Maçonaria e Antimaçonaria: Uma análise da “História secreta do Brasil” de Gustavo Barroso – Parte IV

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2.3 – A narrativa antimaçônica: o “complô revolucionário”

Para entendermos como a narrativa antimaçônica assumiu uma nova feição na virada do século XVIII para o XIX, é preciso antes analisar o processo de galvanização do mito do “complô jacobino-revolucionário”. Em seu livro Pensando a Revolução Francesa, François Furet demonstrou que a interpretação histórica em termos de uma “conspiração maçônica” para o episódio de 1789, ou seja, da vontade consciente dos homens, é ao mesmo tempo superficial e banal. Entretanto ao analisar a obra de Augustin Cochin, reconheceu que a franco-maçonaria foi a expressão típica e inevitável da “opinião filosófica”, uma nova forma de poder que não assumia suas restrições, e cuja função era tecer as solidariedades e a disciplina de uma hierarquia a partir de um recrutamento baseado na opinião[76].

Assim, se a Maçonaria é tão importante no mundo histórico e conceitual de Augustin Cochin[77], isso não decorria, como no caso do abade de Barruel, do fato de ela ser o instrumento de uma conspiração contra o Antigo Regime, mas sim por encarnar, de maneira exemplar, a química do “novo poder”, transformando o social em político e a opinião em ação. A partir da Maçonaria, o que Cochin chama de “espírito de sociedade” substituiu o “espírito de corpo” do velho reino. Esse “espírito social” invadiu toda a nobreza, os parlamentos, as corporações, difundindo a ideologia da “vontade do povo”. Instaurou-se a religião do consenso, a crença em um poder que emanaria da própria sociedade livre de qualquer peso. Nesta perspectiva, a Revolução para Cochin não foi apenas uma batalha social ou uma transferência de propriedade. Ela inaugurou uma forma de socialização baseada na comunhão ideológica e manipulada pelos aparelhos. Seu modelo abstrato são as sociedades de pensamento que prosperaram no fim do Antigo Regime, particularmente a franco-maçonaria a mais elaborada delas[78].

Conforme salientou Michel Vovelle, a Maçonaria é, na opinião de Cochin, o molde da nova forma social, destinada a reproduzir muitas outras, capaz de reunir outros públicos e veicular outros consentimentos, mas submetida à mesma lógica a da “democracia pura”. Por isso, segundo o autor, para melhor entender o fenômeno do jacobinismo é preciso antes perceber que existia, na Europa do Antigo Regime, uma infinidade de formas de sociabilidade masculina que se exprimiam através de confrarias de devoção estabelecidas desde a época medieval. Cochin viu na sociabilidade do Iluminismo, na forma em que ela se apresentou nas sociedades de pensamento e nas Lojas maçônicas, e na ficção de igualdade que regia as relações entre os membros, a matriz do que se tornaria a “máquina” jacobina[79].

Desta forma, as origens do jacobinismo estariam vinculadas, sobretudo às “redes de confrarias de devoção”, profanas ou devotas, a exemplo das caridades maçônicas. Assim o jacobinismo, por conseguinte seria devedor tanto da Maçonaria e das sociedades de pensamento, quanto das heranças mais longínquas de sociabilidade profana ou devota. Antes da Revolução, por exemplo, muitas Lojas foram locais de reflexão e até mesmo de engajamento militante, com a iniciativa da fundação de numerosos clubes[80].

Vovelle também informa que os jacobinos tiveram, desde os primeiros anos da Revolução, a preocupação de dar uma definição de si mesmos, como eles se viam e como desejavam ser vistos. Mas, para o autor, foi do campo da contra-Revolução que eles foram denunciados, não pelo que representavam de novo e de inédito, mas por serem ao mesmo tempo os herdeiros e os agentes de um complô tramado por filósofos, protestantes e franco-maçons contra a monarquia e a religião. Esta tese foi desenvolvida pelo abade Lefranc com o título de: Le voile leve pour les curieux, ou les secrets de la Révolution révélés à l’aide de la Franc-Maçonnerie (O Véu levantado pelos curiosos ou os segredos da revolução revelados com a ajuda da Franco-Maçonaria) e depois, em 1792, por Boyer de Nîmes[81].

Entretanto, foi a abade Augustin de Barruel, entre 1797-1799, que ajudou a popularizar o mito do complô revolucionário, através da publicação de Mémoires pour servir à l’históire du jacobinisme (Memórias para servir à história do jacobinismo). Em suas memórias, Barruel fazia referências às sociedades secretas de caráter maçônico, sobretudo àquela conhecida como os Iluminados da Baviera, fundada em 1776 em Ingolstadt por J. A. Weishaupt (1748-1830). Segundo o autor, a Alemanha tinha muito apreço pela difusão da cultura, e todas as cidades de alguma importância possuíam uma ou mais sociedades de leitura e diversas gazetas. As Lojas maçônicas, por exemplo, eram numerosas e bem implantadas: estima-se seu número entre 250 ou 300, ou seja, em torno de 30000 membros, divididos bastante uniformemente no país[82].

Conforme sugerimos na introdução, Barruel foi o mais importante difusor da narrativa antimaçônica na virada do século XVIII para o século XIX. Para o clérigo, a gênese e a conduta da Revolução Francesa eram essencialmente atribuíveis às maquinações da franco-maçonaria. Uma maquinação dirigida neste caso por uma seita particular, a dos Iluminados da Baviera, que se havia infiltrado e apoderado do controle da Ordem maçônica. Assim, de modo fantasioso, Barruel transformou a preparação da subversão revolucionária em fruto da atividade secreta das Lojas maçônicas. Deste modo, os acontecimentos de 1789 seriam atribuíveis às maquinações maçônicas, o resultado final duma longa conspiração tramada desde a época dos Templários.

Nessa revolução francesa, escrevia Barruel, tudo, até os seus crimes mais pavorosos, tudo foi efeito da mais perversidade, já que tudo foi preparado, conduzido por homens que eram únicos a ter o fio das conspirações longamente urdidas em sociedades secretas, e que souberam escolher e acelerar os movimentos propícios aos complôs.[83]

Sua obra corporificava a ideia de que o segredo maçônico é a maior evidência das ações maléficas dos maçons. O maçom seria adestrado por uma “verdadeira pedagogia do segredo”, os homens do complô eram antes de tudo “instruídos para esconder-se”. Além disso, o aprendizado da espionagem era um dos aspectos iniciais da educação do maçom que fazia de tudo para controlar os meios de comunicação, em todos os países. Ao controlar as informações, a Ordem estenderia seus tentáculos sobre o conjunto do corpo social[84].

A prática das senhas, o uso dos sinais convencionados de reconhecimento, o manejo dos códigos cifrados periodicamente renovados consagram sua iniciação. “Todas as instruções”, esclarece ainda Barruel a propósito dos Iluminados da Baviera, “transmitiam-se ou em uma linguagem iniciática, ou por um código especial ou por vias secretas, temendo que um falso irmão ou mesmo que um maçom estranho à inspeção do Grande-Oriente se misturasse aos verdadeiros adeptos sem ser conhecidos, havia uma palavra de ordem especial, mudada todos os semestres e regularmente enviada pelo Grande-Oriente a toda loja de sua inspeção…[85]

Esses textos e imagens que criavam o mito da “Conspiração maçônico-jacobina” estavam inseridos dentro de um encadeamento de fatos que explicavam as causas sem precedentes da Revolução Francesa. Ao mesmo tempo, o caráter secreto da Maçonaria – a maior evidência das ações conspiratórias – ajudou a galvanizar no imaginário francês uma imagem atemorizante da Maçonaria[86].

Benimeli demonstrou que após a Revolução Francesa, o mito das seitas e a grande conspiração constituíram a essência do pensamento reacionário e foi utilizado também como uma das defesas mais eficazes para a perseguição e repressão do liberalismo nascente. O mito do complô revolucionário tinha como ponta de lança a Maçonaria, acusada de planejar um império em escala mundial[87].

No que tange ao mundo luso-brasileiro, o crescimento da narrativa antimaçônica, acompanhou um quadro de aversão à cultura francesa, motivado, sobretudo, pelos desdobramentos da política napoleônica que resultou na transferência da Família Real Portuguesa para o Rio de Janeiro e na invasão de Portugal pelas tropas francesas.

Tornou-se frequente aparecer na imprensa régia textos que “revelavam” o perigo do jacobinismo escondido na atuação da Maçonaria.

O Jacobinismo estivesse reduzido a um estado de inação, muito perigoso seria pensar o estar ele aniquilado. (…) Hipóteses desta qualidade são inteiramente incompatíveis com o espírito, e gênio do Jacobinismo, no qual a turbulência é o mais essencial ingrediente; pois ele é em tudo vigilante, e cheio de atividade; quando for conquistado de um modo, ele por outros acha seu restabelecimento; os seus caminhos são tão inumeráveis como retorcidos: a maquinação enorme de suas traças é igual ao extenso grau de sua desesperação; e a sua astúcia em iludir, para não ser descoberto o seu sistema, é excedida pela atrevida malignidade, que mostra no seguimento de seu plano; há-de mesmo tomar a máscara da lealdade, quando lhe convenha, para recuperar a boa forma, e caráter que tem perdido, ou quando necessitar promover o seu interesse imediato. Bem podemos estar persuadidos desta verdade: Que preciso é destruí-lo, (isto é, o Jacobinismo) ou ele se esforçará em destruir-nos.[88]

Deste modo, toda uma literatura política contra-revolucionária, desenvolveu-se em Portugal, de que as figuras de proa são, J. Morato e José Agostinho de Macedo[89].

O discurso político contra-revolucionário processa-se através de uma linguagem envolvente que recorre à “palavra-choque”, a palavra que desencadeia imediatamente a imagem requerida e que, por conseguinte, dispensa da parte do receptor a reflexão e a crítica. Neste sentido, maçom se tornou sinônimo de jacobino, igual a partidário dos franceses, igual a traidor. Portanto, a narrativa antimaçônica, por um lado, mobilizou setores significativos da sociedade portuguesa contra o “elemento perturbador” que, naquele contexto era visto como o invasor e, por outro, viabilizou várias medidas violentas contra os ditos “traidores”[90].

Na opinião de Maria Ivone Crisóstomo de Ornellas de Andrade Castro, a ética maniqueísta do espírito contra-revolucionário, própria do período, foi veiculada por uma pedagogia da intolerância e de fundamentalismo religioso. Assim o conservadorismo, enquanto ideologia política, nascia da necessidade de se criar um fundamentado movimento de antagonismo ativo à ruptura política e à reposição dos valores tradicionais. Os realistas não podiam assistir passivamente à total ruína da estrutura da sociedade do Antigo Regime imposta pelas tropas napoleônicas. Este “espírito contra-revolucionário” encontrou nas palavras afiadas do padre José Agostinho de Macedo um de seus maiores difusores, pois Macedo no “apogeu da idade adulta, ao pisar o limiar do século XIX, transportou consigo os fantasmas do século que o viram nascer”[91].

O padre Macedo protagonizou de modo sui generis o movimento “anti-luzes”, na vertente teológico-filosófica, foi, portanto, testemunha oficial de uma visão de mundo apologético-conservadora, agente ativo deste universo pensante, em luta com a revolução da consciência. Para o padre Macedo, a Maçonaria foi a principal responsável pela subversão da doutrina do Trono e do Altar, por isso a violência contra a figura dos obreiros era legítima[92].

Nenhum Maçom foi atacado por mim em particular, e para a minha pública retratação, só é preciso uma coisa, a prova decisiva de que nesta sociedade se não ataca direta, ou indiretamente a Religião Católica. Este é o quadro da minha vida, e dos meus sentimentos, tão verdadeiros como é patente aos olhos do Altíssimo.[93]

Numa época em que o Império luso-brasileiro encontrava-se em estado predisposto à sublevação – fermento deixado pela primeira experiência liberal – este leitor da produção filosófica iluminista soube como ninguém servir-se desse conhecimento para arremeter contra as próprias Luzes, constituindo o melhor exemplo do anti-iluminista ou, melhor, do “iluminista paradoxal”[94]. Segundo a autora, nas obras de Macedo, o uso de uma “adjectivação rancorosa” contra a Maçonaria refletia o trauma das invasões francesas, condições mais do que suficiente para este “patriota soltar as Fúrias”.

A época da parenética simplesmente retórica ou hiperbólica deixara de ter sentido numa sociedade doravante confrontada com a urgência histórica: defesa da pátria e denúncia de inimigos de ideário (pedreiros-livres, sinônimo de liberais, afrancesados ou “jacobinos”). O sermão torna-se num discurso ideológico em defesa da doutrina do Trono e do Altar, dos valores nacionais, inscritos na monarquia tradicional. O sermonário político constitui, inequivocamente, um momento de fecundação da ideologia contra-revolucionária macediana.[95]

Consequentemente, o padre Macedo tornou-se um dos maiores difusores da narrativa antimaçonaria da língua portuguesa, sendo o pregador e o tradutor de boa parte da obra do abade Barruel dentre elas destaca-se, O Segredo Revelado ou Manifestação do Systema dos Pedreiros Livres, e Iluminados, e sua influência na fatal Revolução Francesa, Obra extrahida […] do Abbade Barruel, e publicada em Portuguez para confusão dos Impios, e cautela dos verdadeiros amigos da Religião, e da Pátria (1809-1812). Nas palavras de Macedo a Maçonaria era a causa fundamental de toda a Europa revolucionada. O Pedreiro-Livre é, desde 1808, o “mal absoluto”, por isso deveria ser declarado guerra contra estes, “liberais, afrancesados ou jacobinos”[96].

É preciso fazer um indispensável serviço à Religião, ao Trono, à Pátria e a boa razão, fazendo de todo emudecer esta importantíssima canalha, que com a sua estúpida ignorância, e involuntária malícia, quase são tão prejudiciais à sociedade civil como os malvados Pedreiros-Livres com o seu pestilencial veneno, e abominável sistema de depredação, e ruína universal de todas as Instituições sociais.[97]

De modo específico, tanto no Brasil quanto em Portugal, dezenas de obras contra-revolucionárias surgiram para denunciar a “Conspiração Maçônica”, sobretudo a partir de 1800. Em conformidade com esta ideia circularam vários impressos, dentre eles, as Considerações sobre a seita dos Pedreiros Livres produzido provavelmente entre 1803 a 1813:

Em todos os tempos se viram Libertinos que para estabelecerem seus danados sistemas procuraram apoiar-se com o número dos sectários a quem angariam ou […] ou promessas – os chamados Pedreiros Livres não são os que menos se tem distinguido neste gênero de proceder – Em todos os Países da Europa tem suas lojas e sociedades (inda que debaixo de um regulamento muito misterioso) assas conhecidos por todos – Já havia muito tempo que se falava haver também em Portugal desta espécie de gente e muito particularmente em Lisboa onde vagueia gente infinita e de todas as qualidades. Neste mês fermentou-se muito mais esta matéria, e fazendo-se queixas ao Governo se procedeu com todo o escrúpulo na inquirição deste ponto – o resultado ia sendo funesto pois que em breve se viram presos, e expulsos desta cidade para fora muitas pessoas gradas, e de diferentes hierarquias. […] Com estas providências circunspectas tudo se pacificou, e não se fala já em Pedreiros Livres, nem consta também que estes falem.[98]

Continua…

Autor: Luiz Mário Ferreira Costa

Fonte: Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2009.

Notas

[76] – FURET, François. Pensando a Revolução Francesa. Trad. Luiz Marques e Martha Gambini. Rio de Janeiro: Terra e Paz. 1989. p. 180.

[77] – Segundo Furet, o disparate absoluto, no que se refere a Cochin, é proposto por Aulard, segundo o qual a teoria de Cochin era somente uma nova versão da tese da conspiração franco-maçom na origem da Revolução Francesa. Ver: Idem, p. 179.

[78] – Idem, p.179.

[79] – VOVELLE, Michel. Jacobinos e Jacobinismo. Trad. Viviane Ribeiro. Rev. Márcia Mansor D’Aléssio. Bauru: EDUSC, 2000. p. 71.

[80] – Idem, p.72.

[81] – Idem, p.70.

[82] – Na análise de Vovelle, Barruel defendia que a Ordem dos Iluminados representava o tronco maçônico sobre o qual teria se desenvolvido as sociedades secretas de vocação diretamente política. Ver: Idem, p. 126 – 127.

[83] – GIRARDET, Raoul. (op. cit), p. 33.

[84] – Idem, p.38.

[85] – Idem, p.34.

[86] – Idem, p.32.

[87] – FERRER BENIMELI, J. A. (op. cit), p. 11.

[88] – OS PEDREIROS-LIVRES, e os Illuminados, Que mais propriamente se deveriam denominar os Tenebrosos, De cujas Seitas se tem formado a pestilencial Irmandada, a que hoje se chama Jacobinismo. Lisboa: Imprensa Régia, 1809. 31 p. [BNL – SC 14626//15P

[89] – DIAS, Maria da Graça Silva. (op. cit), p. 402.

[90] – Idem, p.402.

[91] – CASTRO, Maria Ivone Crisóstomo de Ornellas de Andrade: José Agostinho de Macedo: um iluminista paradoxal. Lisboa: Colibri história, 2001. p. 163

[92] – Idem, p.166.

[93] – MACEDO, José Agostinho de. (op. cit),

[94] – CASTRO, Maria Ivone Crisóstomo de Ornellas de Andrade (op. cit), , .p. 37

[95] – Idem, p.69.

[96] – Idem, p.165.

[97] – CASTRO, Maria Ivone Crisóstomo de Ornellas de Andrade (op. cit), , .p126-127

[98] – CONSIDERAÇÕES sobre a seita dos Pedreiros Livres – Dietário do Mosteiro de São Bento de Lisboa (nov/1803 – jul/1812). página 52. [BNL – COD 732 – Reservados]

Os Protocolos dos Sábios de Sião

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Qual foi a pior situação que a Ordem enfrentou durante a sua existência?

Dá para se enumerar muitas, tais como perseguições de ordem religiosas, políticas, sociais, pessoais que até hoje ainda existem, calúnias, mentiras, difamações, enfim uma série de epítetos que as pessoas que não gostam de nós, nos impingem, nos combatem, e querem nos destruir.

Existem famosos livros escritos por antimaçons que se contam aos milhares que ainda circulam pelo mundo. Porem todos fantasiosos e falam muito do segredo dos maçons.

Entres os clássicos temos a primeira publicação que realmente tocou o público, ávido de conhecer o segredo dos maçons, que foi a Maçonaria Dissecada do maçom que abalou a Ordem, Samuel Prichard publicada em cinco edições num jornal de Londres em 1730. Nela Prichard revelou todos os chamados segredos da Maçonaria da época do primeiro ao terceiro grau. Este livro sofreu desde então, um considerável número de plágios. Hoje é considerado como uma fonte de estudos, porque quando Prichard escreveu para o jornal inglês a Maçonaria não tinha rituais ou catecismos impressos. Nada se escrevia. Tudo era decorado e passado de maçom para maçom. Ele querendo ou não, sua traição hoje é considerada como uma fonte primária de estudos modernos na Quatuor Coronati nº 2076 da Maçonaria como ela era praticada na época.

Tivemos também os livros de Leo Taxil que no final do século XIX jogou muita infâmia sobre a Ordem. No final a mentira era tanto fantasiosa que se perdeu por si e o autor foi desmoralizado e se retratou. Paul Rosen outro maçom que se desligou da Maçonaria escreveu um livro revelando quase tudo sobre a Ordem sendo o seu livro principal “Satan & Cia”. Só mentiras, fantasias e invenções.

Mas de qualquer forma a Ordem vai cumprindo sua missão. Está viva, apesar da extensa bibliografia antimaçônica e da perseguição que já sofreu até a presente data e que continua…

Mas talvez uma das piores situações que a Ordem enfrentou e ainda enfrenta com intervalos de tempo e em determinadas épocas da história moderna do mundo, foi seguramente as consequências de um livro vazio de conteúdo, mentiroso, por sinal repetitivo e além do mais uma grande fraude, mas que lançou uma ideia de uma conspiração mundial da Maçonaria contra a humanidade, nos associando ao semitismo. E isso foi muito bem usado e ainda é pelos antimaçons.

Trata-se do livro chamado vulgarmente de Os Protocolos dos Sábios de Sião.

Como começou esta história? Como se conceituou a teoria conspiratória?

O que diziam a respeito da Maçonaria? Diziam e propagavam muitas coisas como, por exemplo, que os maçons juntamente com outras sociedades conspiravam secretamente para criar uma sociedade mundial baseada nos ideais revolucionários como liberdade, igualdade e fraternidade, separando o estado da religião, que a Maçonaria teria uma frente judaica para dominar o mundo, ou seja, ela seria controlada pelos judeus Ainda diziam que a Maçonaria praticava missas negras, que sacrificavam crianças em seus cultos, que tinha parte como Demônio etc.

O Padre Augustinho Barruel (1741-1820), francês, escreveu livro com o título muito extenso: Memórias para servir a história do Jacobinismo e as provas de uma conspiração contra as religiões e todos os governos as Europa, que existe nas reuniões secretas dos maçons, dos Iluminados e das Sociedades de LeituraSintetizando: Memórias para servir a história do Jacobinismo.

Barruel é considerado o pai da antimaçonaria moderna. Ele difundiu a ideia falsa que a Revolução Francesa era filha da Maçonaria e assim lançou uma ideiaa qual foi tomada como dogma pelos antimaçons, ou seja, da famosa Teoria da Conspiração. Alguns maçons da época inocentes úteis se ufanaram desta situação chamando para si uma revolução que não somente não a prepararam e nem a fizeram. Ainda hoje em nossos templos alguns irmãos menos avisados e menos estudiosos, acreditam que a Maçonaria foi a mãe da Revolução Francesa. A história da Revolução Francesa é outra. Barruel e outros conseguiram envenenar o mundo com a ideia da conspiração maçônica. Seu livro espalhou-se pela Europa. Mas ele não estava só, tinha mais pessoas que defendiam os seus conceitos.

A Revolução Francesa é um processo de engenharia social, quando um grupo pretende destruir uma sociedade antiga na Primeira Realidade e criar uma sociedade nova tendo por base uma Segunda Realidade para substitui-la como foi o caso dos jacobinos, de Lenin, o caso da ONU e do atual governo brasileiro.” (Anatoli Oliynik).

Os maçons daquela época nada tiveram a ver com o processo histórico da Revolução Francesa.

Um contemporâneo de Barruel, Jonh Robinson (1739-1895), maçom escocês, físico e inventor, dedicou os últimos anos de sua vida à teoria conspiratória. Em 1797 publicou um livro de título extenso, praticamente igual ao de Barruel alegando um conchavo entre os Iluminatti e a Maçonaria. Robison e Barruel desenvolveram de forma independente um do outro, mas de ideia igual, dizendo que os Iluminatti haviam se infiltrado na Maçonaria e isso teria levado a acontecer a Revolução Francesa. Barruel publicou seu livro cerca de dez anos depois de terminada a Revolução.

Outro autor desta mesma época Johan August Starck (1741-1816) alemão, teólogo luterano, maçom com muitos anos de filiação, resolveu romper com a Ordem após revisar seus conceitos, se voltou frontalmente contra as organizações secretas como a Maçonaria, também defendendo a teoria conspiratória.

Em 1797 Leopold Alois Hoffmann, austríaco, maçom renegado, publicou um livro onde afirmava que a unidade europeia estava ameaçada por uma conspiração que teve origem entre os Iluministas e maçons que se agregavam em sociedades secretas e que se tratava de um plano previamente deliberado para destruir os fundamentos dos poderes legais das monarquias europeias e da Igreja Católica.

Enfim a teoria da conspiração já perdurava há algum tempo na mente de escritores que eram contra as chamadas sociedades secretas. Estes autores citados foram importantes para a divulgação de tal teoria.

A obra que serviu de plágio em 1901 para Sergei Aleksandrovick Nillus (1862-1929) escritor religioso russo e autodenominado de místico e agente da Polícia Secreta do Czar, a Okhrana, tido como autor plagiário de um livro escrito em 1864 quando Nillus tinha dois anos de idade, mais as teorias conspiratórias desenvolvidas até então, e o antissemitismo que existia há mais de dois mil anos, foram a base desta literatura mentirosa, desta verdadeira fraude à qual foram colocados os maçons como caronas, como passageiros convidados à força, praticamente sequestrados intelectualmente falando. E ressalte-se que a Maçonaria não é de origem judaica. Apenas tem influência judaica em seus rituais, mas uma influência só de nomes bíblicos adotados. Organização e finalidade completamente diferentes. As religiões ditas cristãs também caminham da mesma forma, baseadas na Bíblia, sem serem judaicas. A Maçonaria tem Irmãos de todos os credos, raças e cor e, por conseguinte, têm também no seu seio irmãos judeus independentes de suas crenças. Diz-se que o Conselho de Ministros da Rússia determinou uma investigação secreta a respeito da autoria dos “Os Protocolos dos Sábios de Sião” e foi averiguado que o livro foi escrito em 1897 em Paris por agentes russos resultado não divulgado para não comprometer o Chefe da Polícia Secreta russa.

É interessante mencionar que Sergei Nillus em 1903 já havia publicado uma obra O Grande no Pequeno. A vinda do Anticristo e Domínio do Satanás na Terra. Ele retocou a obra que já era plagiada, colocou mais um apêndice e nominou o livro de Os Protocolos dos Sábios de Sião.

Bem, Nillus escreveu cinicamente que em 1901 havia conseguido de uma pessoa conhecida, um manuscrito que foi posto à sua disposição, o qual com uma precisão e verdade extraordinárias denunciavam um complô judaico maçônico mundial que conduziria o mundo naquele momento corrompido a uma inevitável ruína.

Nillus em 1905 sustentou que os Protocolos foram lidos em sessões secretas durante um Congresso Sionista realizado na cidade de Basileia – Suíça em 1897 e que por iniciativa de Theodor Heril conheceram o plano que culminaria com a conquista do mundo pelos judeus e que um espião do Czar infiltrado no Congresso conseguiu uma cópia dos planos, que foi entregue a ele, Nillus. Afirma ainda que houve 24 sessões secretas onde foram elaborados os planos de destruição do mundo. Que mentira mais deslavada. Que imaginação tinha este Nillus!

Em realidade houve um Congresso Sionista em 1897, quando foram por eles avisados todos os países, autoridades, todos os jornais que este congresso nada mais era que para se examinar as possibilidades de um movimento sionista. Os judeus dispersos no mundo queriam ser um povo. Que não eram contra qualquer pais, que continuariam respeitando as leis do pais onde estivessem vivendo. Nada que ali discutiriam estariam contrariando as leis e princípios do pais.

No entanto Nillus mentiu ao dizer que foram realizadas sessões secretas, onde foram estabelecidos os planos de dominação do mundo.

Nillus reeditou o livro em 1911, 1912 e 1917 em russo. Em 1919 o livro foi traduzido para o alemão, Esta edição foi patrocinada pela nobreza alemã. Foi até editado livro de bolso. Em 1920 traduzida para o polonês e partir dai três edições em Nova York, Escandinávia, Itália, Japão e França. Em 1925 uma tradução árabe difundiu o teor do livro para todo o Oriente Médio. Em 1927 uma edição traduzida pelo monsenhor espanhol Jovin surgiu com o nome Os Perigos Judaicos Maçônicos. E assim este livro se disseminou pelo mundo. Desde então as edições tem sido numerosas sendo as últimas conhecidas na Espanha as de Barcelona de 1963 e 1975. Mas  sempre existe uma nova edição clandestina. No Brasil em 1935, quando o país já quase estava sob o jugo integralista, sob os moldes fascistas de Plinio Salgado, mas que foi em 1937 foi considerado como partido político contrário ao caudilho presidente Getúlio Vargas e este terminou com a farra integralista, que entre outras coisas seguiam as diretrizes de Hitler e Mussolini e Franco contra os maçons. Foi considerado como partido proibido e Plinio Salgado deportado para Portugal. Getúlio Vargas filho de maçom, apesar de ser outro déspota, prestou á Maçonaria Brasileira um imenso favor. Não que ele assim o quisesse, mas foram as circunstâncias do momento. A Maçonaria Brasileira ficou livre do Integralismo, que odiava judeus e maçons.

Em 1987 a embaixada do Irã no Brasil começou a disseminar o livro gratuitamente pelo país. O assunto foi imediata e diplomaticamente resolvido. O Itamaraty transmitiu aos iranianos a sua insatisfação. Citou o artigo 153 da Constituição de 1967, emendada em 1969 como propaganda racista. Cessou o despejo deste livro mentiroso em terras brasileiras pelos iranianos o que não significa que não existam muitos exemplares espalhados pelo país editados de forma clandestina.

Para se ter uma ideia de como evoluiu esta suposta corrente conspiratória, o jornal Times de Londres do dia 08/05/1920 publicou um artigo alarmista onde culpava judeus e maçons. O Morning Post publicou semelhante matéria, atacando judeus e maçons.

Henry Ford, maçom (que espécie de maçom???), dono de um império automobilístico fundou uma revista especial para publicar os Protocolos, conseguindo imediatamente mais de 30.000 assinaturas. Em 1922 a obra de Ford já estava na sua 21ª edição. Posteriormente os artigos publicados no Morning Post foram reunidos em um só volume e vendidos milhões de exemplares.

A fraude dos Protocolos foi conhecida oficialmente desde agosto de 1921 (dias 16 e 17 e 18) quando o Times de Londres publicou toda a epopeia do plágio, inserindo que os Protocolos não passavam de um “truque grosseiro executado por um plagiário negligente e cínico” O correspondente do Times em Constantinopla (hoje Istambul) havia encontrado numa livraria de livros velhos (sebinho) um livro abandonado por um antigo oficial da Okhrana – Polícia Secreta do Czar, um volume escrito em francês, sendo que as primeiras páginas estavam faltando. Ao lê-lo o jornalista percebeu que o livro continha uma série de coincidências, comparados a um outro livro escrito quase sessenta anos antes, e aí não foi difícil o jornalista descobrir de onde Nillus plagiou o seu famoso “Os Protocolos dos Sábios de Sião”.

Em 1864 um advogado parisiense de nome Maurice July escreveu um livro de ficção dirigida, publicado em Bruxelas: Os Diálogos no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu ou a Política de Maquiavel no século XIXTinha 337 páginas e mais uma advertência de 3 páginas.

O motivo desta publicação era uma violenta sátira contra a política de Napoleão III, o qual era um déspota, daqueles que finge muito bem como se o regime fosse liberal, mas no entanto, não era. O autor escreveu sua obra não mencionando sequer uma vez o nome de Napoleão. É Maquiavel quem fala por ele, e Montesquieu representa o homem honesto e ingênuo que fica perplexo e escandalizado com o que seu interlocutor fala de forma fria, cínica e hipócrita, uma das características de Maquiavel quando escreveu seu tempo o livro O Príncipe.

Evidentemente Nillus ou agentes da Polícia Secreta russa fizeram as devidas alterações incluindo os maçons ao lado dos judeus no suposto complô que dominaria o mundo segundo eles.

Apesar de ter sido posteriormente descoberta toda a fraude, esta ganhou vida própria como se fosse verdadeira porque o mundo acredita no que quer acreditar. Nem sempre na verdade. E ainda o mundo quer ser enganado, já dizia um provérbio latino. A história deste livro é um exemplo clássico do que se acaba de afirmar. Como dizia Goebles, Ministro da Propaganda de Hitler: “uma mentira mil vezes repetida acaba se transformando em verdade

Os judeus e maçons ainda sofreriam muito, mesmo após descoberta desta fraude, pois os apologistas dela, a tinham-na como verdadeira principalmente os antissemitas e antimaçons europeus, das décadas de 1930 e 1940, quando os chamados países fortes da Europa foram dominados por ditadores sanguinários, e que continuaram seguindo a cartilha da falsa conspiração, para executar seus planos macabros.

O primeiro déspota tirano a usar os ditames dos Protocolos foi Benito Mussolini na Itália tratando da mesma forma comunistas, judeus e maçons. Muitos maçons foram fuzilados. As lojas maçônicas foram invadidas, sequestradas. Símbolos, joias, rituais paramentos e móveis foram incendiados em praça pública.

Logo em seguida, outro ditador fascista Francisco Franco da Espanha, tomando o poder em 1936, com o apoio do clero católico espanhol, mandou executar mais de dez mil maçons, quando na Espanha havia cerca de cinquenta mil Irmãos dos quais milhares deles conseguiram refugiar-se. Ressalte-se que o Irmão Lázaro Cardenas, Presidente do México, recebeu e protegeu todos estes refugiados até que um dia eles pudessem voltar á sua pátria, quando lá houvesse liberdade.

Uma pesquisa realizada pelo Padre Jesuíta espanhol Benimeli, historiador e maçonólogo sério, aceito como tal pela Maçonaria mundial, realizada nos Arquivos de Salamanca menciona que:

“Da Loja “Helmantia” foram fuzilados 30 Irmãos e entre eles outro pastor protestante do Triângulo maçônico “Zurban”, de Logronõ foram fuzilados 15 maçons, do Triângulo “Libertador de Burgos” foram fuzilados 7 maçons, do Triângulo “Joaquim Costa” de Huesca foram fuzilados outros 7. Da Loja ‘Hijos de la Madre Viuda” de Ceuta foram mortos 17, da Loja “Trafalgar” de Algericas foram fuzilados 24. Da Loja “Réssurección” de la Línea foram assassinados 9 Irmãos, mas outros 7 foram condenados a trabalhos forçados e 17 se refugiaram em Gibraltar. De  La Corûna, todos os maçons foram fuzilados, inclusive o chefe de Segurança, Comandante do Exército Quesada e o capitão Irmão Tejero; Todos os Irmãos da Loja “Locus” foram fuzilados. Todos os Irmãos de Zamora e Cadiz de Granada num total de 54 foram fuzilados e entre eles o famoso oftalmologista Rafael Garcia Duarte, professor da Escola de Medicina. inclusive seu filho médico foi também executado. Igualmente foram fuzilados todos os maçons de várias Lojas de Sevilha, entre eles Dom Fermin Zayas, ilustre militar e membro do Supremo Conselho e seu filho. Em Valladolid foram fuzilados 30 Irmãos da Loja “Constancia”, entre eles o governador civil que era maçom e um viajante, um maçom chamado Hoya que havia chegado no dia 19 de junho à noite sem saber o que estava se passando. Tudo isso em 1936. Em outubro de 1937 foram fuzilados 80 maçons em Málaga. Muito mais se tem para falar sobre estes crimes hediondos”.

Essa é a história parcial da Espanha nesta época de terror. Os maçons sofreram muito.

A vitória do Nacional-Socialismo alemão com a ascensão total do Partido Nazista em 1938, Adolf Hitler se encarregou de eliminar do país, maçons e judeus, tendo os Protocolos como inspiração neste verdadeiro genocídio engendrado pelo grande psicopata, talvez um dos maiores da História.

Adolf Hitler em seu livro Mein Kempf, menciona os Os Protocolos dos Sábios de Sião para justificar medidas de exceção contra judeus e maçons. E isso custou a vida de milhares de maçons, que dirá a vida de milhões de judeus.

Ainda mais depois que descobriu que Lenin e Engels, comunistas, haviam sido iniciados na Maçonaria. Todos foram considerados inimigos iguais, representando para Alemanha nazista o mesmo perigo. Os templos maçônicos na Alemanha foram pilhados e confiscados todos os documentos. Exposições foram realizadas na Alemanha e França e demais países ocupados mostrando ao povo o “perigo maçônico” que esta Instituição representava para o mundo.

Enquanto isso maçons eram levados aos campos de concentração onde eram inicialmente fuzilados, depois com a construção das câmaras de gás letal eles eram levados diretamente para estes locais de extermínio juntamente com os judeus e terminavam em fornos crematórios.

Em 1944 numa edição oficial do Serviço do Exercito Nazista mencionava que a Maçonaria era uma união internacional com uma direção secreta, procurando oficialmente fins humanitários, e que fato tratava-se de uma organização secreta, através da qual o judaísmo internacional, influencia de forma decisiva a política mundial. Eis aí a influência direta dos Protocolos os quais já haviam sido provados desde 1921 que eram apócrifos, mas mesmo assim eram considerados como verdadeiros pelo regime nazista.

Quando após ocupação da França, o Ministro do Reich para os Territórios Ocupados, o ideólogo nazista, amigo íntimo de Hitler, Alfred Rosenberg em 28/11/1940 pronunciou um discurso na Câmara dos Deputados em Paris, onde historiou a Revolução Francesa afirmando que fora obra de maçons. Eis aí a mentira do Padre Barruel produzindo frutos negativos muitos anos após ter sido inventada. Rosenberg afirmou também que a 1ª Grande Guerra Mundial (1914-1918) deveu-se à Maçonaria mundial, que subsidiou ajuda financeira aos países inimigos dos alemães e austro-húngaros. Goering em 1942 elogiou a decisão de Rosenberg em criar em todos os países subjugados uma missão de pilhar todas as lojas e colocar em lugar seguro toda a documentação, a qual seria levada para Berlim. Rosenberg também teve uma atuação importante no plano da criação da Solução Final para o extermínio total dos judeus o que custou a vida de seis milhões deles.

Hitler autorizou Heydrich, chefe da SS a realizar a missão nos países ocupados, especialmente na França, Holanda, Bélgica e Luxemburgo. Este oficial nazista foi eficiente, por exemplo, na Holanda, saqueou e destruiu 77 lojas maçônicas, inclusive 15 clubes de Rotary. Até o Rotary entrou neste entrevero, que nada tinha a ver com isso.

Entre os maçons havia colaboradores nazistas que denunciaram seus Irmãos. Apenas para citar um deles um francês de nome Bernard Fay denunciava seus Irmãos à Gestapo, publicando mensalmente um periódico chamado “Documento Maçônico” onde publicava os endereços dos Irmãos para facilitar o trabalho da Gestapo. Infelizmente existiram maçons traidores, talvez  alguns, quem sabe, para salvar a própria vida ou a vida de seus familiares, ou por serem falsos maçons por índole, os quais ainda existem até a presente data pululando dentro de lojas maçônicas pelo mundo.

Está se dando uma noção superficial sobre as consequências do livro Os Protocolos dos Sábios de Sião em relação à Maçonaria. Porque uma quantidade maior maçons morreram, por causa das mentiras de Barruel e seus seguidores. A Maçonaria nunca participou de uma conspiração mundial para deter o poder temporal. Ela participou e participa de ideias que tornem o mundo melhor.

Infelizmente os antimaçons conseguiram através de um livro apócrifo, o pior deles “Os Protocolos dos Sábios de Sião” causar grandes males á Ordem no século XX e ainda existem resquícios, cicatrizes abertas. Muitos maçons morreram por causa deste livro. A Maçonaria continua de pé e não está livre de que outros livros malditos apareçam distorcendo a verdade e formando conceitos errôneos a respeito da Ordem.

A Ordem sobreviveu firme e forte e tem aumentado atualmente o número de adeptos. Continuam os antimaçons a nos atacar sem resultados práticos importantes.  Mas, parafraseando o sábio Irmão José Castellani, de saudosa memória, pode-se afirmar que o maior inimigo do Maçom é o próprio Maçom. Entendam como quiserem, mas reflitam profundamente sobre esta afirmação.

Autor: Hercule Spoladore

Referências 

BENIMELI, J.A.F. Pde – El Conturbenio Judeu- Masonico–Comunista, Espanha, 1982.

CARVALHO, Assis – O Avental Maçônico e Outros Estudos, Editora “A Trolha” Ltda. Londrina, 1989.

Os Protocolos dos Sábios do Sião, Edição Jupiter, São Paulo, sem data.

Trabalho: A Ação Integralista Brasileira e a Maçonaria, Hercule Spoladore.

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