínimo para sobrar mais tempo para degustar bons pensamentos em animadas atividades que visam o crescimento e a autoeducação. O tempo de instrução e estudos é a alma da Sessão Maçônica!

Episódio 17 – O objetivo do estudo na Maçonaria

Episódio 16 – A lei iniciática do silêncio

Episódio 15 – Pedra Bruta e Pedra Cúbica

A Câmara de Reflexões

Nicolas Poussin: Sacramento do Batismo, 1642.

I – Uma inspiração

Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus”.

Nicodemos perguntou-lhe: “Como pode um homem renascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez?”.

Jesus responde: “O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito.”

Sagradas Escrituras – Evangelho de São João, Capítulo 3, Versículos 3, 4 e 6.

Pieter Claez: Vanitas, 1625

II – Uma reflexão

A pintura propõe uma reflexão sobre a insignificância da vida terrena, a certeza da morte, a efemeridade das vaidades e a transitoriedade das coisas materiais. Uma tela típica da estética barroca, simbólica, do gênero natureza morta do século XVI. Este gênero é um tipo de arte simbólica chamada de “Vanitas” (vaidades em Latim), feita para impressionar o espectador, incluem símbolos como caveiras, que são lembretes da inevitabilidade da morte; ampulhetas, que são simbolizam a brevidade da vida; e assim por diante, presente na expressão latina “memento mori” que, se traduzido literalmente, significa “lembre-se da morte”.

III – Uma alegoria

Na Alegoria da Caverna, Platão descreve que alguns homens, desde a infância, se encontram aprisionados em uma caverna. Nesse lugar, não conseguem se mover em virtude das correntes que os mantém imobilizados. Virados de costas para a entrada da caverna, veem apenas o seu fundo. Atrás deles há uma parede pequena, onde uma fogueira permanece acesa. Por ali passam homens transportando coisas, mas como a parede oculta o corpo dos homens, apenas as coisas que transportam são projetadas em sombras e vistas pelos prisioneiros. Certo dia, um desses homens que estava acorrentado consegue escapar e é surpreendido com uma nova realidade. Ao olhar a luz da fogueira seus olhos ficam ofuscados, pois ele nunca tinha visto a luminosidade. Ele caminha mais e com dificuldade chega à saída da caverna, deparando-se com uma luz ainda mais intensa: a luz do sol. Assim, a luz representa a sabedoria que liberta dos grilhões da ignorância.

IV – Uma alquimia

Os alquimistas acreditavam que o mundo material era composto por matéria-prima sob várias formas. As primeiras dessas formas eram os quatro elementos (água, fogo, terra e ar). Através da destilação, combustão, aquecimento e evaporação seria possível transformar uma forma ou matéria em outra. As matérias-primas do processo alquímico são, entre outras, o sal, o mercúrio e o enxofre. A Alquimia, deve ser interpretado como uma metamorfose, uma passagem de um plano de realidade para outro e a modificação do sujeito em sua própria natureza. Em outras palavras, à medida que o alquimista se transforma interiormente, ele aumenta sua capacidade de modificar o mundo que o cerca.

V – Uma boa nova

Na tradição cristã é o galo quem anuncia a boa nova, tanto do nascimento de Jesus, cantando à meia-noite, quer saudando, ao nascer da aurora, a Ressurreição de Cristo para a vida eterna. De fato, na simbologia cristã, o Galo simboliza a nova luz. A Missa do Galo, também conhecida por Missa da Meia-Noite, é a missa da luz.

O Galo também simboliza o estado de vigília e vigilância, sobretudo na luta pelo bem e contra a traição e os desvios dos princípios da ética. É o galo que irá anunciar, com o seu canto, a traição de Pedro a Jesus, negando, por três vezes, conhecê-lo:

“Em verdade te digo: Hoje, nesta mesma noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes me terás negado (Marcos 14:30)”.

O galo anuncia que as trevas da noite dão lugar à luz do novo dia, na tradição Cristã, como o Sol, Jesus, com seu nascimento, traz a luz verdadeira para a humanidade.

Autores: Fabiano Fontana Breda; Robson Posnik; Cleverson Veríssimo Zawadski

Orientador: Marco Aurélio Visintin

A.·. R.·. L.·. S.·. Joaquim Gonçalves Ledo No. 3079 – Curitiba/PR.

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Referências

http://pedro-juk.blogspot.com/2018/07/camara-de-reflexao-ii.html

http://cidademaconica.blogspot.com/2007/07/reflexes-sobre-cmara-de-reflexes.html

https://focoartereal.blogspot.com/2016/04/camara-de-reflexoes.html

https://www.freemason.pt/secmaconaria/simbolismo/a-camara-de-reflexao/amp/

https://bibliot3ca.com/os-simbolos-sal-enxofre-e-mercurio-da-camara-de-reflexoes-e-a-sua-genese-e-interpretacao-no-reaa/https://www.freemason.pt/macons/o-macon/o-meu-testamento-maconico/

Que caminhos a Maçonaria pode tomar?

Qual caminho a seguir?! - Jotônio Vianna

Estamos no limiar de 2020, um ano atípico, mas que vai ficando, a cada dia, normal, ou seja, típico, ao contrário do que se poderia imaginar há um ano apenas.

Nesse período nos refugiamos nas “lives” que se tornaram uma tremenda escola de Maçonaria para alguns que nunca tinham recebido uma carga de informações e conhecimentos tão grande em tão pouco tempo. Anos de Loja sem aprender absolutamente nada, porque não tinha quem desse uma boa palestra e tivesse algo de bom para ensinar. Por outro lado, muitos já estão saturados de tanta “live” por aí. Por preguiça mesmo, ou excesso de oportunidades.

É fato que elas ajudam muito, mas precisamos observar bem os temas e palestrantes para ver se são adequadas, principalmente a Aprendizes e Companheiros, Essa é uma tarefa dos Vigilantes e do Venerável, verificar se será um tema útil aos mais novos de Loja, por exemplo, podendo mais confundir do que explicar. Quando Mestre, ok, tem o direito e dever de conhecer de tudo, mas aí, estará mais expert para decidir.

Na verdade, esses palestrantes, mestres preparados geralmente, estavam lá o tempo todo, nas colunas das Lojas, mas ninguém sabia extrair o seu conhecimento para o bem comum porque as Lojas teimam em fazer só o ritual, algum ameaço de prece, alguns discursos vazios e correm para o ágape (copo d’água tradicional em algumas regiões).

Assim matam duas coelhas com uma cajadada, substituem a missa da semana porque já viram a Bíblia no meio do templo e recebem o alvará da cunhada para tomar aquela geladinha com os “manos”. E esses são os que ficam, porque muitos saem depois de algum tempo de muito, praticamente nada. Há muitos bons irmãos nas Lojas calados, por força de uma rotina insensata de não se fazer nada além de cumprir o ritual e perde-se qualidade a cada dia de silêncio no Período de Estudos.

Temos alertado sobre essa dinâmica vazia, a falta de uma boa pauta das Lojas nos últimos anos, agora até se explica, em parte, por causa da pandemia, mas o problema é antigo. Volta-se a insistir nesse tema, sobre a Maçonaria do Século XXI, que temos abordado em algumas palestras dadas também, porque, necessariamente, as Lojas maçônicas de todo o mundo, creio, mais precisamente no Brasil, precisam encontrar seu rumo, um Norte, ou um Oriente, se preferirem, e tomar esse caminho de imediato, ou, estaremos empurrando a Instituição para o buraco da decadência, de uma vez. Fim de linha em pouco tempo.

Porque não adianta ter um nome de “Maçonaria” e ser apenas uma sociedade de velhos chatos ou dorminhocos que não fazem ela cumprir sua missão, que é de reformar os homens, dando-lhes, à luz da Razão, o simbolismo das virtudes e do combate incessante aos vícios morais, depois disso, como exemplares cidadãos, participarmos ativamente das questões sociais que a circulam, com seus membros atuando positivamente, dando exemplos daquelas virtudes, através de ações beneficentes, sociais, políticas, em sentido amplo, enfim, tudo aquilo que será herdado pelos nossos familiares e pela nossa comunidade.

Difícil enxergar isso como a missão precípua da Maçonaria? Não há que se falar em entidade filantrópica como se fosse uma fabrica de esmolas, porque nesse sentido, perdemos feio de qualquer igreja. Não há que se falar, embora seja primordial, em sociedade filosófica, porque ninguém quase estuda filosofia ou outras ciências sociais.

Mas deveríamos, e muito. Porque é com a filosofia e outras ciências sociais que aprendemos a conhecer e lidar com o ser humano que nos circunda, como vivermos, que linha de pensamento termos, nossas ansiedades e necessidades. Se somos construtores da sociedade, temos que conhecer a nossa matéria prima, o ser humano.

Como tomar novos rumos e atingir esses objetivos? Claro que cada Loja deve encontrar seu caminho, mas algumas sugestões, podem ser lançadas na mesa. De que adianta criticar, sem apresentar soluções ou propostas de soluções?

A ideia é formar, em cada Loja, um centro de união de pessoas bem intencionadas, que queiram, primeiramente, estudar o simbolismo maçônico, sem se preocupar tanto com a ritualística, porque essa se aprende rapidamente, basta ler e cumprir fielmente seu ritual, e como somos inteligentes, não precisamos mais que três sessões para decorar os movimentos.

Outra coisa, não se preocupar tanto com a crença religiosa do candidato, isso é besteira, qualquer um pode mentir sobre crenças e ninguém pode contestar, mas se preocupar muito com a “folha corrida” do candidato. Moral é fundamental e precisamos saber com quem estamos lidando. Um sujeito com moral elevada, será sempre um bom irmão.

Outras condições são fundamentais para o sucesso do maçom, como a situação intelectual, porque o maçom não pode ser ignorante, tem que ter um excelente nível de compreensão do simbolismo, tem que ler e entender o texto de rituais e livros. A condição econômica também é importante, ou seja, para se manter na ordem sem dar prejuízos a ninguém e ainda poder contribuir em eventuais auxílios a irmãos e profanos.

As Lojas precisam se transformar também em salas de aula, literalmente, usando sua Ordem do Dia de forma inteligente e útil, com 80% dela para palestras e debates, além da apresentação de trabalhos dos irmãos da Loja. Com esses debates que se aprende muito e troca-se conhecimento. O Período de Estudos não pode se resumir a 15 minutos, mas deve ter, pelo menos, uma hora. É o mínimo. Em todas as sessões um Mestre deve propor um tema, apresentar uma peça e dela gerar perguntas e respostas, ou um debate organizado, onde opiniões e experiências devam ser expostos.

Assim, a sessão começa a ficar mais interessante, embora muitos irão reclamar do tempo. Mas esses são os que, geralmente, nada produzem e ainda querem atrapalhar os outros, querem comer, beber ou ir para casa mais cedo. São pesos mortos na Loja. Devem ser marcados e afastados se não querem participar do empreendimento.

Por outro lado, cada Loja deve assumir um trabalho social organizado, se possível com participação de cunhadas e sobrinhos, não só para eles fazerem e a Loja patrocinar, mas sim, todos se envolverem, como um orfanato, asilo, escola profissional ou de artes (música, dança, etc.). Com esse trabalho social e a utilidade da sessão trazendo mais conhecimento, haverá um expurgo dos preguiçosos em pouco tempo, mas outros que clamam por atividades, se aproximarão, acordarão do marasmo em que vivem e serão obreiros proativos. É certo que essa Loja, mantendo esse caminho, vai fazer sucesso porque seus irmãos estarão congregados em objetivos comuns, não se sentirão inúteis, ao contrário, como participes de uma sociedade em constante evolução.

É preciso que passemos por transformações internas, todos nós, abrindo mão de opiniões e posições inflexíveis, mudarmos em sentido positivo, avançarmos nas nossas ideais, sermos evolucionistas, de fato. Acabar com preconceitos de toda a espécie, sem deixarmos de ser nós mesmos, sem abrir mão de nossa personalidade, mas tudo pode ser debatido e acordado sem radicalismo, aproximando cada vez mais as ideias de uns e outros.

Tolerância é o remédio, no sentido de aceitar a possibilidade do próximo poder pensar diferente, das pessoas terem conhecimento relativo de algum tema e podermos nos abastecer desse conhecimento uns com os outros até chegarmos a um ponto comum. Impossível isso? Impossível uma convivência pacífica havendo discordância de pontos de vista dentro de uma ordem calcada no amor fraternal, tendo como divisa Liberdade, Igualdade e Fraternidade?

Não pode ser, como tem sido, um antro de discórdias e radicalismos, brigas políticas, tal qual o mundo profano a quem pretendemos dar exemplo. Temos que receber a todos, homens de qualquer espécie, gênero ou raça, cor, crença, etc., até que se abram as portas para as mulheres, e esse dia vai chegar, sabemos, com aval de ingleses inclusive. Basta que seja um ser de boa vontade e se preocupe com a evolução e progresso humano. Queremos pessoas boas, de princípios e objetivos.

Nós não precisamos de rótulos e marcas, de estereótipos, precisamos de inteligências para podermos fazer algo de grande pela humanidade. Pouco importa quem seja a pessoa que esteja na coluna, o que importa é que ela some pensamentos e esforços físicos para essa construção social da qual tanto falamos.

Hoje somos pedreiros com uma imensa obra em atraso e prazo se esgotando para entregarmos. Não podemos abrir mão dos bons artífices, temos que dispensar os maus obreiros e contratar novos com bom históricos e formá-los grandes profissionais. Assim a obra chegará ao seu final com a beleza esperada e no prazo determinado.

Mãos à obra!

Autor: Marco Piva

Fonte: Revista BIBLIOT3CA

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As pedras e as almas

Pico das Almas - Rio de Contas - Bahia - Brasil | Trilhando Montanhas

A comparação da pedra com a alma humana nos parece inevitável e, imaginamos, essa analogia já deve ter sido usada por inúmeros livres-pensadores ao longo da história. Timidamente, ousamos usufruir de sua energia e nos somamos a todos eles. Ainda sob o impacto dos primeiros raios de luz da irmandade, somos levados ao sabor dos pensamentos.

“O rei ordenou que extraíssem grandes e belas pedras, que deviam ser talhadas para os alicerces do templo.” I Reis 5,17

Não seriam, por acaso, as grandes e belas pedras que Salomão manda extrair da pedreira, a própria grandeza e beleza da alma humana no seu estado mais bruto, quando, pela primeira vez, lhe é dado tomar contato com o mundo? O que é a alma de uma criança senão uma pedra intocada a esperar lavradura? Quantas serão as marcas nela esculpidas durante a vida? Será que, ao seu final, lembrará, ainda que vagamente, sua forma original?

E o que seria o cinzel? Não seria, talvez, os sentidos, através dos quais o homem adquire os conhecimentos que lhe são entregues ao longo da vida?

Não se pode moldar a pedra sem o concurso do cinzel, da mesma forma que é impossível moldar a alma sem chegar a ela através dos sentidos. Um homem que não dispusesse dos sentidos teria sua alma intocada do nascimento à morte. Nada o faria aprender o que quer que fosse. Não teria sequer o conhecimento da própria existência. É através do cinzel que a pedra recebe – e percebe – a intensidade do golpe do maço, este último, quem sabe, o mundo que nos cerca, ou em outras palavras, a criação do Grande Arquiteto e o conhecimento a ela inerente.

Não há como dar forma à pedra sem, de alguma maneira, ser parte de Deus e, como tal, atuar sobre Sua criação. Quem é que, no papel de pai, já não foi responsável por um ensinamento do qual a criança jamais se esquecerá, seja por palavra, gesto ou atitude?

Às vezes, o aprendizado do ensinamento dependerá da intensidade com que é transmitido – como a força pode ser necessária para deixar na pedra uma marca profunda. Em outras ocasiões, em função da delicadeza do desenho que se pretende imprimir na pedra, o aprendizado decorrerá da paciência, constância e habilidade do artesão. Cabe, nesse particular, um breve comentário: a marca profunda sempre poderá resultar de golpes sutis e constantes. Mas raramente se verificará o contrário: golpes muito intensos e sem a necessária habilidade correm o risco de deformar a obra.

Mesmo o mais experiente escultor poderá experimentar o fracasso, vez por outra, por não respeitar os veios da pedra, por não perceber se o cinzel esta bem amolado ou por aplicar ao maço mais força do que a necessária. Cabe, portanto, ao pai, esmerar-se no uso do martelo e do cinzel e no conhecimento da pedra, cuidando para que o aprendizado do filho seja calmo e sereno e para que em sua alma não fiquem marcas desnecessárias. Lembremo-nos de que os seres de alma luminosa e de caráter reto serão sempre, a qualquer tempo, o sustentáculo da humanidade.

“O Senhor disse a Moisés: ‘Talha duas tábuas de pedra semelhantes às primeiras: escreverei nelas as palavras que se encontravam nas primeiras tábuas que quebraste.’” Êxodo 34,1

Mais que qualquer outra coisa, é a palavra escrita ou falada – apreendida através dos sentidos da visão, audição e, eventualmente, do tato – que leva o homem adulto a tomar consciência da própria razão. Dotado dessa capacidade, torna-se vetor do Grande Arquiteto, tirando de Sua sabedoria os ensinamentos para lapidar a própria alma, através da reflexão. E, com isso, pode contribuir para aprimoramento dos seus semelhantes, tal como é feito nos templos da Ordem. Era através da palavra que o Deus de Moisés se comunicava com o povo de Israel. E foi a palavra o meio escolhido por Ele para diferenciar o homem dos demais animais.

“Não se assemelha ao fogo minha palavra – oráculo do senhor – qual martelo que fende a rocha?” Jeremias 23,29

A palavra marca a alma como o maço e o cinzel a pedra. Mas tem um poder infinitamente maior. Não há na história da humanidade qualquer guerra deflagrada pelo estalido do maço e do cinzel cravando a pedra. Nem há notícias de amores nascidos pelo uso dessas ferramentas. Mas foi usando a palavra que o Deus de Israel criou o mundo. E, quando quis deixar aos homens uma mensagem para ser sempre lembrada, usou-a novamente e a gravou sobre a pedra. E fez dessa palavra a régua, pelo uso da qual todas as pedras serão medidas.

Aos aprendizes que trabalharam na construção do templo de Salomão era requerido aprimorarem-se no uso do maço e do cinzel e no conhecimento das pedras brutas. Assim, dominando a arte da preparação das pedras, poderiam estabelecer a base sobre a qual se erigiria o templo. Analogamente, não só aos iniciantes na Arte, mas a todos os maçons,é essencial a dedicação e a perseverança para que, pouco a pouco, cresçam em sua proficiência no trato das almas humanas, embora a estas, como às pedras, seja impossível conhecê-las todas. Mas é preciso estar preparado para perceber suas nuances, analisar suas formas, identificar seus veios e respeitar suas particularidades. Cada pedra é única em todo o universo e é como tal que deve ser tratada.

“Na construção do templo só se empregaram pedras lavradas na pedreira, de sorte que não se ouvia durante os trabalhos da construção barulho algum de martelo, de cinzel ou de qualquer outro instrumento de ferro.” I Reis 6,7

Assim como no templo de Salomão, quer me parecer que o Templo Maçônico é um lugar de instrução onde não deve ser ouvido o barulho do maço e do cinzel batendo sobre a pedra. A prática dos ensinamentos adquiridos deve ser realizada na “pedreira”, ou seja, no mundo profano, buscando-se trazer para o Templo o fruto do trabalho já realizado e a experiência dele decorrente. É fora do Templo que os ensinamentos passados aos aprendizes serão postos em prática. É lá, além dos muros, que se porá realmente à prova o que foi aprendido. E é lá, também, que cada pedra será medida e, uma vez aprovada, considerada apta para fazer parte dos alicerces do Templo do Grande Arquiteto do Universo.

Estejamos atentos, pois, ao ruído que vem da pedreira. É de lá que vêm as pedras sobre as quais se erguerá o Templo. Não permitamos que artesãos despreparados façam dele apenas um amontoado de pedras disformes e inaptas a fazer parte da Grande Obra. Perante o Grande Arquiteto somos responsáveis por aquilo que sabemos. Portanto, nós, os pedreiros espalhados pelo mundo, temos, queiramos ou não, a Incumbência Divina de mostrar à humanidade como se tratam as pedras que a erigirão.

“…’Ouve, ó Israel, as leis e os preceitos que hoje proclamo aos teus ouvidos: aprende-os e pratica-os cuidadosamente.’” Deuteronômio 5,1

Autor: Sérgio Koury Jerez

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