Que caminhos a Maçonaria pode tomar?

Qual caminho a seguir?! - Jotônio Vianna

Estamos no limiar de 2020, um ano atípico, mas que vai ficando, a cada dia, normal, ou seja, típico, ao contrário do que se poderia imaginar há um ano apenas.

Nesse período nos refugiamos nas “lives” que se tornaram uma tremenda escola de Maçonaria para alguns que nunca tinham recebido uma carga de informações e conhecimentos tão grande em tão pouco tempo. Anos de Loja sem aprender absolutamente nada, porque não tinha quem desse uma boa palestra e tivesse algo de bom para ensinar. Por outro lado, muitos já estão saturados de tanta “live” por aí. Por preguiça mesmo, ou excesso de oportunidades.

É fato que elas ajudam muito, mas precisamos observar bem os temas e palestrantes para ver se são adequadas, principalmente a Aprendizes e Companheiros, Essa é uma tarefa dos Vigilantes e do Venerável, verificar se será um tema útil aos mais novos de Loja, por exemplo, podendo mais confundir do que explicar. Quando Mestre, ok, tem o direito e dever de conhecer de tudo, mas aí, estará mais expert para decidir.

Na verdade, esses palestrantes, mestres preparados geralmente, estavam lá o tempo todo, nas colunas das Lojas, mas ninguém sabia extrair o seu conhecimento para o bem comum porque as Lojas teimam em fazer só o ritual, algum ameaço de prece, alguns discursos vazios e correm para o ágape (copo d’água tradicional em algumas regiões).

Assim matam duas coelhas com uma cajadada, substituem a missa da semana porque já viram a Bíblia no meio do templo e recebem o alvará da cunhada para tomar aquela geladinha com os “manos”. E esses são os que ficam, porque muitos saem depois de algum tempo de muito, praticamente nada. Há muitos bons irmãos nas Lojas calados, por força de uma rotina insensata de não se fazer nada além de cumprir o ritual e perde-se qualidade a cada dia de silêncio no Período de Estudos.

Temos alertado sobre essa dinâmica vazia, a falta de uma boa pauta das Lojas nos últimos anos, agora até se explica, em parte, por causa da pandemia, mas o problema é antigo. Volta-se a insistir nesse tema, sobre a Maçonaria do Século XXI, que temos abordado em algumas palestras dadas também, porque, necessariamente, as Lojas maçônicas de todo o mundo, creio, mais precisamente no Brasil, precisam encontrar seu rumo, um Norte, ou um Oriente, se preferirem, e tomar esse caminho de imediato, ou, estaremos empurrando a Instituição para o buraco da decadência, de uma vez. Fim de linha em pouco tempo.

Porque não adianta ter um nome de “Maçonaria” e ser apenas uma sociedade de velhos chatos ou dorminhocos que não fazem ela cumprir sua missão, que é de reformar os homens, dando-lhes, à luz da Razão, o simbolismo das virtudes e do combate incessante aos vícios morais, depois disso, como exemplares cidadãos, participarmos ativamente das questões sociais que a circulam, com seus membros atuando positivamente, dando exemplos daquelas virtudes, através de ações beneficentes, sociais, políticas, em sentido amplo, enfim, tudo aquilo que será herdado pelos nossos familiares e pela nossa comunidade.

Difícil enxergar isso como a missão precípua da Maçonaria? Não há que se falar em entidade filantrópica como se fosse uma fabrica de esmolas, porque nesse sentido, perdemos feio de qualquer igreja. Não há que se falar, embora seja primordial, em sociedade filosófica, porque ninguém quase estuda filosofia ou outras ciências sociais.

Mas deveríamos, e muito. Porque é com a filosofia e outras ciências sociais que aprendemos a conhecer e lidar com o ser humano que nos circunda, como vivermos, que linha de pensamento termos, nossas ansiedades e necessidades. Se somos construtores da sociedade, temos que conhecer a nossa matéria prima, o ser humano.

Como tomar novos rumos e atingir esses objetivos? Claro que cada Loja deve encontrar seu caminho, mas algumas sugestões, podem ser lançadas na mesa. De que adianta criticar, sem apresentar soluções ou propostas de soluções?

A ideia é formar, em cada Loja, um centro de união de pessoas bem intencionadas, que queiram, primeiramente, estudar o simbolismo maçônico, sem se preocupar tanto com a ritualística, porque essa se aprende rapidamente, basta ler e cumprir fielmente seu ritual, e como somos inteligentes, não precisamos mais que três sessões para decorar os movimentos.

Outra coisa, não se preocupar tanto com a crença religiosa do candidato, isso é besteira, qualquer um pode mentir sobre crenças e ninguém pode contestar, mas se preocupar muito com a “folha corrida” do candidato. Moral é fundamental e precisamos saber com quem estamos lidando. Um sujeito com moral elevada, será sempre um bom irmão.

Outras condições são fundamentais para o sucesso do maçom, como a situação intelectual, porque o maçom não pode ser ignorante, tem que ter um excelente nível de compreensão do simbolismo, tem que ler e entender o texto de rituais e livros. A condição econômica também é importante, ou seja, para se manter na ordem sem dar prejuízos a ninguém e ainda poder contribuir em eventuais auxílios a irmãos e profanos.

As Lojas precisam se transformar também em salas de aula, literalmente, usando sua Ordem do Dia de forma inteligente e útil, com 80% dela para palestras e debates, além da apresentação de trabalhos dos irmãos da Loja. Com esses debates que se aprende muito e troca-se conhecimento. O Período de Estudos não pode se resumir a 15 minutos, mas deve ter, pelo menos, uma hora. É o mínimo. Em todas as sessões um Mestre deve propor um tema, apresentar uma peça e dela gerar perguntas e respostas, ou um debate organizado, onde opiniões e experiências devam ser expostos.

Assim, a sessão começa a ficar mais interessante, embora muitos irão reclamar do tempo. Mas esses são os que, geralmente, nada produzem e ainda querem atrapalhar os outros, querem comer, beber ou ir para casa mais cedo. São pesos mortos na Loja. Devem ser marcados e afastados se não querem participar do empreendimento.

Por outro lado, cada Loja deve assumir um trabalho social organizado, se possível com participação de cunhadas e sobrinhos, não só para eles fazerem e a Loja patrocinar, mas sim, todos se envolverem, como um orfanato, asilo, escola profissional ou de artes (música, dança, etc.). Com esse trabalho social e a utilidade da sessão trazendo mais conhecimento, haverá um expurgo dos preguiçosos em pouco tempo, mas outros que clamam por atividades, se aproximarão, acordarão do marasmo em que vivem e serão obreiros proativos. É certo que essa Loja, mantendo esse caminho, vai fazer sucesso porque seus irmãos estarão congregados em objetivos comuns, não se sentirão inúteis, ao contrário, como participes de uma sociedade em constante evolução.

É preciso que passemos por transformações internas, todos nós, abrindo mão de opiniões e posições inflexíveis, mudarmos em sentido positivo, avançarmos nas nossas ideais, sermos evolucionistas, de fato. Acabar com preconceitos de toda a espécie, sem deixarmos de ser nós mesmos, sem abrir mão de nossa personalidade, mas tudo pode ser debatido e acordado sem radicalismo, aproximando cada vez mais as ideias de uns e outros.

Tolerância é o remédio, no sentido de aceitar a possibilidade do próximo poder pensar diferente, das pessoas terem conhecimento relativo de algum tema e podermos nos abastecer desse conhecimento uns com os outros até chegarmos a um ponto comum. Impossível isso? Impossível uma convivência pacífica havendo discordância de pontos de vista dentro de uma ordem calcada no amor fraternal, tendo como divisa Liberdade, Igualdade e Fraternidade?

Não pode ser, como tem sido, um antro de discórdias e radicalismos, brigas políticas, tal qual o mundo profano a quem pretendemos dar exemplo. Temos que receber a todos, homens de qualquer espécie, gênero ou raça, cor, crença, etc., até que se abram as portas para as mulheres, e esse dia vai chegar, sabemos, com aval de ingleses inclusive. Basta que seja um ser de boa vontade e se preocupe com a evolução e progresso humano. Queremos pessoas boas, de princípios e objetivos.

Nós não precisamos de rótulos e marcas, de estereótipos, precisamos de inteligências para podermos fazer algo de grande pela humanidade. Pouco importa quem seja a pessoa que esteja na coluna, o que importa é que ela some pensamentos e esforços físicos para essa construção social da qual tanto falamos.

Hoje somos pedreiros com uma imensa obra em atraso e prazo se esgotando para entregarmos. Não podemos abrir mão dos bons artífices, temos que dispensar os maus obreiros e contratar novos com bom históricos e formá-los grandes profissionais. Assim a obra chegará ao seu final com a beleza esperada e no prazo determinado.

Mãos à obra!

Autor: Marco Piva

Fonte: Revista BIBLIOT3CA

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Fraternidade dos Maçons

Por uma Conspiração da Fraternidade | Roberto Crema

Quando um profano, assim como eu fui, é indicado por algum mestre a ingressar na maçonaria, ele, na maioria das vezes, não tem noção que “administrativamente” somos divididos em potências, ritos, etc. Ele pensa que ingressará na Maçonaria Universal e que em qualquer lugar do Mundo será reconhecido como tal. Mas depois da iniciação tem-se o primeiro espanto quando é informado dessas divisões. Mas, em alguns Orientes, perceberá que realmente essa divisão é somente administrativa e que todos os irmãos trabalham em harmonia aplicando a verdadeira Fraternidade Universal e é sobre ela que faço minha peça de arquitetura de hoje.

A fraternidade é um conceito filosófico profundamente ligado às ideias de Liberdade e Igualdade e com as quais forma o tripé que caracterizou grande parte do pensamento revolucionário francês “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.

Não existe tratamento mais afetuoso que o de “Irmão”. Não só na nossa Ordem, mas em várias irmandades e até, espontaneamente, vários homens assim se tratam. Mas o significado do nosso tratamento maçônico é bem diferente de todos os outros, pois os ensinamentos que recebemos dentro de nossos Templos, onde a fraternidade deve impregnar em nossas atitudes, nos leva a sermos mais Irmãos que os de outras confrarias.

Na Maçonaria, a Fraternidade harmoniza os seres por meio da parte espiritual; diz-se que os Maçons são Irmãos porque provém da mesma Iniciação; morrem na Câmara das Reflexões, para renascerem produzidos ou procriados por meio do germe filosófico que transforma integralmente a criatura, refletindo-se em seu comportamento posterior.

moral ensinada pela Maçonaria baseia-se no amor ao próximo e nós, hoje, estamos sentindo realmente como é bom e como é agradável ver os irmãos vivendo em união. Devemos colocar os ensinamentos em prática dentro e fora de nossas Oficinas, buscando a essência da vida que o nosso Grande Arquiteto do Universo nos ensina. O bem-querer, a tolerância e a Fraternidade dentro da Loja, transformam o homem em criatura dócil, espontânea e fiel, apta a desempenhar a cidadania no mundo profano, porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre.

A Maçonaria é formada por um conjunto de homens que se reúnem, discutem e estudam juntos. É fácil enxergar que os homens são muito diferentes uns dos outros e nem poderia ser diferente, entenda, todos somos únicos. Uns são calmos, outros agitados; uns com formação universitária, outros não chegaram a frequentar a universidade e mesmo assim possuem uma cultura invejável; uns são ricos outros pobres, alguns tem o hábito da leitura e gostam de se aprofundar nos ensinamentos, leis e ritualísticas maçônicas, outros não, uns estão adorando ler esse pequeno texto, outros estão loucos se coçando pra fechar a aba. Isso é da natureza humana, e por isso deve haver um esforço acima do normal para que essa convivência não se deteriore.

Para vivermos a Fraternidade, a parte ética e de comportamento é muito importante.

São admitidas pequenas rusgas e alguns sinais de irritação, devido à convivência podem aparecer, assim como acontece dentro de nossa própria família. Mas temos a obrigação de as tornarem passageiras. O Maçom tem o dever de tolerar esses incidentes e perdoar.

Fraternidade é a síntese de todas as qualidades superiores que habitam o homem, tais como: saúde, liberdade, alegria, sabedoria, tolerância, bondade, amor e a paz. Para a Maçonaria, a Fraternidade esteve sempre à frente de todos seus ensinamentos, pois cada Maçom sabe do dever que tem para com o próximo, dever esse que é executado com alegria e desprendimento, pois, não há felicidade maior do que a de fazer o bem ao próximo. Em todas as épocas e em todos os lugares se fundamentou, se fundamenta e se fundamentará sempre esse conceito no princípio de Justiça Divina, justiça essa expressa nas frases dos apóstolos Matheus e Lucas que escutaram do próprio Jesus Cristo quando determinou: “Não façais aos outros o que não quereis que vos façam”. Esta é a Lei, e o resto é comentário. Nesse princípio se baseia a liberdade verdadeiramente cristã e nele repousa a declaração dos direitos do homem e do cidadão. Só pode ser fraterno quem se sentir igual; só pode sentir-se igual quem é livre. Este é um conjunto de princípios maçônicos essenciais, pois sem eles a Maçonaria não teria a sua grandeza. Sem eles não teria sentido a busca incessante da verdade, que não pode apenas ser consentida ou tolerada, pois é um direito de todos.

Quando alguém critica um Irmão, sem que haja um justo motivo para tanto, está sendo injusto com ele mas principalmente consigo. Sim, com ele mesmo, porque deixou de lado a equidade que é a virtude que nos auxilia a agir com moderação. Toda critica injusta revela falta de fraternidade. E para que possamos ser fraternos é necessário que sejamos desapegados, isto é, enxotarmos para fora de nosso íntimo a inveja, a vaidade descabida e o orgulho. Isso nos levará a enxergar melhor os nossos defeitos, fazendo com que sejamos mais tolerantes com nossos semelhantes.

Existem inúmeros Maçons verdadeiramente imbuídos do Espírito Fraterno; mas também temos irmãos que não conseguem atingir, nem sentir um mínimo desse sentimento exigido pela Sublime Instituição, esses terminam voltando ao mundo profano que na verdade, nunca abandonaram.

Aqueles que não convivem fraternalmente e conseguem ficar, tornam-se sempre pontos de discórdia e se transformam no grande câncer da Loja.

Peço nesse momento uma reflexão interna: estou tendo uma convivência Fraternal?

Unidos somos mais fortes, então conclamo a todos os irmãos a obedecerem às ordens de nosso único Pai: “Não façais aos outros o que não quereis que vos façam”.

Hoje é um dia de muita alegria e juntos iremos renovar nossa promessa de que durante toda nossa vida, aplicaremos o ensinamento que tivemos em Loja, pois imaginem como o Mundo poderia ser muito melhor se Todos pudessem manter entre si a Fraternidade!

Façamos cada um sua parte.

Autor: Eduardo Lavagnini

* Eduardo é Mestre Maçom pela ARGBLS Amizade, Trabalho e Justiça nº 36, Oriente de Umuarama – Grande Oriente do Paraná

Fonte: Ritos & Rituais

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Além do avental

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O que te faz maçom além do avental que usas?

Discussões dantescas a respeito de quando nos tornamos especulativos e deixamos de ser operativos são travadas por celebrados escritores. Nas origens e etimologia da palavra “pedreiro”, em grego “tekton”[1], é aquele profissional que se empenhava na transformação de materiais em construções diversas com variados materiais, veja bem, não se limitando a pedra.

Chamo a atenção pelo motivo de que às vezes nos achamos pensadores especulativos e na verdade deveríamos estar trabalhando em algo. Em quê?

A filosofia já cuida da mente. A ordem criada por Baden-Powell, das medalhas que usa sobre vosso peito que me lembram mais escoteiros que qualquer outra coisa. Os Clubes de serviço, da caridade. A política dos cursos das nações. O que resta a você como maçom?

O quê foi construído desde que iniciaste, além da evolução oriunda de qualquer ser humano que tem consciência cívica de melhorar a cada dia?

Os ritos e rituais em seu cerne almejavam ser o método do obreiro. E hoje se resumem a ser discutidos em termos e posições geográficas ou disposição de artefatos, perdendo-se a essência e finalidade de sua existência. Ou você acredita que foram criados para serem manuais de procedimentos simplistas?

O ritual é uma parte do laço místico. Como ou por que o homem deve fazer rituais e aprendê-los, amá-los, preservá-los, é tão misterioso quanto qualquer coisa na vida – mas sempre foi assim. Há algo profundo dentro de nós que exige uma forma definida de expressão: podemos dizer o pensamento de mil maneiras, mas nós o dizemos em uníssono e de uma maneira especial. E isto é verdade seja a Maçonaria, a Igreja ou a vida cotidiana que é preenchida com um ritual.[2]

A pedra somos nós mesmos. Mas tendemos a cinzelar a pedra alheia. Isso é demagogia se você não trabalha em sua própria pedra. Mudar de grau não é evoluir, não passando de procedimento administrativo se não foi trabalhada a lição que o traz, por mais pomposo e ornado que sejas o avental quer agora usas.

Recentemente, em um grupo de comunicação Maçônica e DeMolay, soltei um texto que tirava da zona de conforto e indagava a todos sobre seus deveres. Resultado? Silêncio por horas. Quando o assunto é o dever, o trabalho, todos tendem a fingir que não é consigo mesmo, quando pensamos assim, de fato é conosco mesmo o problema.

O filósofo Marcuse, em seu livro “Eros e civilização”, retrata essa gana da atual sociedade em satisfazer seus desejos às vezes maquiados em boas intenções”. “O que você faz quando ninguém te vê fazendo ou o que faria se ninguém pudesse te ver” diz uma música. Maquiavel é ridiculamente estudado e utilizado como manual por jovens que creem aprender politica com práticas traiçoeiras e vis.

O que a mão esquerda faz a direita não fique sabendo é ignorado por publicidade desmedida. O que te faz Maçom além do avental, são os “nãos” que você tem firmeza pra dizer aos seus próprios impulsos e não o avental ou joia que usa.

Uma vez me foi dito: rasgue a “procuração” de quem faz mal. Indaguei sobre a indisposição criada. E me foi dito: se não tem vergonha de fazer o mal será você a ter por dizer?

Infelizmente constatamos que, atualmente, adaptada aos novos tempos, a Ordem é uma sociedade iniciática, mas social/recreativa/religiosa congregando seres humanos comuns que se ajudam mutuamente. Concluindo esta reflexão, inquirimos se, modernamente, em nossas Lojas: Realmente erguemos templos as virtudes?![3]

Uma máxima em engenharia diz que não controlamos o quê não medimos. Além de suposições, qual o método que usas para te nortear na mudança de si mesmo? Ter consciência dos defeitos e falhas não passa mera reflexão feita por qualquer profano. Renascer para uma nova realidade por si só já é conceito do batismo de varias religiões em variadas culturas.

Um método interessante de trabalharmos em nossa própria pedra, a cada semana escrevemos uma virtude em nossas anotações, que queremos melhorar e intensificar, e ao findar o dia relatamos como nos saímos, e o que dificultou de praticarmos a tal virtude. Isso é um exercício fantástico, e nos estimula a ficarmos vigilantes como pregam nossos rituais. Alguns vão dizer, já faço isso de cabeça. Será?

E você meu irmão qual método utiliza?

A corrupção não esta em Brasília no planalto, mas nos nossos espíritos corrompidos que se calam…, o cantor Renato Russo disse, “vivemos entre monstros de nossa própria criação”, mas não temos medo da escuridão. O maçom, hoje, teme a própria luz, por conta da aceitação social. Discutir maçonaria é falar sobre as dificuldades da prática de alguma virtude e por aí se aprofundar, e não erros de gráficas, datas de fundação ou algum fator que qualquer historiador não iniciado poderia fazer e já fazem. Não que não seja importante, mas isso é demasiadamente simplório se comparado ao que realmente é a Arte Real.

Aos outros, a tolerância de serem como quiserem. A nós, a obrigação de sermos cada dia melhores.

Autor: Bruno Oliveira
ARLS Amizade, Trabalho e Justiça, Nº36 GOP-Paraná

Fonte: Ritos & Rituais

Notas

[1] – http://journal.eahn.org/articles/10.5334/ah.239/

[2] – http://www.lodge76.co.uk/lectures/index.html

[3] – https://maxorokegra.blogspot.com.br

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Juramento e compromisso maçônicos

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Quando se segue uma Via Espiritual ou se é admitido numa Ordem de tipo esotérico-iniciática tal como a Maçonaria se define, é habitual o novo membro efetuar um juramento no momento da sua admissão ou durante a execução de uma cerimónia de cariz iniciático, no qual se assume um determinado compromisso. E somente após a realização desse juramento é que o neófito é recebido e integrado no seio da respetiva Ordem.

No caso que irei abordar e que será sobre a Maçonaria, é natural quando se fala em compromisso maçónico também se abordar simbioticamente o juramento maçónico. Tanto um como o outro são indissociáveis, porque um obriga ao outro e o mesmo, reciprocamente.

Durante o desenrolar de uma Iniciação Maçónica, no seu “ponto alto”, o neófito concorda em submeter-se a um juramento onde assume como compromisso de honra, aceitar e respeitar as Regras, Usos e Costumes da Maçonaria bem como as regras e leis do país onde se encontra sediada a Obediência Maçónica e a respetiva Loja da qual irá fazer parte. Nomeadamente e de entre os vários princípios maçónicos que se aceitam cumprir, os mais conhecidos pelo mundo profano são a Fraternidade entre todos os Irmãos, a prossecução do espírito da  Liberdade na Sociedade Civil e o sentimento de Igualdade entre todos.

Assim, assumir-se um compromisso com a Ordem Maçónica é assumir-se um compromisso pela Ordem e a bem da Ordem. Isto é que é o tão propalado estar à Ordem.

E estar-se é mais do que o ser-se! E digo isto porque qualquer um pode “o ser”, mas “estar” apenas se encontra ao alcance de poucos…

Estar implica sacrifício, comprometimento, trabalho, prática e estudo, e isto de forma incansável e perene.

Por isto é que assumir um compromisso deste género e com a relevância que este tem, nunca deverá ser feito de forma leviana; o mesmo se passa com os outros compromissos que se assumem durante a nossa vida profana e que também não devem ser assumidos se não estivermos capacitados para os cumprir.

Há que se ter a noção daquilo a que nos propomos a fazer.

Por isso é que o compromisso maçónico é feito com a nossa Palavra e sobre a nossa Honra. Desvirtuar estas duas qualidades, é desvirtuar a própria Maçonaria.

Da mesma forma que, se não respeitarmos a nossa palavra e não mantivermos a nossa dignidade na sociedade civil, também não somos dignos de nela estarmos integrados e sofreremos as consequências ou punições que forem legitimadas pelas leis do país.

De certa maneira, a Maçonaria atua e se assemelha com a sociedade profana, com as suas leis e os seus costumes, competindo aos maçons respeitar a sua aplicação e observar o seu cumprimento. É mais que um dever ou obrigação tal. É a assumpção que assim o deve ser e nada mais!

Porque assim tem funcionado há quase três séculos e o deverá continuar a ser noutros tantos…

Aliás, ainda na Maçonaria contemporânea se encontra algo que dificilmente se encontra na profanidade atualmente, ou seja, o valor da palavra sobre a escrita. O que não deixa de ser curioso dados os tempos que correm.

Nesta Augusta Ordem, ainda hoje aquilo que um maçom afirma tem um valor tal, que se poderá assumir que não necessitará de ser escrito para que o seja considerado; basta se dizer, que assim o será.

O tal “contrato verbal” na Maçonaria ainda hoje tem lugar. E somente pessoas de bons costumes o usam fazer, pois a sua honra e a sua conduta serão sempre os seus melhores avalistas.

Não obstante, o compromisso maçónico ao ser albergado por um juramento, obriga a que quem se submete a ele, o faça de forma permanente. Não se jura somente aquilo que gostamos ou somente aquilo que nos dá jeito cumprir.

Quando entramos para a Maçonaria sabemos que, tal como noutra associação ou organização qualquer, existem regras e deveres para cumprir; pelo que o cooptado compromete-se em respeitar integralmente todas as regras e deveres que existem na sua Obediência. E quem age assim, fá-lo porque decidiu livremente que o quer fazer e não porque alguém a tal o obriga.

E uma vez que a adesão à Maçonaria se faz por vontade própria, aborrece-me bastante (para não ser mais acutilante ainda…) assistir ou ter conhecimento de casos em que este juramento foi atraiçoado e em que os compromissos assumidos perante todos, foram deliberadamente e conscientemente esquecidos.

Será que quem age desta forma, poderá ser reconhecido como um verdadeiro maçom?

Ou será apenas gente que simplesmente enverga um avental e um par de luvas brancas nas sessões da sua Loja?

Em alguns casos destes, creio que foram pessoas que entraram na Maçonaria, mas que por sua vez, a Maçonaria certamente não entrou neles…

Algumas vezes, infelizmente, isto pode acontecer porque quem vem para a Maçonaria vem “desavisado”, isto é, pouco conhece ou percebe o que é a Maçonaria e o que ela representa, “vem ao escuro” por assim dizer, e caberá a quem apadrinha uma candidatura maçónica, informar ou retirar algumas dúvidas que se ponham ao seu futuro afilhado e consequente irmão. Em última instância, devem os responsáveis pelas inquirições que decorrem no âmbito de um processo de candidatura maçónica, no momento das entrevistas aos candidatos, terem a sensibilidade para se aperceberem do desconhecimento do entrevistado sobre os princípios e causas que movem os maçons e sobre a Ordem da qual este manifesta a vontade de vir a fazer parte, e nesse caso, serem os próprios inquiridores nessas alturas em concreto, a efetuar o trabalho que deveria ter sido feito anteriormente pelo proponente da referida candidatura, no que toca a esclarecer o profano e a fornecer-lhe as informações que lhe sejam necessárias para que esta (possível) adesão possa decorrer sem sobressaltos, nem que esta admissão venha a causar problemas (previsíveis!) no futuro, seja para a respetiva Loja ou até mesmo para a Obediência que porventura o vier a acolher.

Todavia, normalmente no momento do juramento maçónico, o neófito fá-lo sem saber/compreender o que estará a jurar e para o que estará a jurar, pois o véu que o cobre na sua Iniciação é de tal densidade que muitas vezes somente passado algum tempo é possível se perceber o juramento que se fez e o compromisso que se tomou, e que por vezes pode ser diferente daquilo que são as crenças pessoais e respetiva forma de estar de cada um ou até mesmo porque se acreditava que se “vinha para uma coisa e afinal se encontrou outra”…

E o trabalho que um padrinho deve desenvolver com o seu afilhado durante a formação deste tanto como a responsabilidade que assumiu perante o afilhado e a Ordem ao subscrever a candidatura dele, serão fulcrais neste tipo de situação concreta. O padrinho (pelo dever moral) e a Loja em si (porque é um dever da loja acompanhar e tentar integrar corretamente os Irmãos nos valores maçónicos) devem tentar perceber o motivo pelo qual alguém se “distancia” da Maçonaria. E apenas ulteriormente, se for caso disso, devem aconselhar a um possível adormecimento desse irmão por não ser do seu intento continuar a pertencer a algo com o qual não se identifique mais.

Pelo que desta forma se prevenirão certos casos e eventuais “lavagens de roupa suja” ou fugas de informação que poderão surgir, as quais na sua maioria nem sequer são informações plausíveis nem verídicas sequer, pelo que apenas posso especular que estas ocorrências se devem a paixões e vícios mal combatidos e nem sequer evitados… E como se costuma dizer, “o mal corta-se pela raiz”, pelo que “as desculpas devem evitar-se”…

E quem entra na Maçonaria deve ter a noção que as suas atitudes já não lhe dirão respeito apenas a si, mas a todos os integrantes desta Augusta Ordem, a conduta de um maçom estará sempre sob um fino crivo pela sociedade e sempre debaixo do escrutínio de todos, seja de fora ou internamente. – Porque um, pode sempre e a qualquer momento, “por em xeque” os demais -. E ter esta noção e assumir esta responsabilidade é algo que deve ser intrínseco desde os primeiros momentos de vida maçónicos.

Já não é o Nuno, o X ou o Y que fazem isto ou aquilo, serão os maçons Nuno, X ou Y que o fazem… Logo é a Maçonaria na sua generalidade que será atentada com a má conduta que os seus membros possam ter, para além da Ordem poder vir a ser acusada de cumplicidade pelos atos efetuados pelos seus membros.

Assumir que a nossa forma de estar e agir condiciona e se reflete na Maçonaria é um dos maiores compromissos que os maçons poderão tomar. Tanto que o dever de honrar a nossa Obediência, a nossa Loja e a Maçonaria em geral, deve permanentemente se encontrar na mente de todos os maçons.

Um juramento implica obrigações, e jurar ser-se maçom, mas fundamentalmente ser-se reconhecido maçom pelos nossos iguais, implica que sejamos maçons a “tempo inteiro” e não apenas às segundas-feiras ou quintas-feiras de manhã ou à noite, ou quando nos dará mais jeito, é sempre!

Sermos maçons, não é quando visitamos a loja e usamos os respetivos paramentos. Não basta envergarmos um avental, calçar umas luvas brancas e fazer uns “gestos estranhos”, é muito mais que isso! É cumprir preceitos, rituais e trabalhar em prol da Ordem.

E se não estivermos prontos para tal, de nada valerão os juramentos que fizermos, porque nunca nos iremos comprometer com nada na realidade e em último caso, nem sequer reconhecidos como tal seremos.

E a palavra persistirá perdida

Autor: Nuno Raimundo

Fonte: Blog A Partir Pedra

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Primeiras impressões de um Aprendiz Maçom

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Após algumas reuniões e momentos de estudo, utilizando apenas do que foi apresentado para o grau, além das observações cotidianas do convívio prazenteiro de uma Loja Regular, um aprendiz está apto a apresentar suas primeiras impressões sobre o processo de iniciação, principalmente sobre a cerimônia que concede o titulo de Aprendiz Maçom e as transformações ocasionadas pela sua entrada e frequência na ordem iniciática.

Ao entrar para a maçonaria o profano passa por um longo e minucioso processo de admissão, dividido em quatro etapas distintas. Esse processo tem por objetivo conhecer bem o postulante à insígnia de aprendiz maçom.

O processo de escolha de um candidato, principalmente aos olhos deste, pode ser considerado algo demasiadamente moroso. Contudo esse tardo no desenrolar no cumprimento fidedigno das etapas, constitui-se de elementos fundamentais para uma escolha coerente e responsável de um futuro membro da irmandade. O postulante à insígnia de aprendiz maçom, por sua vez, precisa se manter discreto durante todo o processo de escolha. Não se pode deixar que a euforia do convite se transforme em convicção de aceitação pela ordem. Quanto mais circunspecto for o candidato, menor a chance de decepção deste em caso de uma possível rejeição ao seu nome. É importante também salientar que o candidato não deve agir de forma obsedante, a fim de forçar e/ou acelerar o rito normal das etapas de escolha/aceitação/iniciação. A utilização de um parco espaço de tempo na concretização das etapas e do procedimento como um todo, aumentaria consideravelmente a probabilidade de uma escolha equivocada.

Ao citar a palavra processo, que tem a sua origem no latim procedere, que por sua vez significa ‘mover adiante, avançar’, o faço de modo proposital, a fim de deixar bem claro a importância de uma escolha bem sucedida e consequente aceitação de um candidato indicado. Do contrário corre-se o risco de acolher um candidato que não trará bons fluídos para a “irmandade”. De uma forma análoga, quero dizer que uma “erva daninha” pode causar a deterioração do seu hospedeiro, levando-o ao enfraquecimento e/ou a morte. Diante dessa premissa, é necessário seguir as etapas que antecedem as “provas de iniciação” com rigor, coerência e responsabilidade, não permitindo queimar etapas ou acelerar o seu desenvolvimento.

A escolha e aprovação de um candidato devem passar necessariamente por uma avaliação criteriosa de qualidades importantes e inerentes ao ser humano. Contudo, não se deve destacar o caráter, a honestidade e a honra como sendo características indispensáveis ao candidato indicado, pois, tais qualidades devem ser entendidas como uma obrigação de todo e qualquer ser humano em pleno gozo de suas faculdades mentais e consciente de suas responsabilidades e obrigações frente a sociedade que vive.

Para poder fazer parte da ordem iniciática, e frequentar uma Augusta e Respeitável Loja Regular, não basta apenas o candidato indicado ser um homem de bons costumes, acreditar em um Princípio Criador, ser solidário, gozar de boa saúde física e financeira. É preciso, sobretudo, amar a pátria, respeitar os princípios fundamentais do Estado democrático de Direito, que encontram as mais sublimes inspirações nos ideais da Revolução Francesa (1789-1799), e no tão pujante lema, liberté, égalité, fraternité. É preciso também que o pretenso candidato deixe florescer em seu coração um desejo candente de mudanças, que seja capaz de cavar masmorras aos mais profundos e nocivos vícios, lutando diariamente contra toda e qualquer forma de perversão, degradação ética e moral, corrupção, depravação em todos os sentidos, desregramentos, libertinagem, bem como contra toda dependência física ou psicológica que possa corromper o homem e suas virtudes.

Após a iniciação, e passada a euforia do momento, um aprendiz necessariamente precisa desenvolver uma disciplina de observações e estudos, pois, só assim se tornará um maçom virtuoso. A lapidação da pedra bruta só acontecerá se o aprendiz for capaz de compreender o que acontece em seu entorno.

Quando um profano aceita o convite de um maçom para iniciar o processo que poderá levá-lo a fazer parte da ordem iniciática e a frequentar uma Augusta e Respeitável Loja Regular, inicia-se nesse momento uma conexão, direta e bilateral, entre a irmandade (maçonaria universal), ciente e consciente do que é ser um maçom, seus deveres e obrigações e um profano totalmente ignorante e desconhecedor do que o espera. Leigo em sua essência, o profano inicia sua caminhada em direção ao desconhecido, completamente desnudo de conhecimento sobre a ordem, inteiramente “pedra bruta”, ansioso para ser lapidado e fazer parte de algo que não conhece. Ao aceitar o convite o profano assume o risco de uma caminhada, com ângulos e retas bem distintas, que a princípio não fazem sentido e muito menos levam a lugar algum, tamanho o desconhecimento do candidato. Tal caminhada será feita na mais completa escuridão, sendo permitido enxergar a luz somente ao final desta, como um prêmio pela coragem e perseverança do candidato.

Diante de tamanha incongruência entre as partes, como pode um profano querer fazer parte de algo que não lhe és apresentado? O que motiva um homem envolto em um mundo místico, cheio de vícios e preconceitos, aceitar um convite para fazer parte de algo tão ignoto? A resposta para tantas perguntas não é tarefa fácil para um aprendiz, talvez o desconhecido intimida ao mesmo tempo que fascina o profano. Talvez esse seja o segredo da longevidade da maçonaria. Apenas suposições.

Ao longo do processo o profano é movido pelos mais variados sentimentos, mas nenhum assusta mais do que o medo do desconhecido. Entre todas as etapas nenhuma é mais gratificante ao mesmo tempo em que aterrorizante do que as provas de iniciação. A escuridão que ofusca o candidato  não só o deixa cego para o mundo exterior, como também leva-o a pensamentos singulares e reflexivos. A cada passagem sentimentos, medos e dúvidas afloram, frutos de uma encenação quase dramática. É inevitável não ter medo, pois, o desconhecido assusta. O silêncio estarrecedor, quebrado apenas por sussurros desconexos e enigmáticos, não deixa dúvidas de que algo está acontecendo.

Tomado de uma pressão psicológica, o profano completamente desorientado e embriagado por um misto de emoções, fruto, sobretudo, de um teatro psicodélico, ainda precisa terminar sua jornada, se assim quiseres fazer parte da ordem. Sendo submetido ao juramento. Terminada as provas é chegada a hora mais surreal de todo o processo, quando o neófito vê a luz, uma visão que leva o ex-profano ao mais sublime deleite, o desvendar de um mundo desconhecido, uma emoção indescritível, que não se deve ser transcrita, apenas sentida, pois, transcende o belo, e surpreende a mais incrédula das criaturas, uma verdadeira recompensa por toda a espera e provações. Como prêmio por toda bravura, perseverança e retidão, o agora aprendiz maçom assume seu lugar na Coluna do Norte. Um mero aprendiz, ansioso para se embebedar de conhecimentos e aprendizados.

Diante dos augustos mistérios o profano até o último minuto antes de ver a luz se manteve “em pé e á ordem”, mesmo desconhecendo o desconhecido. Ao alcançar seu prêmio, o agora aprendiz, passa a ter real noção do que o espera. Passa a entender que não está aceitando fazer parte de uma ordem iniciática para ganhar status e/ou lograr êxito em sua vida financeira, mas sim, quando de coração, ele está aceitando uma mudança de vida de princípios, atitudes e principalmente está assumindo um compromisso com uma nova e complexa família, espalhada pelos mais distantes rincões desse planeta.

O aprendiz maçom será parte viva de um instrumento, onde para se tornar um bom maçom deverá buscar o aperfeiçoamento diariamente, em um exercício constante de autocrítica e mudança de hábitos. Até se tornar um maçom de corpo e alma o aprendiz terá que desbastar a “Pedra Bruta” cotidianamente, “cavando Masmorras aos vícios e levantando Templos à Virtude”, processo que pode levar uma vida inteira.

Ao final do seu primeiro estágio, o aprendiz maçom passa a compreender perfeitamente que não foi ele que escolheu ser maçom e sim a maçonaria que o escolheu para ser um dos seus. Uma simbiose única entre a perfeição sublime da maçonaria e a imperfeição dos homens que vestem ternos e capas pretas.

Autor: Kleist Alan Tameirão

*Kleist é membro da ARLS Deus, Pátria e Família, nº154, situada no oriente de Corinto e jurisdicionada à GLMMG.

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O que é “ser livre e de bons costumes” na concepção maçônica

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A partir do momento que alguém se torna Maçom, há de se conscientizar que haverá um caminho longo a percorrer. Pode-se dizer que é um caminho sem fim. Ao longo dessa caminhada há bons e maus momentos. Os bons deverão ser aproveitados como incentivo, e os maus não poderão ser motivo de esmorecimento e desistência da viagem iniciada. A linguagem, sempre empregada nas Lojas Maçônicas, diz que o Aprendiz Maçom é uma pedra bruta que deve talhar-se a si mesmo para se tornar uma pedra cúbica. É o início da sua jornada Maçônica.

O nutrimento elementar para a viagem é conhecido do Maçom desde de nossa primeira instrução recebida: a régua de 24 polegadas, o maço e o cinzel. Com o progresso, nós Maçons vamos recebendo outros objetos.

Os utensílios de trabalho, obviamente, são simbólicos. Todos os símbolos nos abrem as portas sob condição de não nos atermos apenas às definições morais. É através das instruções recebidas em Loja que começamos a entender os significados de nossa jornada maçônica, do espírito Maçônico, que nos ensina um comportamento original que não se encontra em nenhum outro grupo de homens. Se isso não for absorvido, não será um bom Maçom, livre e de Bons costumes.

O que é “ser livre e de bons costumes” na concepção maçônica?

Livre e de Bons Costumes implica que, apesar do homem ser livre na real acepção da palavra, pode estar preso a entraves sociais capazes de privá-lo de parte de sua liberdade, tornando-o escravo de suas próprias paixões e preconceitos. Assim, é desse jugo que ele deve se libertar, mas, só o fará se for de Bons Costumes, ou seja, se já possuir preceitos éticos (virtudes) bem fundamentados em sua personalidade.

O ideal dos homens livres e de bons costumes, que nossa sublime Ordem nos ensina, mostra que a finalidade da Maçonaria é, desde épocas mais remotas, dedicar-se ao aprimoramento espiritual e moral da Humanidade, pugnando pelos direitos dos homens e pela Justiça; pregando o amor fraterno; procurando congregar esforços para uma maior e mais perfeita compreensão entre os homens, a fim de que se estabeleçam os laços indissolúveis de uma verdadeira fraternidade, sem distinção de raças nem de crenças, condição indispensável para que haja realmente paz e compreensão entre os povos.

Livre, palavra derivada do latim, em sentido amplo quer significar tudo o que se mostra isento de qualquer condição, constrangimento, subordinação, dependência, encargo ou restrição.

A qualidade ou condição de livre, assim atribuído a qualquer coisa, importa na liberdade de ação a respeito da mesma, sem qualquer oposição, que não se funde em restrição de ordem legal e, principalmente, moral. Em decorrência de ser livre, vem a liberdade, que é faculdade de se fazer ou não fazer o que se quer, de pensar como se entende, de ir e vir a qualquer parte, quando e como se queira, exercer qualquer atividade, tudo conforme a livre determinação da pessoa, quando não haja regra proibitiva para a prática do ato ou não se institua princípio restritivo ao exercício da atividade.

Bem verdade é que a Maçonaria é uma escola de aperfeiçoamento moral, onde nós, homens, nos aprimoramos em benefício de nossos semelhantes, desenvolvendo qualidades que nos possibilitem ser, cada vez mais, úteis à coletividade. Não nos esqueçamos porém que, de uma pedra impura, jamais conseguiremos fazer um brilhante, por maior que sejam nossos esforços.

O conceito maçônico de homem livre é diferente, é bem mais elevado do que o conceito jurídico. Para ser homem livre não basta ter liberdade de locomoção, para ir aqui ou ali. Goza de liberdade o homem que não é escravo de suas paixões, que não se deixa dominar pela torpeza dos seus instintos de fera humana. Não é homem livre, não desfruta da verdadeira liberdade, quem esta escravizado a vícios. Não é homem livre aquele que é dominado pelo jogo, que não consegue libertar-se de suas tentações. Não é homem livre quem se enchafurda no vício, degrada-se, condena-se por si mesmo, sacrifica voluntariamente a sua liberdade porque os seus baixos instintos se sobrepuseram às suas qualidade, anulando-as.

Maçom livre é o que dispõe da necessária força moral para evitar todos os vícios que infamam, que desonram, que degradam. O supremo ideal de liberdade é livrar-se de todas as propensões para o mal, despojar-se de todas as tendências condenáveis, sair do caminho das sombras e seguir pela estrada que conduz à prática do bem, que aproxima o homem da perfeição intangível.

Sendo livre, e por consequência, desfrutando de liberdade, o homem deve sempre pautar sua vida pelos preceitos dos bons costumes, expressão também derivada do latim e usada para designar o complexo de regras e princípios impostos pela moral, os quais traçam a norma de conduta dos indivíduos em suas relações domésticas e sociais, para que estas se articulem seguindo as elevadas finalidades da própria vida humana.

Os bons costumes referem-se mais propriamente à honestidade das famílias, ao recato das pessoas e a dignidade ou decoro social.

A ideia e o sentido dos bons costumes não se afastam da ideia ou sentido de moral pois, os princípios que os regulam são, inequivocamente, fundados nela.

O bom maçom, livre e de bons costumes, não confunde liberdade, que é direito sagrado, com abuso, que é defeito; crê em Deus, ser supremo que nos orienta para o bem e nos desvia do mal. O bom maçom, livre e de bons costumes, é leal. Quem não é leal com os demais, é desleal consigo mesmo e trai os seus mais sagrados compromissos; cultiva a fraternidade, porque ela é a base fundamental da Maçonaria, porque só pelo culto da fraternidade poderemos conseguir uma humanidade menos sofredora; recusa agradecimentos, porque se satisfaz com o prazer de haver contribuído para amparar um semelhante.

O bom maçom, livre e de bons costumes, não se abate, jamais se desmanda, não se revolta com as derrotas, porque vencer ou perder são contingências da vida do homem; é nobre na vitória e sereno se vencido, porque sabe triunfar sobre os seus impulsos, dominando-os; pratica o bem porque sabe que é amparando o próximo, sentindo suas dores, que nos aperfeiçoamos.

O bom maçom, livre e de bons costumes, abomina o vício, porque este é o contrário da virtude que ele deve cultivar; é amigo da família, porque ela é a base fundamental da humanidade. O mau chefe de família não tem qualidades morais para ser maçom; não humilha os fracos, os inferiores, porque é covardia, e a Maçonaria não é abrigo de covardes; trata fraternalmente os demais para não trair os seus juramentos de fraternidade; não se desvia do caminho da moral, quem dele se afasta, incompatibiliza-se com os objetivos da Maçonaria.

O bom maçom, o verdadeiro maçom, não se envaidece, não alardeia suas qualidades, não vê no auxílio ao semelhante um gesto excepcional, porque este é um dever de solidariedade humana, cuja prática constitui um prazer. Não promete senão o que pode cumprir. Uma promessa não cumprida pode provocar inimizade. Não odeia, o ódio destrói, só a amizade constrói.

Finalmente, o verdadeiro maçom, não investe contra a reputação de outro, porque tal fazer é trair os sentimentos de fraternidade. O maçom, o verdadeiro maçom, não tem apego aos cargos, porque isto é cultivar a vaidade, sentimento mesquinho, incompatível com a elevação das qualidades que o bom maçom deve cultivar.

Os vaidosos buscam posições em que possam se destacar; os verdadeiros maçons buscam o trabalho em que possam fazer destacar a Maçonaria.

O valor da existência de um maçom é julgado pelos seus atos, pelo exercício do bem.

Autor: Antonio Marcus de Melo Ferreira
ARLS Evolução Gonçalense, 50,Rio de Janeiro

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Bibliografia

Ritual do Grau de Aprendiz Maçom

Dicionário Aurélio – 1999

Adaptação do Texto Original do Ir.’. Nery Saturnino – ARLS Amor e Fraternidade

O Irmão Peregrino

Procurai e encontrareis. Batei e sereis atendido. Pedi e recebereis.” (Luc 11:9, Mat.7:7)

É sabido entre os Maçons que existem direitos e obrigações dentro da Ordem, conforme consignado no Estatuto e Regulamento da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, além do contido no Regimento Interno da Loja a que pertencem como nas demais Lojas irmãs congêneres de outras jurisdições.

Vale sempre ressaltar que todos os Maçons têm o direito de participar dos trabalhos de Lojas regulares, devendo-se observar o rigor disciplinar prescrito para os perfeitos conhecedores da dinâmica aplicada no telhamento, envolvendo, inclusive, os requisitos de apresentação dos documentos de identidade maçônica e civil, mensalidade atualizada e palavra semestral ou de convivência, dependendo da Obediência a que pertença.

Vencida a barreira inicial de reconhecimento cautelar que o ato encerra, tanto da parte de quem recebe, quanto daquele que visita, em especial no que se refere à legalidade da Loja visitada, cabe ao peregrino seguir os conselhos sempre repisados de manter postura sempre altiva, sóbria e discreta, observando o silêncio no que couber e manifestando-se quando cabível e no momento adequado, de acordo a ritualística aplicada à Loja e ao Rito seguido.

Nesse aspecto, além de ser um direito que assiste ao Maçom regular, a visitação é um dos mais antigos costumes maçônicos e está vinculada à teoria de que todas as Lojas são apenas divisões da “Fraternidade Universal”.

Historicamente, o direito em questão está embasado no eterno e imutável 14º Landmark, dentre os 25 colecionados pelo irmão Alberto G. Mackey, que assim se apresenta:

O direito de todo Maçom visitar e tomar assento em quaisquer Lojas é um inquestionável Landmark da Ordem. É o consagrado direito de visitar que sempre foi reconhecido como um direito inerente que todo irmão exerce quando viaja pelo Universo. É a conseqüência de encarar as Lojas como meras divisões, por conveniência, da Família Maçônica Universal.”

A história da Maçonaria já relata essas visitas como um costume dos mais antigos e mais amplamente praticados da Maçonaria Simbólica. No trabalho do Irmão Ken Anderson, Guia do Maçom Viajante – Orientações para um Maçom Viajante -, relata-se que

em tempos operativos, bem antes do surgimento da maçonaria especulativa como a conhecemos hoje, os pedreiros eram trabalhadores itinerantes que se viam forçados a viajar para renovar seu emprego à medida que cada projeto de construção fosse concluído. Este caráter fluido da Maçonaria Operativa levou à formação de sociedades comerciais, conhecidas como Lojas, para proteger a integridade de seu ofício, e para melhorar as práticas morais e sociais dos seus membros.

É bom que se diga que a visitação não é somente recomendada aos jovens maçons, como se costuma ouvir e sim uma necessidade de todos os obreiros, pois a troca de experiências com outros irmãos, a observação da forma de atuar de cada Loja, a sua estrutura, os ritos e ritualísticas diferenciados, sempre agregam informações e enriquecem nossa caminhada maçônica. Por vezes, grandes surpresas ocorrem, em especial quando se reconhece uma pessoa amiga que não imaginávamos pertencer à Ordem e as novas amizades que se iniciam, com a reciprocidade decorrente dos convites trocados, proporcionando, além de uma expansão do círculo de relacionamento maçônico, o fortalecimento do processo de capilaridade que deve também ser uma das características das relações entre os seus membros.

Ensinam os irmãos mais experientes que nunca é exagerado relembrar que, ao visitar Lojas de outros ritos, devem-se respeitar as regras sociais e seguir as orientações regulamentares da mesma. “Não importa se na sua Loja o certo é assim ou assado”, asseveram. Os “bons costumes”, que todo Maçom deve observar, ditam que, “na casa dos outros, você tem que dançar conforme a música”. Como muito bem ensina o ditado:

Quando em Roma, faça como os romanos.

Por outro lado, é previsto no 15º Landmark que a um visitante já conhecido de algum irmão do Quadro lhe seja concedida a permissão para entrar conjuntamente com os membros, cabendo ao Mestre de Cerimônias indicar o local de assento. Quando se tratar de Venerável Mestre ou Mestre Instalado, serão estes conduzidos ao Oriente onde têm assento de praxe.

Na Prancha nº 217, intitulada “Como visitante e com o Visitante[NB], o irmão Sérgio Quirino Guimarães recomenda que

quando for fazer uma visita, procure saber se nos trabalhos da Oficina é permitido o uso de Balandrau (alguns ritos não reconhecem esta vestimenta). Sendo Aprendiz ou Companheiro, antes da sessão pergunte para algum Irmão se a Pal.’. a Bem da Ord.’. é franqueada a manifestação de todos ou somente para M. M..

Ainda sobre a visitação, cabe destacar que muitas Lojas têm como projeto de incentivo a concessão da “Medalha Irmão Peregrino” àqueles obreiros que visitam o maior número de Lojas no ano. Tal medida se reveste de significativa importância, pois estabelece uma sadia competição entre os irmãos, notadamente entre aqueles que ainda desbastam a pedra bruta, acelerando o processo de aprendizagem da ritualística, além de despertar o interesse pelo aperfeiçoamento da caminhada, pelos novos desafios representados pelas conquistas dos Graus Filosóficos e outros Ritos.

Como sabemos tal prática não é dominante, pois a tendência ao acomodamento ao se atingir o Grau 3 é sobejamente decantado. Mesmo naquelas Lojas que incentivam a peregrinação, como fator de desenvolvimento, ainda encontramos à sombra das colunas dos Templos obreiros que não defendem tal prática, chegando, à vezes, a questionar a validade deste ou daquele comprovante de visitação incluído na Bolsa de Propostas e Informações, que funciona como o correio da Loja, sob o argumento de somente são válidas apenas as visitas às Lojas Simbólicas, desconhecendo a grandeza dos Graus Filosóficos, defendendo uma separação de corpos além do administrativo competente, corrompendo o conceito de “Família Maçônica Universal” a que se refere o 14º Landmark supracitado.

Até este ponto, nenhuma novidade que altere a ordem dos fatos. Porém, cabe-nos refletir como tem sido nossa relação com os irmãos visitantes, no sentido de construir uma boa impressão e não ter o desgosto de ver a imagem da Loja sendo denegrida por falhas nos procedimentos de acolhimento daquele obreiro que está na plenitude do exercício de seus direitos.

Fazer progressos na Maçonaria e estreitar os laços de fraternidade que nos unem como verdadeiros irmãos é mandamento a ser observado por todos os que são escolhidos e acolhidos pela Ordem. Portanto, a postura recomendada é a de receber bem os visitantes nos trabalhos em Loja e em eventos promovidos pela mesma, tratando-os com cordialidade e consideração, para que se sintam bem e reconhecidamente entre irmãos. Assim procedendo, a boa impressão causada será motivo de visitas futuras e recomendação a outros irmãos.

Internamente em nossas Lojas, é forçoso reconhecer que alguns cuidados devem se constituir em hábito, como o de cumprimentar a todos quando se chega e não apenas reservar atenção para uns poucos selecionados. Isso é sempre captado pelos irmãos mais atentos e, às vezes, motivo de comentários negativos. Quando se chama a atenção de algum mais distraído, soa familiar o argumento da correria do dia-a-dia, da falta de tempo e outros na mesma linha de argumentação. Costuma-se o comportamento repetir-se no encerramento dos trabalhos, e muitos saem apressadamente sem se despedir. Podemos concluir que os trabalhos não atingiram o objetivo de restabelecer o equilíbrio e a harmonia que sempre se espera. Como a compreensão e a tolerância são virtudes que cultuamos, não ficam arestas e a vida continua, na esperança de dias melhores.

De outra forma, quando chegamos à Oficina e olhamos os irmãos nos olhos, trocando uma palavra amiga e um fraterno abraço, a comunhão é perfeita e os trabalhos se mostram revigorantes, cumprindo a essência do Salmo 133.

Agora, imaginemos essa mesma postura de indiferença em relação a um irmão visitante. Passado o procedimento de reconhecimento, o mesmo é encaminhado a um canto e lá permanece com a indiferença dos demais. Muitas vezes, na oportunidade em que se poderia valorizar o fato e citar-se o nome do visitante e sua Loja, o Orador cai na armadilha do genérico e sumário agradecimento, ao amparo do argumento do famigerado adiantado da hora. Se o peregrino estiver à procura de uma nova Loja para se filiar, em face de mudança de domicílio, por razões profissionais ou outro motivo, essa visitada, como alternativa, já estará descartada. Ainda temos a situação de algumas Lojas que promovem uma ágape após as reuniões de trabalho e, alegremente, os irmãos se agrupam conforme as preferências e continuam as discussões interrompidas no encontro anterior.

É objeto de comentários que muitos nem se lembram de dar atenção ou ao menos convidar o visitante para compartilhar daquele momento. Outros até acreditam que o visitante já foi com a intenção de pegar uma “boquinha livre” e se fazem de desentendidos ou simulam outros afazeres. É muito triste essa constatação. Realmente, falta muita aresta a ser aplainada e muito progresso a ser feito nesse estágio terreno e primitivo da evolução espiritual. Como sempre ouvimos alhures,

é preciso muito amor e persistência para quebrar a ‘casca grossa’ que envolve milhares e milhares de corações.

Educação e cortesia são valores que trazemos de berço e, por vezes, tornam-se obstáculos a serem enfrentados e grande desafio para a Ordem.

Nunca é demais recorrer ao “Livro da Lei” e refletir sobre a passagem contida em Marcos 6, 10- 11:

Quando entrardes numa casa ficai nela até irdes embora. Se em algum lugar não vos receberem nem vos escutarem, ao sairdes de lá, sacudi a poeira dos pés em protesto contra eles.

Em princípio, trata-se de uma ordem interessante que Jesus deu a seus discípulos e que podemos agregar aos nossos valores. Mas, antes é preciso entender a mensagem de amor e de perseverança envolvidos, quando o Mestre mostra para os seus discípulos a necessidade de se desvencilharem da carga emocional negativa que tal situação possa ter causado. A estratégia em questão é deixar para trás todo sentimento de rancor decorrente da experiência. Isto é, deixar pra trás o que nos impede de vencer nossas paixões e fazer progressos, prosseguindo confiantes e leves por novos caminhos, como livres pensadores, formadores de opinião e construtores sociais, como todo bom Maçom.

Obrigado pela visita e seja sempre bem-vindo, meu irmão!

Transmita aos irmãos de sua Loja nosso fraterno abraço!

Brevemente, retribuiremos a visita!

“Na vida, tudo que é raro é surpreendente. Educação, por exemplo.”  (Marcio Kühne)

Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Instalado da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, da Academia Mineira Maçônica de Letras, e para nossa alegria, também um colaborador do blog.

Nota do Blog

Pra ler o artigo Como visitante e com o Visitante, clique AQUI

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O estudo da ordem e doutrina maçônica

Qualquer que tenha sido o vosso propósito e o anseio de vosso coração ao ingressar na Augusta Instituição que fraternalmente vos acolheu como um de seus membros é certo que não tereis entendido, a princípio, toda a importância espiritual deste passo e as possibilidades de progresso que com ele vos foram abertas.

A Maçonaria é instituição hermética no tríplice e profundo sentido da palavra. O segredo maçônico é de tal natureza, que não pode nunca ser violado ou traído, por ser mística e individualmente realizado por aquele maçom que o busca para usá-­lo construtivamente, com sinceridade e fervor, absoluta lealdade, firmeza e perseverança no estudo e na prática da arte.

A Maçonaria não se revela efetivamente senão a seus adeptos, aqueles que a ela se doam por inteiro, sem reservas mentais, para tornarem-­se verdadeiros maçons, isto é, obreiros iluminados da inteligência construtora do universo, que deve manifestar-­se em sua mente como verdadeira luz que ilumina, desde um ponto de vista superior, todos os seus pensamentos, palavras e obras.

Isto é conseguido por intermédio das provas que constituem os meios pelos quais se torna manifesto o potencial espiritual que dorme em estado latente na vida rotineira, as provas simbólicas iniciais e as provas posteriores do desânimo e da decepção. Quem se deixar vencer por elas, assim como aquele que ingressar na associação com um espírito superficial, deixará de conhecer aquilo que a ordem encerra em sua forma e seu ministério exterior: deixará de conhecer seu propósito real e a força espiritual oculta que interiormente anima a ordem.

O tesouro acha-­se escondido profundamente na terra. Só escavando, buscando-­o por debaixo das aparências, pode-se encontrá-lo. Quem passa pela instituição como se fosse uma sociedade qualquer ou um clube de serviço, não pode conhecê-­la: somente permanecendo nela longamente, com fé, esforçando-se e tornando-se maçom, reconhecendo o privilégio inerente a esta qualidade, ela revelará o tesouro oculto.

Deste ponto de vista, e qualquer que seja o grau exterior que se possa conseguir, ou que já tenham sido conferidos para compensar de alguma forma os anseios e desejos de progresso, dificilmente pode-­se realmente superar o grau de aprendiz.

Na finalidade iniciática da ordem, somos e continuaremos sendo aprendizes por um tempo muito maior que os simbólicos três anos de idade. Oxalá, fossemos todos bons aprendizes e continuássemos sendo-o por toda nossa existência!

Se todos os maçons se esforçassem primeiro em aprender, quantos males têm sido lamentados e que ainda serão lamentados, não mais teriam razão de existir.

Ser um aprendiz, um aprendiz ativo e inteligente que envida todos os esforços para progredir se iluminando no caminho da verdade e da virtude, realizando e colocando em prática, fazendo-­a carne de sua carne, sangue de seu sangue e vida de sua vida, a doutrina iniciática que se encontra escondida e é revelada no simbolismo do grau, é, sem dúvida, muito melhor que ostentar o mais elevado grau maçônico. Permanecendo na mais odiosa e destruidora das ignorâncias dos princípios e fins sublimes de nossa ordem não levam à evolução.

Não devemos ter pressa na ascensão a graus superiores. O grau que nos foi outorgado, e pelo qual exteriormente somos reconhecidos, é sempre superior ao grau real que alcançamos e realizamos interiormente, e a permanência neste primeiro grau dificilmente poderá ser taxada de excessiva, por maiores que sejam nossos desejos de progresso e os esforços que façamos nesse sentido. Compreender efetivamente o significado dos símbolos e cerimônias que constituem a fórmula iniciática deste grau, procurando a sua prática todos os dias da vida é melhor que sair prematuramente dele, ou desprezá-­lo sem tê-­lo compreendido.

A condição e o estado de aprendiz referem-­se, de forma precisa, à nossa capacidade de apreender; somos aprendizes enquanto nos tornamos receptivos, abrindo-­nos interiormente e colocando todo o esforço necessário para aproveitarmos construtivamente todas as experiências da vida e os ensinamentos que de algum modo recebemos. Nossa mente aberta e a intensidade do desejo de progredir determinam esta capacidade.

Estas qualidades caracterizam o aprendiz e o distinguem do homem comum dentro ou fora da ordem. No profano, segundo se entende maçonicamente esta palavra, prevalecem a inércia e a passividade, e, se existe desejo de progresso, aspiração superior, encontram-se como que sepultados ou sufocados pela materialidade da vida, que converte os homens em escravos completos de seus vícios, de suas necessidades e paixões.

O que torna patente o estado de aprendiz é exatamente o despertar do potencial latente que se encontra em cada ser e nele produz um veemente desejo de progredir, caminhar para frente. Leva a superar todos os obstáculos e limitações, tira proveito de todas as experiências e ensinamentos que encontra em seus passos. Este estado de consciência é a primeira condição para que seja possível tornar-­se maçom em sentido lato.

Toda a vida é para o ser ativo, inteligente e zeloso, uma aprendizagem incessante. Tudo o que encontramos em nosso caminho pode e deve ser um proveitoso material de construção para o edifício simbólico de nosso progresso. O templo que assim erigimos a cada hora, cada dia e cada instante à glória do Grande Arquiteto do Universo: é o princípio construtivo e evolutivo em nós mesmos. No fundo tudo é bom, pode e deve ser utilizado construtivamente para o bem: apesar de que possa ter-­se apresentado sob a forma de experiência desagradável, contrariedade imprevista, dificuldade, obstáculo, desgraça ou inimizade.

Eis o programa que o aprendiz deve esforçar-se em realizar na vida diária. Somente mediante este trabalho: inteligente, zeloso e perseverante, ele tem a possibilidade de converter-se em obreiro da inteligência construtora, e companheiro de todos os que estão animados pelo mesmo programa e finalidade interior.

O esforço individual é condição necessária para o progresso. O aprendiz não deve contentar-se em receber passivamente as ideias, conceitos e teorias vindas do exterior, e simplesmente assimilá-­las, mas trabalhar com estes materiais, e assim aprender a pensar por si mesmo, pois o que caracteriza a instituição maçônica são a mais perfeita compreensão e realização harmônica de dois princípios: liberdade e autoridade. Estes se encontram amiúde em franca oposição ao mundo profano. Cada um deve aprender a progredir por meio de sua própria experiência e por seus próprios esforços, ainda que aproveitando segundo seu discernimento e experiência daqueles que procederam nesse caminho.

A autoridade dos mestres é simplesmente guia, luz e apoio para o aprendiz, enquanto não aprender a caminhar por si mesmo. Seu progresso será sempre proporcional aos seus próprios esforços. Assim é que esta autoridade, a única reconhecida pela Maçonaria, nunca será resultado de imposição ou coação, mas o implícito reconhecimento interior de superioridade espiritual, de um maior avanço na mesma senda que todos indistintamente percorrem. Aquela autoridade natural que somente conseguimos reconhecendo a verdade e praticando a virtude.

O aprendiz que realizar esta sublime finalidade da ordem, reconhecerá que em suas possibilidades há muito mais do que fora previsto quando, inicialmente, pediu sua filiação e foi recebido como irmão.

O impulso que o moveu desde então foi radicalmente mais profundo que as razões conscientes determinantes. Naquele momento atuava nele uma vontade mais elevada que a da sua personalidade comum, sua própria vontade individual, a vontade do divino em nós. Seja ele consciente desta razão oculta e profunda que motivou sua filiação à augusta e sagrada ordem por suas origens, natureza e finalidades.

A todos é dado o privilégio e a oportunidade de cooperar para o renascimento iniciático na Maçonaria, para o qual estão maduros os tempos e os homens. Façamos-lo com aquele entusiasmo e fervor que, tendo superado as três provas simbólicas, não se deixa vencer pelas correntes contrárias do mundo nem arrastar pelo ímpeto das paixões nem desanimar pela frieza exterior, e que, chegando a tal estado de firmeza, amadurecerá e dará ótimos frutos.

Mas antes aprendamos o que é a ordem em sua essência: origem, significado da iniciação simbólica pela qual fomos recebidos. A filosofia iniciática da qual provêm os elementos. O estudo dos primeiros princípios e dos símbolos que os representam. A tríplice natureza e valor do templo alegórico de nossos trabalhos e a sua qualidade. A palavra dada para uso e que constitui o ministério supremo e central. Receberemos assim o salário merecido como resultado de nossos esforços e nos tornaremos obreiros aptos e perfeitamente capacitados para o trabalho que de nós é exigido.

Texto extraído do livro Manual do Aprendiz Franco-Maçom
Sociedade de Ciências Antigas

 

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O filtro da Loja

“A quem muito se deu, dele muito se exigirá; e a quem muito se entregar, muito se lhe pedirá”

Um templo maçônico é construído, unindo-se tijolo a tijolo com a argamassa reparada pelo pedreiro, que assim levanta suas paredes e verifica a sua perfeição com o auxílio do Prumo e do Nível, tornando a aparência rude em lisa com a Trolha, utilizada para estender o reboco e cobrir todas as irregularidades, para anunciar que está tudo correto, proclamando: tudo está justo e perfeito, fazendo parecer o edifício como formado por um único bloco e por isso, a Trolha pode ser considerada como um emblema de tolerância e indulgência com que todo Maçom deve dissimular as faltas e defeitos de seus Irmãos.

É esse o segredo da vida dotada de força. Apenas com a inteligência não se pode ser um ser moral, nem fazer política. A razão não basta, as coisas decisivas passam-­se para além dela. Os homens que fizeram grandes coisas amaram sempre a música, a poesia, a forma, a disciplina, a religião e a nobreza. Iria mesmo ao ponto de afirmar que só as pessoas que assim procedem conhecem a felicidade! São esses os chamados imponderáveis que dão o cunho próprio ao senhor, ao homem; aquilo que ainda vibra na admiração do povo pelos atores é um resto incompreendido disso.

Porém é o Mestre quem diz que sua obra está perfeita. Dentro deste templo construímos uma Loja. Uma Loja é construída com a energia dos Irmãos, ela encerra todas as virtudes dos seus membros, mas também todos os seus vícios. Se permitirmos que as virtudes prevaleçam, ela se enche de brilho e reflete em seus criadores a aura de felicidade, de paz, de harmonia, de satisfação, de bem estar físico e espiritual.

Vício é o hábito mau, oposto à virtude, que é o hábito bom. Vício é tudo quanto se opõe à natureza humana e que é contrário à ordem da razão; um hábito profundamente arraigado, que determina no indivíduo um desejo quase doentio de alguma coisa, que é ou pode ser nocivo. É tudo o que é defeituoso, o que se desvia do bom caminho. Sendo coisas extremas, os vícios estão em oposição não só com a virtude, senão também entre si; as virtudes, pelo contrário, concordam sempre entre si.

Quando permitirmos que os vícios, os erros, o egoísmo, o individualismo, dominem, isso nos devolve a sensação de opressão, angústia, desânimo, desilusão.

Mas quem é o filtro que se coloca diante de nossos defeitos de modo a não permitir que eles se amplifiquem dentro do templo e transformem a Loja?

Quem é que amplia nossas qualidades, tornando os trabalhos justos e perfeitos?

Quem é que com suas críticas ajuda Loja a crescer?

Quem é que com seus elogios nos enche de orgulho, mas nos alerta que nas Lojas Maçônicas, os ótimos são apenas bons?

Quem é que diante de nossas divergências nos lembra que os motivos que nos unem são maiores do que aqueles que nos separam?

É o Venerável Mestre. Esse é Irmão que, no decorrer de sua administração, deve saber filtrar as queixas, saber amplificar as qualidades; que se cala como um sábio para evitar desavenças e que fala como profeta aos que sabem ouvi-­lo.

Juiz por Instalação… Salomão por mérito, manifestação de respeito, fidelidade, subordinação e digno de reverência. O peso que exerce o Venerável Mestre na administração da Loja, é decisivo. Ele é o que suas ações exemplificam.

Na Maçonaria, como em qualquer outra instituição humana, são comuns as homenagens a Maçons que se distinguem por seus méritos; essas homenagens, todavia, devem ser prestadas com parcimônia e recebidas com humildade; a parcimônia, para que elas não se transformem em moeda vil, em balcão de comendas; a humildade, para que o homenageado tenha em mente que o dever está acima das galas momentâneas.

O que se espera do dirigente

O Venerável Mestre não é apenas um condutor de reuniões (se bem que de cada reunião deva nascer o encaminhamento para a solução dos problemas propostos. Se uma reunião for estéril e o seu resultado ineficaz, estarão comprometidas e desacreditadas as reuniões seguintes). Sem sombra de dúvidas, podemos afirmar que o Veneralato é uma investidura que impõe ao Maçom importantes e sérias responsabilidades, cuja incumbência deve ser efetuada com galhardia, zelo e satisfação, ainda que sejam as tarefas difíceis e a jornada árdua. É, pois, um sacerdócio e uma magistratura à altura do Rei Salomão.

Lembremo-nos que todo o Maçom possui um compromisso com o futuro da Ordem e deve ter facilitado os meios de participar das atividades da Loja. Cada um a seu nível, dentro de suas condições e capacidade, mas é tarefa do Venerável orientar, coordenar e comandar (= mandar com), cabendo-lhe a execução e o esforço em procurar todos os recursos para:

  • Buscar a satisfação dos irmãos, de suas atividades ritualísticas, filosóficas e sociais; 
  • Manter e melhorar o desempenho da Oficina, funcionando de modo pleno, inteiramente voltada para cumprimento do programa estabelecido pela Constituição e Regulamento Geral;
  • Procurar sempre fazer mais e melhor, capacitando a Oficina para: 

– que haja vida, trabalho, ação e comunhão de idéias com seus Irmãos;

– manter os Irmãos unidos e integrados para que se completem e complementem as partes, ouvindo    todos e procurando concordância de ideias, de opiniões, num trabalho conjunto, harmonioso e  produtivo de todos os Irmãos.

  • Estimular a participação, o raciocínio e a reflexão de todos os Obreiros, inclusive dos Companheiros e Aprendizes, nas tarefas que executam. Dando-­lhes objetivos e solicitando-lhes o auxílio, ganhando com isso benefícios de toda ordem. Todos os Irmãos devem pensar, questionar, raciocinar e procurar os meios de otimização das atividades. É privilégio do Venerável elogiá-­los por isso, ou cobrar-lhes atuação e maior empenho.

Diversos são os caminhos para se fazer alguma coisa

Em que pareça o sistema gerencial da Loja Maçônica ser um conjunto de elementos, materiais ou ideais, nitidamente participativos, entre os quais se possa encontrar ou definir alguma relação, os Obreiros de uma maneira geral reagem à participação. Daí, os atributos e qualificações que o Venerável Mestre deve ser naturalmente dotado para vencer o primeiro obstáculo de sua administração, que é a incapacidade natural que o homem tem para conseguir e obter compreensão, cooperação e auxílio dos outros.

Sempre existirão diferentes formas de se compreender e solucionar um problema ou melhorar alguma coisa. É preciso buscar a solução que satisfaça aos objetivos fixados, às necessidades do momento e a opinião sensata dos Mestres e da maioria dos envolvidos. Cooperar, trabalhando para que todos sejam beneficiados; com o cuidado para não enveredar pelo caminho do individualismo – valorizando as qualidades peculiares – suas e também dos ouros, lembrando porém, que não é ele, por “estar” Venerável Mestre, o valor mais elevado, mas sim, que juntos os atributos e conhecimentos que habilitam alguém a desempenhar essa honrosa função, adquirem mais forças.

Ao Venerável Mestre cabe continuar servindo, direcionando a ação e fomentando a cooperação entre todos, porque seu papel é interpretar os fatos e tomar as decisões mais eficazes. Com seu exemplo, outros, em igualdade de condições farão o mesmo. Assim teremos melhores dirigentes, e conseqüentemente, uma Maçonaria mais em concordância com seus fundamentos originais.

Rogamos, humildemente, a bênção divina para que um dia, em isso acontecendo, daremos como alcançado, o nosso intento.

Permita Senhor do Universo, a realização dos sonhos que acalentamos!

Autor: Valdemar Sansão

Fonte: JB News

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