As luvas e as cunhadas

Não é incomum um irmão perguntar sobre o uso das luvas por parte das cunhadas, visto que se propaga, em muitas lojas, a ideia de que essas luvas devem ser usadas como sinal de socorro em caso de necessidade, com alguns entendidos chegando até mesmo a indicar como deve ser feito um suposto sinal, seguido da troca de uma suposta senha entre a cunhada e o irmão maçom que vai ajudá-la. Consultado, sempre informo que tal procedimento não está previsto em nenhum ritual, não passando de uma invencionice que, infelizmente, tem persistido e passado como verdade para os novos iniciados.

Com o objetivo de trazer mais esclarecimentos sobre esse assunto, reproduzo abaixo texto do nosso irmão Pedro Juk, em que ele responde a um irmão que o questiona se esse tal uso das luvas é uma prática prevista nos rituais maçônicos, um mito, ou um invencionismo.

Vamos então à resposta que ele nos oferece.

Isso é o cúmulo da bobagem. Na realidade nada disso é verdade. É pura invenção de autoria de irresponsáveis que não compreendem nada das mensagens simbólicas na Maçonaria.

A entrega das luvas femininas ao neófito durante a cerimônia de Iniciação é costume da galante Maçonaria francesa – isso não é unânime na Maçonaria.

Nos ritos que utilizam essa prática, a sua entrega tem apenas o desiderato de destacar a liberdade no trato com aspectos da Ordem.

Nenhum ritual sério prevê a entrega de pares de luvas para que eles sejam obrigatoriamente destinados às Cunhadas, mas prevê sim que essas luvas sejam oferecidas àquela que mais tiver estima e afeto do Iniciado.

Evidentemente que essa liberdade de escolha é apenas do novo Aprendiz. É ele, ninguém mais, que destinará o par de luvas femininas. Por exemplo, conforme o seu desejo e quando ele quiser, as luvas podem ser oferecidas à sua filha, esposa, mãe, madrinha, ou qualquer outra pessoa do gênero feminino que para ele seja merecedora.

Nada dessa liberdade pode ser confundida com libertinagem. Não há como se confundir o ato como um incentivo para presentear pessoas advindas de relacionamentos extraconjugais (concubinas) e outros congêneres. Obviamente que não se faz crer que uma Loja seja capaz de iniciar alguém apreciador dos maus costumes – afinal, é para isso que existem as sindicâncias.

Assim, o par de luvas femininas é entregue conforme a consciência e desejo íntimo do Irmão, portando esse ato não deve ser conduzido conforme desejo alheio – da Loja, por exemplo. Isso é erro crasso.

Não existe, portanto, é irregular, o costume de se fazer como muitas Lojas fazem por aí, reunindo as cunhadas na Loja depois da Iniciação para que o novo Irmão entregue as luvas femininas para a sua esposa. Quem decide isso é ele, ratifico não a Loja.

Igualmente, em cima dessas barbaridades inventivas é que alguém imaginou um irregular gesto ou sinal de pedido de socorro com as luvas para as nossas cunhadas.

Não existe besteira maior! Coisa de quem não tem mesmo o que fazer!

Sugiro que, em vez disso, procurassem esses inventores estudarem em fontes limpas os propósitos da verdadeira Maçonaria.

Essa de deixar a luva cair e alguém perguntar “sois uma flor?” é mesmo d’escrachar, digna de uma comédia do tipo “pastelão”. Tal o tamanho dessa barafunda, ela que não merece nem comentário.

O que aqui comentei foi com base naquilo que é real e verdadeiro na Maçonaria, por conseguinte longe dos delírios inventivos.

Se algum ritual previr esse anacronismo, tenha certeza de que ele merece urgente reavaliação. Que me perdoem os defensores desses absurdos.

A propósito, em relação às luvas na Maçonaria, além do seu caráter histórico como vestimenta de proteção nos tempos operativos, na Moderna Maçonaria elas trazem a mensagem pela sua alvura de se manter as mãos constantemente afastadas das águas lodosas do vício.

Agora… Sinais com elas… É mesmo coisa rocambolesca.

Fonte: Blog do Pedro Juk

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As luvas brancas na Maçonaria

O Maçom e as luvas - Freemason.pt

As luvas brancas têm sido usadas pelos irmãos maçons como marca de distinção e pureza. Porém, percebe-se que a utilização desse símbolo está caindo em desuso entre os maçons.

No Ritual do Grau de Aprendiz Maçom da Grande Loja Maçônica de Minas Gerias em podemos ler:

Obedecendo a uma antiga tradição, ofereço-vos dois pares de luvas.

Uma é para vós; pela sua alvura vos recordará a candura que deve reinar no coração dos Maçons e, ao mesmo tempo, vos avisará de que nunca devereis manchar as vossas mãos nas impurezas do vício e do crime;

O outro será para oferecerdes àquela que mais estimardes e que mais direito tiver ao vosso respeito, a fim de que ela vos recorde constantemente os deveres que acabais de contrair para a Maçonaria …

Embora acolhendo os significados do texto acima -, atrela-se a realidade da homenagem “a virtude de uma mulher” que, mãe, esposa, irmã ou filha, que sempre de corações afetivos, trazem consolações e comodidades nas horas felizes da família, como nas atribulações e nos desfalecimentos da vida e de seu esposo. 

A luva branca que o iniciado recebe, revela por sua brancura, que nunca deveis manchá-las, incólumes as vossas mãos, das águas sujas do vício.

Registros dão conta de que: dos 2 (dois) pares de luvas, um será destinado ao uso pelo irmão em reuniões (específicas). Sendo o outro par entregue àquela que mais direito tiver a vossa estima e ao vosso afeto. Segundo Wirth:

“As luvas brancas, recebidas no dia de sua iniciação, evoca ao maçom a recordação de seus compromissos. A dama que lhes mostrará as luvas se tiver a ponto de fracassar, lhe aparecerá como sua consciência viva, como a guardião de sua honra. Que missão mais elevada poderia ele confiar à dama que mais ele ama?”

A Maçonaria tem as luvas brancas como o símbolo do amor e do carinho para com a mulher.

Conceitos antigos

Possivelmente, sua origem remonta ao século X. Uma crônica relata que, no ano 960, os monges do Monastério de São Albano, em Mogúncia, ofereciam um par de luvas ao bispo, em sua investidura. Na oração, que se pronunciava na cerimônia da investidura, implorava-se a Deus que vestisse, com pureza, as mãos de seu servente.

Na Idade Média, os dignitários eclesiásticos como o Papa, cardeais e bispos, usavam luvas para os atos litúrgicos.

A maçonaria chamada operativa, utilizava as luvas para proteger as mãos dos seus pedreiros nos campos de trabalhos ou construções. Ação que se distende até os dias de hoje – trazendo consigo um lema “Como representação simbólica de proteção das mãos contra as impurezas morais”.

Durandus de Mende (1237-1206 a. C) interpretava as luvas como símbolo de modéstia, já que as boas obras executadas com humildade devem ser mantidas em segredo. Na investidura dos reis da França, estes recebiam um par de luvas, tal como os bispos. As mãos ungidas e consagradas do rei, assim como as de um bispo, não deviam ter contato com coisas impuras. Depois da cerimônia, o Hospitalário queimava-as, para impedir que pudessem ser utilizadas para usos profanos.

No ano 1322, em Ely (cidade inglesa, onde se levanta uma grande catedral), o Sacristão comprou luvas para os maçons ocupados na “nova obra”; em 1456, no Colégio Eton, destaca-se que cinco pares de luvas foram entregues aos pedreiros que edificavam os muros, “como é obrigação por costume”.

Também, há um documento que precisa que, no Colégio Canterbury, em Oxford, o Mordomo anotou, em suas contas, que se deram vinte pence como “glove Money” (dinheiro de luva) a todos os maçons ocupados na reconstrução do Colégio”. Em 1423, em York (Inglaterra) dez pares de luvas foram subministrados aos pedreiros setters, com um custo total de dezoito pence. Também na Inglaterra, nas épocas isabelina e jacobina (1558-1625), as luvas tinham um prestígio difícil de compreender na atualidade. Tratava-se de um artigo de luxo, possuidor de muito simbolismo, e constituíam um presente apreciado. A luva significava, então, um profundo e recíproco vínculo entre quem a dava e quem a recebia.

Marco de uso na Maçonaria

As luvas lembram proteção –, no passado serviam para proteger as mãos contra o frio, o fogo, as impurezas e no trabalho.

Antigamente a nossa Ordem eram compostas por pedreiros “Maçons Operativos” que eram (Construtores de Catedrais, Castelos e Mausoléus etc.) que as transformava em belas peças de arquiteturas.

A construção destes eram traçados e planejados pelos maçons Operativos em reuniões e o resultado dos projetos definidos era mantido em sigilos.

No entanto, com advento da tecnologia, os maçons (antigos) foram paulatinamente integrados à Maçonaria especulativa passando o talhar da pedra vencida. Baliza que o Edifício que se constrói (hoje) é simbolicamente o Edifício (social, moral e ético), através do exemplo de ação, que simboliza o crescimento da humanidade, edificando conceitos de liberdade, igualdade e fraternidade, com o aprimoramento do caráter.

Na familiaridade com a mulher

O irmão Jaime Balbino, no seu trabalho diz:

“Que a mulher esposa tem por sua vez os direitos sustentados desde os dias do chamado PONTIFICADO ROMANO.”

Um provérbio persa diz: “Não firas a mulher nem com a pétala de uma rosa”.

A maçonaria reforça este aforismo ainda mais: Nunca firas a mulher com um lampejo de pensamento. Seja ela moça ou idosa, formosa ou feia, má ou bondosa, delicada ou áspera, sabe ser sempre o segredo do GADU∴.

Como usar a luva branca?

Não existe uma forma padronizada e recomendada pela Maçonaria. Porém, popularizou-se o costume de orientar a “Cunhada” a ter sempre consigo o seu par de luvas, pois em momentos de dificuldades, discretamente deixa a luva em exibição, não se preocupando com a configuração da apresentação.

Autor: José Amâncio de Lima

Amâncio é Mestre Instalado da ARLS Estrela de Davi II – 242 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Academia Mineira Maçônica de Letras, delegado da 1ª Inspetoria Litúrgica do REAA de Minas Gerais e, para nossa alegria, também um colaborador do blog.

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Referências

FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de. Dicionário de Maçonaria. 4ª edição. Editora Pensamento. São Paulo. Páginas 550.

GLMMG (BH). Ritual do Grau de Aprendiz Maçom. Página 136.

HOUAISS, Antônio. Koogan Larousse. Editora Larousse Brasil. Rio de Janeiro. Páginas 1635.

RAIMUNDO, (trabalho) Luvas Brancas para o Palácio em Power Point.

ZELDIS, León. (trabalho) – Publicado no Correio Filosófico [GOPB], Nº 56 maio 2013.

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