A Pedra Bruta e a Pedra Cúbica

Portal Maçônico Orvalho do Hermon: DESBASTANDO A PEDRA BRUTA

Entre os símbolos apresentados, escolhi para o atual trabalho o símbolo da pedra.

Na minha vida secular, toquei, trabalhei, mudei e, finalmente, dei-lhe uma função útil. Sem afrouxar qualquer simbolismo possível de meus atos ou no próprio material. Com um pouco de retrospectiva, a pedra bruta recebe uma redução de suas dimensões, mas tanto ela quanto a pedra cúbica são apenas símbolos.

O trabalho da Pedra é um trabalho longo, meticuloso e preciso, é emocionante porque requer análise e reflexão constantes sobre o assunto. Assim como o homem, ao ser trabalhado a pedra evolui. E a dificuldade reside em ser capaz de criar o elemento perfeito, sem destruir sua própria natureza.

Assim como na vida profana, na vida maçônica as ferramentas serão a chave para este trabalho e serão diferentes dependendo dos estágios. O martelo deixará espaço para o malho, mais preciso e menos pesado. Isso permite um trabalho mais refinado, direcionado, mas ainda assim relaxante.

E, assim como na vida, tudo passa por um aprendizado, mas um aprendizado real: a transmissão de conhecimento de maneira quase tácita, sem influência fundamental, para não distorcer o espírito e levar ao progresso por si mesmo.

É como um artesão que inicia a construção de seu templo interior. Mas deixo pergunta interessante: é possível impor uma única orientação a um artista sem frustrá-lo? Eu acho que não. No entanto, ele sempre precisará progredir em sua arte para dominar ferramentas mais precisas e, especialmente, novas fontes de inspiração.

A coluna norte, a coluna dos aprendizes, vive nas sombras, sob a lua. Governada pelo irmão 2º Vigilante (na França), tem essa inspiração para o incentivo à reflexão e o progresso, para que nosso trabalho possa um dia produzir obras de arte.

Talvez seja por isso que a linha de prumo esteja associada a ela?

O 2º Vigilante orienta a construção em vários níveis no trabalho da Pedra:

– Define o fruto a ser dado às obras para que não corram o risco de colapso prematuramente, mas também remove as asperezas muito pronunciadas que desnaturam o ser, para que o aprendiz entenda que ele ainda pode melhorar seu trabalho e progresso.

– O trabalho dos aprendizes será permitido quando a linha de prumo florescer com as pedras sem a toque em toda a altura do trabalho.

A Pedra Bruta talvez seja o espelho do homem. Escondendo inúmeras qualidades naturais, que apenas um trabalho profundo poderia ressurgir. Ele não está ciente disso. Até ver a luz. Segue uma longa jornada, cada pedra é diferente e terá uma função que será transparente para o maçom; de acordo com suas predisposições inatas, e todas são úteis!

Qualquer pedra, todo homem é dotado de certas predisposições que o levarão a ter um papel específico no que ele pode servir e explorar, melhorar suas habilidades para si e para os outros.

A pedra tem uma “veia” que é favorável ao tamanho do ângulo e terá sua função adquirida dentro da grande obra, assim todo aquele com uma veia diferente terá seu papel diferente, mas igualmente importante. Todo homem tem seu lugar favorável na sociedade.

Mas a Pedra Bruta é modificada por necessidade, porque escolhemos torná-la uma atriz de uma peça de teatro muito maior, tornando-a útil. Assim como o homem tem que trabalhar em si mesmo para ser útil à sociedade e à humanidade.

Mas pergunto-lhes: a pedra muda por si mesma ou é modificada por outros? Ambos podem ser?

O homem nasce, cresce, mas uma vez que se torna útil, ele tem que resistir a elementos externos. O vento, a chuva, as provações da vida que lhe darão a experiência, mesmo assim ele ainda precisa encontrar seu lugar final perto das outras pedras.

É difícil estar ciente de ser uma pedra bruta, estar ciente de suas muitas falhas e perceber que é possível melhorar, em uma sociedade onde frequentemente somos tentados a nos fazer acreditar que é fácil encontrar nosso lugar, já que somos todos parecidos e perfeitos.

Sem pedras, mas blocos de fábrica. Entendo apenas que a Pedra sofre inúmeros golpes antes de revelar sua verdadeira beleza e seu uso final, o bloco geralmente é oco e se quebra se você tentar esculpir. Além disso, é de alguma forma falsa ou egoísta, pois é revestida, pintada e decorada para sempre esconder sua verdadeira natureza na realidade sem alma.

Pela minha parte, escolhi ser um aprendiz de maçom e desbastar minha pedra porque me recuso a ser ator de uma construção que teria sido imposta. Porque descubro que, de alguma forma, podemos nos livrar do trabalho se é bem dirigido e não escravizado.

Se o trabalho da pedra bruta é obra do homem, achei interessante para tentar vincular nossos princípios humanos a esse símbolo:

Princípio de Liberdade: Se o homem é a pedra, seu trabalho pode ser eterno e ele decidirá seu próprio limite no resultado.

Princípio da Igualdade: Se o homem é a pedra, “cortada”, “educada”, ele precisará estar ciente de que a pedra britada, queimada, que não pode ser usada na fachada, é hoje o elemento permitindo que seja de uso duradouro (quer dizer, tão importante quanto, com seu lugar próprio).

Princípio da Fraternidade: Se o homem é a única pedra, ele é limitado em suas possibilidades. Mas ligado a outras que, como ele, asseguram suas funções distintas e naturais com o mesmo objetivo de progresso. A empresa se torna possível.

Princípio da Solidariedade: pelo todo útil e perfeito que constitui as pedras de um edifício sustentável é o resultado da ligação de elementos totalmente diferentes que se apoiam mutuamente um ao outro.

Alcançar a Pedra Cúbica será fruto de uma obra de paciência. Trabalho cuidadoso, preciso, algo que o homem decidirá interromper ou não sozinho, já que uma pedra poderia de fato, ser trabalhada até o infinito.

Redimensionada. Polida. Renovada. Até ficar perfeita em todos os aspectos. Mas a perfeição de um elemento por si só não é igual à força de um todo útil. O homem não pode ser realmente perfeito, mas ele faz o seu melhor desenvolvendo suas capacidades para contribuir para uma evolução positiva.

Aprendendo a dominar novas ferramentas para realizar um projeto pessoal na medida do possível, ele talvez possa estar em perfeita harmonia consigo mesmo e com os outros com sinceridade e durabilidade.

A pedra bruta pode tornar-se cúbica por força de trabalho, mas e o homem? Pode ele se tornar perfeito? E quais seriam esses critérios de perfeição?

Eu acredito no resultado do trabalho do homem em si mesmo, não existe perfeição. Mas cabe ao homem perseverar em sua empresa para que o fruto de seu trabalho seja de certa forma uma consciência profundamente benéfica para si mesmo, seus entes queridos e a humanidade.

Finalmente, ao perceber o quão difícil o trabalho do homem em si mesmo poderia ser longo, mas tão emocionante e benéfico, eu diria que ele é gratificante. Provavelmente é mais fácil viver uma vida de cinzas de fábrica, mesmo que menos gratificante.

Tradução e adaptação: Rodrigo de Oliveira Menezes

O presente texto é uma adaptação de dois textos franceses, recebidos sem o nome dos autores. Foi realizado sua tradução e adaptação respeitando algumas instruções transmitidas na França, principalmente quanto à função dos Vigilantes que difere bastante da instrução comum ministrada por aqui.

Fonte: Ritos & Rituais

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Episódio 15 – Pedra Bruta e Pedra Cúbica

Pedra Bruta e Pedra Cúbica

Quem quer que pretenda entrar na Ordem Maçônica deverá preencher alguns requisitos, dentre os quais o de possuir instruções suficientes que lhe possibilite compreender e aplicar os ensinamentos da Instituição. Não se exige que possua riqueza ou nível superior de escolaridade. Assim é que nela ingressam homens das mais variadas condições sociais, e todos o fazem na mesma condição, simplesmente como Aprendizes.
 
Para podermos compreender o significado da pedra bruta e da pedra cúbica ou polida, devemos primeiramente ter em mente uma visualização panorâmica de uma construção rústica, como, por exemplo, as pirâmides do Egito ou o Coliseu em Roma, onde a pedra usada na construção simboliza o Maçom.
 
Este deve trabalhar no aperfeiçoamento de si mesmo, combatendo os vícios e glorificando o direito e a virtude, em benefício da sociedade, o que simbolicamente denominamos a construção do Templo.
 
A filosofia da designação “Pedra Bruta” simboliza o início do aperfeiçoamento moral, que deve buscar todo o ser humano-maçom. Sintetiza, para o Maçom, um objetivo a ser buscado, qual seja, de que através do seu burilar moral, transformará também, simbolicamente aquela pedra bruta numa “Pedra Polida”. Esta conquista representa a passagem do Grau de Aprendiz para o Grau de Companheiro. Representa ainda, uma contribuição que a Maçonaria confere para um efetivo burilar universal a partir do próprio iniciado. 
 
O trabalho atribuído ao Aprendiz para vencer esse primeiro degrau na sua evolução de existência templária é executado na Col.’. B.’., sob a orientação do Irmão 1º Vig.’.. Sua tarefa básica consiste, portanto, “em desbastar e esquadrejar a pedra bruta”. 
 
Num sentido mais amplo, a filosofia da pedra bruta é embasada no paralelismo verificado do homem da era paleolítica com o neófito recém-chegado à Maçonaria. 
 
Ou seja, o homem que habitava as cavernas tinha uma capacidade intelectual quase nula, na medida em que eram criaturas sem instrução, por conseguinte, rudes e impolidas, assemelhando-se ao sentimento de despreparo do neófito ao tomar conhecimento do complexo da instrução ministrada pela Maçonaria, daí porque o proclama com mero aprendiz. 
 
Assim, conforme explicado, o neófito aprendiz deverá ser induzido a trabalhar simbolicamente no desbastar da pedra bruta, pedra essa de formas toscas e imperfeitas, objetivando a sua lapidação. Portanto, o transformar de uma pedra bruta informe e irregular numa pedra lapidada significa simbolicamente uma etapa da evolução do homem-maçom na sua carreira templária, caracterizando a lapidação de seu ego, conforme já indicado. 
 
Da mesma forma quando no início fiz uma referência à construção das pirâmides do Egito, assim é o aprendiz. A pedra bruta nada mais é que o Aprendiz, em que cada pedra toda deformada, de várias assimetrias, uma diferente da outra, com medidas e pesos diversos, vão sendo colocadas uma a uma, lado a lado e em cima da outra, de formas geometricamente alinhadas, formando um encaixe perfeito, que aos poucos e através de ardilosos trabalhos, irão recebendo forma, uma aparência de monumento, mesmo que aparentemente abstrato ou intrínseco no começo, é que percebemos o nascimento de um Maçom, onde o tornará Mestre-Maçom.
 
O atingir daquele objetivo representa que o aprendiz terá vencido a si mesmo, desfraldando a bandeira da sua evolução interior. Terá descoberto seus defeitos, suas fraquezas, seus deslizes e suas vaidades, que o fará pensar tão somente em construir o poder do seu próprio caráter virtuoso, que outra coisa não é senão a base fundamental do templo moral de sua vida, consubstanciado pelo seu ajustamento à índole dos símbolos maçônicos e, sobretudo, aos mandamentos divinos. 
 
Ressalte-se que o trabalhar na pedra bruta é um caminhar ininterrupto na busca do ideal de uma moralização plena do indivíduo. Deve-se entender como um processo de aprendizado contínuo porque, embora a simbologia maçônica estabeleça o trabalho na pedra bruta apenas no grau inicial de aprendiz para efeito de evolução do maçom na vida templária, o ser humano, em sua essência, não é desprovido de sentimentos como a inveja, o egoísmo, a luxúria, a cobiça, a intolerância, etc., que corroboram para dificultar a consecução de um estágio moral supremo. Aqueles poucos que atingem em vida esse estágio, prestam elevados serviços à Humanidade. 
 
A “Pedra Bruta” simboliza, portanto, que o Aprendiz-Maçom deve ser induzido a trabalhar no seu desbaste, porque possui formas imperfeitas, objetivando a sua lapidação. 
 
O transformar, então, de uma pedra informe numa pedra esculpida representa que o Homem-Maçom adquiriu força de caráter voltado para um ideal elevado, ferramenta fundamental para desempenhar uma liberdade bem dirigida aos interesses da Humanidade e de sua Pátria, pois eliminou os traços de egoísmo e ambição, que se verdadeiramente postos em prática contribuirão para uma contínua transformação do Mundo para melhor. 
 
Assim que forem ocorrendo estas transparências de aperfeiçoamento, extinção de seus vícios adquiridos no decorrer de sua vida, o Aprendiz vai tomando formas mais justas, perfeitas para atingir o seu ego, tornando-o mais puro, sublime e harmonioso.
 
Dessa forma mais trabalhada, essa pedra passa a ter outro nome, onde ela depois de passado por todos os obstáculos, todos os procedimentos de preparação, é que ela forma a “Pedra Polida” ou cúbica. É a etapa final da construção. A pirâmide está construída. Mas não para por aí.
 
Agora vem os acabamentos, as manutenções do dia-a-dia, as faxinas diárias. É nessa etapa que o Mestre Maçom deverá provar através de seu conhecimento, colocar em prática toda a sua sabedoria para transformar-se cada vez em um ser melhor, para si mesmo e para com os que estão ao seu redor.
 
Assim é a minha percepção desde que fui iniciado na Maçonaria. Posso dizer que não tinha controle de pequenos atos que o profano possui ao entrar na maçonaria, são vícios vitais, adquiridos desde o nosso nascimento até os dias atuais, como espinhos que fere sem sentir dor, como o egoísmo, a inveja, mesmo que passavam despercebidos, mas que hoje eu tenho controle de repelir do meu ego. 
 
O meu objetivo, é trabalhar insistentemente todo dia, corrigindo as irregularidades, e arestas inúteis, desbastando todas as saliências, deixando a pedra mais lisa, polindo-a dia-a-dia, para tornar-me um mestre maçom no mais puro e verdadeiro sentido. 
 
Este trabalho deve ser feito por si mesmo, obter um aperfeiçoamento, sentir as misteriosas harmonias das esferas superiores unirem-se a estas harmonias e compreender que elas não podem ter sido formadas nem por acaso nem sem uma finalidade. 
 
É preciso que o iniciado se coloque por ele mesmo num estado físico e moral que permita estas revelações que resultam de uma iluminação última que se merece. 
 
Autor: Marcio de Oliveira Cadurim 
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Referências bibliográficas
 
DYER, Colin. O Simbolismo na Maçonaria. São Paulo: Madras, 2013.
 
PEDRA CÚBICA. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2012.  . 
 
PEREIRA, Carlos Alberto. Desbastando a pedra bruta. Disponível em:
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