Sobre a natureza da interpretação simbólica

O Ponto Dentro do Círculo

35957463886_4320399039_b L’énigme – Gustave Doré (1871)

Neste ensaio apresento minhas reflexões sobre a natureza da interpretação simbólica, com base nos meus estudos sobre o Tratado de Simbólica, de Mário Ferreira dos Santos (1956).

Na Grécia antiga, quando alguém recebia uma visita em casa, costumava partir uma moeda ao meio em sinal de amizade. Cada parte tendo a metade da moeda, esta só teria valor se as duas metades estivessem coladas uma à outra, significando que cada uma das duas pessoas só tem valor porque mantém estreito vínculo de amizade com a outra. A palavra símbolo vem de συμβολή (symbolé), formada por βολή (bolé), que significa bola (que se lança), disco, a moeda propriamente dita, e pelo prefixo σύμ (sým), que transmite a ideia de junção. Como essa palavra era interpretada como significando o vínculo entre duas partes, passou, com o tempo, a significar qualquer menção a algo maior, algo além…

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O sonhado e o possível sob a perspectiva de uma Loja Maçônica

O Ponto Dentro do Círculo

How to Cite "I Have a Dream" - EasyBib Blog

Com a simples entrega duma proposta de admissão nos Augustos Mistérios a um candidato, temos o inicio daquilo que podemos chamar de ‘vínculo tácito’, sim, tácito, porque esta vinculação não compromete o futuro adepto materialmente a loja que fora representada pelo Mestre observador externo (expressão autoral), uma QUALIDADE importantíssima para a manutenção do status quo da Instituição.

A possibilidade de se sentir pertencido a um grupo, associação, clube, religião, sempre despertou no ser humano interesses com as mais diversas variáveis: bem comum, status, poder, prestigio, etc, e ouso a afirmar que isto faz parte do processo civilizatório.

De toda sorte, a forma de ingresso têm suas particularidades, mas não há a olhos vistos, alguma instituição que trabalhe a entrada do iniciando com tanta preocupação em desenvolver nos sentidos humanos características essenciais ao seu desenvolvimento, o Divino e a Ciência.

Como a síntese se faz necessário no “Quarto de hora do…

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Além do avental

O Ponto Dentro do Círculo

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O que te faz maçom além do avental que usas?

Discussões dantescas a respeito de quando nos tornamos especulativos e deixamos de ser operativos são travadas por celebrados escritores. Nas origens e etimologia da palavra “pedreiro”, em grego “tekton”[1], é aquele profissional que se empenhava na transformação de materiais em construções diversas com variados materiais, veja bem, não se limitando a pedra.

Chamo a atenção pelo motivo de que às vezes nos achamos pensadores especulativos e na verdade deveríamos estar trabalhando em algo. Em quê?

A filosofia já cuida da mente. A ordem criada por Baden-Powell, das medalhas que usa sobre vosso peito que me lembram mais escoteiros que qualquer outra coisa. Os Clubes de serviço, da caridade. A política dos cursos das nações. O que resta a você como maçom?

O quê foi construído desde que iniciaste, além da evolução oriunda de qualquer ser humano que tem…

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A fixação da ritualística no inconsciente do maçom

O Ponto Dentro do Círculo

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Muitas vezes são imperceptíveis, mas as pessoas estão cercadas de Ritos. Eles, inclusive, contribuem para o bem-estar dos indivíduos. “Os ritos e rituais vêm da antiguidade com a mesma função: servem acima de tudo para facilitar o encontro com nós mesmos, para não nos desviarmos dos nossos objetivos e metas que traçamos com sinceridade; são uma ferramenta para nos lembrar quem somos, o que estamos fazendo e como estamos fazendo”, segundo España (2017).

Utilizados de forma equilibrada, os ritos ajudam o ser humano a ter mais autocontrole, a estar mais centrado nas ações que desempenham, impedindo-o de desconectar dele mesmo, e por isso, podem e devem ser criados e respeitados, como forma de trazer um ganho geral, melhorando sua motivação e consequentemente tudo ao seu redor.

Por exemplo, a estratégia utilizada para chegar ao trabalho diariamente pode ser considerada um hábito próprio que condiciona uma pessoa a sair sempre no mesmo…

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Lobo em pele de bode

O Ponto Dentro do Círculo

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“Cuidado com os falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores.” (Mateus 7:15).

A família “Bovidae” é pródiga em lendas e simbolismos. A ela pertencem animais domésticos como ovelha, cabra, boi e selvagens como os antílopes e bisontes. Nosso foco se deterá na subfamília “Caprinae”: carneiros e bodes, que por serem mais dóceis foram domesticados e têm registros marcantes na jornada humana.

O carneiro é o macho da ovelha e juntos geram os cordeiros (ovinos). Eles têm os pelos mais ondulados (lã) e cornos geralmente enrolados, sem barbela. O bode é o macho da cabra e o filhote deles é chamado cabrito (caprinos). Comumente o pelo tem um aspecto liso, possuem cornos quase direitos (direcionados para fora) e costumam ter uma barbela (“barba”). Culturalmente considerados símbolo de fertilidade, libido e força vital.

Segundo o épico bíblico, ao serem expulsos do Jardim…

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O círculo, o ponto e as paralelas tangenciais

O Ponto Dentro do Círculo

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1 – Introdução

Na profusão da edição de rituais e instruções maçônicas no Brasil, muitas questões têm se apresentado que ainda clamam por uma solução ou explicação satisfatória nesse particular, sobretudo pela inserção de instruções que não pertencem a esse ou aquele Rito e sua correspondente doutrina iniciática, levando-se em conta à vertente na qual pertença o costume maçônico.

É o caso, por exemplo, de uma questão que envolve, dentro da simbologia maçônica, o conjunto composto pelo Círculo, pelo Ponto e pelas Paralelas Tangenciais e ainda no contexto acrescido do Livro da Lei e da Escada de Jacó. Indiscriminadamente esse conjunto alegórico, em não raras vezes, tem habitado as instruções para o Aprendiz emanadas em alguns rituais brasileiros do Rito Escocês Antigo e Aceito como o exemplo do que segue:

“Em Loja Maçônica Regular, Justa e perfeita, existe um ponto dentro de um circulo, que o verdadeiro Maçom não pode…

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Memória na Loja: um recurso mnemônico da Maçonaria no final do século XVIII

O Ponto Dentro do Círculo

Resultado de imagem para st mary's cathedral, edinburghSt Mary's Cathedral, Edinburgh

“As ferramentas e implementos da arquitetura, símbolos os mais expressivos!
Imprimir verdades sábias e sérias na memória, e transmiti-las inalteradas,
através de uma sucessão de eras, os excelentes princípios desta instituição.” William Preston, Ilustrações de Maçonaria (Londres, 1772)

A tradição da memória artificial na Idade Média e da Renascença, muitas vezes tratada como mera curiosidade pelos historiadores anteriores, tornou-se agora um dos temas-chave em muitas áreas da história intelectual amplamente definida[1]. Embora a aplicação dessa arte à retórica tenha sido comparativamente bem entendida, muito menos se sabe sobre o papel das mnemotécnicas e de seus tipos, conforme utilizados entre os grupos sociais que não deixaram fontes escritas. Estes são primariamente artesãos e oficiais de ofício que tiveram que memorizar frequentemente processos tecnológicos complexos sem os escrever, pois eles geralmente eram analfabetos e, ainda mais importante, tinham que proteger os segredos de sua arte de…

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A Maçonaria Operativa e Especulativa: uma discussão em torno das origens da Ordem

O Ponto Dentro do Círculo

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Introdução

O debate em torno das origens da Maçonaria sempre atraiu enorme interesse por parte dos especialistas maçons e não maçons e dos leigos de uma maneira geral. Contudo, determinar as verdadeiras raízes históricas da Ordem sempre foi um obstáculo aparentemente insuperável, pois fatos verídicos muitas vezes aparecem fundidos a uma enorme variedade de elementos lendários. Deste modo, como sugeriu o historiador Alexandre Mansur Barata (2006), o primeiro exercício, no sentido de uma melhor compreensão da procedência da Ordem, é adotar um novo olhar para a vasta literatura produzida, em sua maioria, pelos próprios maçons desde o início do século XVIII. Para legitimar sua atuação, os maçons buscavam em “tempos imemoriais” o inicio da instituição, o que era reforçado pela ritualística e simbolismo utilizados em suas reuniões. Desta forma, os maçons do século XVIII se auto-retratavam como herdeiros diretos dos egípcios antigos, dos essênios, dos druidas, de Zoroastro, de…

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Você sabe com quem está falando?

Da Terra ao céu e da superfície ao centro da Terra: A evolução física das Lojas Maçônicas ao longo da história

O Ponto Dentro do Círculo

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1 – Introdução

Aquela considerada a “premier” Grande Loja, tradicionalmente dita fundada em Londres, em 24 de junho de 1717, apresenta em sua antiga constituição, aquela elaborada pelo clérigo James Anderson, mais precisamente na edição atualizada de 1738, que quatro Lojas a fundaram. Essas quatro Lojas se reuniam:

Na taberna Ganso e Grelha, ado da Igreja de São Paulo; Na taberna Coroa, ruela Parker; Na Macieira, rua Charles, distrito Jardim do Convento; E na Taça e Uvas, Linha do Canal, Westminster (…) (ANDERSON, 1738, p.109 apud DERMOTT; ISMAIL, 2016, p.40)

Isso evidencia a realidade do local tradicional de reuniões das lojas maçônicas do início do século XVIII: tavernas, que eram estabelecimentos comerciais que funcionavam como bar, restaurante e, muitas vezes, também pousadas, com quartos para alugar.

Não iremos nos dedicar ao papel das tavernas, existentes há milhares de…

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