Episódio 45 – A linguagem

As palavras não transmitem apenas imagens das coisas. Trazem à mente do leitor as imagens conceituais das coisas que nela se formam. A palavra é um símbolo, um signo pelo qual se designa uma realidade. (music: Slow Burn by Kevin MacLeod; link: https://incompetech.filmmusic.io/song/4372-slow-burn; license: https://filmmusic.io/standard-license)
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Episódio 35 – O Verbo e a Palavra

Se o Verbo é a origem, a consequência é a existência humana e sendo assim fica caracterizado que o verbo possui poder e reside em cada ser humano. O poder da palavra falada é mágico, transformador e transmutador de nossas vidas. Pelo fruto se reconhece a árvore é pelo modo que se usa a palavra no dia a dia que se reconhece um maçom. (music: Slow Burn by Kevin MacLeod; link: https://incompetech.filmmusic.io/song/4372-slow-burn; license: https://filmmusic.io/standard-license)

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Episódio 20 – Palavras devem ser mais que palavras

A Linguagem

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“Vivemos em uma sociedade em que a Linguagem é cada vez mais simples e pobre. Nos encaminhamos para um mundo de semi-analfabetos funcionais, onde se  lê  superficial e mecanicamente sem poder interpretar a realidade por falta de palavras  que contenham ideias e cores.

Estamos observando, com perigosa indiferença, como se cria em nosso país um idioma mesquinho, que serve apenas para questões de ordem prática, mas não para pensar e comunicar-se. Com isto se criam as condições para que  a sociedade não apenas se torne mais grosseira e vulgar, senão que mais manipulável e submissa,  porque  sem  a  linguagem não existe capacidade possível nem defesas às invasões culturais.”

A  expressão Era Vulgar

Existem expressões populares em nosso idioma nacional, usadas até à exaustão, que colaboram ativamente para a pobreza vocabular. É um verdadeiro caminhão de carga o comodismo gigante do chileno falante. Esses bordões, junto a seus derivados servem para nomear quase tudo e usado pela falta de vocabulário em nossos escritos, realçando a pobreza de recursos verbais e a falta de engenhosidade, tudo isso, lamentavelmente, contribuindo para a corrosão da “chilenidad”.

Os “garranchos” são traços ilegíveis dos que estão aprendendo a escrever e, por extensão, não podemos ligá-los ao falar mal; e as “gírias” são expressões desonestas e obscenas, próprias das pessoas pouco educadas.

Dizer uma obscenidade constitui, no fundo, tanto um gesto de desprezo como uma atitude desafiadora, rasgando a convenção social; é irreverência intencional e sarcástica, é “insulto” como diria o correto Dom Quixote.

No âmbito do bom humor, é legítimo o seu uso? Quando o humor é jovialidade e sensibilidade; quando é seu objetivo mostrar-se alegre e complacente; quando há expansão enriquecedora e própria dos seres educados, normalmente não é usada.

Mas às vezes o humor é ácido e sarcástico com intuito pejorativo, que tende a baixá-lo ao nível mais ordinário das condutas e valores ao enfatizar cruelmente características físicas e desonradas ou a ridicularizar as ações nobres. Em todos esses casos o recurso favorito será a gíria, dócil ferramenta para fazer brotar a risada mais debochada.

Importância das palavras

Estas não devem ser preocupação somente do poeta e dos escritores. São essenciais em toda a narrativa, na educação e no bom jornalismo. O jornalista é, fundamentalmente um intérprete da realidade, e deveria possuir ma formação intelectual e linguística que lhe permitisse discernir e compreender a realidade, pois o fruto do seu trabalho não é a realidade pura, será sempre tentativa, mediada por palavras.

Não se fala para si mesmo. A linguagem não pertence aos que falam, mas aos que ouvem.

Por meio de nossas palavras expressamos o mundo e processamos as nossas emoções, a rede de ideias e emoções que constituem nossa própria cultura e definitivamente nossa própria identidade.

Promoção da leitura

Deve-se promover o hábito de ler para desenvolver a linguagem.

Ao ler um livro, o leitor não recebe passivamente a informação, estabelece uma relação pessoal com  texto juntando sua própria colaboração, antecipando-se, tirando suas próprias hipóteses, confirmando-as ou descartando-as, fatos que estimulam e enriquecem  capacidade intelectual e a imaginação criadora. Quando alguém lê vai formando imagens das palavras que lendo, vai criando personagens, vai atribuindo cores, sabores e texturas às coisas. A leitura incentiva o desenvolvimento social, abrindo novos horizontes e mostrando novas culturas.

O leitor está aberto a receber novos valores, conhecimentos e comportamentos diferentes dos seus, que o leva a desenvolver flexibilidade frente à mudança e à diversidade. As pessoas que não leem tem a tendência de serem mais rígidas em suas atitudes.

A leitura ajuda à compreensão do mundo. Se recordamos as pessoas que mais influenciaram nossas vidas, certamente encontraremos um pai, um avô, um professor. Mas também encontraremos um Dostoievski, Aristóteles, a um Cortázar, que nunca conhecemos; ou a um dos personagens de “Os Miseráveis” ou a um “Sandokan” que nunca existiram Entretanto, como influíram em nossas vidas! Esta é a magia que devemos resgatar dos livros.

Palavra: um símbolo

As palavras não transmitem apenas imagens das coisas. Trazem à mente do leitor as imagens conceituais das coisas que nela se formam.

A palavra é um símbolo, um signo pelo qual se designa uma realidade.

Com razão o homem concebeu o conceito e a imagem das coisas e os fenômenos circundantes, rompendo a relação entre conceito e imagem. A palavra escrita ou falada disso dão prova suficiente.

O que deu ao homem o seu enorme poder, foi a sua notável capacidade de simbolização, que sem dúvida começa com a palavra, permitindo que o edifício completo do conhecimento humano se apresente à sua frente com uma grande coleção de informações procedentes dos sentidos e com estrutura ordenada de fatos e de leis, que são palavras.

Conclusão

O maçom deve resgatar o valor da palavra. As palavras devem servir para criar novas ideias e direcionar comportamentos.

A palavra se desgasta, perdendo seu significado pelo uso indevido, inoportuno ou repetida até à fatuidade. Em tais casos a palavra se dissocia da ideia e passa a ser uma espécie de recipiente vazio. Por isso, mais vale a palavra que não se disse quando inútil dizê-la, assim como desprezível a palavra que devíamos dizer e calamos.

O maçom está obrigado a impedir que a linguagem perca sua conexão profunda com o pensamento, com a verdade e com os atos corretos.

O Irmão não deve esquecer que a palavra é o símbolo mais difícil de interpretar exatamente, porque não é fácil medir  grau de verdade ou de falsidade que a envolve. Aprendemos com a dor, eis que não raras vezes a covardia e a ignorância se escondem na nebulosidade que encobrem muitas palavras.

As palavras do maçom devem gerar e transmitir pensamentos e sentimentos nobres, ideias fecundas, sem desperdiçá-las e sem degradá-las. Devem ser semeadas em terreno fértil.  que requer dos maçons cultos intelectualmente capacitados é, portanto, uma linguagem suficiente e correta, sem prejuízos ou ressentimentos nem suscetibilidades excessivas.

QQ.`. IIr.`. Cada palavra veste uma coisa,
não deixemos as coisas desnudas
por palavras vulgares
sem os nobres sons que as cubram.[1]

QQ.`. IIr.`. Não só o poeta é um pequeno Deus
cada um que fala o é, na sua medida,
na medida em que suas palavras sejam como
chaves que abram mil portas,
na medida em que não só cantemos a
liberdade e a beleza, mas que, com nossa
linguagem, façamos florescer a verdade
e o bem, na oração, na prosa, no verso.[2]

Autor: Alvaro Lisboa Montt, V∴M∴ da Loja América Nº  80 – Santiago/Chile.
Tradução livre de João Carlos Pereira da Silva, ex-V∴M∴ da Loja Obreiros de São João, Nº 42 – Porto Alegre-RS

Notas

[1] – Adaptação de “Llama Viva” – de Venancio Lisboa Echeveria.

[2] – Adaptação de “Arte Poético” – de Vicente Huidobro.

Escrever é a arte de cortar palavras

 

Adriana Mulero (@MuleroAdriana) | Twitter

Escrever é a arte de cortar palavras.

De que mestre das letras teria partido essa preciosa lição?

Escrever é cortar palavras. Passei alguns anos certo de que o autor dessa preciosa máxima era Carlos Drummond de Andrade. Até que um dia perguntei ao poeta. Ele conhecia, mas negou que fosse dele. Confesso que fiquei desapontado. A sentença tinha a cara do mestre Drummond, cuja prosa é um exemplo de concisão.

Otto Lara Resende desconfiava que pudesse ser de um escritor mexicano a ideia da dica preciosa. Eu, por mim, seria capaz de atribuí-la a John Ruskin, notável escritor e crítico inglês do século passado. Se não o disse, com todas as letras, certamente foi Ruskin quem melhor ilustrou o adágio, num conto antológico. É o caso de um feirante de peixes num porto britânico.

O homem chega à feira e lá encontra seu compadre, arrumando os peixes num imenso tabuleiro de madeira. Cumprimentam- se. O feirante está contente com o sucesso do seu modesto comércio. Entrou no negócio há poucos meses e já pôde até comprar um quadro-negro pra badalar seu produto.

Atrás do balcão, num quadro-negro, está a mensagem, escrita a giz, em letras caprichadas: HOJE VENDO PEIXE FRESCO. Pergunta, então, ao amigo e compadre:

Você acrescentaria mais alguma coisa?

O compadre releu o anúncio. Discreto, elogiou a caligrafia. Como o outro insistisse, resolveu questionar. Perguntou ao feirante:

Você já notou que todo o dia é sempre hoje? – E acrescentou: – Acho dispensável. Esta palavra está sobrando…

O feirante aceitou a ponderação: apagou o advérbio. O anúncio ficou mais enxuto. VENDO PEIXE FRESCO.

– Se o amigo me permite – tornou o visitante -, gostaria de saber se aqui nessa feira existe alguém dando peixe de graça. Que eu saiba, estamos numa feira. E feira é sinônimo de venda. Acho desnecessário o verbo. Se a banca fosse minha, sinceramente, eu apagaria o verbo.

O anúncio encurtou mais ainda: PEIXE FRESCO.

– Me diga uma coisa: Por que apregoar que o peixe é fresco? O que traz o freguês a uma feira, no cais do porto, é a certeza de que todo peixe, aqui, é fresco. Não há no mundo uma feira livre que venda peixe congelado…

E lá se foi também o adjetivo. Ficou o anúncio, reduzido a uma singela palavra: PEIXE.

Mas, por pouco tempo. O compadre pondera que não deixa de ser menosprezo à inteligência da clientela anunciar, em letras garrafais, que o produto aí exposto é peixe. Afinal, está na cara. Até mesmo um cego percebe, pelo cheiro, que o assunto, aqui, é pescado…

O substantivo foi apagado. O anúncio sumiu. O quadro-negro também. O feirante vendeu tudo. Não sobrou nem a sardinha do gato. E ainda aprendeu uma preciosa lição: escrever é cortar palavras.

Autor: Armando Nogueira

Nota do Blog

O texto foi sugestão do irmão Edvaldo Cardoso.

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