Origem e evolução dos Cargos em loja da Maçonaria e dignidades maçônicas na Grã-Bretanha do século XVII até nossos dias – Parte III

O Ponto Dentro do Círculo

Avental Provincial De Chester - Colecionador - Maçonaria | Mercado Livre

III – As Grandes Lojas provinciais

Desde meados do século XIX, existem Grandes Lojas provinciais na Inglaterra. Estas Grandes Lojas são dirigidas pelos Grãos Mestres Provinciais (nomeados pelo Grão-Mestre) e os Oficiais provinciais que usam decorações comparáveis às dos Oficiais da Grande Loja Unida da Inglaterra, com a famosa “liga azul”, o azul da Ordem da Jarreteira. As Grandes Lojas Provinciais cobrem todo o país, com exceção da região de Londres administrada diretamente pela GL. Esta particularidade destaca a verdadeira função dessas Grandes Lojas. De fato, para entrar nocursus honorumda maçonaria inglesa deve-se necessariamente começar pelo escalão provincial. Como os irmãos de Londres não contavam com isso, foi criado para eles no início do século, o “London Rank” e depois o “London Grand Rank,” que são o equivalente exato de uma dignidade de Grande Oficial provincial na jurisdição de Londres. Todos os anos são…

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Origem e evolução dos Cargos em loja da Maçonaria e dignidades maçônicas na Grã-Bretanha do século XVII até nossos dias – Parte II

O Ponto Dentro do Círculo

EXPERTOS - ARLS:. Universitária Professor José de Souza Herdy

II – Evolução dos cargos em loja nos “Modernos” e nos “Antigos” até a união de 1813

Vimos que a estrutura da maçonaria inglesa da década de 1720 deriva globalmente das estruturas da maçonaria escocesa do século XVII. No entanto, não sabemos onde, quando, como e por quem essa transmissão foi feita[1]. Por outro lado, sabemos que houve, durante a transmissão, uma série de mudanças, das quais as mais significativas são o fato de que a Presidência da loja não é mais confiada a um “Warden” ou a um “Deacon”, mas a um “Master of lodge” (Mestre de loja), e que este presidente é ajudado não por um, mas por dois assessores, os “Wardens” (Vigilantes). Sabemos, também, que esta nova estrutura (isto é, um Venerável Mestre e dois Vigilantes) vai se impor. Aliás, na década de 1740, é a única conhecida…

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Origem e evolução dos Cargos em loja da Maçonaria e dignidades maçônicas na Grã-Bretanha do século XVII até nossos dias – Parte I

O Ponto Dentro do Círculo

Trois gravures encadrées. Représentant des scènes maçonniques, gravures dites[...]

I – Os oficiais da Loja, da Escócia de William Shaw à primeira Grande Loja inglesa até 1750

Qual é a origem dos oficiais de uma loja maçônica? Responder a esta pergunta é necessariamente relacioná-la com o sistema primitivo de graus maçônicos e procurar essa origem primeiro na Escócia ao final do século XVII e depois na Inglaterra no início do século XVIII.

Lembremo-nos que na Escócia, no século XVII, o sistema de graus consistia em duas etapas: Aprendiz (isto é, um Aprendiz que fez suas provas durante 7 anos em média como Aprendiz registrado) e o Companheiro ou Mestre este último chegando raramente a ser alcançado em virtude de seu custo. Além disso, existiam dois tipos de estrutura nessa Maçonaria Escocesa: uma estrutura civil, administrativa e pública, a corporação ou Guilda de Mestres que governava a cidade e o emprego, e uma estrutura “secreta” específica do ofício, a loja…

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Ressignificando a Iniciação, sua jornada arquetípica e efeitos psicológicos (Parte II)

4 – Jornada do herói x iniciação maçônica

Havendo demonstrado a estrutura psicológica do templo maçônico, poderemos agora aprofundar a análise da jornada arquetípica do herói no contexto na iniciação maçônica.

Isso porque, compreender tal jornada despida de conceitos como consciente, inconsciente e símbolos, outrora apresentados, seria contraproducente para captar o porquê de cada estágio na estrutura da jornada do herói.

O intitulado “herói” aqui utilizado é compreendido como uma manifestação arquetípica dentro da psique coletiva (JUNG, 1978). Para reforçar tal conceito, Jung indica sua representação (ou adaptação) nas mais conhecidas culturas e religiões ao redor da terra (JUNG, 2011), e nós também poderemos encontrá-lo em filosofias como a maçonaria.

O encontramos essencialmente nas histórias de Atum, Osíris e Hórus do Antigo Egito; de Marduk, dos Mistérios Sumerianos; de Apolo, Febo, Héracles, Dionísio e Orfeu, da Mitologia Greco-Romana; de Krishna, da Religião Hinduísta; de Baldur, dos Mistérios Nórdicos; de Amaterasu, na religião Xintoísta; de Oxalá, Oxalufã, e Oxaguiã, das Religiões Afro-brasileiras; do Rei Arthur, Galahad e Persival, na história do Santo Graal; na verídica história de Jacques DeMolay, nos Medievais Cavaleiros Templários; em Cristian Rosenkreuz, nas Núpcias Alquímicas da Tradição Rosacruz (Manifestos); em Hiram Abiff, no exclusivo mito maçônico; em outros contos como Branca de Neve e o Mágico de Oz; em vários heróis cinematográficos, como Luke Skywalker, Indiana Jones, James Bond, Superman, Frodo Bolseiro, e além é claro, do principal das representações ocidentais, em Jesus o Cristo.

Em todas estas histórias, encontram-se exatas e nítidas similaridades que são explicadas unicamente pelo aduzido conceito do inconsciente coletivo de Jung.

Os principais objetivos da missão do herói são, atingir a liberdade plena, compaixão pela humanidade, ou ainda um casamento místico e espiritual. O processo que leva a tais consecuções e que, suscintamente, retrata a repetida jornada arquetípica foi chamado por Jung de “processo de individuação”.

Essa individuação reside em uma harmonia entre o consciente e o inconsciente, havendo uma contínua relação funcional de equilíbrio – em outras palavras, quando deliberadamente a prática maçônica (inconsciente) toma praticidade no mundo profano (consciente), há uma sucessão de experiências únicas, que levam a um alto estado de percepção, liberdade e amadurecimento, tornando-se, segundo Jung, “um consigo mesmo” (VAN GUENNEP, 2011).

Assim como a psique humana é dividida em três partes pela psicologia analítica, a jornada do herói também o é, podendo ser classificada como:

  1. separação ou partida;
  2. Iniciação ou provas e vitórias; e,
  3. O retorno.

No que concerne à iniciação maçônica, essa pode perfeitamente ser enquadrada neste postulado ternário, sendo a última fase – O retorno – devidamente completada no grau de mestre maçom.

4.1. A separação e o chamado da aventura

… Eu o proponho, na devida forma, um candidato apropriado para os mistérios da Maçonaria. Eu o recomendo, como digno de compartilhar privilégios da Fraternidade, e, em consequência de uma declaração de suas intenções, feita de forma voluntária e devidamente atestada, eu acredito que ele seguirá estritamente em conformidade com as regras da Ordem. (PRESTON, 1867, p.26)

A primeira tarefa do herói é retirar-se da cena mundana, do mundo profano nas alegorias e contos, para iniciar uma jornada – que, desmistificada, trata-se de uma imersão nas regiões causais da psique onde residem efetivamente as reais dificuldades – a fim de transpor os obstáculos, tornar consciente seus defeitos e, ao final, superá-los em benefício do próprio progresso ou da coletividade (CAMPBELL, 2007, p. 27).

Normalmente um problema se apresenta diante do herói mitológico, um desafio, uma questão ou ameaça, a fim de convocá-lo a cumprir seu destino, mas também poderá ocorrer outros fatores para o seu próprio crescimento, como curiosidades, sonhos, desejos, etc.

Trazendo o aduzido conceito para o contexto maçônico, conforme o procedimento maçônico padrão, o candidato é convidado a iniciar na Sublime Ordem. O convite parte do intitulado “padrinho”, o qual figura a função de arauto da jornada do herói.

Na aceitação do convite reside este estágio do “chamado da aventura”, que, em outras palavras, o padrinho figura como um sinal enviado pelo inconsciente (a qual já falamos é o templo maçônico/reunião ritualística) (CAMPBELL, 2007, p. 66). O candidato que recebe o convite-chamado representa a consciência objetiva (simbolicamente o exterior do templo maçônico – mundo profano).

Em termos reais, isso nada mais representa do que a alegoria de um sonho, a qual, como demonstramos, é um fator equilibrante do nosso inconsciente para devidamente direcionar o consciente do indivíduo, a fim de alcançarmos o pretenso equilíbrio

Com o devido paralelo que fizemos antes, acha-se dramatizado tal comunicação inconsciente pessoal versus consciente nesta referida passagem na mitologia maçônica.

Dito isso, as decorrentes associações que trazemos entre a jornada do herói e a maçonaria não devem ser literais, pois, cada mito possui uma conotação cultural que lhe é peculiar, obtendo variações de termos e simbolismo.

Assim, evidente que a história de heróis, como Buda, Jesus e Hiram Abiff, são literalmente diferentes, apesar das vergastadas coincidências. Contudo, o simbolismo arquetípico de suas manifestações no desenrolar das histórias é notoriamente semelhante.

4.2. A recusa do chamado

Tente! E não diga que a vitória está perdida, se é de batalhas que se vive a vida, Vá, Tente outra vez! (Raul Seixas)

Sempre encontramos, tanto na realidade, como nos contos mitológicos, o dramático caso do chamado ou convite que não obtém resposta, havendo, pois, o desvio da atenção para outros vis interesses.

A recusa à convocação acaba por aprisionar o herói mitológico, seja pelo tédio, pelo trabalho duro ou pela ignorância na “matrix”. A recusa é uma negação à renúncia daquilo que a pessoa (inconsciente) considera interesse próprio (CAMPBELL, 2007, p. 72), mesmo que sua mente consciente ainda não saiba, e tal recusa se caracteriza, cumulativamente, pela identificação da Persona [2] com seu ego [3].

Por essas e outras razões, sempre encontramos uma manifestação de egoísmo no estágio da “recusa do chamado”. Há casos em que não são aceitos convites às iniciações por egoísmo, ou mesmo abandonam a maçonaria pelo mesmo sentido.

O clássico exemplo desse estágio é o fatídico episódio bíblico da esposa de Ló, que se tornou estátua de sal por ter olhado para trás e desobedecido a instrução divina, devido à forte emoção que caiu diretamente em Ló, tal evento tornar-se-ia uma “recusa do chamado”, pois poderia diretamente ter rompido com a jornada daquele herói [4].

A recusa do chamado, na maioria das vezes, é representada pelo medo em suas várias manifestações, sendo que tal evento promove um olhar ou mesmo um “voltar-se para trás” de forma a não prosseguir. Ocorre de modo semelhante como “recusa do chamado” na jornada maçônica, quando por algumas vezes o medo do desconhecido ou oculto impede os candidatos de iniciarem, outras vezes o próprio contexto cultural cumpre esse papel.

Para muitos, talvez, esse estágio é o mais difícil de todos, garantindo as devidas proporções. Todo início (na vida) é conturbado, repleto de dúvidas e dificuldades. Dar o primeiro passo, eis à chave para o chamado.

4.3. O auxílio sobrenatural

Quando os tempos se tornarem tempestuosos, e os amigos simplesmente não puderem ser encontrados, como uma ponte sobre águas turbulentas, eu surgirei. (PRESLEY, Elvis. Bridge Over Troubled Water)

Para aqueles que não recusaram o chamado – convite para iniciar – o primeiro encontro da jornada ocorre diante de uma nova figura protetora, que fornece ao iniciando ajuda para lhe proteger.

As mitologias desenvolvem o papel na figura do guia e do mestre. No mito grego esse guia é Hermes-Mercúrio, e no egípcio a sua contraparte egípcia, Thoth. Nas tradições judaicas, Noé contou com uma pomba. Na mitologia cristã encontramos como guia o Espírito Santo ou mesmo a protetora, a Virgem Maria (CAMPBELL, 2007, p. 80).

Na iniciação do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria fica evidente a figura de auxílio da jornada na função do oficial chamado de experto/guia, que conduz o iniciando, oferecendo-lhe a devida proteção: “Eu serei o vosso guia, tendes confiança em mim, e nada receeis”. A função desse cargo na iniciação é conduzir o candidato, que estando privado de certas faculdades, necessita inexoravelmente do amparo do guia.

4.4. A passagem pelo primeiro limiar

Cedo ou tarde, você vai aprender, assim como eu aprendi, que existe uma diferença entre conhecer o caminho e trilhar o caminho. (Morpheus – MATRIX)

Superado o medo, muitas das vezes personificado como morte, simbolizado no Rito Escocês pela passagem da Câmara de Reflexões, o herói segue em sua aventura até chegar ao conhecido na jornada do herói por “guardião do limiar” (CAMPBELL, 2007, p. 82- 85).

Entende-se psicologicamente pelo limiar como a passagem do consciente para o inconsciente, onde se adentra a um mundo de fantasias e imagens, semelhantes aos sonhos. Ou seja, um mundo mítico e surreal – o inconsciente –, muitas vezes chamado de mundo da fantasia, variando conforme cada contexto cultural.

Consoante explicado, o ponto simbólico intermediário que marca a passagem do consciente para o inconsciente é a passagem da Sala dos Passos Perdidos para o – Átrio e – Templo.

Campbell aduz que no âmbito mitológico esse estágio está representado pela presença de um guardião seguido por uma “porta”, ou uma ponte, simbolizando o limiar. Na iniciação maçônica a passagem pelo primeiro limiar ocorre, exatamente, quando o candidato é levado à porta do recinto sagrado para ser abordado pelo Guarda do Templo.

Após sua passagem, ou seja, após ser “franqueado seu ingresso”, o candidato passa a vivenciar uma nova e única experiência, sendo submetido a uma ritualística incomum a todas as outras, a simbólica e mística ritualística maçônica, regida no sentido figurado e subjetivo, igualmente aos contos e mitos, a qual já falamos são retratações do inconsciente.

Calha realçar que a jornada do herói de Campbell está pautada no estudo de centenas de mitologias, crenças religiosas, contos e poemas, de modo que toda correspondência com a ritualística maçônica decorre, como reiteradas vezes apontado, pela manifestação arquetípica do herói estar presente na humanidade em toda e qualquer projeção do inconsciente dos indivíduos, inclusive os maçons.

4.5. Provações, testes, a nova experiência – o ventre da baleia

Por isso o axioma: “Conhece-te a ti mesmo, e conhecerás todo o Universo”, em
outras palavras, “Conheça o seu próprio ego, e sua mente se expandirá”.

A ideia de superação da passagem pelo limiar se acha representada na imagem arquetípica do útero ou ventre. Isso porque, o choque ocasionado pelo rompimento com o estágio consciente (mundo profano) com o avançar pelas “ondas do inconsciente” acabam lançando o indivíduo em um universo desconhecido, dando ao mesmo (novamente) a impressão de morte momentânea, ou submetido a novos testes e provações, de forma que assimile as regras surreais deste novo mundo a qual está descobrindo (CAMPBELL, 2007, p. 92).

Como exemplo, pode-se citar alguns contos, como Chapeuzinho Vermelho (conto alemão) na qual ela é engolida pelo lobo. Da mesma forma todo o panteão grego, exceto Zeus, foi engolido pelo pai Cronos.

Na Bíblia e no Corão encontramos Jonas, que é engolido por um peixe, passando “três dias e três noites” nas entranhas do peixe e depois sai vivo de dentro dele.

Na jornada maçônica o iniciando é colocado à prova por testes simbólicos, fazendo-o seguir por “caminhos escabrosos”, para que coloque a mostra sua coragem de forma a persistir na senda da virtude.

4.6. Iniciação ou provas e vitórias – a descida

Se quisermos ir ao paraíso, devemos antes passar pelo inferno (ALIGHIERI, Dante. Divina Comédia)

Vindo a ser vitorioso nos primeiros testes e provas, ao cruzar por completo o limiar, o herói caminha por uma paisagem onírica povoada por formas curiosamente fluídas e ambíguas, na qual deve sobreviver a uma sucessão de novas provas.

Esta passagem marca o herói por se estabelecer definitivamente neste novo mundo. O paralelo com a mitologia maçônica se torna evidente, vez que a ritualística maçônica é algo jamais experimentado antes, eis aí o “novo mundo” que é apresentado ao iniciando maçom.

O herói continua a ser auxiliado de forma indireta, por guias, mestres e sua própria intuição. Esse supradito auxílio é uma perfeita associação às opiniões dadas quando o Venerável Mestre faz sucessivas perguntas ao candidato.

Estas novas provas, cada vez maiores, representam no processo iniciático maçônico, a passagem pelos quatro elementos (que são tipos psicológicos junguianos).

No processo tribal, a título de exemplificação, os probacionistas se colocam às provas físicas, seja de um incêndio, a nado, ou tempestades.

4.7. Provação difícil ou traumática

Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta. (Carl Gustav Jung)

Nesse estágio da jornada do herói, quando todas as barreiras foram vencidas, aparecerá uma experiência profunda e traumática do enredo mitológico. Normalmente é representado por uma morte efetiva e momentânea, ou mesmo por um renascimento miraculoso.

Em diversos ritos maçônicos (e em diferentes graus) encontramos encenações de todo o tipo para dramatizar esta importante lição, seja por mais provas iniciáticas ou por demonstrações fúnebres, funestas e sombrias, de modo que pela última vez é dada a chance ao iniciando nos Mistérios de desistir da “senda da virtude e voltar ao mundo profano”, de render-se ao medo do desconhecido ou as tentações, mas, como ele mesmo descobrirá no futuro, isso é utilizado para cumprir com as finalidades do processo iniciático.

Sendo persistente, o buscador compreende o sentido simbólico de suas provações e testes e, bem no ápice da aventura, é apresentado à prova que Campbell intitulou de “o encontro com a Deusa”. Tal passagem é finalizada por um “enlace místico” ou “casamento alquímico”, conhecido nos mitos por hierosgamos, o mesmo anunciado pelos manifestos rosacruzes.

Em termos psicológicos, tal superação representa a união com a “Anima”, ou “Animus” em contos da heroína. Ocasião em que se toma pleno conhecimento da dualidade do inconsciente e se alcança o equilíbrio interior.

Para desmistificarmos, a mulher/anima ilustra na linguagem pictórica da mitologia a totalidade do que pode ser conhecido, já o herói é aquele que a compreende e assimila. Segundo Jung, havendo o equilíbrio total na psique (o conhecimento de Anima e Animus), atinge-se em seguida o Si-mesmo, ou seja, a totalidade do ser, torna-se lúcido todo o inconsciente, e assim completa o processo que austríaco denominou de processo de individuação do ser.

No contexto maçônico da jornada do herói, podemos entender esse encontro com a deusa, ou anima numa linguagem mais técnica, como a “Luz da Maçonaria” a qual é dada ao neófito, que estava privado de certas habilidades durante a iniciação e agora passa a ter a “Visão e Conhecimento do Templo Maçônico”, obtendo um enlace eterno com a Ordem Maçônica firmado com o solene juramento.

Um dos grandes desafios do intérprete e buscador está em desmistificar conceitos e captar o significado “subterrâneo” da ritualística maçônico que, como sinalizamos, pode ser auxiliar invocando grandes pensadores como Jung e Campbell. A título de exemplo:

O herói mitológico, saindo de sua cabana ou castelo cotidianos, é atraído/levado ou se dirige voluntariamente para o limiar da aventura. Ali, encontra uma presença sombria que guarda a passagem. O herói pode derrotar essa força, assim como pode fazer um acordo com ela e penetrar com vida no reino das trevas (batalha com o irmão, batalha com o dragão; oferenda, encantamento, etc.); pode, da mesma maneira, ser morto pelo oponente e descer morto (desmembramento). Além do limiar, então, o herói inicia uma jornada por um mundo de forças desconhecidas e, não obstante, estranhamente íntimas, algumas das quais o ameaçam fortemente (provas), ao passo que outras lhe oferecem uma ajuda. Quando chega ao nadir da jornada mitológica, o herói passa pela suprema provação e obtém sua recompensa. Seu triunfo pode ser representado pela união sexual com a deusa-mãe (casamento sagrado), pelo reconhecimento por parte do pai- criador (sintonia com o pai), pela sua própria divinização (apoteose) ou, mais uma vez — se as forças se tiverem mantido hostis a ele —, pelo roubo, por parte do herói, da bênção que ele foi buscar (rapto da noiva, roubo do fogo); intrinsecamente, trata-se de uma expansão da consciência e, por conseguinte, do ser (iluminação, transfiguração, libertação). O trabalho final é o do retorno. Se as forças abençoaram o herói, ele agora retorna sob sua proteção (emissário); se não for esse o caso, ele empreende uma fuga e é perseguido (fuga de transformação, Fuga de obstáculos). No limiar de retorno, as forças transcendentais devem ficar para trás; o herói reemerge do reino do terror (retorno, ressurreição). A bênção que ele traz consigo restaura o mundo (elixir).

5 – Conclusão

Depois de todo esboço comparativo entre mitologias, sonhos e a ritualística maçônica, ficou evidente que ambos se manifestam por meio de símbolos e gestos, que atuam cada um como um sensor automático que aciona energia e desenvolve o inconsciente pessoal dos adeptos, funcionando como um fator equilibrante na mente humana (CAMPBELL, 2008).

Tanto os sonhos, como a ritualística maçônica no interior do templo maçônico (plano inconsciente), atuam como um processo de compensação, lançam símbolos na mente, alegorias instrutivas, denotam fortes emoções e sentimentos para, ao retornar ao plano consciente (mundo profano), trazerem o conteúdo-conhecimento para prática na vida diária.

Assim, o templo maçônico discorrido no início do artigo é uma autorrepresentação da psique por meio do qual percorre o enredo da iniciação maçônica que trouxemos ao final através da jornada do herói, portanto, retratam um teatro de operações psicológicas visando um crescimento psicológico do maçom.

A fim de sintetizar ainda mais, a linguagem do inconsciente, por meio do qual os sonhos operam, são os símbolos que sempre se apresentam de forma metafórica, fábulas e alegorias. De igual modo, a ritualística maçônica executada no interior do templo maçônica é processada por alegorias e símbolos. Aliás, não apenas a maçonaria, mas todas as mitologias e religiões também são reveladas através de mitos e contos alegóricos, ou mesmo as fábulas cristãs, exatamente para atingir o mais íntimo no interior do ser humano, o seu inconsciente e ali produzir um conteúdo onírico e permanente.

Ao final dessas páginas, restou evidente que definir a maçonaria “como um sistema de moralidade, velada em alegorias e ilustrada por símbolos” é dizer muito mais do que transliterar os significados do simbolismo maçônico, ou melhor, é demonstrar seu potencial inconsciente e o real motivo do passo a passo na jornada na iniciação maçônica e o porquê da estrutura do templo maçônico.

Autor: Rafhael Guimarães

Fonte: Revista Ciência & Maçonaria

Nota do Blog

*Clique AQUI para ler a primeira parte do artigo.

Notas

[2] – Em grego significa “máscara”, definida como parte da personalidade usada em nossas interações, seria nossa face externa fabricada pelo consciente, uma máscara social.

[3] – Na visão de Jung, Ego é o nome dado à organização da mente consciente, constituindo-se de percepções, recordações, pensamentos e sentimentos estabelecidos pela sensibilidade e objetividade do indivíduo (HALL; NORDBY, 2010).

[4] – AT. Gênesis 19:26: “E a mulher de Ló olhou para trás e ficou convertida numa estátua de sal.”

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Referências bibliográficas

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CAMPBELL J. As máscaras de Deus, Mitologia Ocidental. São Paulo: Palas Athena, 1994.

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CAMPBELL J. Isto és Tu. São Paulo: Landy Editora, 2002.

CAMPBELL J. Mito e Transformação. São Paulo: Ed. Ágora, 2008.

FREUD, Sigmund. A interpretação dos sonhos. Rio de Janeiro: Editora Imago, 1972.

HALL, C. S. NORDBY, V. J. Introdução à Psicologia Junguiana. SP: Cultrix, 2010.

JUNG, C. G. Sincronicidade 8/3. Rio de Janeiro, Vozes, 2013.

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PRESTON, W. Illustrations of Masonry. New York: Masonic Publishing and Manufacturing Co., 1867.

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VAN GUENEPP, A. Os Ritos de Passagem. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2011.

23° Sorteio Literário

A Maçonaria e sua história: dois mundos diferentes

Eu gosto de História Maçônica e de História em geral, procuro conhecê-la e compreendê-la. Ela é um guia seguro para mim e me impede de recorrer a essas armas fáceis de anátema global e excomunhão coletiva. René Guilly [1]

Permitam-me apresentar-me.  Eu sou um daqueles dinossauros que fizeram dizer o autor de História de O, Dominique Aury, quando ela tinha pouco mais de oitenta anos:

Você não se deve esperar atingir a idade a que eu atingi, você deveria desaparecer antes, porque você se encontra, com algumas exceções, com pessoas muito mais jovens que você, que fazem o favor de lhe falar, sim, mas não há ninguém mais, é um deserto. Seus livros permanecem, felizmente!  A humanidade será salva pelos livros.[2]

O cartaz do nosso encontro indica – com razão – que sou membro da Loja Quatuor Coronati da Grande Loja Unida da Inglaterra, mas vale ressaltar que sou francês, nascido em Paris de pais e avós parisienses (meu avô materno foi encontrado em uma cesta durante o cerco de 1870), e que fui iniciado no Grande Oriente da França há meio século.

Minha primeira vida como pianista explica um pouco minhas mudanças, tão numerosas quanto as sucessivas obediências a que pertenci. Depois de ter passado dez anos no Grande Oriente da França, depois – muito brevemente – na Grande Loja Nacional Francesa, depois quinze anos nas Grandes Lojas Unidas da Alemanha, sou hoje, há mais de vinte anos, membro da Grande Loja Suíça Alpina. E finalmente moro na Suíça.

Minha iniciação no Grande Oriente de França foi provavelmente o gatilho para o que se seguiu.  Aconteceu no Sarre, onde eu morava na época.  Eu só sabia da Maçonaria o que Peyrefitte contava em Os Filhos da Luz – ele estava bem-informado –, e quando recém-iniciado fiz uma pergunta simples aos meus Irmãos:  Por que nossa loja e as duas lojas alemãs de Saarbrücken nunca se visitam? Disseram-me que era complicado e que eu entenderia mais tarde. Ora, conforme escreveu Jean Cocteau, “Sou francês e gosto de entender”.[3]

Em 1963, ano da minha iniciação, Joannis Corneloup, publicou aos setenta e cinco anos, seu primeiro livro de história maçônica, Universalismo e Maçonaria.  Ali ele definia claramente as noções de regularidade e reconhecimento, que os membros de minha loja eram incapazes de me explicar. Como sempre faço quando sinto admiração por um autor, o jovem maçom que eu era escreveu algumas linhas ao Grande Comandante de Honra do Grande Colégio de Ritos para lhe agradecer. Ele me convidou para ir vê-lo quando eu estivesse em Paris e foi o início de uma amizade que durou até sua morte em 22 de outubro de 1978.

Neste livro, Corneloup escreveu:

Ensinemos àqueles que não o teriam descoberto sozinhos a distinção a ser feita entre a Ordem e as Obediências.

Observação fundamental, acompanhada de uma breve nota indicando: “Consulte o livro de Marius Lepage, A ORDEM e as Obediências “.  Comprei o livro de Lepage e escrevi a ele também. Outra amizade e longas trocas de cartas até sua morte em 1972.  É este segundo livro que me indicou aqueles pelos quais eu devia começar a abordar a história da Maçonaria.

O universo da Maçonaria – o que Lepage chamava ORDEM – é muito diferente de sua história. A ORDEM participa – aos meus olhos – de um mundo mágico. Com isso quero dizer que coisas incríveis acontecem lá que muitas vezes funcionam e às vezes não.  Nem sempre as compreendemos por que pertencem ao domínio do inexplicável. Eu sou um daqueles que se recusam a explicar a Maçonaria.  Existem inúmeros livros que querem explicar seus símbolos.  Se eu tivesse algum conselho para lhes dar, seria não os ler e até os jogar no fogo. A linguagem da Maçonaria é tão particular quanto a da música.  Nós não explicamos a música, nós a ouvimos e a vivemos.

A história da Maçonaria é um domínio muito diferente. Eu me diverti muito lá, porque o trabalho me diverte [4], e eu continuo. 

A maneira mais fácil é contar a vocês duas ideias fundamentais em meu trabalho. Para se aventurar a pesquisar a história da Maçonaria, dois pré-requisitos são essenciais.  O primeiro me foi indicado por um amigo meu, Roger de Weiss, que se suicidou há mais de trinta anos.  Ele havia obtido seu doutorado em filosofia na Universidade de Friburgo, na Suíça, onde ambos morávamos na época.  E ele me disse um dia: “Alain, você pode escrever o que quiser no campo da filosofia… com uma condição: ter em primeiro lido tudo o que foi escrito neste campo”. Bom. 

A outra condição eu descobri por conta própria.  Porque os livros essenciais – não são muitos – que tratam desta história foram escritos em três línguas, francês, inglês e alemão, creio que é necessário dominar estas três línguas.  Tive a sorte de ter uma governanta inglesa que me ensinou a nunca reclamar e nunca explicar.  Uma vez me casei com uma alemã – ela foi minha empresária depois de ter sido a de Walter Gieseking – e morei na Alemanha por cerca de quarenta anos.  Tenho a sorte de ser trilíngue.

A partir daí, desde que você seja curioso e mantenha os pés no chão, ter paciência, um pouco de bom senso e um pouco de sorte, as coisas andam por si mesmas.

Por que a história da Maçonaria pertence a um mundo diferente daquele da ORDEM? Porque um desses mundos se baseia em lendas fundadoras – a da construção de um templo, o assassinato de seu arquiteto – e o outro repousa para muitos maçons em lendas absurdas, frutos da imaginação de historiadores fantasiosos, inescrupulosos ou desonestos.  O pai desta linha de historiadores é naturalmente Thory.  Devemos a ele – entre outras coisas – a invenção da “Grande Loja Inglesa da França” [5] que causou estragos até 1989[6], o da edição imaginária de 1742 de Segredo dos maçons, e falsos extratos do Memorando Justificativo de Brest de la Chaussée. Em outros lugares veremos nossos ancestrais qualificados como construtores de catedrais, descendentes dos cruzados, sucessores dos templários, inspirações da Revolução de 1789 ou inventores da divisa republicana.

Tivemos que colocar alguma ordem em tudo isso.  A escola autêntica inglesa, vocês acham? De jeito nenhum.  São os alemães os seus fundadores. A primeira enciclopédia da Maçonaria foi publicada em três volumes entre 1822 e 1828 e é preciosa. Assim como sua segunda edição, também publicada em três volumes sob o título de Allgemeines Handbuch entre 1863 e 1867, e uma terceira edição em dois volumes em 1900-1901.  A primeira verdadeira história da Maçonaria Francesa apareceu em dois volumes em 1852 e 1853. Deve-se isso ao Dr. Kloss, outro alemão, também autor do primeiro Bibliografia da Maçonaria em 1844.  E vocês conhecem pelo menos de ouvir falar a de três volumes de Wolfstieg (1911-1913).

Nada equivalente do outro lado do canal da Mancha. Por outro lado, na França, um francês, Jean Émie Daruty, autor de um livro excepcional por sua precisão e honestidade, Pesquisa sobre o Rito Escocês Antigo e Aceito, publicado em 1880 nas Ilhas Maurícias. Aqui está o que ele escreveu em seu Prefácio:

[o autor dessas Pesquisas] não se esquivou diante da obrigação de sempre indicar as fontes de onde extraiu e, se necessário, de verificá-las seriamente. Para tanto, longe de poupar citações, ele declara, pelo contrário, que fez questão de citar com frequência, de modo a dar à sua obra toda a autoridade atribuída aos autores mais confiáveis e a apoiar, na medida do possível com documentos não contestados. Ao mesmo tempo, não adiantou nenhum fato como certo a não ser apenas depois de tê-lo verificado escrupulosamente e mencionado apenas com a mais prudente reserva tudo o que é apenas tradição, – a tradição não se impondo, segundo a expressão de um escritor cujo nome lhe escapa no momento, apenas para aqueles que estão convencidos ou que gostam de o ser. [7]

Como trabalhar?  Recordemos um ponto muito simples.  Quando você escreve um artigo ou um livro que trata da história da Maçonaria, o que você quer explicar ou transmitir só pode se basear em duas áreas distintas. 

A primeira área cobre o que Roger de Weiss me disse uma vez, tendo lido tudo o que foi escrito sobre o assunto.  E aqui vem o conhecimento ou ignorância de línguas estrangeiras (há muitos maçons franceses que estão inconscientes de não levar em conta essa condição necessária). Vamos, portanto, retomar, para os evocar, completar ou contradizê-los, os trabalhos de historiadores anteriores. Em todos esses casos, é imprescindível indicar em nota as referências aos empréstimos que foram feitos, e essas citações emprestadas tornam-se então perfeitamente legítimas.  Preciso acrescentar que com o progresso da Internet, muitos acreditam que não precisam respeitar essa condição sem saber que são culpados de furto?

A outra área é a das descobertas que podemos ser levados a fazer.  Há muitos arquivos que não foram explorados ou o foram apenas superficialmente. Aqui, novamente, é essencial fornecer referências precisas. 

Em suma, ir em busca da história da Maçonaria consiste antes de tudo em voltar às fontes.  Daí a importância das notas de rodapé que as indicam — ou que deveriam indicá-las. Foi seguindo as de Gould e Kloss que encontrei em 1967 os textos regulamentares franceses de 1743 e 1755 sobre os quais Marcy escreveu em 1956 que já não os possuíamos.[8] 

Então você tem que poder publicá-los. Durante uma reunião da Comissão para a História do Grande Oriente da França, da qual fui membro há quase meio século, Jacques Mitterand descobriu a redação do artigo 29 dos Estatutos de 1755, “No dia de São João todos os maçons irão à missa”, e declarou muito claramente que o Grão-Mestre e o Grande Oriente nunca publicariam este texto!  Como resultado, todas as minhas descobertas apareceram em 1974 no jornal da Loja Villard de Honnecourt.[9]

Além dessas duas áreas, as obras de nossos predecessores e nossas próprias descobertas, há alguma outra? A priori, não.  Mas um amigo meu chamou-me a atenção para uma terceira que é muito real: a da imaginação e, às vezes, até da desonestidade.  Que este mundo seja explorado por opositores da Maçonaria, nada mais normal.  O problema começa quando há maçons entre eles.

Recentemente, reli um pequeno panfleto bastante raro que foi publicado em 1936[10]. Ele não contém nenhum comentário. Ele se contenta em reproduzir os documentos que foram escritos no Ano VII da República por ocasião da breve reunificação da Maçonaria na França. 

No estilo inimitável da época, o primeiro desses documentos relembra o passado: 

“A discórdia, esse inimigo implacável, agitou suas serpentes, sacudiu suas tochas sobre nossas cabeças.”

Outro menciona:

“Aquele espírito de paz e harmonia que deve animar todos os verdadeiros filhos da luz: eles rejeitaram aquele caráter orgulhoso, aquele espírito de supremacia e ambição que reinava entre nós até hoje.”

E um terceiro:

Quando se quer com firmeza, quando se quer com justiça, não se perde nos labirintos das respectivas pretensões.

É este espírito que, como historiador e maçom francês, estou feliz por ver finalmente, nos últimos dias, começar a reinar no meu país.

Autor: Alan Bernheim
Traduzido por: José Filardo

Fonte: Bibliot3ca Fernando Pessoa


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Notas

[1]Renaissance Traditionnelle No. 11, julho 1972, 214.

[2] – Dominique Aury, Vocação: clandestina, Gallimard 1998.

[3] – Jean Cocteau, O Passado Definido VI. (1958-1959), 337.

[4] – Tive o prazer de ouvir no Journal Télévisé de France 2, em 20 de junho, uma mulher de 61 anos declarar: “Tenho a impressão de estar brincando enquanto trabalho”.

[5] História da Fundação do Grande Oriente da França (1812), 14.

[6] – John Webb, ‘Discurso Inaugural’ 1987 (Ars Quatuor Coronatorum 100).  Paulo Naudon, Maçonaria (O que eu sei), 1999, 17º [!] ed.

[7] – Jean Emile Daruty, Pesquisas, ix. 2002. Reedição em fac-símile, precedida de Homenagem a Jean Emile Daruty por Alain Bernheim. Edições Teletes, Paris.

[8] – Henrique-Félix Marcy, Ensaio sobre a origem da Maçonaria, voar. II (1956), 173.  Alain Bernheim, ‘Os Regulamentos de 1743 e os Estatutos de 1755 da Grande Loja de France’. Colóquio organizado pelo Grande Oriente da França, Maçonaria na Era do Iluminismo, 2 de dezembro de 1967 (Anais históricos da Revolução Francesa N° 197, 1969, 379-392).

[9] – Alan Bernheim, ‘Contribuição para o conhecimento da gênese da primeira Grande Loja da França’.  Loja Villard de Honnecourt N° 81, GLNF. Paris, 29 de janeiro de 1974 (Obras de Villard de Honnecourt X, 1974, 18-99).

[10] Encontro dos dois GGOOda França 1799.  Documentos para servir na história do G\O\d\F\. Fora do comércio. 1936.

Sobre a natureza da interpretação simbólica

O Ponto Dentro do Círculo

35957463886_4320399039_b L’énigme – Gustave Doré (1871)

Neste ensaio apresento minhas reflexões sobre a natureza da interpretação simbólica, com base nos meus estudos sobre o Tratado de Simbólica, de Mário Ferreira dos Santos (1956).

Na Grécia antiga, quando alguém recebia uma visita em casa, costumava partir uma moeda ao meio em sinal de amizade. Cada parte tendo a metade da moeda, esta só teria valor se as duas metades estivessem coladas uma à outra, significando que cada uma das duas pessoas só tem valor porque mantém estreito vínculo de amizade com a outra. A palavra símbolo vem de συμβολή (symbolé), formada por βολή (bolé), que significa bola (que se lança), disco, a moeda propriamente dita, e pelo prefixo σύμ (sým), que transmite a ideia de junção. Como essa palavra era interpretada como significando o vínculo entre duas partes, passou, com o tempo, a significar qualquer menção a algo maior, algo além…

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O sonhado e o possível sob a perspectiva de uma Loja Maçônica

O Ponto Dentro do Círculo

How to Cite "I Have a Dream" - EasyBib Blog

Com a simples entrega duma proposta de admissão nos Augustos Mistérios a um candidato, temos o inicio daquilo que podemos chamar de ‘vínculo tácito’, sim, tácito, porque esta vinculação não compromete o futuro adepto materialmente a loja que fora representada pelo Mestre observador externo (expressão autoral), uma QUALIDADE importantíssima para a manutenção do status quo da Instituição.

A possibilidade de se sentir pertencido a um grupo, associação, clube, religião, sempre despertou no ser humano interesses com as mais diversas variáveis: bem comum, status, poder, prestigio, etc, e ouso a afirmar que isto faz parte do processo civilizatório.

De toda sorte, a forma de ingresso têm suas particularidades, mas não há a olhos vistos, alguma instituição que trabalhe a entrada do iniciando com tanta preocupação em desenvolver nos sentidos humanos características essenciais ao seu desenvolvimento, o Divino e a Ciência.

Como a síntese se faz necessário no “Quarto de hora do…

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Além do avental

O Ponto Dentro do Círculo

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O que te faz maçom além do avental que usas?

Discussões dantescas a respeito de quando nos tornamos especulativos e deixamos de ser operativos são travadas por celebrados escritores. Nas origens e etimologia da palavra “pedreiro”, em grego “tekton”[1], é aquele profissional que se empenhava na transformação de materiais em construções diversas com variados materiais, veja bem, não se limitando a pedra.

Chamo a atenção pelo motivo de que às vezes nos achamos pensadores especulativos e na verdade deveríamos estar trabalhando em algo. Em quê?

A filosofia já cuida da mente. A ordem criada por Baden-Powell, das medalhas que usa sobre vosso peito que me lembram mais escoteiros que qualquer outra coisa. Os Clubes de serviço, da caridade. A política dos cursos das nações. O que resta a você como maçom?

O quê foi construído desde que iniciaste, além da evolução oriunda de qualquer ser humano que tem…

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A fixação da ritualística no inconsciente do maçom

O Ponto Dentro do Círculo

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Muitas vezes são imperceptíveis, mas as pessoas estão cercadas de Ritos. Eles, inclusive, contribuem para o bem-estar dos indivíduos. “Os ritos e rituais vêm da antiguidade com a mesma função: servem acima de tudo para facilitar o encontro com nós mesmos, para não nos desviarmos dos nossos objetivos e metas que traçamos com sinceridade; são uma ferramenta para nos lembrar quem somos, o que estamos fazendo e como estamos fazendo”, segundo España (2017).

Utilizados de forma equilibrada, os ritos ajudam o ser humano a ter mais autocontrole, a estar mais centrado nas ações que desempenham, impedindo-o de desconectar dele mesmo, e por isso, podem e devem ser criados e respeitados, como forma de trazer um ganho geral, melhorando sua motivação e consequentemente tudo ao seu redor.

Por exemplo, a estratégia utilizada para chegar ao trabalho diariamente pode ser considerada um hábito próprio que condiciona uma pessoa a sair sempre no mesmo…

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