Aprendizado maçônico

Geralmente os três graus são alcançados em muito pouco tempo. Porém, o verdadeiro mestrado é realmente alcançado neste período? É improvável que, em tão pouco tempo, alguém possa entender todo o significado da maçonaria simbólica.

A nós é dado um complexo sistema de aprimoramento espiritual e moral, muito rapidamente para que seja entendido imediatamente, e espera-se que balizemos nossa vida futura nele. No entanto levaremos anos de reflexões e estudos para saber como fazer isso.

Nossos rituais dificilmente abrem as nossas mentes no momento em que nos são apresentados. Podemos não enxergar imediatamente a profunda verdade e a luz que a iniciação nos oferece. Na maioria dos casos é necessário desenvolvermos rigoroso trabalho espiritual para atingir um nível de consciência mais elevado.

Entretanto, um súbito despertar poderá acontecer se estivermos preparados em coração e intenção. Para alguns acontece um verdadeiro estímulo mágico, um despertar do espírito dormente ou das capacidades reprimidas, no decorrer dos nossos trabalhos.

No entanto, essa magia com certeza ocorreria com maior frequência se os envolvidos no ritual tivessem a real compreensão do que está sendo feito, e trabalhassem juntos para que isso acontecesse.

A expansão da consciência revela-se gradualmente. Ela acontece como resultado da reflexão a respeito da doutrina e do simbolismo da Ordem e das tentativas de seguir o caminho que seus ensinamentos preconizam.

Segredos elementares e formais são necessários como uma preocupação prática contra a intrusão de pessoas despreparadas e para prevenir profanação. No entanto há segredos filosóficos velados dentro de nossa Ordem muito mais importantes. Eles devem ser por nós distinguidos dos segredos meramente formais comunicados cerimonialmente. Podemos comunicar nosso sistema, no entanto a sua síntese é de percepção individual e pessoal.

Esses segredos não são informações que possam ser compartilhadas ou ocultadas conforme nossa vontade, mas verdades inerentes ao próprio sistema. Verdades que, para termos acesso a elas, precisamos extraí-las do sistema com o nosso esforço pessoal, como a música e a poesia o são de uma página impressa, e que só podem ser consideradas como verdades pela sensibilidade da alma depois de profunda meditação e completa assimilação.

Verdades e mistérios íntimos são inevitavelmente secretos àqueles que não têm a sensibilidade de percebê-los e as Ordens secretas sempre existiram para oferecer iniciação nesses segredos e mistérios, propiciando a seus membros adentrar um santuário silencioso onde possam contemplar e atingir um conhecimento pessoal das coisas que sempre estarão fora da consciência dos profanos.

Um dos caminhos para se desvendar os segredos filosóficos da maçonaria pode estar na percepção do fato solene de que o Divino e a alma humana são em essência uma unidade e que a intenção de nosso sistema de iniciação é, pela instrução e disciplina, trazer a cada um de nós a consciência dessa unidade.

A maçonaria é uma casa do espírito e é para ser vivida tanto no espírito quanto no ritual. Os que a vivenciam sabem que as sagradas leis da vida, como nossos rituais que são imagens dramatizadas da vida, sujeitam-nos a repetidos testes e aqueles que não passam nos testes permanecem auto inibidos para moverem-se em direção a um maior conhecimento e a uma experiência mais profunda.

O propósito da nossa Ordem é ajudar seus membros a tornarem-se iniciados na ciência da vida. Se quisermos conhecer a nós mesmos, a maçonaria oferece um caminho para esse conhecimento. É uma aventura espiritual, adequada para mentes atléticas e aventureiras.

Porém, antes de explorar as profundezas espirituais da Ordem precisamos avaliar o custo. Definir o que estamos prontos e dispostos a construir sobre uma pedra, não em uma fundação pessoal instável. O iniciado vai sofrer ansiedade mental. O progresso na ciência maçônica envolve grandes mudanças em nós mesmos, nossa forma de pensar e de viver.

Os prêmios são imensos, mesmo que saibamos que não são para o nosso desfrute. A iniciação envolve a destruição do nosso senso de egoísmo pessoal que se transforma em desprendimento para a difusão da luz, da sabedoria e do amor a todos os seres.

Finalmente não nos esqueçamos que não é apenas um dever moral de todo o iniciado ajudar ao irmão menos avançado, mas um dever de obediência ao princípio espiritual que declara que aquele que recebe graciosamente precisa e deve conceder da mesma maneira.

Ninguém é iniciado para sua vantagem pessoal, mas para distribuir sua luz para todos que se apresente a ele e seja digno de recebê-la.

Se seguirmos esses preceitos, construiremos um Templo de uma humanidade perfeita.

Autor: Francisco de Assis de Góis

Fonte: Blog Estudos

Referências

Turning the Hiram Key – Robert Lomas

Making Darkness Visible – Robert Lomas

Pensamentos de W. L. Wilmshurt

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