The Builder Magazine – Um Prefácio

Sob o signo do Esquadro e do Compasso – símbolos tão expressivos quanto antigos, “The Builder” retoma seus trabalhos para o progresso da Maçonaria, sem rancor para com quem quer que seja, sem apoiar esse ou aquele partido, sem defender essa ou aquela igreja, mas com uma boa vontade sincera e saudável para todos os seus companheiros de trabalho na busca da verdade e ao serviço da humanidade. Obviamente, é adequado, nesta edição inicial, que uma declaração seja feita para a sociedade da qual esta revista é um porta-voz, o seu objetivo, o seu espírito, seus ideais, e quais são os projetos presentes em sua Prancha de Delinear.

Tão entusiasmada, tão notável na verdade tem sido a resposta de todo o país para a criação sugerida de uma Sociedade Maçônica Nacional de Pesquisa  (National Masonic Research Society), que já não há qualquer dúvida de que tal movimento é necessário e que ele é extremamente prolífico e de longo alcance para servir à Ordem. Certamente está enganado quem não vê essa Sociedade, que agora está organizada e funcionando, é algo importante para a vida e para o progresso da Maçonaria em todos os seus ritos e atividades, e se nos doamos a ela com sinceridade, o dia de sua fundação será visto como uma das datas mais significativas da história recente da Sublime Ordem.

Antes de qualquer coisa é necessário o esclarecimento de alguns pontos. Esse movimento não tem nenhum objetivo de engrandecimento pessoal, muito menos de lucro pecuniário. Em vez de tentar ganhar dinheiro com a Maçonaria, os fundadores desta sociedade estão investindo tempo, dinheiro e energia nela, sem qualquer outro objetivo que não seja descobrir a verdade e relatá-la. Eles não tem nenhum machado para ser amolado, nenhuma vaidade a ser velada, nem um capricho com seu ego. Se fosse possível, eles prefeririam permanecer anônimos, e serem conhecidos apenas por seus trabalhos – como os velhos construtores de catedrais, cujos trabalhos vivem, mas cujos nomes estão perdidos. O único objetivo deles é difundir a Luz Maçônica e o discernimento,  e assim estender o poder e a influência dessa grane ordem de homens sobre a terra.

Ou seja, eles se recusam a pensar na Maçonaria como um mero conjunto de clubes sociais e de beneficência, e consideram tal visão da nossa Ordem como uma lamentável apostasia da doutrina dos seus fundadores. Eles acreditam que a Maçonaria é uma forma da vida divina na terra, uma ordem de homens iniciados, juramentados e treinados para fazer justiça e difundir a razão. Eles vêem neles poderes e possibilidades latentes ainda não imaginadas, e não realizadas; uma grande fraternidade libertária e humanista, cuja missão é atenuar o pré-conceito, afim de aperfeiçoar o pensamento, a compreensão e o trabalho, e então auxiliar na construção de uma ordem social com uma fraternidade mais nobre, mais justa e mais misericordiosa. Daí a sua honrosa ambição do trabalho desse homens, não só esclarecendo o que a Maçonaria para o mundo em geral, mas, ampliando e aprofundando o interesse dos próprios maçons na doutrina, filosofia, história e objetivos práticos da fraternidade. Certamente tal trabalho pode muito bem atrair os homens que de bom grado servem seus companheiros, e fazem um pouco de bem antes de morrer.

Em vez de ser uma iniciativa privada, esse movimento tem a sanção oficial e bênção da Grande Loja de Iowa, e é de fato uma consequência do trabalho dessa Potência na preparação de seus jovens para serem maçons inteligentes e competentes. O que significa no mundo maçônico o aval de um plano desse tipo pela Grande Loja de Iowa, é algo evidente, como comprovam estas palavras de Sir Chetwode Crawley, cujos distintos serviços à cultura maçônica na Inglaterra todo estudante conhece:

“Deixe-me começar por expressar a minha profunda satisfação pela Grande Loja de Iowa dar o seu aval ao Masonic Research e pela nomeação de tão influente e capacitado comitê. A adoção de um plano desse tipo por qualquer Grande Loja teria certamente calorosa aprovação de todos os Irmãos preocupados com o bem-estar da Ordem, mas há uma peculiaridade na sua aprovação pela Grande Loja de Iowa. Por mais de uma geração, estamos acostumados a ver a Grande Loja de Iowa a frente da produção da literatura Maçônica.”

Essas palavras exprimem uma grande e sincera homenagem, mas são amplamente merecidas e plenamente justificadas. Setenta e cinco anos atrás, a Biblioteca da Grande Loja de Iowa – talvez o maior de seu tipo no mundo – foi fundada pelo já falecido Theodore Sutton Parvin, cuja longa e movimentada vida foi dedicada, com uma diligência só igualada pela sua grande capacidade, para a causa da luz maçônica e da aprendizado. Hoje essa nobre biblioteca permanece como seu legado e memorial, as suas portas abertas e os seus tesouros fabulosos acessíveis a todos os que buscam mais luz na Maçonaria. Tendo uma tradição tão esplêndida e assim sendo exemplos a todos, é natural que os maçons de Iowa façam de sua biblioteca o centro de entusiasmo e atividade para o aprendizado sobre a Nobre Arte, da qual maiores detalhes podem ser lidos nos procedimentos da sua Grande Loja. Mais recentemente, por força da necessidade, nova ênfase foi adicionada ao estudo de uma vertente da Maçonaria, e a razão não é difícil de se encontrar.

Houve um tempo, não muito distante, em que era necessário muita coragem para um homem ser um Maçom. Os sentimentos contra a Ordem eram intensos, muitas vezes fanáticos, e os ignorantes imaginavam que seus segredos inocentes eram mal-intencionado ou foram criados para esconder algum projeto obscuro. Como é diferente agora, quando a nossa Ordem é respeitada em todos os lugares, pela bondade de seu espírito e nobreza de seus princípios. Não é de se admirar então que os portões das lojas estejam repletos de jovens escolhidos, ansiosos por fazer parte dessa antiga corporação. Mas esses jovens devem saber o que é a Maçonaria, de onde veio, o que custou em sacrifício de homens corajosos, e o que ela está tentando fazer no mundo. Caso contrário, não poderão perceber em que tradição benigna estão, muito menos serão capazes de justificarem a sua escolha em fazer parte dessa corporação. Cada argumento a favor de qualquer tipo de educação tem a mesma força em favor da educação dos jovens maçons nas verdades da Maçonaria. Então, e só então eles estarão prontos para saber o que o ritual realmente significa, e compreender as mensagens escondidas em seus símbolos e alegorias.

Fazendo desta necessidade uma oportunidade, a Grande Loja de Iowa decide, por meio de seu Comitê no Masonic Research, elaborar um programa bem planejado de método prático, e testá-lo através de fatos e resultados. Por lógica natural, os frutos desse trabalho sugeriram um movimento nacional para o mesmo fim, que está agora tomando forma na criação dessa Sociedade de Pesquisas. Originária em Iowa, como resultado da experiência real, seus resultados não estão confinados a esse estado, na verdade atraem o interesse de todas as Grandes Lojas do país. e de estudantes maçônicos de todas os graus e ritos, oferecendo-lhes nesta revista um meio para a comunhão mais estreita e um fórum de discussão franca, livre e fraterna de todos os aspectos possíveis da Maçonaria.

Não há a necessidade de alguém apresentar mais argumentos para  provar que um movimento como este é maçônico; ele está de acordo com as tradições mais antigas da Ordem, nós voltamos para as “Old Charges“- documentos históricos da Maçonaria e uma parte de seu mais antigo ritual – nós aprendemos que as lojas na Maçonaria Operativa eram verdadeiras escolas onde os jovens aprendiam não só técnicas de construção, mas estudavam as Sete Artes e Ciências Liberais e também a história e o simbolismo da Ordem. Aprendizes eram selecionados tanto pela físico quanto pela sua capacidade de raciocínio, e se não demonstrassem aptidão para alcançar os objetivos intelectuais da Ordem, eram então autorizados a regressar às guildas para o trabalho prático de pedreiros. “A nenhum jovem, durante seu tempo como Aprendiz, era autorizado ficar acordado até altas horas, a não ser que estivesse estudando, o que deve ser considerado um motivo justo”, como está escrito em uma das Old Charges.

Para dizer a verdade, temos muito ainda a aprender com a Maçonaria Operativa, especialmente no que se refere à formação de jovens maçons. Para começar, eles contavam uma breve história da Maçonaria ao candidato no momento de sua iniciação, deixando-o completamente aturdido, como nós também costumamos fazer, uma vez que na verdade não se sabia nada de nossa grande e heroica história. Sem dúvida a história então contada – como vemos nas “Old Charges” – era fantástica e muito longe da realidade. No entanto era esse o hábito, o problema é que esse “costume” tem permanecido entre nós de tal forma que Gould chega a dizer, e ele tem toda a razão, que os maçons sabem menos sobre a história de sua ordem do que os homens de qualquer outra fraternidade. Recordando aquele velho e sagaz costume, a Grande Loja de Iowa escreveu uma breve interpretação da história da Maçonaria, e uma cópia é presenteada aos novos Aprendizes na noite de sua Iniciação.

A pesquisa maçônica, como agora conhecemos, pode-se quase dizer ter começado com Findel, embora bom trabalho tenha sido feito anteriormente ao seu nascimento. Ainda assim, o seu “History of Masonry” foi um dos primeiros livros do gênero. e ele muito fez para colocar a Ordem no caminho da aprendizagem autêntica. Outros o seguiram, tanto no exterior como em nosso país – Pike, Fort, Mackey, Drummond, Parvin, para citar apenas alguns entre nós –  e seus trabalhos, realizados com grande dificuldade, foram em certo ponto proféticos. Um exemplo pertinente foi a breve, mas brilhante, distribuição do American Review of Freemasonry, editado por Mackey. Tudo começou em 1858, durou dois anos, e acabou por falta de apoio adequado. Em sua despedida, Dr. Mackey disse:

“Foi um experimento, começou com uma ideia de determinar o quão longe uma revista maçônica de qualidade seria mantida pela sua capacidade em nosso país. Durante dois anos esse experimento funcionou, e o plano era que a edição trimestral fosse um progresso natural no meio maçônico. Sem dúvida, foi apoiada melhor do que qualquer tipo de trabalho teria sido vinte anos atrás, mas não tão bem como um similar será daqui a dez anos, no que se refere ao caráter literário as coisas estão melhorando. O editor sente alguma satisfação em acreditar que esse trabalho, durante sua breve existência, teve um importante papel para ajudar a acelerar essa melhoria.”

Continua…

Autor: Joseph Fort Newton
Tradução: Luiz Marcelo Viegas

Fonte:
The Builder Magazine
Volume I, Número I, janeiro -1915

Nota do Blog

Com essa primeira parte do Um Prefácio, o blog inicia uma série de postagens, sempre às terças-feiras, de artigos publicados pela renomada The Builder Magazine entre 1915 e 1930. Com isso reforçamos nosso compromisso de sempre oferecer a nossos leitores as melhores fontes de estudo e pesquisa no que se refere a assuntos maçônicos.

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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, Nº 273, jurisdicionada à GLMMG, oriente de Ibirité/MG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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Uma resposta para The Builder Magazine – Um Prefácio

  1. Sebastião Branco Rodrigues disse:

    Bom Dia

    Muito bom que retorne essas publicações, tendo em vista que eu mesmo sendo um MI e Grau 33º tenho plena consciência que ainda tenho muito a aprender e polir a minha P.’.B.’.. TFA Rodrigues

    Curtir

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