REAA: avental vermelho ou azul?

A cor distintiva do REAA sempre foi vermelha encarnada, cujas origens primitivas são devidas aos Stuarts, reis católicos da Inglaterra. 

Em 1649 após a revolução puritana de Cromwell e a seguinte decapitação do Rei Carlos I em janeiro daquele ano, o reinado deposto da Inglaterra receberia exílio na França. Sob a capa de algumas Lojas maçônicas em solo francês (Guardas Irlandesas) seria urdida a retomada do trono perdido na Inglaterra. 

Essa influência “jacobita” (católicos) e a sua simbólica cor vermelha (do cardeal) viria influenciar a organização desse movimento maçônico “stuartista” alcunhado em território francês como “escocês”, devida a sua origem católica. Assim, sob a influência religiosa dos Stuarts, o matiz “encarnado” se consolidou paulatinamente no Rito Escocês.

Entretanto, nesse sentido ainda existe outro aspecto que é merecedor de consideração. 

No ano de 1801 nos Estados Unidos da América do Norte, já estando o Rito organizado e titulado como Escocês Antigo e Aceito com a fundação do seu Primeiro Supremo Conselho (Mãe do Mundo) em Charleston na Carolina do Sul, apareceria no ano de 1804, em Paris, sob a égide do Segundo Supremo Conselho e sob a tutela do Grande Oriente da França, o primeiro ritual simbólico para o REAA. Até então o Rito Escocês Antigo e Aceito não possuía graus simbólicos (ia apenas do 4º ao 33º). A lacuna dos três primeiros graus simbólicos era preenchida utilizando-se das Lojas Azuis norte-americanas.

Com o aparecimento em 1804 do primeiro ritual em território francês, ainda no primeiro quartel do século XIX, também apareceriam as hoje extintas Lojas Capitulares, predominantemente “vermelhas”, cujas quais ficariam sob a tutela do Grande Oriente da França. Em síntese, essas Lojas acomodavam os graus simbólicos e os demais até o 18º, enquanto que do 19º em diante ficavam sob a égide do Segundo Supremo Conselho (da França).

Embora o formato de Lojas Capitulares não vingasse por muito tempo, pois logo as coisas retomariam os seus devidos lugares, ficando o simbolismo com o Grande Oriente e os demais com o Supremo Conselho, mesmo com a extinção dessas Lojas, muitos resquícios do Capítulo permaneceriam arraigados no simbolismo do Rito Escocês, como é o caso, dentre outros não menos importantes, do da cor capitular que é predominantemente vermelha, cuja qual se somaria ao original encarnado cardeal jacobita.

Assim, primariamente sob a influência stuartista jacobita (católica) e, por extensão, mais tarde pela influência das Lojas Capitulares (de alcance religioso cristão católico e templário) o Rito Escocês Antigo e Aceito consolidaria a cor encarnada (vermelha) como matiz identificador do seu simbolismo, o que seria sacramentado em 1875 na Suíça por ocasião do Conselho de Lausanne que reunia oficialmente os Supremos Conselhos do Rito para instituir uniformidade e outras medidas necessárias.

Em se tratando da cor azul, que na contramão da história assola o Rito Escocês em boa parte da Maçonaria brasileira, embora muitos não aceitem esse argumento verdadeiro, a principal razão para tal vem de acontecimentos ocorridos na cisão de 1927 no GOB e capitaneados pelo Irmão Mário Marinho Behring, fundador das Grandes Lojas Estaduais Brasileiras.

Naquela oportunidade Behring, buscando reconhecimento para a Obediência que acabava de florescer, se aproximou das Grandes Lojas Estaduais dos Estados Unidos da América do Norte. 

Não obstante a procura de reconhecimento; é sabido que as Grandes Lojas norte-americanas praticam o seu simbolismo pelo sistema dos “Antigos” da Segunda Grande Loja de 1751 inglesa, cujo qual foi organizado em solo norte-americano por Thomas Smith Webb ainda no século XVIII. 

As Lojas Azuis, ou o Craft Americano, ficaram conhecidos aqui no Brasil como Rito Americano, ou Rito de York (alusão aos antigos), embora no GOB se pratique o Ritual inglês, também conhecido como York ou os Trabalhos de Emulação.

Cabe lembrar que essas Lojas Azuis (americanas) são as mesmas que deram origem ao primeiro ritual do escocesismo simbólico em 1804 quando, naquela oportunidade, maçons franceses de regresso à França, influenciariam a sua construção pelo no modo “Antigo” (1751), já que a França da época desconhecia esse sistema, pois naquele período a prática maçônica francesa estava intimamente ligada aos “Modernos” ingleses da Primeira Grande Loja de 1717. O termo “Antigo” que compõe o título do Rito Escocês se deve a influência antiga anglo-saxônica.

Por outro lado, é amplamente conhecido que os aventais de Mestre do Craft norte-americano, ou Lojas Azuis, coincidentemente também são de gradação azul e foi assim que Behring, em busca de reconhecimento no Craft norte-americano para as suas Grandes Lojas Estaduais Brasileiras, trouxe para Rito Escocês Antigo e Aceito no Brasil, provavelmente para promover um agrado, a cor azul em substituição à original cor vermelha do avental do Mestre no escocesismo.

Na verdade não foi só o avental do Mestre que sofreu essa equivocada mudança no escocesismo, mas também foram azuladas as paredes dos templos e outros adereços de decoração, tudo na contramão daquilo que se encontra oficializado desde 1.875 no Conselho de Lausanne, onde o avental do Mestre, as paredes, toalhas, estofos e decoração do Templo são inquestionavelmente “vermelhos”.

Infelizmente o Grande Oriente do Brasil viria também mais tarde a “azular” os aventais e templos escoceses – isso nos anos aproximados de 1.965, principalmente por influência de Irmãos oriundos das Grandes Lojas Estaduais que ingressaram no GOB.

Na verdade aventais azuis cabem tradicionalmente ao Rito Moderno ou Francês, ao Adonhiramita, ao York (inglês ou americano) e ao Schröder, dentre os ritos mais conhecidos, diferenciando-se por razões históricas apenas o REAA que originalmente, repito, possui a cor vermelha.

Atualmente, em se tratando das três Obediências brasileiras, apenas a COMAB tem se mantido na verdadeira e tradicional cor encarnada no simbolismo do REAA.

Em síntese essa e a razão da ambiguidade que envolve o vermelho e o azul no Rito em questão aqui no Brasil, sobretudo por determinadas “carcaças de dinossauro” que ainda são ferrenhamente defendidas por determinados articulistas que se arvoram em difundir velhos rituais anacrônicos editados no Brasil. 

A realidade, entretanto é que a cor predominante no Rito Escocês Antigo e Aceito é a encarnada, embora ainda vivamos – como já mencionado – na contramão da história atendendo rituais “azulados”, mas que estão em vigência, o que nos dá a obrigação de cumpri-los irrestritamente, mesmo que contraditórios.

Lembro àqueles Irmãos que estão, ou já estiveram colados no Grau 18 do REAA, que atentem para a cor predominante no Sublime Capítulo R+ e, ao mesmo tempo, façam a sua correlação com as extintas Lojas Capitulares dos tempos de antanho onde o Athersata era o mesmo Venerável da Loja Simbólica. 

Do mesmo modo sugiro sejam perscrutadas as origens do escocesismo a partir da revolução puritana de Cromwell em 1649 na Inglaterra. 

Por fim sugiro consultas sobre esse assunto em obras e escritos de autores como José Castellani, Xico Trolha, Hercule Spoladore, Theobaldo Varolli Filho, Frederico Guilherme da Costa, dentre outros autênticos e comprometidos com a verdade.

Autor: Pedro Juk

Fonte: Blog do Pedro Juk

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O Avental

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Após a cerimônia de iniciação, o Venerável Mestre entrega o Avental ao neófito. O agora Maçom, só poderá entrar no Templo de sua Loja, ou de qualquer outra, vestindo o Avental. Tal insígnia maçônica, nas palavras do Irmão Assis Carvalho, “é o principal Símbolo que compõe a Indumentária Maçônica.” O Avental, para o citado autor, possui uma característica especial que o diferencia de outras insígnias:

Está presente desde os remotos tempos Operativos. O famoso escritor francês Jules Boucher define o Avental como: “essencial adorno do Maçom”. Por mais celeuma que possa ocasionar essa palavra “adorno”, pois o sentido de adornar é enfeitar, decorar, e, obviamente, não é esse o principal sentido simbólico dessa indumentária, tomaremos essa definição como ponto de partida para um estudo mais aprofundado do Avental e sua função para os Maçons, tendo em vista as opiniões conflitantes muito comuns, em se tratando deste objeto de estudo. Para compreendermos melhor sua função e o porquê de suas diferentes formas, utilizaremo-nos de uma análise histórica do Avental. Contudo, ressalte-se,concentraremos nossos esforços em uma análise histórica e funcional, tendo em vista o Grau de Aprendiz, já que sabidamente, muitos dos símbolos que são ostentados em Aventais de Graus mais elevados ainda fogem e devem mesmo fugir de nossa compreensão de Aprendiz.

Antes propriamente dessa linha evolutiva, gostaríamos de estabelecer uma conexão com as palavras do Irmão francês apresentadas anteriormente. Para tanto, lembremo-nos de uma passagem inicial muito significativa e ainda muito viva nas mentes dos Aprendizes: ao entregar o avental, o Venerável Mestre diz ao neófito: “- Ele (o Avental) vos lembrará que um Maçom deve ter sempre uma vida ativa e laboriosa.” Além dessa forte simbologia relacionada com o trabalho, quase unânime entre os grandes Mestres e escritores Maçons, o Avental é objeto de várias interpretações, tendo em vista especialmente sua configuração e apresentação. O Avental do Aprendiz, com a abeta levantada formando um triângulo sobre um retângulo, significa para alguns o quaternário sendo sobreposto pelo ternário. Outros ainda interpretam o triângulo sobreposto como a alma flutuando sobre o corpo. No 1º Grau (Aprendiz), a alma estaria acima do corpo, ainda desligada, e a partir do 2º Grau (Companheiro Maçom), a alma já estaria dentro do corpo, fazendo desse seu instrumento e domínio.

Justamente para entendermos um pouco melhor a função e o simbolismo que o Avental carrega em si e ao cobrir o corpo físico do maçom, importa fazer uma análise histórica do Avental.

Para alguns escritores, a origem do Avental está ligada a tempos muito remotos, como o Paraíso Terrestre. Alguns irmãos vêem Adão como o inventor do Avental, representado na folha de parreira, a qual cobria seus órgãos genitais.

Quanto a esta origem, as objeções são muito grandes, tendo em vista que a base cientifica ou mesmo filosófica para tal tipo de análise se mostrar praticamente inexistente. Se é verdade que a Maçonaria não se pretende ser apenas um sociedade cientifica e filosófica, é fato que toma como base dados científicos para justificar muita de suas concepções. Ao fazer uma análise de tal porte, deveria-se esperar uma explanação um pouco mais exaustiva, tendo em vista a originalidade da ideia. Contudo, pelas bases às quais tivemos acesso, tal assertiva se mostra não muito consistente. O Irmão Assis Carvalho, inclusive, demonstra uma certa ironia ao comentar tal fato, classificando como “uma fantasia, um afã criativo” enfim, conotando que a origem do Avental não está, em hipótese alguma, ligada à figura religiosa de Adão.

Outros também vêem uma origem mais que milenar para o surgimento do Avental, tendo como base os Mistérios Egípcios, Persas, Indus, entre outros. Nesse ponto, descreveremos uma das possíveis formas de tal Avental egípcio: era triangular, com a cúspide para cima e com vários adornos diversos dos hoje existentes. Alem disso, a faixa ao redor do corpo que o sustentava não tinha apenas este propósito, mas estava intensamente magnetizada com o corpo. Há também, acerca deste possível Avental, descrições mais pormenorizadas sobre o Avental dos Mestres, o que, como já se afirmou, não se mostra pertinente coma proposta deste trabalho. Contudo, vale ressaltar que se faziam presentes as rosetas e uma cor azul pálida, simbolizando a inocência branca sendo substituída pelo conhecimento, o céu azul.

Mais uma vez, as objeções a esta possível origem da insígnia sob análise neste singelo trabalho são muitas. Um dos mais respeitados autores Maçons, o Irmão José Castellani, é absolutamente claro em classificar tal proposição como fantasia. Um dos pontos mais significativos de sua critica se refere ao cingidor, sobre o qual o Irmão afirma: “Quanto ao simbolismo do cingidor, ou seja, dos cordéis que prendem o Avental à cintura, não há comentários a fazer, pois se trata de elucubração de ocultistas…”. Tais objetos egípcios são vistos, por este mesmo autor, como uma proteção para as vestimentas da antiga aristocracia, ou no máximo, um protetor genital.

Uma outra corrente associa o surgimento do Avental às guildas e corporações medievais. Tais associações, que deram origem à Maçonaria Operária, tinham por hábito distribuir entre seus membros, aventais para o exercício do ofício ao qual estavam ligados. Esses aventais, portanto, apresentavam entre si leves diferenças com base nos diferentes trabalhos e conhecimento a cerca do ofício em questão, tais como sapateiro, ferreiro açougueiro, entre outros. O Avental dos antigos operários da Maçonaria Operativa estava ligado à ideia de trabalho, era um instrumento do próprio.

O Avental era feito predominantemente de couro de carneiro, um couro espesso, com vistas a proteger os obreiros de labutas muitas vezes perigosas para o corpo humano. Enfim, o Avental era uma proteção para o corpo dos maçons primitivos, cobrindo, em linhas gerais, desde o pescoço até o abdômen, sendo que o do Aprendiz cobria uma parte maior do corpo do que o avental do Companheiro e do Mestre pois, como o Aprendiz não possuía ainda a habilidade necessária com as ferramentas, além de iniciar o trabalho na Pedra Bruta, estava sujeito afazer um uso maior do avental do que os Mestres. Uso maior não em tempo, e sim, stricto sensu, de aproveitar o avental conforme sua destinação de proteger o corpo e a roupa de quem o usa. Com a transição da Maçonaria Primitiva para a Maçonaria Especulativa, processo histórico que, tal como qualquer outro, quiçá mais ainda, não ocorreu de forma instantânea, a figura e a função do Avental foram paulatinamente se alterando.

Ressaltamos mais uma vez que, por um considerável tempo, tanto a Especulativa quanto a Operativa conviveram, especialmente pelos relatos que se tem da Inglaterra no século XVIII.

Como exteriorização dessa relativa dicotomia entre Especulativa e Operativa, temos na Inglaterra a existência de duas grandes potências justamente nesse século de transição. Note-se que não se trata de uma correspondência absoluta entre ambas as dicotomias, embora ambas guardem uma não desprezível ligação. De um lado havia a Grande Loja dos Antigos, formada principalmente por Maçons mais tradicionais, mais “conservadores”, nas quais não ocorreram grandes mudanças em relação ao Avental, predominando, exceto pelo couro de ovelha que passou a ser o material mais utilizado, uma relativa padronização e simplicidade nos Aventais de todos os Graus, tendo em vista que os próprios eram adquiridos, em sua maioria, pelas próprias Lojas e concedidos aos Irmãos. Do outro, a Grande Loja dos Modernos, de natureza teoricamente mais democrática, mais aberta, as mudanças mais significativas ocorreram em relação ao Avental.

A concepção do simbolismo do Avental decorre justamente do entendimento que a Maçonaria Especulativa passou a conceder ao Avental. O Avental passou a ser visto como um emblema da dignidade, da honra, do trabalho material ou intelectual, trabalho esse que era desprezado. Naturalmente, numa sociedade marcada anteriormente pelos senhores da terra, apenas a propriedade era vista como algo dignificante. A Maçonaria Especulativa alçou o Avental como símbolo do trabalho, da labuta, ao qual o Maçom está ligado ao adentrar na Ordem, dignificando o próprio, o trabalho, perante os olhos da sociedade. Esse é o grande significado do Avental, enquanto instrumento fundamental do Maçom. Esta é a grande razão simbólica pela qual um Aprendiz Maçom não deve adentrar em uma Loja sem estar coberto por essa indumentária. Tal insígnia não nos deixa esquecermos que a labuta é uma constante na vida do Maçom, seja em Loja ou fora dela.

Contudo, ao mesmo tempo em que as Grandes Lojas antigas alçaram o Avental como símbolo, e, consequentemente, modificaram sua forma passando a utilizar tecidos mais leves tal como o cetim, o brim e o linho, a vaidade, algumas vezes exagerada de alguns Irmãos, provocaram uma verdadeira revolução no Avental. Verdadeiras obras de arte, pinturas, foram realizadas nos Aventais da Grande Loja dos Modernos.

Novos símbolos, tal como roseiras, fitas, bordados, foram introduzidos nos Aventais, especialmente dos Graus de Mestre. Enquanto na Grande Loja dos Antigos predominava a simplicidade destes instrumentos Maçônicos tão preciosos, principalmente no Grau de Aprendiz, sendo o branco predominante, até pelo material utilizado, o couro de ovelha, na Grande Loja dos Modernos houve uma radical transformação exteriorizada nas pinturas das abetas, na criação de laços, pinturas de novos símbolos, entre outros. Quanto maior o Grau, maiores as “sofisticações” encontradas.

Quanto a esta sofisticação dos Aventais, e esta nova função de certa forma “decorativa”, dois comentários se mostram muito pertinentes. O primeiro, tendo como base assertivas de Assis Carvalho, tendo como objeto André de Ramsay:

Buscando negar a origem Operativa da Maçonaria, e afirmar uma origem Nobre, como sucessores dos Templários, de Jacques De Moley, o Irmão Ramsay impulsionou a criação de Graus e nomes pomposos na Maçonaria e, consequentemente, os mais belos e ricos Aventais foram sendo também criados.

Além disso, cabe agora relembrarmos a definição introduzida no começo de nosso trabalho, atribuída a Jules Boucher: “o Avental constitui-se no essencial adorno do Maçom”.

Raimundo Rodrigues explica que a palavra adorno tem o sentido de enfeite, decoração. Conclui ele na imprecisão de sintaxe no uso de tal palavra, já que a função fundamental ou essencial do Avental seria simbolizar o trabalho ao qual os Maçons devem se entregar. Contudo, fazendo uma outra análise, podemos compreender a utilização de tal vocábulo, visto que, para muitos Irmãos, a utilização do Avental ficou muito ligada à ideia de enfeitar-se para quando da participação em Loja. Aliás, conforme relata Assis de Carvalho, eram comuns os Maçons da Grande Loja dos Modernos saírem das sessões e caminharem por Londres devidamente trajados, felizes na utilização de seus Aventais, enquanto os Maçons da Grande Loja dos Antigos, por estarem acostumados a utilizar o Avental quando em oficio, visto que muitos ainda eram Operários, utilizarem apenas os simples Aventais quando em Loja ou justamente no local de labuta.

Em 1813, com a unificação das duas grandes potências inglesas, houve também a edição de um normativo regulamentando e padronizando os Aventais, de forma a coibir os inúmeros abusos. Logicamente, alguns símbolos introduzidos ao longo do tempo foram consolidados, mas os exageros cessaram, e, até hoje, pelo que afirma Assis Carvalho, não houve grandes mudanças nos Aventais Ingleses, caracterizados pelo Rito York.

Vale ressaltar também o Congresso Mundial dos Supremos Conselhos em Lausane, datado de 1875. Nesse encontro, decidiu-se também por uma padronização dos Aventais utilizados pelos seguidores do Rito Escocês Antigo e Aceito. Nesse ponto, o autor Assis de Carvalho faz uma critica expressa aos seguidores de tal rito no Brasil, tendo em vista as seguidas mudanças do Avental aqui ocorridas nas últimas décadas, levando em conta que o REAA não assistiu a grandes mudanças em outros países.

Como último ponto a se destacar do Avental Maçônico, gostaríamos de nos focar na abeta. Muitos estudiosos Maçons procuram dar significados à sua posição em relação ao Avental. Outros, entretanto, apoiando-se na experiência histórica e mesmo em fotografias antigas, têm demonstrado que a Abeta não tem um sentido simbólico, pelo menos em sua origem. Antony Sayer, primeiro Grão Mestre da Loja da Inglaterra (1717), está caracterizado em fotos com uma Abeta levantada. Ressalte-se que ele era Mestre e que sua abeta estava levantada.

A utilização da abeta para baixo ou para cima está, segundo esses autores, mais ligada, originalmente, à praticidade do que a qualquer simbolismo. A abeta era utilizada pelos Irmãos Operativos para prender o Avental à camisa, tendo propositalmente um espaço próprio para este botão. Alguns irmãos baixavam a abeta como forma de esconder imprecisões, desgastes de alguns Aventais.

Alem disso, a forma triangular ou oval não apresentava também qualquer significado. Atualmente, se admite a diferença no posicionamento para se caracterizar o Grau, o que pode ser considerado muito válido. Contudo, originalmente, pela análise histórica da abeta, há autores que defendem a inexistência de um simbolismo próprio. Além disso, como já se afirmou anteriormente, as correias que prendiam as abetas ao corpo dos Maçons Operativos, tanto no pescoço como na cintura, nada tinham de especial. Eram apenas correias, sem nenhum magnetismo ou coisa do tipo.

Finalizando, o Avental simboliza, em uma primeira impressão, ainda no cerimonial de Iniciação, trabalho, labor, labuta. O que podemos aprender com significado de trabalho do Avental?

Que todo Maçom deve dedicar- se ao trabalho diariamente e, quando ele está em Loja, ou, mais propriamente ao tema, quando ele está na Oficina, o trabalho é simbolizado pelo uso do Avental.

Mesmo havendo posicionamentos diferentes com relação ao simbolismo do Avental ou ao seu uso prático, não há como deixar de mencionar-se a interpretação mais aceita e oportuna com relação a essa indumentária. Ao desbastar a Pedra Bruta com o maço e o cinzel, o avental protege o Aprendiz contra a poeira e os estilhaços provenientes de seu ofício. Cumpre o papel que sempre cumpriu, a saber, o de servir como uma peça extra de proteção no manuseio, por exemplo, da pedra e até mesmo como um meio de transporte de pedras (e outros materiais) de um lugar para outro. O Avental, dessa forma, está protegendo o Irmão das consequências do seu trabalho de aprimoramento constante e da eliminação de seus defeitos. Graças à proteção do Avental, a roupa do Irmão, como se fosse sua reputação, está a salvo da sujeira representada pela poeira e os resquícios dos defeitos inerentes a todos nós, seres humanos.

Cumpre, sobretudo, o Avental, o seu papel de um dos mais importantes símbolos da Maçonaria e de elo entre aqueles que o portam, como Irmãos Maçons, unidos, através dessa indumentária, pela fraternal amizade.

Texto extraído do Informativo “O Vigilante” da Loja Maçônica Vigilantes da Lei (Jurisdicionada à GLMERJ). Rio de Janeiro – Ano II – Nº20 – Agosto de 2009.

Nota do Blog

Infelizmente não conseguimos identificar quem é o autor do texto.

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Referências

Ritual do R:.E:.A:.A:.

CARVALHO, Assis. O Avental Maçônico e outros Estudos, 2a ed., Londrina: Ed. Maçônica “A Trolha”, 1997.

CARVALHO, Assis. Ritos & Rituais, 1a ed., Londrina: Ed. Maçonica “A Trolha”, 2001.

CASTELLANI, José. Manias e Crendices em Nome da Maçonaria, 1a ed., Londrina: Ed. Maçônica “A Trolha”, 2002.

RODRIGUES, Raimundo. Visão Filosófica da Arte Real, 1a ed., Londrina: Ed. Maçônica “A Trolha”, 2002.

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