Alienação Social

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Alienação social é um termo que se refere à maneira pela qual membros de uma sociedade tornam-se padronizados e perdem – ainda que parcialmente – seu senso crítico. Dessa forma, surge como consequência o “senso comum”, que é um conjunto de crenças e suposições populares edificadas a partir da falta de reflexões profundas. Ou seja, o senso comum é o que torna tudo raso e supérfluo.

A palavra “alienação” vem do latim alienus, e significa “algo que vem de outra pessoa”. Karl Marx foi um dos principais filósofos que estudaram o significado da palavra “alienação”, bem como suas causas e consequências. Em suas obras, o pensador alemão relacionou essa palavra diretamente à noção de trabalho, explicando que os homens, para sobreviver, submetem-se à venda de sua força de trabalho, e isso gera desigualdade social e ocasiona uma divisão das relações sociais. Assim, para Marx, um sujeito submete-se à alguma coisa sem ao menos questionar sobre as razões históricas e sociais que fizeram com que tal coisa se tornasse aquilo que é.

Há uma categorização elaborada em torno do tema “alienação social”, que a divide em três classes: a alienação econômica, a intelectual e a social. Na econômica os produtores não se veem como produtores; na social o homem sente-se separado do meio externo e coloca a sociedade como sendo “o outro”; e na intelectual os indivíduos consideram as ideias como sendo universais, tomam-nas como verdades absolutas, reproduzem-nas e tendem a perder seu senso reflexivo (grifo nosso). Todas elas, apesar de suas diferenças, possuem um aspecto em comum: resultam num mesmo fator, que é o surgimento de uma Ideologia. A Ideologia é uma elaboração intelectual da classe dominante e dirigente, que passa a ser incorporada pelas outras classes sociais. Assim, essas outras classes (compostas pelos cidadãos alienados) irão reproduzir as ideias, pensamentos e opiniões dos dominantes ou dirigentes. Dentro de tal contexto, aqueles que se tornam alienados e, conforme já mencionado anteriormente, perdem sua capacidade crítica, passam a reproduzir o que lhes é passado pelos outros e acabam por viver num mundo de aparências e dissimulações, pois encaram e vivem seu cotidiano somente sob uma perspectiva já formulada por outros, e não por eles próprios (conforme a tradução da terminologia latina citada anteriormente: algo que vem de outra pessoa). Portanto, esses indivíduos alienados irão se submeter aos valores pregados pelas instituições vigentes.

O grande problema da Alienação Social, qualquer que seja a categoria em que se manifeste, é que o indivíduo atingido por ela torna-se padronizado e tem seus pensamentos limitados. Filosoficamente isso é um grande obstáculo, pois representa a perda da autonomia dos homens, além de significar uma aceitação e um plágio inconsciente do que outras pessoas dizem e pensam. A Filosofia deve atuar na batalha contra a perda do senso crítico, pois é capaz de despertar a indagação no ser humano e levá-lo a examinar a realidade que o cerca, podendo assim instaurar a emancipação do pensamento, da consciência e da subjetividade de um homem.

Autora: Juliana Vannucchi

Fonte: Acervo Filosófico

Nota do Blog

Decidimos postar o texto da Juliana para que possamos refletir sobre o que está ocorrendo em nosso meio, principalmente em nossas lojas.

Analisemos o que é discutido em loja na maioria das vezes. Qual o teor dos assuntos tratados na “Ordem do dia”? Os temas abordados refletem algo similar com o texto acima? O que nos é transmitido (se o é), durante o quarto de hora de estudos, auxilia-nos em nosso aprimoramento enquanto maçons e cidadãos? Nossas lojas estão inseridas na sociedade, ou são uma ilha onde o que importa é a definição dos cardápios das festas que são realizadas? Trabalhamos para o todo que nos cerca? Ou olhamos apenas para nós? Trabalhamos para buscar a felicidade da humanidade?

Reflitamos sobre isso. E, se for o caso, mudemos nossa postura. Sejamos o que nunca deveríamos deixar de ser: uma das engrenagens que se movem sempre  em busca de um mundo melhor. Um mundo do qual fazemos parte, e pelo qual também somos responsáveis.

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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, Nº 273, jurisdicionada à GLMMG, oriente de Ibirité/MG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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2 respostas para Alienação Social

  1. Joaquim Ricardo Filho disse:

    Texto muito atualizado,principalmente quando remete ao questionamento sobre o que nós como INICIADOS estamos fazendo diante da grande responsabilidade que somos convocados.

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  2. Christian disse:

    Alienação é algo bom. Pra ser político é preciso ter uma perspectiva de vida, é necessário ser um homem guerreiro e superior, e não desiste dos seus objetivos, e até morre por isso, como o caso do Yukio Mishima. Por isso que ser político e não-alienado é ruim, leva a dor e sofrimento. Prefiro ser alienado, headbanger, misantropo, isolado socialmente, sem vida social, ignorante, e odiando a vida e desejando o exterminio da humanidade.

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